Rodízio

10 fev17:50

Rodízio de água em Seara

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

Os moradores de Seara, que antes ficavam 12 horas sem receber água, em esquema de rodízio, a partir de hoje ficarão até 24 horas sem o fornecimento. O gerente da Casan em Seara, Marcelo Cozzer, disse que isso acontece porque a vazão do rio Caçador diminuiu ainda mais e é preciso buscar complemento na barragem de Itá. Com isso é preciso esperar mais tempo para tratar água e assim abastecer o município.

- E caso não chova nos próximos dias a tendência é que o período sem água aumente – comentou Marcelo.

O racionamento por falta de água, provocada pela estiagem, se deve porque o poço profundo que poderia abastecer a cidade, está com uma bomba e tubulação entalados desde dezembro. A bomba queimou no dia 15 de dezembro e, na troca, dia 20 de dezembro, o equipamento com 22 toneladas caiu mais de 100 metros dentro do poço, que tem 589 metros.

A barragem do Rio Caçador, que seria a alternativa, não tem volume de água suficiente. Para tentar acumular mais água foi realizado durante 10 dias um trabalho de desassoreamento na barragem de captação. – Agora está tudo limpo, só falta chover – disse Marcelo.

O Superintendente Regional da Casan, Écio Bordignon disse que, além de Seara, outros municípios estão com rodízio no abastecimento: Jardinópolis, Formosa do Sul, Caxambu do Sul e São Miguel do Oeste.


Caminhões puxam água

A população de 17 mil habitantes consome uma média 1,8 mil litros por dia. Para amenizar a situação três caminhões da Prefeitura buscam cerca de 200 mil litros de água por dia na estação de tratamento da Casan em Itá, distante 18 Km da cidade. – São cerca de 20 viagens diárias – disse o presidente da Defesa Civil em Seara, Fabio Stocco.

A prefeitura estuda também a possibilidade da contratação de mais três caminhões para buscar água. –Devemos iniciar o trabalho com esses caminhões a partir da segunda-feira – acredita Stocco. O custo diário para a locação e transporte para o poder municipal será de aproximadamente R$ 4,5 mil.

Na manhã desta sexta-feira o presidente da Defesa Civil se reuniu com diretores da Seara Alimentos. A empresa, que utiliza 5,4 mil litros de água por dia, vai disponibilizar a estrutura de captação no Rio Uvá. – A ideia é colocar a nossa estrutura a disposição da Prefeitura – disse Neri Cosmann, gerente geral da Unidade em Seara.


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06 jan09:03

Torneiras secas em Seara

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Os efeitos da estiagem no Oeste já começam a ser sentidos também nas torneiras dos moradores da zona urbana. Quatro municípios estão fazendo rodízio no abastecimento de água: Seara, Anchieta, Guaraciaba e São Miguel do Oeste.

Seara ontem decretou situação de emergência aumentando para 56 o número no Estado. A cidade foi dividida em duas partes e cada uma recebe água apenas 12 horas por dia. De acordo com o chefe da agência local da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), Marcelo Cozer, o rio Caçador, que abastece a cidade, diminuiu a vazão em 70%. Com isso a produção de água tratada está em apenas metade da demanda de 120 litros por hora.

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Com isso a água acaba não chegando nas partes mais altas da cidade. A Casan está abastecendo cerca de 50 famílias com caminhão-pipa. O problema se agravou em virtude de um problema no poço profundo que tem vazão suficiente para atender toda a cidade. Em dezembro uma bomba queimou e, quando foram trocá-la, a tubulação e a bomba caíram a uma profundidade de 103 metros.

O superintendente regional de negócios da Casan no Oeste, Écio Bordignon, disse que uma empresa deve ser contratada hoje para fazer a retirada do material para poder colocar o poço novamente em funcionamento.

Em São Miguel do Oeste o Rio Cambuim secou e a cidade está sendo abastecida apenas com um poço profundo do Aqüífero Guarani, que produz 130 mil litros por hora, pouco mais da metade da demanda da cidade. O fornecimento foi dividido em 12 horas para a parte alta da cidade e 12 horas para a parte baixa.

O esquema é o mesmo em Anchieta, onde também secaram os mananciais que abastecem a cidade. Em Guaraciaba o problema é a vazão dos poços artesianos que diminuem o fornecimento de água nesse período. A Casan aumentou a perfuração de dois poços, de 150 para 300 metros, e conseguiu aumentar um pouco a vazão. Mesmo assim são efetuadas manobras de registro em que os moradores ficam de seis a oito horas sem água por dia

-Nossa avaliação é que a cada dia a situação preocupa mais- disse Bordignon. Ele informou que a Casan está adotando algumas medidas emergenciais que são a perfuração de poços em Iporã do Oeste, Modelo, Anchieta, Guaraciaba, Videira, Palmitos, São Domingos e Descanso.


Aproveitando a água da chuva

Sem receber água da rede, muitos moradores de Seara aproveitaram para guardar um pouco de água da chuva de ontem em baldes e bacias. Lourdes Antunes, moradora do bairro Bela Vista, colocou o balde na goteira e começou a esfregar a calçada. Afinal, ela tem que aproveitar cada gota. Ela ficou três dias sem água e ontem recebeu um pouco do caminhão pipa da Casan. Seu marido, Domingo Antunes, disse que chegou a ficar sem banho em alguns dias. O filho, Gilmar Antunes, foi nos vizinhos. Para lavar a louça e beber a família vai no centro da cidade e enche litros usados de refrigerante.

O vizinho Décio Gasperin chegou a comprar uma caixa de água nova para tentar construir a cisterna. Mas ele não tinha montado o sistema até a chuva de ontem e conseguiu armazenar muito pouco. A torneira da rede da Casan geralmente está sem água. Desde segunda-feira passada ela jorrou o líquido só no sábado e no domingo. –Chegamos a tomar banho com regador- disse Janice Gasperin. E a água do banho ainda é captada numa bacia, para ser utilizada no vaso sanitário. A família não recebeu água nem do caminhão-pipa. –A gente paga só o vento- reclama Janice. A roupa suja ela leva para a casa dos pais, que moram distante 10 quilômetros, no interior de Seara.

O agricultor Ernesto Tochetto também recolheu um pouco de água com um balde. Para ele a chuva até que foi boa. É que ele tem uma fonte na propriedade e, com a chuva, deve melhorar a vazão. –Vai resolver por uns três a quatro dias- explicou. Mas, na lavoura de milho, a chuva não recupera as perdas de 30 a 40%.





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