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Souza xingou, chorou mas no fim, comemorou

13 de abril de 2012 0

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Foram 17 dias fora dos gramados em que o zagueiro Souza foi do inferno ao céu. Comparado quase a um bandido pelo carrinho que fraturou a perna do atacante Heber, do Figueirense, no dia 25 de abril, ficou 17 dias afastado dos gramados por decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e, voltou a jogar na quarta-feira, graças a um efeito suspensivo do Superior Tribunal de Justiça, onde foi o herói do empate contra o Cruzeiro.

Sirli Freitas / Agência RBS

Nesse período o jogador chegou a ser acusado de ter dado uma entrada irresponsável num colega de profissão. Foi afastado preventivamente, julgado e punido com o afastamento até a recuperação de Heber.

Advogados da Chapecoense tentaram efeito suspensivo no Tribunal de Justiça, que foi negado. Souza viu de fora dos gramados a Chapecoense vencer o Joinville, vencer o Metropolitano e perder para o Atlético Hermann Aichinger.

Nesse período viu a torcida escrever cartazes em apoio. Contra o Atlético, o time da Chapecoense entrou em campo com uma faixa e camisas de apoio ao capitão do time. Souza se sentiu injustiçado pelo ocorrido alegando que foi disputar a jogada e tocou na bola, sem a intenção de machucar o colega de profissão. O juiz José Acácio da Rocha nem deu falta.

Souza disse que chorou, xingou, mas não deixou de trabalhar e tentar influenciar positivamente o grupo. Na segunda e terça-feira treinou forte. No final da tarde de terça-feira, quando estava no refeitório do clube, recebeu a notícia do diretor de futebol Cadú Gaúcho de que estava liberado para o jogo, devido a um efeito suspensivo no Superior Tribunal de Justiça.

O capitão estava mais feliz que uma criança que pela primeira vez participa de um campeonato. Ele foi correndo buscar a mochila para ir na concentração. Para ele não importava sair jogando ou atuar na partida, já que não tinha treinado entre os titulares. Ele queria estar lá, participar do vestiário e ajudar no confronto contra o Cruzeiro.

Souza não só foi escalado contra o Cruzeiro, mas recebeu de volta a faixa do capitão. E aos 16 minutos fez o gol contra o Cruzeiro, que depois acabaria empatando por 1 a 1. Souza vibrou muito com os companheiros e com a torcida. Para ele, o gol era a redenção do que tinha sofrido nos últimos dias.

“Fiquei comovido com o carinho e apoio que recebi”

Ontem foi um dos dias mais felizes da carreira do zagueiro Souza, que já está nos 30 anos. Além de voltar a jogar, graças a um efeito suspensivo do Superior Tribunal de Justiça, ele marco o gol do empate contra o Cruzeiro, na quarta-feira. No gramado do Índio Condá ele concedeu entrevista a seguinte entrevista ao Diário Catarinense, que também foi acompanhada por outros colegas da imprensa.

Diário Catarinense: Como foi ficar duas semanas sem jogar e marcar o gol na sua volta?

Souza: Eu me comovi com o apoio, o carinho e o afeto dos companheiros, da torcida e das pessoas que vinham me dar força. Por tudo isso eu vou trabalhar ainda mais, vou me dedicar ainda mais.

DC: Você vibrou muito com o gol, o que lhe passou pela cabeça na hora do gol?

Souza: Só pensei em agradecer a Deus. Antes do jogo um torcedor me disse que eu faria um gol nos primeiros 20 minutos pois o que havia sofrido era uma injustiça. Isso não tem preço.

DC: Chegaste a pensar que não iria mais atuar neste semestre?

Souza: Xinguei, chorei mas não me preocupei com isso. Deixei na mão de Deus. Quando negaram o pedido suspensivo disse para o advogado que Deus sabe o que faz. E ele estava escrevendo . Quando a bola foi daquela maneira pra área ele disse: É pra ti negão.

DC: Esse episódio fortaleceu o grupo?

Souza: Nós estamos cada vez mais unidos porque o objetivo não era prejudicar o Souza. Não querem deixar nós sermos bicampeões. Mas nós estamos juntos com o objetivo de sermos bicampeões.

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