Tarifas

11 jul14:54

Usuários e especialistas questionam relatório que mostra queda no preço das passagens aéreas

A informação de que em 2011 o preço médio das passagens aéreas caiu 6,8% causou surpresa entre usuários frequentes de voos comerciais e especialistas. Quem sente no bolso a variação dos preços tem a impressão de que o resultado aferido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não corresponde à realidade. Já os especialistas lembram que, sem a devida explicação, a metodologia usada pela agência reguladora esconde o fato de que, ainda que o valor das tarifas tenha baixado em alguns trechos, eles subiram bastante em outros.

Entre os passageiros frequentes que questionam o relatório está o bancário brasiliense Cleber Aragão Melo. Em 2011, além de uma viagem internacional, ele fez ao menos dez viagens pelo Brasil. Melo disse à Agência Brasil que, em meados do ano passado, ouvia que as passagens estavam aumentando em função da crise econômica internacional. Depois, foram as notícias sobre a alta no preço do combustível de aviação. No final, lembrou o bancário, só com muita pesquisa e antecedência conseguia adquirir passagens a bons preços.

— Para mim, dizer que o preço caiu 6,8% é algo que não reflete muito a realidade. A menos que consideremos as promoções. Eu mesmo procuro só comprar passagens em promoção — afirma Melo.

Em primeira análise, a questão sobre o sentimento dos usuários e a conclusão da Anac parece ser a mesma existente entre o resultado da Tarifa Aérea Média Doméstica aferida pela agência reguladora e o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em janeiro deste ano, o IBGE mostrou que os preços das passagens aéreas subiram 52,9% em 2011.

Segundo a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, a diferença, no entanto, é resultado das diferentes metodologias utilizadas.

— Não há contradição porque não há como comparar as informações da Anac com as do IBGE. A agência recebe as informações de toda a malha aérea nacional, não faz distinção do percurso e obtém a média das tarifas, considerando, por exemplo, o valor médio pago por quilômetro percorrido em território nacional. Já a pesquisa do IPCA só abrange os destinos mais procurados, leva em conta apenas as despesas de um determinado grupo de famílias e não considera despesas de viagens a negócios — defende Eulina

Coordenadora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste), Maria Inês Dolci entende que compete à Anac disponibilizar informações úteis sobre o setor, mas pondera que, talvez, a divulgação da Tarifa Aérea Média Doméstica não atenda ao objetivo de ampliar o conhecimento do público sobre o setor e proporcionar que os usuários acompanhem a evolução das tarifas.

O presidente da Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Passageiros do Transporte Aéreo, o advogado e piloto civil Cláudio Candiota, vai mais longe. Para ele, a Anac sequer devia divulgar os resultados da forma como vem fazendo, já que, no Brasil, as empresas aéreas são livres para estabelecer os preços das passagens dos voos nacionais e o mercado é altamente concentrado.

— A função de uma agência reguladora é regular o mercado, fiscalizar a prestação de serviços e mediar os conflitos entre os usuários e as companhias. A divulgação, da forma como é feita, me parece mais pirotecnia do que algo efetivo. Acho que o resultado divulgado ontem deve ser visto com ressalvas, pois não espelha nem a percepção dos usuários que voam frequentemente, nem a da associação. E contraria a lógica. Se a concorrência continua limitada, se houve a crise econômica, o aumento do combustível e de outros componentes, se as empresas vão mal das pernas e, principalmente, se qualquer pessoa que vai comprar a passagem tem a sensação de que elas estão mais caras, como o preço pode ter caído? — indaga Candiota.

Procurada, a Anac ainda não se pronunciou sobre o assunto.

AGÊNCIA BRASIL



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22 mai10:49

Puxado pelos serviços bancários, IPCA-15 tem alta de 0,51% em maio

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,51% em maio, após subir 0,43% em abril. O resultado, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que esperavam inflação entre 0,45% e 0,63%, com mediana de 0,56%. Com o resultado anunciado nesta segunda-feira, o IPCA-15 tem taxa acumulada de 2,39% no ano e de 5,05% em 12 meses, até maio.

Tarifas de bancos tiveram alta de 1,66%, um dos destaques no índice de 0,51%. No IPCA fechado de abril, os serviços bancários já tinham subido 1,42%, contribuindo para a alta de 2,23% no grupo Despesas Pessoais no período. Em maio, o grupo Despesas Pessoais teve alta de 1,32%, a maior dentre o grupo que compõem o índice.

Além dos serviços bancários, do cigarro, dos remédios e do feijão carioca, destacaram-se também na inflação medida em maio pelo IPCA-15 os artigos de vestuário (0,97%), seguro de veículos (1,66%), telefonia celular (1,58%), mão de obra para pequenos reparos (1,51%), táxi (1,29%), taxa de água e esgoto (1,16%), gás de botijão (1,01%) e artigos de limpeza (0,99%).


AGÊNCIA ESTADO

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