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Posts de janeiro 2008

Respeito e vitórias

31 de janeiro de 2008 1

Na nossa chegada a Murcia, vários técnicos e jogadores que já me conheciam, ao me verem com os meninos fizeram a tradicional pergunta: "Que fazem por aqui??" Respondi a mesma coisa a todos eles: "Vieram trabalhar e aprender". Após uma semana de vitórias e derrotas difíceis e suadas, eles já veem os meninos com outros olhos e nos convidam pra treinar. Bonatto enfrentou o quarto favorito, 280 do mundo. Arrancou mal e levou uma surra no primeiro set. Reagiu, ganhou o segundo e teve chances de sair na frente no terceiro. Mas "se apressou" um pouco nas horas importantes e perdeu quatro games duros seguidos, o que foi fatal. A seguir, Camilo enfrentou uma das promessas daqui, um menino com os mesmos 17 anos dele e que também veio do quali. Dominou toda a partida, apesar de nao ter jogado seu melhor tenis. Sacou para fechar ambos os sets, chegou a ter set points, mas se desconcentrou. Perdeu 7x5 7x6. Uma pena, mas deixamos nosso "cartao de visitas". Os espanhóis respeitam quem trabalha duro, quem luta até o fim. Diariamente, quando eles chegam no clube, já estamos na quadra há muito tempo, encarando o frio de tres, quatro graus. Vamos em frente..

Postado por Francisco Costa

Espanha

29 de janeiro de 2008 2

Estou em Murcia desde a última quarta-feira, onde meus atletas disputam uma série de quatro torneios. Além de Alexandre Bonatto, Rodrigo Guidolim, Diego Matos e Rafael Camilo, que treinam comigo na Sogipa, também jogam por aqui Thales Turini, atleta do Instituto Tenis de Itajaí, e Tiago Lopes, que treina no Centro Amil do RJ. O nível por aqui é extremamente competitivo, os futures de Murcia sao considerados os mais fortes do mundo. Ideal para jovens que queiram trabalhar duro e evoluir. Se joga no saibro pesado, onde os espanhóis sao especialistas. Dos seis brasileiros, apenas Bonatto entrou direto na chave principal. Os demais disputaram o duro quali. Matos perdeu na primeira, Guidolim e Turini na terceira e última rodada, Camilo e Lopes se classificaram.

Postado por Francisco Costa

Djokovic confirma

27 de janeiro de 2008 0

O sérvio Novak Djokovic, de apenas 20 anos, confirmou seu favoritismo e derrotou a surpresa francesa Jo-Wifried Tsonga na final do Australian Open. Como a maioria das finais, o jogo foi nervoso do início ao fim. O sérvio dominou a maioria dos pontos, fazendo-se valer de sua qualidade técnica e velocidade superiores. Tsonga, que em sua surpreedente trajetória até a grande final tinha "escapado" de enfrentar adversários que jogassem em alta velocidade, mostrou dificuldades quando foi obrigado a se defender e perdeu muito de sua enorme agressividade. Com o peso do favoritismo nas costas, Djokovic esteve longe de fazer uma partida brilhante, mas mostrou uma solidez mental digna de alguém que vai realmente brigar pelo número um. Federer, a partir de agora, tem um "inimigo" bem mais perigoso do que Nadal em seus calcanhares, pois o sérvio é capaz de vencer em qualquer piso, ao contrário do espanhol. E se desgasta bem menos... Foi o primeiro "round" de uma briga que promete fazer de 2008 um ano cheio de alternativas.

Postado por Francisco Costa

Sharapova, curiosidade e palpite

26 de janeiro de 2008 0

A russa Sharapova fez valer o favoritismo e derrotou a Ivanovic em dois sets na final do Australian Open. Foi quem jogou melhor durante todo o torneio, apesar de estar na chave mais dura, onde teve que encarar a ex-número um Davenport logo na segunda rodada. A musa mostrou uma melhora significativa na sua movimentação em quadra e se impôs pela sua potência nos golpes, saque, direita e esquerda. Precisa ainda aprender a volear para se tornar ainda mais consistente. A respeito da final masculina, uma curiosidade. No início de 2004, após um período de lesões, meu ranking caiu do 180º para além do 300º. Voltei em abril, jogando alguns futures na Europa. No primeiro deles, na Italia, logo na primeira rodada, enfrentei um tal de Tsonga, de 19 anos, e que havia sido um destaque juvenil no ano anterior. A chuva nos levou para a quadra coberta, e após 3h de batalha, venci por 7x6 no terceiro set, duríssimo!! Ao cumprimentá-lo no fim, percebi sua tristeza, desejei-lhe boa sorte na carreira e disse a ele que ele era um "craque" e um dia iríamos todos assistí-lo pela tv. Fiquei impressionado com a potência de seu saque, sua agressividade e agilidade na rede. Um mês depois, eu já estava de volta aos challengers. No primeiro deles, em Budapeste, joguei muito bem e cheguei na semifinal. Meu adversário, um jovem de 17 anos chamado Novak Djokovic. Primeiro set, 6x3 pra ele. No segundo, comecei melhor, ele se perdeu e ganhei por 6x0. No terceiro, o então menino não errou nada e levou a partida. Logo vi que se tratava de um futuro campeão, todos os golpes muito bons e uma movimentação perfeita. Agora, poucos anos depois, eles se enfrentam em uma final de Grand-Slam. A inspiração de Tsonga contra o pragmatismo de Djokovic. Meu palpipe é uma vitória do sérvio, embora respeite o atual momento "iluminado" do francês. Nada como jogar na Europa....

Postado por Francisco Costa

Jovens europeus

25 de janeiro de 2008 0

Definidos os finalistas do primeiro Grand-Slam do ano, temos quatro jovens europeus nas finais, no masculino e no feminino. Entre as mulheres, dois jogos distintos. A russa Maria Sharapova dominou o jogo do início ao fim contra a sérvia Jankovic, fazendo valer sua força e técnica superiores, não dando chances à esforçada adversária. Na outra semi, a eslovaca Hantuchova começou muito bem, abriu 6x0 e 2x0 contra a sérvia Ivanovic, mas perdeu a concentração, deixou a adversária crescer e levou uma virada incrível. Foi uma vitória da humildade, já que a jovem sérvia nunca perdeu a cabeça, mesmo quando tudo dava errado. Pelo contrário, tratou de ser mais agressiva e passou a vibrar muito, o que foi decisivo nos pontos importantes. No masculino, duas surpresas. Primeiro, o francês Tsonga passou por Nadal como se ele fosse o favorito.. Muito concentrado desde o início, atacou o espanhol o tempo inteiro, aproveitando todas as bolas curtas para subir à rede e definir o ponto, geralmente com toques perfeitos. Nadal foi amplamente dominado e ficou cada vez mais acuado, enquanto Tsonga jamais tremeu. Na final ele enfrenta a Novak Djokovic que, também em três sets, eliminou o número um Federer. O sérvio se impôs pela potência nos golpes e sua maior velocidade. Ao suíço restou lutar muito e esperar por uma "brecha". O terceiro set foi para o tie-break e poderia ter mudado a partida, mas o sérvio não perdoou. O que fica cada vez mais evidente é a evolução do jogo, onde jogadores como Federer e Henin, apesar de estarem em plena forma, e de toda sua genialidade, qualidade técnica e experiência, vejam seu reinado cada vez mais ameaçado por jovens que mal completaram 20 anos. Assim é o tênis, um esporte que nunca pára no tempo.

Postado por Francisco Costa

Semifinais

23 de janeiro de 2008 1

Definidas as semifinais do primeiro Grand-Slam do ano. No feminino, as favoritas deram adeus. A número um, a belga Justine Henin começou mal e virou "saco de pancadas" da confiante Sharapova. As irmãs Williams, que apesar dos altos e baixos sempre brigam por títulos, também foram eliminadas, por duas jogadoras sérvias, Jankovic e Ivanovic. Perderam justamente em seu "estilo", na pancadaria. Mais uma prova do quanto o tênis feminino evoluiu nos últimos tempos. A outra semifinalista é a Hantuchova. No masculino, Federer, Nadal e Djokovic confirmaram e passaram sem problemas. Junta-se a eles a grande surpresa do torneio, o francês Jo-Wilfried Tsonga. Tsonga é um jogador de saque-voleio, muito forte fisicamente. Sólido em seus games de serviço, arrisca muito nas devoluções e não dá ritmo ao adversário. Um tipo de jogador que, confiante, é sempre um "perigo". Mas vai precisar jogar tudo o que sabe para ter chances contra Nadal, que vem mostrando um tênis bem mais agressivo nos últimos jogos. Mas o que promete ser uma verdadeira batalha é o duelo entre Federer e Djokovic. Djokovic ainda não perdeu sets, mas o número um segue sendo o favorito ao título. Jogos imperdíveis!!

Postado por Francisco Costa

Natureza e rotina

21 de janeiro de 2008 0

Nos jogos de hoje, não tivemos grandes surpresas: Federer, depois do susto na rodada anterior, voltou mais "ligado" e não deu chances para o perigoso Berdych, vencendo em três duros sets. Seu próximo rival será James Blake, que não teve problemas contra Marin Cilic, de quem se esperava uma melhor atuação. O jovem croata mostrou-se ainda um pouco "verde" para jogos tão importantes, o que é normal. Nos outros jogos, dois interessantes "choques" entre gerações. De um lado, Lleyton Hewitt e Juan Carlos Ferrero, dois jogadores que chegaram ao número um entre 2001 e 2003, logo antes de começar o reinado de Federer. Depois de enfrentarem uma natural queda de produção, ambos já conseguiram recuperar seu melhor tênis e agora lutam para voltar ao top-10. Do outro lado, respectivamente, Novak Djokovic e David Ferrer, números três e cinco do mundo, dois tenistas que vêm em franca ascensão e se aproximam rapidamente de Federer e Nadal. Mais uma vez, o tênis mostrou seu lado "cruel". O australiano Hewitt fez o que dele se esperava, lutou, correu, vibrou com a torcida, mas era nítida a superioridade técnica e física do sérvio, que ainda não perdeu nenhum set em Melbourne. Djokovic enfrenta agora o espanhol Ferrer, que mesmo perdendo um set, superou o compatriota e "inspirador" Ferrero justamente em suas principais qualidades: a solidez dos golpes de fundo e a excelente movimentação de pés. Os confrontos pelas quartas-de-final trazem Federer x Blake, Djokovic x Ferrer, Youzhny x Tsonga e Nadal x Nieminen. São sete europeus e um americano, repetindo uma tendência que já está se tornando rotina nos torneios de Grand-Slam.

Postado por Francisco Costa

Sul-americanos voltam cedo pra casa

20 de janeiro de 2008 0

Depois das derrotas do chileno Gonzalez e do argentino Monaco, hoje foi a vez de David Nalbandian decepcionar e deixar a América do Sul de fora das oitavas-de-final do Australian Open. Ele foi eliminado com extrema facilidade pelo espanhol Juan Carlos Ferrero, em partida ainda válida pela terceira rodada. O argentino terminou 2007 como o grande vencedor da temporada "indoors" ao vencer os Masters Series de Madri e Paris, derrotando a Federer e a Nadal em ambos torneios e deixando seu povo "esperançoso", dando a impressão de que iria brigar pelo topo. Mas parece que ter passado os últimos dois meses em casa não fizeram muito bem para ele. Além de parecer "alguns quilos acima", sua atitude na quadra foi péssima. Justamente seu dois principais "inimigos" na carreira. Melhor para Ferrero, que está em plena forma e nem precisou suar a camiseta para derrotá-lo. Agora ele encara o duríssimo David Ferrer, um duelo espanhol que promete ser interessante. Na chave de baixo, destaque para as vitórias de Youzhny e Tsonga nos "clássicos". O russo, que iniciou 2008 com o título de Chennai, derrotou a Davydenko pela primeira vez na carreira. Agora, já nas quartas-de-final, ele pega justamente o francês Tsonga, que segue surpreendendo e eliminou a seu compatriota Gasquet. Completando a rodada, Rafael Nadal também venceu sem problemas. Seu adversário, o francês Mathieu, desistiu na metade do segundo set. O número dois enfrenta agora o finlandês Jarkko Nieminem nas quartas, um duelo de canhotos.

Postado por Francisco Costa

Bons jogos e lições

19 de janeiro de 2008 0

Foi um dia cheio em Melbourne! Primeiro a vitória contundente do jovem croata Marin Cilic, de apenas 19 anos, sobre Fernando Gonzalez. O chileno até conseguiu levar um set, o segundo, no tie-break, mas foi amplamente dominado em todos os sentidos: na técnica, na força e na atitude. Cilic é um autêntico representante da nova geração de europeus: saca e devolve muito bem, ataca com a direita e o com o revés, sabe volear e se movimenta bem na quadra, mesmo sendo muito alto. Ou seja, em pouco tempo estará entre os melhores... Logo a seguir, Federer sofreu muito para passar pelo sérvio Tipsarevic, em cinco sets. Depois de ter se "divertido" com o velho Santoro, em um jogo tão bonito quanto lento e irreal, a "conta" chegou e ele quase ficou devendo, pois demorou muito para se acostumar ao jogo veloz do sérvio, que só se rendeu no finalzinho, quando o número um já estava jogando tudo o que sabe... Por último, o interessante duelo entre o ídolo local, Lleyton Hewitt, e Marcos Baghdatis, que vinha de derrotar a Marat Safin. O jogo foi muito equilibrado desde o início. Prevalecia quem tinha mais paciência e agressividade nas horas certas. Empatados em um set, o cipriota teve o terceiro nas mãos e vacilou na hora de fechar. O estádio veio abaixo, Hewitt venceu a parcial e abriu 5x1 no quarto set contra um Baghdatis "deprimido" em quadra. Então foi a vez do australiano perder a concentração e levar uma virada incrível, perdendo no tie-break. Mas no set final o australiano mostrou a principal qualidade que o levou a ser o melhor do mundo por dois anos consecutivos, sua fortaleza mental. E levou a partida. No fim, Baghdatis já nem sabia se ria ou se chorava, pois jogou muito, deixou 100% na quadra e foi eliminado. Faz parte...

Postado por Francisco Costa

Tênis feminino e o velho preconceito

18 de janeiro de 2008 0

Nos challengers, Ricardo Mello venceu mais uma e está na semi em Miami. Em seu primeiro torneio em 2008, um bom resultado que pode significar uma volta por cima. Franco Ferreiro, o último brasileiro vivo em La Serena, foi eliminado na segunda rodada. No Aberto da Austrália, a única surpresa foi a eliminação do americano Andy Roddick, que perdeu para o alemão Kohlschreiber em cinco sets. Mas hoje vou escrever um pouco sobre o tênis feminino, coisa que normalmente não faço por não acompanhar os torneios da WTA e não conhecer a maioria das tenistas. Apenas nos Grand-Slam, com os jogos sendo transmitidos diariamente, acabo assistindo a algumas partidas aqui e ali. Apesar da má vontade e ignorância dos comentaristas da ESPN, que insistem em desvalorizar as partidas femininas, algumas vezes até faltando com o respeito, a verdade é que o tênis feminino deu um grande salto de qualidade nos últimos 10 anos. Antigamente, muitas sequer pareciam atletas e as jogadoras "top" chegavam nas finais "brincando", contando nos dedos os games perdidos. Hoje em dia é diferente, os jogos são competitivos desde as primeiras rodadas e podemos perceber que a grande maioria trabalha duro. Mas é óbvio que o nível não pode ser comparado ao do masculino. Não é preciso ser um expert no assunto para saber que as diferenças físicas são gigantescas. Ainda bem, pois a natureza sempre deve ser respeitada. O que apenas aumenta o mérito das mulheres, pois as dificuldades que elas têm que enfrentar para vencer na carreira são ainda maiores que a dos homens. Mas claro, em um país machista e atrasado como o nosso, tudo é permitido. Inclusive desrespeitar pessoas que na verdade são exemplos. Não é à toa que, aqui no Brasil, poucas meninas sonham em se tornarem tenistas profissionais. Afinal de contas, quem gostaria, depois de tanto sacrifício, de ser ridicularizado em cadeia nacional?

Postado por Francisco Costa