São João do Oeste

14 set08:49

São João do Oeste tem o menor índice de analfabetismo em SC

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Numa cidade distante 760 quilômetros de Florianópolis as casas são bonitas e bem pintadas, os gramados verdes e floridos. As ruas são limpas. Não há mendigos. A delegacia quase não tem ocorrências. Coincidência ou não, São João do Oeste é o município mais alfabetizado de Santa Catarina e o segundo mais alfabetizado do Brasil. E o interessante é que a cidade não tem escola particular. Os 1,1 mil alunos são de sete escolas municipais e três estaduais. É que o município, desde a colonização, tem a educação como prioridade.

— O município dá apoio e os professores são competentes — explica a diretora do Centro Educacional São João do Oeste, Jacinta Dill, que tem 220 alunos do ensino fundamental.

Ela explica que os 20 professores tem pós-graduação. Os estudantes devem seguir uma cartilha de boas maneiras, como esperar sua vez na fila, esperar sua vez de falar e deixar a sala limpa e arrumada. Quando bate o sinal no fim do dia não há aquela correria alucinada como em algumas escolas. Cada aluno pega a sua cadeira, coloca virada sobre a carteira e sai ordenadamente. O gosto pela leitura é estimulado, com uma biblioteca farta. Além disso, em cada sala de aula, há livros disponíveis.

— Hoje eu peguei nove livros para ler em casa — afirma Carine Folmann, de 10 anos, que está no quarto ano. Ela lê em média 20 livros por mês. E ao mesmo tempo em que se dedica à leitura, recebe aulas com o netbook que foi doado para a escola. O quinto ano, também está ligado à tecnologia, com uma lousa interativa. Ou seja, a escola mantém-se atualizada às inovações mas sabe que isso é apenas um aspecto a ser levado em conta. O que vale é ter uma aula atrativa.

A professora Marlise Klunk, que dá aula para o primeiro ano, chega a dar cursos sobre técnicas de ensino. Ela monta brinquedos com material reciclado que servem para a aprendizagem. Com tampinhas de refrigerante e latas ela trabalha a adição e subtração. Cartas de baralho viram jogo de memória. Com caixas ela cria dados com letras e números.

— Eles aprendem brincando — explica a professora, que sente-se feliz e realizada na profissão.

Um dos segredos dela é manter a atenção dos alunos. Tanto que, se alguém não está prestando atenção, ela para a atividade, até que todos estejam atentos.

— Para aprender o aluno precisa estar ligado em você — explica.

Outra estratégia da Escola é oferecer aulas de reforço desde o início do ano, para alunos que demonstram dificuldade. Com isso eles não chegam no final do ano sem ter aprendido o conteúdo. Além disso há atividades diferenciadas, como aulas de alemão. Júlio César Ritter, de 11 anos, prevê que isso será importante no futuro, tanto profissionalmente, como para visitar outros países.

A secretária de Educação do Município, Silvane Baugarten, disse que a disputa na região é grande para dar aula em São João do Oeste. Leane Boebel, é de Mondaí, fez curso de alemão na UFSC e agora foi dar aula em São João do Oeste. Ela também se sente valorizada na cidade. Reflexo disso é que, ao perguntar para as alunas Raquel Schneider Wirth e Jussara Webers, de seis anos, o que pretendem ser no futuro, elas respondem: — Quero ser professora.

DIÁRIO CATARINENSE


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31 jul10:47

Russos visitam granjas de suínos em SC

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Dois médicos veterinários do Ministério da Agricultura da Federação Russa visitaram na segunda-feira, dia 30 de julho, três propriedades de criadores de Suínos em Santa Catarina, nos municípios de Itapiranga, São João do Oeste e Iporã do Oeste.

A expectativa de Santa Catarina é de pelo menos dobrar a venda para os russos, que foi de 24 mil toneladas no primeiro semestre, num montante de US$ 70 milhões.

A Rússia chegou a comprar 76% das exportações catarinense em 2005, num volume de 198 mil toneladas, representando US$ 386 milhões. No final daquele ano, devido a focos de aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná, Santa Catarina sofreu embargo russo, por ser estado vizinho e vendeu apenas 36 mil toneladas no ano seguinte. Com isso perdeu a liderança nas exportações para o Rio Grande do Sul. A situação foi ainda pior em 2007 e 2008, com 12 e 11 mil toneladas respectivamente.

Com a vinda de uma nova missão as lideranças do setor estão otimistas. Atualmente Santa Catarina tem dois frigoríficos exportando para os russos, a unidade da Marfrig em Seara e da Pamplona em Presidente Getúlio.

Os russos Arten Medvedev e Dmitry Kosokoz chegaram em Santa Catarina na quinta-feira passada e, na sexta-feira, visitaram a unidade da Pamplona em Rio do Sul. Ontem eles visitaram as granjas de suínos e hoje visitam a unidade da Marfrig em Itapiranga.

Amanhã eles viajam até o Paraná, onde vão visitar o frigorífico Kaefer, em Laranjeiras do Sul. Depois vão para Rondonópolis, no Mato Grosso, onde visitam a unidade da Agra Agroindustrial. O encerramento é na sexta-feira, em Brasília, onde se encontram com outros sete técnicos que estão visitando frigoríficos de aves e bovinos.

Os técnicos russos farão um relatório que será encaminhado ao Governo Brasileiro apontando se as unidades estão com conformidade com os pré-requisitos para exportação. O presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivânio Di Lorenzi, espera que a resposta seja positiva para ajudara a amenizar a crise do setor, que vem tendo prejuízos com o alto custo da soja e do milho no mercado internacional.


EXPORTAÇÕES TOTAIS DE SANTA CATARINA

2005: 260 mil toneladas (US$ 484 milhões)

2006: 172 mil toneladas (US$ 296 milhões)

2007: 170 mil toneladas (US$ 309 milhões)

2008: 149 mil toneladas (US$ 395 milhões)

2009: 147 mil toneladas (US$ 295 milhões)

2010: 119 mil toneladas (US$ 297 milhões)

2011: 153 mil toneladas (US$ 452 milhões)

2012*: 84 mil toneladas (US$ 229 milhões)

*Até junho


EXPORTAÇÕES CATARINENSES PARA A RÚSSIA

2005: 198 mil toneladas (US$ 386 milhões)

2006: 36 mil toneladas (US$ 72 milhões)

2007: 12 mil toneladas (US$ 28 milhões)

2008: 11 mil toneladas (US$ 34 milhões)

2009: 19 mil toneladas (US$ 36 milhões)

2010: 22 mil toneladas (US$ 57 milhões)

2011: 37 mil toneladas (US$ 117 milhões)

2012*: 24 mil toneladas (US$ 70 milhões)

Fontes: ACCS e SECEX


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