Seca

11 dez12:46

Estiagem: 15 municípios decretam emergência

Daisy Trombetta e Darci Debona


O número de atingidos pela estiagem ainda não foi contabilizado pela Defesa Civil, mas milhares de torneiras estão secas em Santa Catarina. Há pelo menos três meses sem chuvas significativas, municípios do Oeste e Meio-Oeste do Estado tentam driblar as dificuldades. Garantir água para o consumo animal e também para a agricultura é o grande desafio.

Moradora de Seara tem água para poucos dias.

Só que em alguns locais também falta água nas áreas urbanas e para a subsistência humana. Em Seara, no Oeste, o problema é antigo e rio que abastece a cidade está seco. Enquanto os homens não tomam providências para combater a estiagem, resta à aposentada Terezinha Martini pedir a Deus que mande chuva para não passar mais um final de ano com a torneira seca, como no ano passado.

— Espero que venha água para o Natal — disse, ao lado da caixa de água reserva no fundo da casa, onde restam apenas 500 litros.

A caixa que fica em cima da casa está vazia há três dias, tempo que não recebe água da Casan. E Terezinha tem apenas 500 litros para tomar banho, beber, lavar a roupa, fazer a comida, lavar a louça e utilizar no banheiro. O banho, é de bacia. A água é jogada no vaso. Na máquina de lavar, a mesma água é utilizada durante três dias.

— É a coisa mais triste do mundo — diz Terezinha.

A vizinha, Malvina Rodrigues, não vê água saindo da torneira há 15 dias. A única água que chegou nesse período veio de um caminhão dos bombeiros, mas que serve só para tomar banho e limpeza.

Para beber e lavar a louça ela depende das duas viagens diárias que o marido faz a pé, com uma bombona de 20 litros nas costas, para buscar água numa fonte que fica a mil metros de distância.

— Dá uma canseira — desabafa o pedreiro Jandir Rodrigues, mostrando o declive que ele precisa percorrer e que as pessoas que conhecem Seara podem imaginar como é.

Por isso, Malvina economiza ao máximo a água. Ela coloca a louça suja dentro de uma bacia e vai lavando com um caneco.

— Nós ligamos para a Casan, mas ninguém atende — diz.

Seara é um dos 15 municípios catarinenses que decretaram situação de emergência até agora. Mas poderia estar fora da lista. É que o Governo do Estado investiu mais de R$ 3 milhões num poço profundo, com 588 metros, e que passa mais tempo parado do que funcionando.

Ele foi inaugurado em 2009 e, na estiagem passada, não ajudou porque a bomba estragou e, na retirada, caiu e ficou entalada. Depois que passou o forte da estiagem ele foi arrumado. Mas, há cerca de 15 dias, a bomba novamente teve problemas mecânicos e elétricos. Uma nova bomba, vinda de Maravilha, foi instalada no final de semana. Mas ela não consegue operar continuamente, pois causa sobrecarga no sistema elétrico.

Enquanto isso, foram contratados três caminhões de uma empresa particular, que transportam um milhão de litros por dia, até o reservatório. De acordo com o diretor de urbanismo e membro da Defesa Civil de Seara, Fábio Stocco, cerca de 50 famílias que moram nas partes mais altas, que não estão sendo abastecidas, estão recebendo água com um caminhão pipa.

De acordo com o assessor de Relações com os Municípios da Superintendência da Casan no Oeste, Nilso Macieski, informou que, apesar de alguns reservatórios terem baixado, Seara é o único município com problemas no abastecimento urbano.

O prejuízo da seca também foi sentido na conta de água da família de João Atílio Parizi, que mora em linha Serra Alta, no interior de Herval d’Oeste, no Meio-Oeste do Estado. No último mês, o consumo na propriedade, onde a água é oriunda de um poço artesiano comunitário, custou R$ 500.

Além de desembolsar a alta quantia na hora de pagar a fatura, o milho que serviria para alimentar cerca de 130 cabeças de gado leiteiro também precisará ser substituído por alimentos mais caros. Com a falta de chuva, os pés do grão estão secos e impedidos de virar comida para as vacas.

— Gastamos muito porque temos que dar água do poço artesiano para o gado, por conta da estiagem. E vai precisar comprar ração também, porque parte do milho está seca e outros pés nem nasceram — lamenta.

 

 

Cisterna garante água para as aves

Após enfrentar pelo menos oito fortes estiagens na última década, o avicultor Adenilso Zampieri, de Herval d’Oeste, resolveu investir em uma cisterna para captar e armazenar 500 mil litros de águas de nascentes da propriedade, na linha Sede Sarandi.

Ele financiou cerca de R$ 16 mil reais para construir o local de armazenagem e também comprar a bomba que leva a água até os três aviários, onde são criadas 35 mil aves de corte. A medida evitou que os animais ficassem sem água, mesmo após um período de 90 dias sem chuvas significativas.

— A cisterna garante água suficiente para os animais durante quatro meses, mesmo que todas as nascentes sequem. É uma alternativa viável, o sistema é simples e evita maiores complicações nos períodos de estiagem — analisa.

Desde que instalou a cisterna, em maio deste ano, Zampieri enfrenta a falta de água de forma tranquila, diferente de outros vizinhos que precisam contar com o abastecimento de caminhões-pipa para matar a sede dos animais.

A Defesa Civil Estadual deve contabilizar nesta semana o número de catarinenses atingidos pela seca. Por enquanto, os maiores prejuízos se concentram na agricultura, onde as medidas de resposta são mais difíceis.

No que diz respeito à solicitação de água para o consumo humano, o órgão ainda não teve nenhuma solicitação. E não há outras medidas emergenciais previstas por enquanto. Segundo o diretor de resposta aos desastres, Aldo Baptista Neto, “os kits disponibilizados anteriormente poderão ser reutilizados nas novas ações de assistência, visto que todos os equipamentos adquiridos permaneceram nas regiões para atendimento das comunidades atingidas, o que dá agilidade nas ações de resposta”.


Decretaram emergência

Abdon Batista, Correia Pinto, Erval Velho, Lacerdópolis, Presidente Castello Branco,Seara, Peritiba, Piratuba, Ipira, Jaborá, Joaçaba, Irani, Herval d’Oeste,Lindóia do Sul e Caxambu do Sul.


DIÁRIO CATARINENSE

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05 dez08:46

Estiagem se alastra em Santa Catarina

Darci Debona* | darci.debona@diario.com.br

Vem chegando o verão e os 17 mil moradores de Seara novamente estão sofrendo com a falta de água. O município é um dos oito em Santa Catarina que decretou situação de emergência em virtude da estiagem. Desde o início da semana três caminhões-pipa estão transportando cerca de um milhão de litros por dia, que são captados no Rio Uvá, em Itá, distante 18 quilômetros da cidade. Cada caminhão, com capacidade para 35 mil litros, faz entre oito e dez viagens por dia. Eles foram contratados pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) a um custo de R$ 8 mil por dia.

Eles despejam a água na barragem de captação no rio Caçador, que está com apenas 20 a 25% da vazão normal. Os moradores da área urbana estão recebendo água somente 12 horas por dia, em forma de rodízio entre centro e bairros. Mesmo assim cerca de 50 famílias das partes mais altas precisam receber água por um caminhão-pipa do município, que entrega 80 mil litros de água por dia. Mais dois caminhões da Prefeitura e dois tratores levam 150 mil a 170 mil litros para 20 propriedades do interior.

De acordo com o diretor de urbanismo e membro da Defesa Civil de Seara, Fábio Stocco, a cidade tem um problema histórico de falta de água que era para ser resolvido com a construção de um poço profundo, inaugurado em 2009.

No entanto o poço enfrentou vários problemas desde a sua construção, com substituição da empresa vencedora da licitação e, após a inauguração, uma bomba que ficou emperrada dentro do poço. No início do ano a cidade teve que ser abastecida por caminhões pipa durante 45 dias. A bomba foi retirada e consertada mas, há duas semanas, voltou a apresentar problemas.

O chefe da agência da Casan no município, Carlos Pressoni Filho, disse que na quarta-feira técnicos da estatal estarão no município para fazer uma avaliação e providenciar a troca do equipamento.

Seara consome diariamente 1,6 milhão de litros de água, subindo para dois milhões nos finais de semana. Isso representa 15 horas de vazão do poço por dia.

A estiagem está concentrada principalmente no Meio Oeste, e Alto Uruguai Catarinense. A previsão para os próximos três meses para Santa Catarina é de chuvas próximo do normal ou abaixo do normal. Não há registros de fenômenos como o La Niña, resfriamento das águas do Oceano Pacífico, que contribuiu com a estiagem do verão passado.


Oito cidades decretaram emergência:

Peritiba

Presidente Castello Branco

Piratuba

Ipira

Jaborá

Irani

Herval d’Oeste

Seara



*Colaborou Juliano Zanotelli




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04 dez11:07

Três caminhões abastecem Seara com água

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

Moradores dos pontos mais altos de Seara sofrem mais uma vez com a falta de água no município. Desde o meio-dia da segunda-feira, dia 3 de dezembro, três caminhões estão transportando água do Rio Uvá em Itá, para o Rio Caçador, onde fica a Barragem de captação de água da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan).

Cada caminhão carrega 35 mil litros de água por viagem. O percurso de 18Km entre Itá e Seara, demora 1h30. Neste período já foram realizadas 20 viagens.

Segundo o chefe da agência da Casan em Seara, Carlos Pressoni Filho, esse serviço é para garantir o abastecimento de água em toda a cidade, já que a barragem está seca.

O poço profundo, que seria uma das soluções, está com problemas técnicos na bomba e não consegue puxar água há duas semanas.

- Nesta quarta-feira técnicos devem fazer uma avaliação para constatar o problema – disse Pressoni.

Caso a chova e o nível da barragem volte ao normal o transporte será suspenso. Caso contrário o serviço será mantido.



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03 dez08:54

SC já calcula prejuízos com nova estiagem no Oeste

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A agricultura de Santa Catarina encerra o ano da mesma forma que iniciou: enfrentando problemas de estiagem. Quatro municípios já decretaram emergência: Irani, Jaborá, Ipira e Herval do Oeste. Em algumas cidades, como Videira, choveu menos de 10% da média histórica.

A hidrelétrica de Machadinho, em Piratuba, suspendeu a geração de energia. A perda no milho já chega a 10%, segundo o presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola (Cidasc), Enori Barbieri, vice-presidente da Faesc.

Ele destaca que, além da quebra, o milho está quase um mês atrasado, em virtude de problemas no plantio, o que agrava a crise no Estado. O grão está cotado em R$ 35 em Chapecó, o dobro do valor de dois anos atrás.

Barbieri afirma que SC precisa implementar uma política de estímulo ao plantio do milho. Os pedidos do Estado junto ao governo federal também surtiram pouco efeito, já que veio apenas 140 mil toneladas para uma demanda de 1,8 milhão.

O analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Francisco Heiden, estima as perdas do milho entre 8% e 10%. Além disso, ele projeta um quebra de 8% a 12% na produção de leite, parte em virtude da fase de transição das pastagens, mas, principalmente, devido à falta de chuva.

A técnica em meteorologia do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de SC (Ciram), Laís Fernandes, diz que há uma previsão de chuva próxima da média histórica.

— Não dá para dizer que vai ser uma estiagem — avalia Laís.

Na estiagem passada, que durou entre novembro de 2011 e junho de 2012, foram afetadas 800 mil pessoas em 152 municípios, com prejuízo de R$ 770 milhões. Muita coisa foi prometida, mas nem tudo foi cumprido.

O secretário de Agricultura, João Rodrigues, destaca que, em dezembro, será licitada a compra de 117 tratores e cem distribuidores de adubo líquido. E os municípios devem entregar a documentação para a perfuração de poços até o final do mês.


O que veio

- R$ 5,3 milhões, R$ 456,8 mil do Fundo Estadual da Defesa Civil e o restante do governo federal para compra de tanques, água mineral, purificadores e motobombas

- R$ 2,7 milhões do governo estadual para auxiliar nos serviços contra a estiagem, principalmente transporte de água.

- R$ 5 milhões do programa Juro Zero investidos na construção de 248 cisternas. Tem mais R$ 5 milhões disponíveis

- R$ 400 para 64 mil famílias beneficiadas pelo bolsa estiagem do governo federal. Ficaram de fora entre 10 mil e 15 mil famílias

- R$ 10 mil por família de crédito do governo federal, com juro de 1% ao ano e bônus de 20% para quem pagar em dia

- R$ 800 milhões do Proagro para o Sul

- Dívidas prorrogadas


O que falta chegar

- R$ 10,9 milhões para aquisição de 117 tratores e 100 distribuidores de adubo líquido para transporta água para os interior dos municípios de um convênio com Ministério da Agricultura e Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca (R$ 9,7 milhões) e contrapartida do governo do Estado (R$ 1,15 milhão)

- R$ 9,9 milhões do Ministério da Integração Nacional e Secretaria de Estado da Defesa Civil com R$ R$ 1,1 milhão de contrapartida do governo do Estado para perfuração de 336 poços com bombas d´água e reservatórios de 20 mil litros para 99 municípios

- R$ 60 milhões do Programa Caminhos do Desenvolvimento anunciado pelo governo do Estado (parte de um empréstimo de R$ 611 milhões com o BNDES) para minimizar os efeitos da estiagem.


O que não veio

- Anistia de dívidas

- Seguro que garantisse renda ao agricultor em caso de perdas e não somente cobrisse o financiamento

- Milho suficiente. Veio apenas 10 mil toneladas para uma demanda de 1,8 milhão de toneladas.


DIÁRIO CATARINENSE



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03 out09:57

Ministra explica veto à MP criada para socorrer prejuízos da seca

De férias em Mafra, onde participa da campanha eleitoral na região, a ministra de Relações Institucionais Ideli Salvatti credita o debate sobre auxílio a agricultores atingidos pela seca a brigas político-partidárias.

— Não tem nenhum agricultor sem auxílio, não tem nenhum agricultor catarinense sem refinanciamento da dívida — afirmou ontem.

>> Governo Federal libera R$ 10 milhões em equipamentos para 100 municípios atingidos pela estiagem

>> Governo anuncia medidas para crise do milho

Ideli garante que o PSDB, que protocolou um pedido para estender aos agricultores do Sul os benefícios de uma Medida Provisória (MP) para atender o Nordeste, sabia que a ampliação geográfica geraria uma “confusão jurídica”, pois os produtores rurais do Sul já estavam sendo atingidos via MP, porém editada em 2011. Confira os trechos da conversa mantida ontem com o DC:

Diário Catarinense — Temos notícias de que os agricultores catarinenses gostariam de que a MP que socorreu a estiagem do Nordeste fosse ampliada para o Sul. Por que isso não ocorreu?

Ideli Salvatti — Não existe este pleito. Não existe pleito da região Sul, pois a região justamente já está sendo contemplada por uma MP editada no ano passado. As entidades da região Sul não fizeram esse pleito. Isso é guerra política apenas.


DC — A edição de uma MP em 2011 impede a ampliação da MP de 2012?

Ideli — Claro. Juridicamente isso não é possível. A Medida Provisória do ano passado inclusive foi referendada pelo Conselho Monetário Nacional. A MP do Nordeste é específica para aquela região. Até porque os agricultores das duas regiões vivem situações diferenciadas.


DC — Como assim?

Ideli — Os financiamentos não são idênticos, pois no Nordeste o financiador é o Banco do Nordeste. No Sul, é o Banco do Brasil. Não dava para incluir tudo no mesmo bolo, pois têm naturezas diferentes. Quando o PSDB apresentou a emenda, o governo ficou rouco de dizer que aquele pedido era um equívoco, um erro. Por isso houve o veto, por uma necessidade legal. A razão do veto, inclusive, consta no documento do próprio veto. Se o Sul já estava amparado por uma MP, como receberia outra MP?


DC — Os agricultores do Nordeste foram mais agraciados?

Ideli — Ao contrário. Se fôssemos fazer uma situação comparativa, hipoteticamente falando, creio que os agricultores catarinenses foram atendidos até em situação melhor.


DC — A senhora pode ilustrar isso?

Ideli — Além da MP do ano passado, ainda conseguimos em maio de 2012 um crédito extraordinário de R$ 10 milhões para socorrer as prefeituras catarinenses. Este dinheiro já está na conta da Secretaria da Agricultura de SC, com quem dividimos a definição dos critérios a serem adotados na distribuição do dinheiro.


DC — E que critérios são esses?

Ideli — Os municípios com maior número de decretos de emergência por estiagem, nos últimos 10 anos, seriam os beneficiados por este crédito extraordinário. Assim, estamos conseguindo atender, com este dinheiro extra, mais 117 prefeituras.


DC — O que os agricultores destes municípios estão recebendo com este dinheiro?

Ideli — Um trator e um distribuidor de adubo líquido que, nas épocas de estiagem, podem servir para transportar água.


DC — Ministra, mas se os produtores rurais catarinense estão bem atendidos, porque o pleito de ver a MP do Nordeste ampliada para cá?

Ideli — Insisto, não há esse pleito.


DC — Algum outro pleito, no mesmo sentido?

Ideli — Tem a questão do milho. E um debate entre o Ministério da Fazenda e o da Agricultura (ontem) avaliando a possibilidade de autorizar a Conab a adquirir milho acima do preço médio. Hoje, a Conab está proibida de fazer essa aquisição. Se os dois ministérios concordarem, o milho poderá ser adquirido no PR — e portanto mais perto de SC e do RS — e com preço mais flexível. Hoje, os produtores estão tendo de pagar mais caro e esperar a logística de transporte desde o Centro Oeste. Se for autorizada a mudança, os agricultores vão ganhar em tempo e em dinheiro, pois reduz o custo do frete devido à proximidade.


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01 out10:08

Apoio federal a atingidos pela seca exclui Santa Catarina

Natália Viana | natalia.viana@diario.com.br

Cerca de 30 mil agricultores de Santa Catarina ficarão fora da chamada MP da Seca, assinada pela presidente Dilma Rousseff (PT) na semana passada. A nova lei estabelece condições de renegociação de dívidas e linhas de crédito para produtores rurais de municípios atingidos pela estiagem.

A emenda que estendia os benefícios aos três estados do Sul foi vetada pela presidente. m abril, a Presidência editou uma medida provisória (MP) que estabelece a liberação de linhas de crédito para os atingidos pela estiagem no Nordeste e pelas enchentes na região Norte. Além disso, o texto também prevê mais condições para a renegociação de dívidas.

O senador Paulo Bauer (PSDB) apresentou a emenda para estender aos produtores rurais dos estados do Sul, atingidos pela estiagem de dezembro de 2011 a abril deste ano. Segundo o tucano, um dos pontos da lei estabelecia que os empréstimos poderiam ter o prazo prorrogado e com juros menores, sendo que o subsídio para os juros menores viria dos fundos constitucionais de desenvolvimento daquelas regiões.

— Estes fundos foram criados pela Constituição de 1988, porque, na época, a situação do Norte e Nordeste era bem mais difícil. Como no Sul não há este tipo de fundo, quando redigi a emenda estabelecia que os recursos para subsidiar a redução dos juros viria do Tesouro Nacional.

A MP foi negociada com o governo federal, aprovada na Câmara e no Senado. Na semana passada, a presidente Dilma assinou a nova lei com três vetos, incluindo a emenda de Bauer. A justificativa do Planalto é de que a abertura de linhas de crédito para os agricultores da Região Sul já havia sido autorizada pelo Conselho Monetário Nacional.

No início de setembro, o CMN aprovou o parcelamento em até 10 vezes dos débitos de financiamento de custeio da safra 2011-2012, além de autorizar a renegociação de linha especial de crédito para os produtores de laranja.

Mas, segundo Bauer, a renegociação aprovada pelo Conselho é diferente da prevista na MP. O vice-presidente de secretaria da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, estima em cerca de 30 mil os agricultores atingidos pela estiagem no Estado. Desde dezembro, 193 municípios, a maior parte no Oeste e Meio-Oeste, decretaram situação de emergência pela seca. O secretário da Agricultura, João Rodrigues, estima em até 60 mil pessoas atingidas.


DIÁRIO CATARINENSE



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31 ago14:56

Há 24 anos não era registrada uma estiagem tão forte no mês de agosto em Chapecó

[Atualizado 15h12]

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

Chapecó não tinha registrado um mês de agosto tão seco desde 1988. Neste ano, além do calor acima do normal foram registrados apenas dois dias de chuva neste mês, dia 7 e 14. Foram apenas 2,3 milímetros, bem distante da média histórica para o mês, que é de 146 milímetros.

– Esse número é recorde. Desde 1988, quando foram registrados 21 milímetros, não era registrado um número tão baixo de chuva – disse o observador metereológico da Epagri em Chapecó, Francisco Schervinski. O volume de chuva na cidade é registrado diariamente desde 1969.

Francisco disse ainda que a última chuva significativa registrada em Chapecó foi no dia 30 de julho, quando choveu 57 milímetros.

De acordo com o levantamento feito pela Epagri/Ciram,órgão que monitora as condições meteorológicas de Santa Catarina, esta anormalidade registrada durante agosto se deu por um bloqueio atmosférico que favoreceu o predomínio de uma massa de ar seco no estado. Este bloqueio estava previsto para os primeiros 15 dias do mês, mas se estendeu pela segunda quinzena.

Para os últimos vinte dias do inverno, a previsão é de que as temperaturas fiquem ainda mais elevadas.

Setembro, normalmente, registra mais chuva do que agosto. Apesar de o mês começar sob a influência da massa de ar seco, a Epagri/Ciram indica um período de chuva que deve começar no dia sete, se estendendo até o fim da primeira quinzena.



Chuva registrada no mês de agosto em Chapecó

2012 – 2,3 mm

2011 – 266 mm

2010 – 66 mm

2009 – 240 mm

1988 – 21 mm

1969 – 93 mm

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15 mar17:52

102 Municípios em situação de emergência

Subiu para 102 o número de municípios atingidos pela estiagem em Santa Catarina. Os últimos decretos encaminhados para a Defesa Civil do Estado foram Rio das Antas e Luzerna.

Segundo a Defesa Civil já passam de 614.035 o número de pessoas afetadas.


102 municípios em situação de emergência


Abelardo Luz

Águas de Chapecó

Águas Frias

Alto Bela Vista

Anchieta

Arabutã

Arroio Trinta

Arvoredo

Bandeirante

Barra Bonita

Belmonte

Bom Jesus

Bom Jesus do Oeste

Caibi

Campo Erê

Caxambu do Sul

Celso Ramos

Chapecó

Concórdia

Cordilheira Alta

Coronel Freitas

Coronel Martins

Cunhataí

Cunha Porã

Descanso

Dionísio Cerqueira

Entre Rios

Faxinal dos Guedes

Formosa do Sul

Flor do Sertão

Galvão

Guaraciaba

Guarujá do Sul

Guatambu

Iomerê

Ipira

Iporã do Oeste

Ipuaçu

Ipumirim

Iraceminha

Irati

Irani

Itá

Itapiranga

Jaborá

Jardinópolis

Jupiá

Lajeado Grande

Lindóia do Sul

Luzerna

Maravilha

Marema

Modelo

Mondaí

Nova Erechim

Nova Itaberaba

Novo Horizonte

Ouro

Ouro Verde

Paial

Palma Sola

Palmitos

Paraíso

Passos Maia

Peritiba

Pinhalzinho

Pinheiro Preto

Piratuba

Planalto Alegre

Ponte Serrada

Presidente Castello Branco

Princesa

Quilombo

Riqueza

Rio das Antas

Romelândia

Saltinho

Santa Helena

Santa Terezinha do Progresso

Santiago do Sul

São Bernardino

São Carlos

São Domingos

São João do Oeste

São José do Cedro

São José do Cerrito

São Lourenço do Oeste

São Miguel da Boa Vista

São Miguel do Oeste

Saudades

Seara

Serra Alta

Sul Brasil

Tangará

Tigrinhos

Treze Tílias

Tunápolis

União do Oeste

Vargeão

Xanxerê

Xavantina

Xaxim


Lista atualizada em 15 de março de 2012, pela Defesa Civil.


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27 fev10:11

Só 6% dos produtores de SC pediram seguro contra seca

Alessandra Ogeda | alessandra.ogeda@diario.com.br

Quase metade de Santa Catarina sofre, de forma recorrente, com o problema das estiagens. Dos 293 municípios do Estado, 132 registram a escassez de chuvas com frequência. O maior prejuízo é registrado na lavoura. Desde dezembro, a quebra na produção de diferentes culturas provocou perdas de R$ 549,6 milhões. O seguro da lavoura, que poderia remediar o problema, cobre uma parte pequena da produção.

Mesmo a estiagem sendo um problema recorrente, poucos agricultores cobrem as possíveis perdas com seguro. O secretário adjunto da Agricultura de SC, Airton Spies, calcula que cerca de 75 mil produtores rurais foram prejudicados pela estiagem que começou a castigar as lavouras de 96 municípios do Estado em novembro.

Na safra 2011-2012, 59,6 mil agricultores tiveram a lavoura segurada pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Deste total, 4.640 solicitaram a cobertura dos prejuízos até o dia 17 deste mês. Pouco mais de 6% do total de produtores atingidos pela estiagem.

Uma das razões para este acesso baixo ao seguro é que o Proagro, capitaneado pelo governo federal e o mais barato do mercado, serve apenas para cobrir a dívida do agricultor que financiou o custeio de plantio da lavoura. Essa modalidade de seguro não garante a produção, e custa 2% do financiamento para os agricultores familiares. Apenas a modalidade Proagro Mais prevê o pagamento de até 65% do lucro estimado pelo agricultor. Mas quem não pede financiamento ou o agricultor que quer ter uma cobertura total não busca o Proagro.

Na safra atual, o Banco do Brasil, que concentra grande parte das operações de crédito rural no país, assinou 76,5 mil contratos de financiamento no Estado. Destes, 59,6 mil aderiram ao Proagro. Outros 1,55 mil produtores aderiram ao seguro agrícola. O número de produtores que procuraram esta cobertura no BB, uma das cinco instituições que oferecem a modalidade, não chega a 1% do total do Estado.

— Este é um número ínfimo e que mostra como o seguro não vai resolver o problema que enfrentamos neste momento. O seguro agrícola é algo novo e que ainda não está popularizado, por desconhecimento e pelo custo — analisa Spies.

Nos moldes atuais, o seguro agrícola só funciona se tiver o estímulo de subvenções do governo. Entre 2006 e 2010, elas representaram 51,7% dos recursos arrecadados para os prêmios dos seguros — como é chamado o custo para fazer a cobertura.

— O crescimento do seguro agrícola no país foi diretamente proporcional à subvenção. O problema é que, nos últimos três anos, os valores orçados para essa subvenção foram inferiores às necessidades dos agricultores — argumenta Luiz Roberto Foz, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Sem a garantia de uma subvenção, reduz a oferta de produtos para cobrir os prejuízos. Fora do Proagro, o custo do seguro acaba ficando caro para o produtor, avalia Carlos Bestetti, gerente de Levantamento e Avaliação de Safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse custo flutuaria entre 3% e 12% do valor segurado.

Além do subsídio do governo federal, um incentivo para os produtores, segundo Bestetti, são programas estaduais que pagam parte da parcela do custo do agricultor. Mesmo com atraso, SC começa a trilhar este caminho. Será assinado nesta segunda, dia 27, um convênio com o BB para subsidiar em 50% o prêmio devido pelo agricultor que plante milho, soja, trigo e arroz.

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23 fev09:59

Governador vem à Chapecó anunciar novas medidas para combater os efeitos da estiagem no Oeste

Governador vem à Chapecó anunciar novas medidas para combater os efeitos da estiagem no Oeste

O encontro será nesta sexta-feira, dia 24, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes

Nesta sexta-feira, 24, o Governador Raimundo Colombo acompanhado do secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, João Rodrigues, e do secretário de Estado da Defesa Civil, Geraldo Althoff, estará em Chapecó para anunciar novas medidas para combater os efeitos da estiagem no Oeste. O evento está marcado para às 13h, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes na sala Agostinho Duarte, em Chapecó.

O encontro vai contar com a presença dos prefeitos dos municípios em situação de emergência, dos secretários de Desenvolvimento Regional e lideranças locais. De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, João Rodrigues, as medidas anunciadas incluirão recursos financeiros para prefeituras, destinados à contratação de serviços, transporte de água e produção de silagem. Também será anunciada liberação de sementes de milho para a próxima safra aos agricultores atingidos pela estiagem, e que não foram atendidas por políticas de crédito rural ou seguro agrícola.

- Nosso trabalho é para que nenhum agricultor fique sem o apoio do Governo do Estado. Em Santa Catarina, cerca de 10% das propriedades que tinham financiamento de custeio acionaram o seguro agrícola e aquelas que não foram beneficiadas receberão sementes para próxima safra – destacou Rodrigues.

O Governador Raimundo Colombo faz questão de ressaltar a importância da armazenagem de água como saída para estiagem. – Santa Catarina não é um Estado seco, em condições normais, na região Oeste chove todos os meses do ano. Então a solução é armazenar água da chuva para atravessar esses períodos de estiagem -afirmou Colombo.

Para o secretário adjunto de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, esta estiagem está deixando lições importantes para agropecuária catarinense que confirmam a necessidade de investimentos em irrigação. – Isso vaio permitir uma agricultura baseada no uso de tecnologias de ponta. Resultando em alta produtividade com a necessária segurança ao agricultores – conclui.

Até o momento, 96 municípios decretaram estado de emergência em Santa Catarina resultando em aproximadamente R$ 600 milhões em perdas de produção agrícola e afetando diretamente 595 mil pessoas.


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