Reivindicam

29 mai11:00

Indígenas bloqueiam três rodovias na divisa entre SC e RS

Marielise Ferreira | marielise.ferreira@zerohora.com.br

Três rodovias no norte gaúcho e que fazem divisa com Santa Catarina foram bloqueadas por indígenas em quatro pontos na manhã desta terça-feira. Eles reivindicam melhorias no atendimento à saúde nas reservas em que vivem. As interrupções acontecem em Iraí, São Valentim, Ronda Alta e Planalto.  Policiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Chapecó ajudam na orientação do trânsito no local.

Os bloqueios começaram por volta às 9h. Mais de 300 indígenas trancaram o trânsito na rodovia Iraí — Palmitos (SC), a dois quilômetros da ponte que liga Iraí ao estado vizinho. Troncos e pedras impedem a passagem de carros. Longas filas se formaram nos dois lados da ponte.

A PRF  de Seberi monitora o protesto e orienta os motoristas a aguardarem em postos de gasolina para evitar confrontos. Há três desvios possíveis, todos por balsa. O mais próximo tem 28 quilômetros até Vicente Dutra, onde uma balsa dá passagem somente para carros de até 9 toneladas, com pequeno porte.

Passar por ali pode chegar a uma espera de quatro horas segundo a PRF, já que a balsa é pequena e passam dois veículos por travessia. O desvio com condições de travessia para caminhões tem distância de 60 quilômetros e fica em Barra do Guarita, na divisa com Itapiranga (SC). Os indígenas em Iraí devem permanecer com a rodovia trancada até as 16h.

Na rodovia Ronda Alta – Nonoai (ERS-324) há dois pontos de bloqueio feitos por indígenas. Um deles no km 46, em Ronda Alta, na localidade Alto Recreio e outro em Planalto, no km 91 na localidade Linha Bananeiras. No primeiro ponto, em Ronda Alta, onde o fluxo de veículos é maior, cerca de 100 a cada hora, os indígenas prometem desbloquear a rodovia em intervalos de duas horas. Já em Planalto, prometem liberar a passagem de carros a cada seis horas.

A Polícia Rodoviária de Nonoai, que está monitorando os bloqueios, não orienta os motoristas a buscarem desvios. É que todas as formas de desviar o protesto passam por estradas vicinais dentro das reservas indígenas e os motoristas poderiam ser retidos por indígenas também ali.

Na rodovia São Valentim – Erval Grande (RSC-480) cerca de 100 indígenas bloqueiam a rodovia que leva a Chapecó (SC) e impedem também a entrada em Benjamin Constant do Sul, no km 30, que possibilitaria o único desvio, por dentro da Reserva Indígena do Votouro. Neste ponto, os caingangues estão irredutíveis e prometem não retirar o bloqueio enquanto não forem atendidos em suas reivindicações. Mais de 50 veículos passam por hora na rodovia e há engarrafamento nos dois lados da via. Os indígenas querem melhorias no atendimento à saúde nas reservas indígenas, com distribuição de medicamentos e atendimento ampliado.


ZERO HORA



1 comentário
21 out18:19

Delegados realizam mobilização em Chapecó

A principal reivindicação da classe é com relação aos baixos salários. Há 13 anos eles não recebem reajustes. Atualmente a Polícia Civil de Santa Catarina, ocupa a 23ª posição de pior salário de todo brasil. Além disso, a falta de efetivo é outro agravante. O número é baixo para dar conta da demanda.

Somente a região de Chapecó, que atende outros 21 municípios, são apenas 108 policiais. Desgaste físico e mental para os trabalhadores e prejuízos para segurança da população.

Por enquanto a mobilização acontece de forma pacífica, sem a paralisação das atividades. Mas devem parar, caso a categoria não tenha um posicionamento do governo.


Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de Santa Catarina divulgou nota:


Nota à Sociedade Catarinense

A Questão Salarial:

Os Delegados de Polícia Civil estão há 13 anos sem qualquer reposição de vencimento. É a única categoria estadual que não foi contemplada com qualquer aumento nos últimos 13 anos. O Governo adotou medidas paliativas dando gratificações precárias que não dão segurança e não recompõem as perdas salariais. Outrossim, ressalta-se que, atualmente, a remuneração do Delegado de Polícia do Estado de Santa Catarina é a 23ª pior, sendo o sétimo Ente Federativo, no que tange a arrecadação.

O Escasso Efetivo:

A Polícia Civil de Santa Catarina trabalha hoje com apenas 54% de seu efetivo ideal. Em 1984, éramos mais de 3300 policiais. Hoje, mesmo com todo aumento da população e da criminalidade, somos pouco mais de 3100 homens e mulheres. Ainda assim, é uma das polícias civis com maior índice de resolução de crimes.

ADEPOL/SC – Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de Santa Catarina/ Seccional Oeste


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