Vereador

01 mar09:18

Laudos diferentes sobre caso Chiarello geram desconforto

DarciDebona | darci.debona@diario.com.br

As contradições sobre a morte do vereador Marcelino Chiarello estão deixando as autoridades policiais e o Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina em situação constrangedora. A confirmação de um laudo elaborado pelo Instituto Geral de Perícias indicando suicídio, colocou mais lenha na fogueira. Tudo porque esse laudo entrou em contradição com o primeiro laudo elaborado pelo médico legista de Chapecó, Antonio de Marco, apontava para homicídio. Com isso há dois laudos, cada um com conclusão diferente.

Marcelino Chiarello foi encontrado enforcado no quarto de visitas de sua casa no dia 28 de novembro.  Logo no início da tarde o delegado Alex Passos, ligado ao Partido da República, base da atual administração do município, afirmou que a cena era forjada que os indícios eram de homicídio. Uma coletiva com cinco delegados, entre eles Ronaldo Neckel Moretto e Augusto Brandão, reiterou a tese de homicídio.

Depois de três meses as investigações não apontaram suspeitos do possível crime, a perícia não encontrou provas da presença de terceiros no local do crime e a tese de suicídio tomou força.

Isso gerou reações fortes de lideranças do Partido dos Trabalhadores. –É uma fraude- vociferou indignado o deputado federal Pedro Uczai, presidente do partido e um dos possíveis nomes para concorrer a prefeito na cidade. Uczai afirmou que o laudo do suicídio não explica de forma satisfatória o motivo das lesões no nariz, no olho e na cabeça de Chiarello. Também não explica por que o sangue parece ter corrido na horizontal, entre o nariz e a orelha do vereador, quando deveria escorrer na vertical se ele estivesse “pendurado” na hora da morte. –Esse laudo desafia a lei da gravidade- disse Uczai. –Estão brincando com a inteligência do povo- completou a professora Vanda Casagrande, que era amiga e colega de Marcelino na Escola Pedro Maciel.

>> Laudo e investigações reforçam tese de suicídio no caso Marcelino Chiarello

>> Polícia tem mais 15 dias de prazo e é alvo de protesto

A vereador Angela Vitória (PT) disse que perdeu a confiança na polícia e disse que o celular de Chiarello não foi periciado a tempo, pois 30 dias depois as informações do aparelho se apagam. As lideranças do PT solicitaram que o Ministério Público continue as investigações e vão tentar federalizar o caso.

O presidente do diretório municipal do PSD, João Rodrigues, disse que aguarda a conclusão do inquérito para se manifestar. Ele afirmou que poderá mover ações contra o Partido dos Trabalhadores que tentou relacionar a morte do vereador a denúncias, algumas delas relacionadas à atual administração municipal, que é do PSD. Como pano de fundo da morte do vereador também corre a disputa política na cidade, onde o resultado de sua morte pode ser utilizada combustível na campanha eleitoral.

Uczai nega uso político do caso. O delegado Ronaldo Neckel Moretto disse que nem vai comentar sobre insinuações de que a Polícia não priorizou o caso. -Vou falar na coletiva- disse sobre a entrevista que deve ser marcada para os próximos dias.

O diretor do Instituto Geral de Perícias, Rodrigo Tasso, reconhece que o órgão ficou numa situação difícil, pois há dois laudos com conclusões diferentes. Ele argumenta que algumas situações podem levar a conclusões tanto de suicídio, quando de homicídio. Mas acredita que algum dos peritos se excedeu nas conclusões. Ele afirmou que há um relatório sobre as ligações do celular mas não tinha informações detalhadas.

Uma junta médica composta de três pessoas recebeu ontem o inquérito e deve emitir um parecer até o dia 6 de março, sobre as incompatibilidades entre os laudos.  Mesmo assim o desgaste é inevitável.


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29 fev09:10

Laudo e investigações reforçam tese de suicídio no caso Marcelino Chiarello

Diogo Vargas | diogo.vargas@diario.com.br

Inexistência de vestígios na casa, móveis arrumados e falta de lesões no corpo que indicassem gesto de defesa são os principais pontos que levam a Polícia Civil a acreditar que não houve assassinato na morte do vereador Marcelino Chiarello, de Chapecó.

Essa conclusão ocorreu a partir de um laudo assinado por quatro peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Chapecó, os quais indicaram que a causa mais provável da morte foi suicídio. Mas esse indício também ficou reforçado a partir de depoimentos e da apuração dos policiais locais no inquérito durante a investigação.

Mas o que causa divergência no caso é a existência de um outro laudo, assinado pelo médico legista Antonio José de Marco, de Chapecó, que indicou ter havido homicídio. Esse é o laudo da necropsia e foi o primeiro a ser entregue à polícia. O médico examinou o corpo do vereador e concluiu que a morte foi por traumatismo craniano. Ele afirma, ainda, que houve ação de terceiros para provocar a morte.


>> Polícia tem mais 15 dias de prazo e é alvo de protesto

>> Delegado responsável pelo caso aguarda publicação da suspensão do sigilo

>> O vereador Marcelino Chiarello foi encontrado morto em sua residência no dia 28 de novembro de 2011


O que torna ainda mais intrigante o caso é o fato de haver um parecer anexado ao inquérito que sugere que as características das lesões indicam suicídio. O autor do parecer é o gerente técnico do IML em Florianópolis, o médico legista Zulmar Coutinho, que também é professor de medicina legal da Universidade Federal de SC (UFSC) _ o seu entendimento saiu a partir de análise das fotos feitas do corpo.

Já o laudo dos peritos, que estiveram na casa de Chiarello, onde o corpo foi encontrado, revela que não havia nenhum vestígio de arrombamento ou gota de sangue pela casa. Os peritos chegaram a usar luminol, produto que revela os vestígios ocultos a partir de reação química.

O corpo estava pendurado com a alça do notebook numa grade da janela do quarto de visitas. Havia sangue na grade, onde ele teria se debatido antes de morrer por enforcamento, e no chão.

Os policiais têm outras conclusões também que reforçam o suicídio. Uma delas é de que o filho teria dito que o pai estava trancado sozinho no quarto. A polícia pensa também que, se tivesse havido execução, os autores deixariam evidências como da arma do crime e da própria presença pela moradia _ era de manhã e ninguém viu nada de estranho ou pessoas suspeitas pela região.

Consta no inquérito, ainda, que o vereador afirmou a uma pessoa chamada Rita, em reunião do PT no dia 26 de novembro, que o seu destino seria decidido nos próximos dias. Há outras afirmações de Chiarello a políticos dias antes da morte de que ele renunciaria ao mandato. Colegas da escola e do partido disseram ao DC que Chiarello estava pressionado em casa para abandonar a política.


DIÁRIO CATARINENSE



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28 fev21:42

Caso Chiarello: Polícia tem mais 15 dias de prazo e é alvo de protesto

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

No mesmo dia em que a morte do vereador Marcelino Chiarello (PT) completou três meses a Polícia Civil recebeu o inquérito de volta da Justiça, ganhou um prazo de mais 15 dias para conclusão e foi alvo de um protesto público.

Cerca de 50 pessoas participaram de um ato em frente à Delegacia Regional de Chapecó, munidas de faixas cobrando o esclarecimento do caso. –É um protesto porque a Polícia Civil não cumpriu seu papel- disse a vereadora Angela Vitória (PT). Ela disse que está perdendo a confiança na investigação, pois no início os delegados afirmavam que se tratava de homicídio e as últimas informações dão conta da tese de suicídio.

>> Delegado responsável pelo caso aguarda publicação da suspensão do sigilo.

Deise Paludo, uma das coordenadoras do Fórum em Defesa da Vida, por Justiça e Democracia, lamentou que o laudo feito pelo perito Antonio De Marco, que apontava homicídio, está sendo questionado. Ela afirmou que um documento foi encaminhado para o delegado responsável pelo caso, Ronaldo Neckel Moretto, questionando o que considera uma mudança de rumo da investigação, falta de respostas convincentes e sonegação de informações para a sociedade.

A professora Vanda Casagrande, que teoricamente foi a última pessoa a falar com Chiarello, não aceita a possibilidade de suicídio. –Ele tinha projetos para a hora seguinte, para o dia seguinte e para a semana seguinte- afirmou. Chiarello teria dito para Vanda que iria aumentar a carga horária na escola Pedro Maciel, onde ambos trabalhavam.

O delegado Ronaldo Neckel Moretto pegou de volta ontem o inquérito de 650 páginas que estava no Fórum de Chapecó. Ele tem mais 15 dias de prazo para a conclusão dos trabalhos. Apesar da quebra do segredo de justiça no processo, ele não repassou muitas informações. Disse que há dois laudos, um apontando para o homicídio e outro apontando para o suicídio. Complementou dizendo que as provas técnicas do Instituto Geral de Perícias não indicam homicídio.

Por isso ele solicitou uma junta médica do IGP, para analisar as “incongruências” entre os laudos. A Polícia Civil não identificou nenhum suspeito de crime e também não houve nenhuma prisão. Moretto afirmou que o trabalho da polícia é técnico e não se pauta por pressão política ou institucional. Uma coletiva de imprensa deve ser convocada nos próximos dias. Mas é pouco provável que o inquérito tenha um final conclusivo.

Tanto que o Ministério Público já está sendo acionado. Na noite de segunda-feira lideranças do Partido dos Trabalhadores e amigos de Chiarello tiveram uma reunião com promotores de Chapecó para tratar do caso.

De acordo com o promotor Fabiano Baldissarelli o Ministério Público tem interesse de ver o caso esclarecido e vai dar sequência nas investigações. O órgão pode solicitar novas investigações para a Polícia, novas informações para o Instituto Geral de Perícias, solicitar apoio do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado. Lideranças do PT o advogado da família de Chiarello, Sérgio Martins de Quadros, trabalham para tentar federalizar as investigações.


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28 fev10:39

Caso Marcelino Chiarello

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O delegado Ronaldo Neckel Moretto aguarda apenas a comunicação oficial da suspensão do sigilo do inquérito que investiga a morte do vereador Marcelino Chiarello para convocar uma coletiva de imprensa. A decisão do juiz da primeira vara criminal, Jefferson Zanini, foi tomada ainda na semana passada e encaminhada para o Ministério Público. Ontem os promotores da Comarca de Chapecó realizaram uma reunião.


Três meses da morte

O Fórum em Defesa da Vida, por Justiça e Cidadania programou um ato para às 16 horas de hoje em frente à Delegacia Regional de Chapecó.

O vereador Marcelino Chiarello foi encontrado morto em sua residência no dia 28 de novembro de 2011.

>> Advogado da família de Marcelino Chiarello fala sobre a morte do vereador

>> Três meses depois, continua mistério sobre a morte de Marcelino Chiarello


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25 fev19:30

Advogado da família de Marcelino Chiarello fala sobre a morte do vereador

Diogo Vargas |  diogo.vargas@diario.com.br

Dione Chiarello, viúva de Marcelino Chiarello, contratou o advogado Sérgio Quadros, de Chapecó, para acompanhar a investigação. Ela reluta em dar entrevista e designou o defensor para se manifestar sobre qual a visão da família sobre o ocorrido e o trabalho policial nesses três meses.


DC — A sua tese então é de que houve assassinato?

Sérgio Quadros — Todas as evidências provam que o vereador foi assassinado. Porque, primeiro, no seu telefone celular foi confirmado que havia várias ligações, mas a polícia não encontrou nada. No aparelho, nenhuma ligação foi encontrada, nem no relatório da operadora Oi no dias dos fatos.


DC — O senhor acha que foram suprimidas essas informações?

Sérgio — Com certeza. O crime foi praticado por estrategistas e especialistas que ao nosso ver fraudaram o sistema de telecomunicações ingressando com ligações no seu telefone.


DC —Mas essa teoria não é um pouco exagerada? Afinal é incomum problema com operadora.

Sérgio — É incomum, como também é incomum no dia dos fatos o telefone central da Câmara de Vereadores apresentar defeito com a queima de um modem. E o telefone que o Marcelino usava era da Câmara de Vereadores.


DC — O laudo da nercropsia apontou traumatismo craniano. Já o segundo laudo, da localística, aponta para suicídio. Qual sua avaliação disso?

Sérgio — Tive acesso aos dois lados. Deverá aportar até sexta-feira (sexta que passou) um laudo complementar onde o delegado requisitou ao médico quesitos complementares para esclarecer os fatos visto que os dois lados são altamente contraditórios.


DC — Por que essa contradição?

Sérgio —Enforcamento segundo o médico foi posterior ao estrangulamento. E o pescoço da vítima mostra bem isso (aponta para o desenho do laudo que mostra dois sulcos). Segundo, apareceram marcas de sangue (ao lado do rosto) enquanto ele estava pendurado. Agora, a física diz que o sangue não corre para o lado e sim para baixo. Ele foi estrangulado e depois pendurado.


>> Três meses depois, continua mistério sobre a morte de Marcelino Chiarello


DC —E a camisa para dentro, toda arrumada direitinha, não é estranho se ele tivesse sido morto por alguém?

Sérgio — É estranho, como também é estranho ter marca de sangue atrás da camisa, que comprova que alguém com a mão suja de sangue tocou. E aí a grande falha do IGP, do segundo laudo, é que não levou isso em consideração, não tirou impressões digitais, não coletou cabelos, e não isolou a área onde deveria ter isolado. Como foi no caso dos Nardoni (em SP), por exemplo, que foi toda isolada. Aqui não, todo mundo podia entrar. Houve a perca das provas no início. E esse comprometimento ao meu ver foi a mando de setores políticos.


DC — E qual a motivação da morte?

Sérgio — Foi um crime político por causa das denúncias que ele havia fazendo contra os poderosos da cidade.


DC — Há quem diga que está havendo exploração política da morte.

Sérgio — O partido só quer a verdade. Quem está explorando é a oposição que não traz a verdade. E é incrível que Chapecó está parecendo uma cidade lá do interior da Paraíba onde o coronelismo manda e desmanda inclusive nos delegados e autoridades policiais.


DC — O que a defesa fará?

Sérgio — Vamos aguardar o lado complementar e com a ajuda do Ministério Público vamos esperar a continuidade pela SSP/SC para elucidar os fatos ou então a possibilidade de federalizar para que a Polícia Federal dê prosseguimento.


DC — O senhor não acredita em arquivamento nesse momento?

Sérgio — Não. O caso não será arquivado nesse momento porque os delegados daqui da DIC são altamente competentes e não vão se render.


DC —Por que o silêncio da viúva até agora com a imprensa?

Sérgio —É devido que ela está muito abalada, inclusive pela proteção de seu próprio filho.


DC — Família sofreu ameaças?

Sérgio — Sofreu ameaças. Eles receberam através de telefonemas e palavras que possam não ser ameaça mas que possam ser entendidas como ameaça no momento.


DC — Qual a sua avaliação sobre o trabalho da polícia no caso?

Sérgio — Eu acredito que a polícia tem boa vontade. Porém, está tendo dificuldade com o IGP de Florianópolis, porque até agora não aportou ao inquérito o laudo do aparelho telefônico, sobre que forma foram apagadas essas ligações do telefone. O aparelho está apreendido.


DC — A família lhe relatou os últimos momentos do Chiarello, o que ele falava?

Sérgio — Sim. Na sexta-feira antes da morte me encontrei com ele e tratamos das denúncias que seriam tocadas na semana seguinte. Ele tinha me solicitado sobre estava a questão da liminar que havia afastado o vereador Pelicioli.


DC — E a vida pessoal, há comentário que ele tinha dívidas.

Sérgio — Tinha em torno de R$ 40 mil em bancos. Mas uma dívida normal porque ele como vereador e a esposa como professora tinham condição de pagar.


DC — Pode haver motivação por algo pessoal?

Sérgio — Não, porque a literatura criminalística diz que em vinganças pessoais não se pendura, se mata.


DC — O senhor disse a jornais locais que o suposto crime teve técnicas militares?

Sérgio —Sim, eu afirmei que o crime foi praticado com táticas militares. Entraram sem ser vistos na casa, ingressaram no sistema de telecomunicações sem ficar registrado. Eu não acreditava que em Chapecó se matava um vereador por questão política. Era um vereador combativo, de luta.


DIÁRIO CATARINENSE



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25 fev19:10

Três meses depois, continua mistério sobre a morte de Marcelino Chiarello

Diogo Vargas | diogo.vargas@diario.com.br

O Ministério Público (MP) vai continuar a investigação da morte do vereador e professor Marcelino Chiarello, 42 anos, de Chapecó. O anúncio foi dado ao DC na sexta-feira à tarde pelo promotor Fernando Guilherme de Brito.

Ele e colegas da cidade não estão convencidos nem de que houve suicídio nem de que houve assassinato. O grupo de promotores pretende esclarecer os pontos que mantém o mistério sobre o trágico fim do político do Partido dos Trabalhadores (PT) que ainda comove o Oeste catarinense e que o DC relata nesta reportagem.

Na próxima terça-feira (28), a morte completará três meses sem que a polícia conseguisse apontar o que realmente ocorreu na manhã do dia 28 de novembro, quando o corpo de Chiarello foi encontrado pendurado na grade da janela do quarto de visitas da sua casa, no bairro Santo Antônio.

As primeiras informações assim que a morte foi descoberta eram de suicídio. Afinal, a cena do crime indicava isso. Em seguida, delegados da Polícia Civil vieram a público afirmar que tratava-se de homicídio. Agora, três meses depois, a polícia mais uma vez dá a entender que concluiu ter havido suicídio. Oficialmente, os policiais ainda não apresentaram publicamente essa condição com a alegação de que o inquérito está em segredo de Justiça.

>> Comissão de médicos legistas devem avaliar o laudo médico

O fato é que a população não sabe o que realmente aconteceu com o vereador conhecido por denunciar irregularidades e suspeitas de corrupção em Chapecó. Essas respostas também não foram respondidas pela Polícia Civil local, nem pela cúpula da segurança pública do Estado.

Divergência de laudos, pressão política, desconfiança de manipulações de provas e clamor popular marcam o caso. A figura central que leva a acreditar que Chiarello foi morto está no médico legista do IML de Chapecó, Antonio José De Marco. Ele tem 22 anos de profissão. Os laudos do legista indicam que a morte ocorreu por homicídio. Há na cidade especulação de que De Marco teria sido pressionado a mudar esse laudo.

O DC conversou na quarta e sexta-feira com o médico em sua clínica, no Centro. De Marco recusou-se a dar entrevista. Disse que não quer polemizar. Ele nega que tenha sido pressionado. No inquérito, há informações complementares dele mantendo a tese de assassinato. De Marco afirma no inquérito que a morte foi provocada por ação de terceiros e descarta hipótese de suicídio.

A tese que gerou dúvida e fez policiais suspeitarem que o vereador tirou a própria vida está no laudo da localística feito por peritos que foram ao local onde o corpo foi encontrado. Os peritos não encontraram vestígios de que mais pessoas estiveram ali e de que tenha sido morto.

Esse caminho é reforçado pelo fato de a polícia local não ter avançado na apuração em cima de pessoas suspeitas. Reforçou a linha de suicídio um parecer anexado ao inquérito feito pelo gerente técnico do IML em Florianópolis, o médico legista Zulmar Vieira Coutinho. Ele sugeriu que as características das lesões indicam suicídio. Zulmar é professor de medicina legal da Universidade Federal de SC (UFSC).

Na última quarta-feira, o delegado Ronaldo Moretto, responsável pelo inquérito, o enviou à Justiça. Não houve indiciamento. O policial pediu mais prazo para concluir questões periciais e se necessário fazer mais diligências.

O delegado disse que vai falar sobre o caso somente após o fim do sigilo no inquérito. Foi o próprio policial quem havia pedido à justiça o sigilo anteriormente para não perturbar a investigação. Até o advogado da família precisou recorrer ao juiz para conseguir acesso às informações.

— Eu pretendo atender a necessidade da comunidade em passar informação e por isso mesmo representei ao Judiciário para que fosse aberto o sigilo do caso. Estou aguardando e pretendo o quanto antes informar — declarou Moretto.

O delegado Moretto é ex-agente da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), onde trabalhou por sete anos. Ele contou com apoio informal na apuração da morte de Chiarello do delegado da Deic, Renato Hendges, policial experiente e que atua nos casos policiais de grande repercussão no Estado.

Renato está convicto que foi suicídio, lembra que existe muita exploração política em cima da morte e acusações negativas contra a polícia que não procedem.

O delegado geral da Polícia Civil em SC, Aldo Pinheiro D’Ávila, disse que o laudo pericial é o referencial em investigação. Segundo ele, desde o início a polícia trabalhou com a chance de homicídio, mas que ao longo dos meses não surgiram indícios de crime. Ele nega que a polícia tenha recebido pressão política.


DIÁRIO CATARINENSE


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24 fev18:30

Caso Marcelino Chiarello

Segundo informações publicadas no blog do comentarista político, Moacir Pereira, o diretor do Instituto Geral de Perícias, Rodrigo Tasso, disse que o delegado Ronaldo Neckel Moretto, responsável pelo caso, pediu que comissão de médicos legistas façam uma avaliação do laudo assinado pelo médico legista Antônio De Marco.

>> PT quer Ministério Público investigando caso Chiarello em Chapecó

Na terça-feira, dia 28, completa três meses da morte do vereador.


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16 fev16:46

PT quer Ministério Público investigando caso Chiarello em Chapecó

Um grupo de parlamentares do PT na Assembleia Legislativa formalizou o pedido ao Procurador-Geral de Justiça, Lio Marcos Marin, para que o Ministério Público Estadual participe das investigações sobre a morte do vereador Marcelino Chiarello, de Chapecó. A deputada Luciane Carminatti fez uma explanação sobre o desdobramento das investigações desde a ocorrência crime, em 28 de novembro do ano passado, até o atual estágio, salientando as incongruências do inquérito policial. Segundo ela, desde o momento em que foi decretado “sigilo nas investigações”, tem circulado muitas informações contraditórias, inclusive de autoridades da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

- As informações contidas no laudo elaborado por peritos do Instituto Geral de Perícias de Florianópolis apresentam vários pontos de inconsistência e indicam que o vereador teria cometido suicídio, contrariando todas as evidências e afirmações iniciais dos próprios delegados – contesta Luciane.

>> Caso Chiarello: laudos tem conclusões diferentes

>> Ausência de ligações no celular será argumento para federalização

Os deputados Neodi Saretta e Ana Paula enfatizaram a expectativa de lideranças políticas e da população da região Oeste pelo esclarecimento da morte do vereador, que se destacava na Câmara Municipal de Chapecó por fazer denúncias de mau uso do dinheiro público.

Segundo nota do PT:

“O Procurador-Geral informou que, desde o dia da morte do vereador, promotores de Chapecó acompanham o caso. Com base nisso, Marin concordou que há vários indícios sobre a forma como o vereador foi morto e possíveis envolvidos no assassinato que merecem investigação mais aprofundada. Marin enfatizou que o MPSC tem interesse em participar das investigações e contribuir de forma efetiva na apuração dos fatos, somando esforços com a Polícia Civil e também com a Polícia Federal se o caso for federalizado, conforme reivindicam as lideranças políticas. O Procurador-Geral assumiu o compromisso de manifestar-se por escrito ao Procurador Geral da República, reforçando a disposição do MPSC em contribuir nas investigações e também reafirma a necessidade de que este caso não seja arquivado”.


BLOG DO MOACIR PEREIRA

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15 fev07:15

Caso Chiarello: laudos tem conclusões diferentes

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A Polícia Civil de Chapecó pediu nova prorrogação para conclusão do inquérito da morte do vereador Marcelino Chiarello. A Polícia Civil ainda aguarda informações complementares pois os laudos até o momento foram inconclusivos. O laudo do médico legista de Chapecó, Antônio de Marco, apontou como causa da morte traumatismo crânio-encefálico. Já outro laudo elaborado por peritos do Instituto Geral de Perícias de Florianópolis, indica suicídio.

De acordo com o advogado da família do vereador, Sérgio Martins de Quadros, o segundo laudo aponta nesse sentido pois não foram encontradas evidências de luta corporal e outros elementos que indicassem o homicídio. A tese é que o vereador teria se apoiado na cama para se enforcar.

-Esse laudo foi arranjado- acusou, atribuindo a influência de interesses políticos. –Da forma que está o inquérito será arquivado- avaliou.

Martins de Quadros disse que o primeiro laudo tem evidências de descartam o suicídio, como o sangue que escorreu na horizontal.

- Ele teria que ter se enforcado no chão e depois se pendurado- argumentou.

Ele acredita que o vereador foi morto, amarrado no chão e depois pendurado, pois havia dois sulcos no pescoço do vereador, a fita era menor que a circunferência do pescoço e o nó era firme.

– O nó foi feito por profissionais e o crime tem técnicas militares- avaliou o advogado.

Ele cogita que especialistas atuaram na morte de Chiarello. Ele afirmou que o vereador não tinha motivo para cometer suicídio e, na sexta-feira anterior ao crime, ocorrido numa segunda-feira, tinha conversado com Chiarello sobre novas denúncias de uso da máquina pública em favor pessoal, suspeita de fraude nas planilhas de transporte coletivo e o encaminhamento de um pedido de impeachmeant contra o vereador Dalmir Pelicioli (PSD), alvo de denúncias de improbidade administrativa que resultaram no seu afastamento do cargo de superintende da Prefeitura no bairro Efapi.

O presidente estadual do PT, José Fritsch, também contesta a tese de suicídio.

–O que vale é o primeiro laudo o resto é manipulação- declarou. Fritsch disse que há indícios de homicídio como lesão na cabeça e no nariz e sangue nas costas do vereador.

Fritsch reclamou do segredo de justiça no inquérito. –É uma vergonha, não pode ter segredo de justiça num caso deses- afirmou. O PT deve pedir que um promotor de justiça acompanhe o caso.


>> Ausência de ligações no celular  será argumento para federalização


Diretor do IML diz que laudo é técnico e IGP é isento de política

O Diretor do Instituto Geral de Perícias José Maurício da Costa Ortiga rebateu que o advogado da família de Chiarello está sendo pago para contestar as informações. –Ele diz o que quer mas a verdade é uma só- declarou. Ele destacou que a elaboração do laudo leva em conta os fatos, pois foram realizados exames de DNA, e todo o trabalho foi técnico. –O IGP é isento de política- afirmou. Ele não vê problema que o primeiro laudo apontou indícios de homicídio e a avaliação de outros peritos tenha sido por suicídio.

- Já pensou se todo mundo torcesse pro Flamengo- comparou.

O diretor do IML só aguarda a liberação do segredo de justiça para fornecer as informações. O delegado que preside o inquérito, Ronaldo Neckel Moretto, já solicitou a quebra do sigilo para a justiça.

Ortiga não disse abertamente que o laudo aponta para suicídio mas chegou a declarar “que todo mundo já sabe” e que o delegado Geral Aldo Pinheiro D’Ávila já teria dado declarações nesse sentido.

Ávila negou que tenha confirmado que o laudo do IGP tenha concluído pelo suicídio.

– Não disse que foi homicídio nem suicídio pois não vi esse segundo laudo- afirmou.

O delegado geral afirmou que isso será apontado pelos delegados responsáveis pelo caso. –Os laudos mais a investigação é que vão definir- explicou. Ele também rebateu as críticas do PT e do advogado da família afirmando que o inquérito policial é neutro.


Linha do tempo

25 de novembro: Marcelino liga para o suplente Euclides Silva dizendo que vai renunciar ao mandato.


26 de novembro: Marcelino vai na casa do deputado federal Pedro Uczai, diz que vai renunciar e afirma que está sendo ameaçado.


27 de novembro: Marcelino passa o final da tarde e o início da noite na área da casa, com a mulher e o filho.


28 de novembro: Vereador dá apenas três aulas na escola Pedro Maciel, vai para casa e é encontrado morto no final da manhã. Tese inicial é de suicídio mas polícia afirma que é homicídio.


29 de novembro: Vereador é enterrado no cemitério Jardim do Éden, centenas de pessoas prestam homenagem.


30 de novembro: advogado criminalista Luiz Eduardo Greenhalgh vai a Chapecó para acompanhar o caso. Vereador Dalmir Pelicioli (PSD), afastado da superintendência da Efapi por denúncias que teriam Chiarello como um dos autores, dá coletiva dizendo que não tem nada a ver com o crime. Alunos da Escola Pedro Maciel colam cartazes em homenagem ao professor.


1 de dezembro: Greenhalgh tem encontro com autoridades de Segurança Pública em Florianópolis. Polícia diz que crime está ligado á vida pública do vereador.


2 de dezembro: Perícia complementar é realizada na casa do vereador


3 de dezembro: Diretório do PT dá coletiva onde anuncia ação contra o Estado por vazamento de fotos do vereador. PM apreende computadores que teriam vazado as fotos.


5 de dezembro: Ato público por Justiça e Cidadania reúne entre duas e três mil pessoas.


6 de dezembro: MP anuncia que já tem roteiro do vereador entre a escola e sua casa.


19 de dezembro: Entidades fazem vigília em frente à Delegacia Regional de Polícia pedindo agilidade no caso.


28 de dezembro: Celebração em frente à Catedral Santo Antônio lembra um mês da morte do vereador.


3 a 13 de janeiro: Vigília no Salão Paroquial da Comunidade Santo Antônio, com celebrações todas as noites.


9 de janeiro: Polícia Civil pede prorrogação para conclusão do inquérito.


19 de janeiro: Delegado Ronaldo Neckel Moretto afirma que não pode passar informações pois o inquérito está sob segredo de justiça.


20 de janeiro: Lideranças do PT e o advogado criminalista Luiz Eduardo Greenhalgh realizam audiência com o secretário de Segurança Pública e Defesa do Cidadão César Grubba pedindo empenho no caso e conclusão dos laudos.


27 de janeiro: Diário Catarinense tem acesso ao laudo do médico legista Antonio De Marco onde as causas da morte são apontadas como traumatismo crânio-encefálico e asfixia mecânica. Delegado de Chapecó, José Augusto Brandão, informa que polícia vai pedir nova avaliação do exame cadavérico pois considera o laudo inconclusivo.


3 de fevereiro: Caminhada na Avenida Getúlio Vargas e ato ecumênico na Praça Coronel Bertaso pede esclarecimento do caso Chiarello.


9 de fevereiro: Polícia Civil solicita nova prorrogação do inquérito.


10 de fevereiro: Deputados Pedro Uczai , Luciane Carminatti e Dirceu Dresch realizam audiência com o Procurador Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel, para solicitar a federalização das investigações do caso Chiarello.



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14 fev20:56

Caso Marcelino Chiarello

Darci Debona| darci.debona@diario.com.br

A ausência de registros de chamadas telefônicas para o celular do vereador Marcelino Chiarello na manhã em que ele foi encontrado morto é um dos pontos mais intrigantes. De acordo com o advogado Sérgio Martins de Quadros, essa questão deverá ser uma das bases para convencer o Procurador Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel, a solicitar a federalização do caso para o Superior Tribunal de Justiça.



Sergio Martins de Quadros, advogado.



Quadros lembrou que alunos e professores da escola Pedro Maciel, onde Marcelino deu três aulas antes de ir para casa, afirmaram que ele recebeu várias ligações no celular. Só que não foi encontrado nada no aparelho e nem nos dados encaminhados pela operadora.

>> Passados 76 dias da morte do Vereador de Chapecó dúvidas ainda persistem

As ligações também não aparecem na conta de pessoas que fizeram ligações para o vereador, como um jornalista e assessores do Partido dos Trabalhadores. Nem uma mensagem enviada pela mulher de Chiarello apareceu.

O advogado acredita que alguém pode ter mexido no sistema, já que houve uma pane nos celulares da Câmara de Vereadores de Chapecó, entre a sexta-feira anterior ao crime e a segunda-feira em que Chiarello foi encontrado morto.

O Instituto Geral de Perícias seque analisando o aparelho para ver se consegue dados.


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