"Estou extremamente cansado. Federer é o favorito". Foram essas as palavras do espanhol Rafael Nadal ao chegar em Pequim. Ontem, depois de ver seu nome pela primeira vez no topo do ranking mundial, disparou: "Federer ainda é o melhor, seu jogo é mais completo". Muitos, obviamente, não gostam desse tipo de atitude, confundindo a postura cautelosa do espanhol com "falsa modéstia". Na verdade, ao contrário da grande maioria dos atletas, Nadal parece ser muito bem orientado também no que diz respeito a seu relacionamento com a imprensa, com os torcedores. Enquanto alguns atletas brasileiros chegaram em Pequim "esbanjando confiança", dizendo que "vieram pelo ouro", que "estavam tranqüilos e preparados para a pressão", que o povo deveria acreditar neles, Nadal, bem mais acostumado a lidar com situações de extrema pressão, fez justamente o contrário. Não entrou no joguinho, não cavou o próprio buraco, tratou apenas de tirar o indesejável "peso-extra" de suas costas. No fundo, ele só quis dizer: "Pessoal, não sou tão bom quanto estão dizendo por aí, portanto não esperem muita coisa. Só posso prometer muita luta. Torçam por mim". Nada poderia ser mais humilde e verdadeiro, pois ninguém é tão bom a ponto de ser imbatível, a ponto de ser imune às circunstâncias do jogo. Jogo! A própria palavra já diz tudo. Aqueles que compreendem a natureza do esporte(jogo) sabem que a vitória está sempre de mãos dadas com a derrota. Um simples escorregão na hora errada, um erro qualquer de arbitragem, uma bolha na mão, uma noite mal dormida, uma vara perdida, enfim, são inúmeras as possibilidades que podem, em um simples piscar de olhos, colocar tudo por água abaixo. É preciso estar preparado para tudo, inclusive para perder. O único compromisso que qualquer atleta, seja de ponta ou não, tem condições de assumir é o de dar seu máximo, o de colocar 100% de seu foco e de sua energia na competição. Mais do que isso apenas refletirá a insegurança de quem, na verdade, não tem a menor idéia do que vai acontecer. Não existem "super-heróis". A pergunta que fica, para que todos possamos "refletir": se todos os atletas tivessem a sabedoria(ou a sábia orientação) de um Nadal, o que seria do sensacionalismo?
Postado por Francisco Costa