Woody Allen

09 ago16:06

“Para Roma com Amor”, filme de Woody Allen entra em cartaz no cinema de Chapecó

Para Roma com Amor, é inspirada a passagem de Woody Allen pela capital italiana, no novo capítulo da série de filmes rodados e produzidos fora de sua Nova York de origem. O aguardado filme  estreia nesta sexta-feira no Cinema Arcoplex Shopping Pátio Chapecó.

O longa sucede Meia-Noite em Paris (2011), maior sucesso comercial da carreira de Allen e o título que lhe deu o Oscar 25 anos após sua estatueta anterior – de melhor roteiro, mesma categoria que ele ganhou por Hannah e Suas Irmãs (1986). Para Roma, com Amor é o 42º longa-metragem de sua carreira e o sétimo que ele roda na Europa, atraído pelas facilidades de financiamento e pela interferência zero de produtores e mecenas.

>> Confira a Programação do Cinema Arcoplex Shopping Pátio Chapecó

É um filme-coral, que acompanha diversos personagens pelas ruas da cidade, configurando uma espécie de painel da Roma contemporânea, com as devidas idiossincrasias da cidade caótica que se modernizou junto às ruínas de uma antiga civilização.

Não faltam, aqui, as referências oferecidas pela cultura local, responsável por parte significativa da formação de Woody Allen e de qualquer cinéfilo minimamente atento. Se em Londres, o diretor e roteirista de 76 anos realizou dramas nebulosos (Match Point, O Sonho de Cassandra) e, em Barcelona, uma comédia solar e apimentada (Vicky Cristina Barcelona), reservou para Paris e Roma histórias mais solenes – neste último filme, temperadas com um humor nonsense e imagens que remetem tanto à Doce Vida de Fellini quanto à tradição operística italiana e ao neorrealismo do pós-II Guerra.

Sua próxima parada, já devidamente confirmada, será São Francisco (EUA), onde o cineasta deve rodar uma comédia de título e trama ainda desconhecidos, que pode ter Alec Baldwin e Cate Blanchett no elenco. Allen também já confirmou que integrará o elenco da comédia Fading Gigolo, produção norte-americana coestrelada por Sharon Stone, escrita e dirigida por John Turturro. Ele negou os rumores sobre filmar em Copenhagen (Dinamarca), mas o Rio de Janeiro, disse, pode estar nos planos.

– Há tempos, considero seriamente uma proposta que me foi feita por pessoas no Brasil – afirmou, em entrevista concedida à crítica carioca radicada em Los Angeles Ana Maria Bahiana. – A questão, para mim, é encontrar a história certa para cada país, e ainda não achei a história certa para o Brasil. Para mim, o país exige uma ideia muitíssimo glamourosa, romântica. Quando isso estiver resolvido, será um enorme prazer filmar no Brasil.

JORNAL DE SANTA CATARINA

Comente aqui
09 set11:59

A Paris de Woody Allen

Woody Allen tem uma amante. Casado há décadas com Nova York, o diretor norte-americano se deixou seduzir pela capital da França. Esse encantamento fica claro em Meia-Noite em Paris, seu novo longa, que, que depois de gerar comentários cinéfilos nas capitais, chega agora em Chapecó.

A capital francesa é um dos principais personagens do filme, em uma história que mistura Ernest Hemingway, Pablo Picasso, Luis Buñuel e Cole Porter. Entre esses e outros grandes nomes do século 20, fica difícil roubar a cena. Outro destaque no elenco é a participação da primeira-dama francesa, Carla Bruni, que aparece por poucos minutos, interpretando uma guia de museu.

A trama começa em 2010, com a história de Gil Pender, roteirista norte-americano que viaja para Paris junto com a sua noiva e os sogros. Cansado dos textos fáceis e populares que escreve para o cinema, ele está tentando escrever um romance, uma obra literária de peso, que entre para a posteridade. Quando chega à Cidade Luz, o escritor se inebria com a aura de cultura existente nos cafés e boulevards parisienses. A capital francesa aparece no filme em todo o seu esplendor, de dia e de noite, sob sol ou chuva, em pontos extremamente turísticos ou cantinhos íntimos de um charme surpreendente.

Certa noite, Gil sai de uma degustação de vinho, perambulando pelas ruas de Paris, e acaba embarcando em um carro antigo que o faz viajar no tempo: de 2010 vai até a década de 1920, considerada por ele a Idade de Ouro da capital francesa. O carro o leva direto a uma festa onde encontra Zelda e Scott Fitzgerald, entre outros grandes artistas. Repetindo o ritual diversas vezes, ele acaba conhecendo uma jovem amante de Picasso. E é justamente ela que vai, de certa forma, destruir a ilusão do escritor e trazê-lo de volta à realidade. Esta bela musa é interpretada por Marion Cotillard, vencedora do Oscar por Piaf : Um Hino ao Amor.


>> Confira a programação do Cinema em Chapecó


Negação do presente

Além da metalinguagem e do conflito existencial do protagonista, temas recorrentes na obra de Woody Allen, o diretor reforça a nostalgia, a negação de um presente doloroso, na definição de um dos personagens. Quem assiste ao filme deve saber que será obrigado a refletir sobre a própria vida, e que esse não é um processo exatamente agradável. Como Allen diz, por meio de outro personagem, o presente é meio desagradável, porque não existe felicidade absoluta. Ou melhor: a crença de que seríamos mais felizes se vivêssemos em outra época é apenas uma ilusão.

Allen parece ter arriscado ao colocar Owen Wilson no papel principal, apesar de já terem trabalhado juntos. Alguns críticos cogitaram que Meia-Noite em Paris pode se tornar o primeiro arrasa-quarteirão do diretor, superando Vicky Cristina Barcelona (2008) e arrecadando mais de US$ 100 milhões. Mas Owen se encaixou perfeitamente no papel. Mesmo sem deixar de ser engraçado, o ator conseguiu se despir das caricaturas exageradas a que estava acostumado nas comédias pastelão em que trabalhou.

No site oficial do filme, Allen conta que alterou o personagem Gil para adaptá-lo a Owen. O diretor originalmente concebeu o escritor como um intelectual da Costa Leste dos Estados Unidos. Também fala de seu amor pela capital francesa, que considera a melhor cidade do mundo, ao lado de Nova York. Essa é a segunda vez que o diretor filma em Paris a primeira foi no longa Todos Dizem Eu Te Amo (1996).



Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)

Direção: Woody Allen | EUA | 2011 | 100 min | Comédia Romântica


DIÁRIO DE SANTA MARIA


Comente aqui