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Posts de setembro 2008

Aracaju

30 de setembro de 2008 0

Reprodução

Começou ontem a chave principal da etapa brasileira da Copa Petrobrás, que voltou a ser realizada em Aracaju, capital sergipana. O lugar é bonito, mas muito complicado para se jogar tênis, por causa do forte calor e dos altos índices de umidade. Ao contrário da grande maioria dos torneios, em Aracaju todos preferem jogar à noite, onde as condições se tornam mais "humanas" para a prática do esporte.

Começaram com o pé direito os brasileiros Thiago Alves, Júlio Silva, João Souza e Caio Zampieri. Ricardo Mello e Franco Ferreiro foram eliminados.

Thiago não teve trabalho para vencer o brasileiro Grili, que havia passado o quali. Souza tirou o argentino Kon, enquanto Silva conseguiu uma ótima vitória, eliminando o argentino Roitman em três sets. Zampieri venceu o duelo contra Ferreiro, e Mello caiu diante do chileno Massú.

Hoje teremos alguns confrontos interessantes, com a presença de vários brasileiros. O principal favorito, Marcos Daniel, pega o jovem Tiago Lopes, que passou o quali. Rogerio Silva e André Ghem se enfrentam, assim como Ricardo Hocevar e o gaúcho Marcelo Demoliner, que recebeu um convite da organização. Outro convidado, o juvenil José Pereira, pega o colombiano Cabal, enquanto André Miele joga contra o chileno Capdeville, e Eric Gomes mede forças contra o tcheco Vejmelka.

No total, são 17 brasileiros na chave principal, lembrando que no ano passado havia apenas cinco. Se no ano passado não tivemos nenhum semifinalista, desta vez a história tem tudo para ser diferente.

Postado por Francisco Costa

Gauchada fazendo bonito

28 de setembro de 2008 0

Marcos Daniel levou o título em Bogotá/Leonardo Muñoz, EFE

O fim de semana foi muito bom para o tênis do nosso estado. Em Bogotá, Marcos Daniel confirmou e ganhou mais um título, derrotando o argentino Horácio Zeballos na final. Daniel já tinha sido campeão em Cali na semana passada e deve se aproximar do top-60 no ranking de amanhã.

O gaúcho optou por não ir à Croácia como reserva da equipe brasileira, a fim de se concentrar nos challengers sul-americanos, onde tinha muitos pontos a defender. Não cabe a mim julgar se ele agiu certo ou não. Como capitão, acatei a decisão e dei meu apoio. Já joguei tênis o suficiente para entender seus motivos. O mais importante é que ele mostrou convicção na decisão tomada, foi lá e venceu dois torneios seguidos. E está de parabéns, não é nada fácil chegar ao melhor ranking da carreira com 30 anos.

Nos futures brasileiros, mais um título gaúcho. Marcelo Demoliner, de 19 anos, conquistou seu primeiro torneio future, em Aracaju, derrotando o argentino Alejandro Kon na final. "Demo" é uma das principais promessas do nosso tênis. Tem viajado quase sempre sozinho, mas está aproveitando muito bem a série de futures, já se aproxima do top-500. Tive a oportunidade de trabalhar com ele há dois anos e posso garantir que se trata de um menino muito bom, com excelente potencial e muita vontade de chegar lá. Precisa mais?

 

Postado por Francisco Costa

Copa Petrobrás e os "Indoors"

27 de setembro de 2008 0

Começou nesta semana, com a etapa de Bogotá, a Copa Petrobrás de Tênis, circuito sul-americano que é uma espécie de continuação da antiga Copa Ericsson. Esses eventos são sempre uma ótima oportunidade. Para aqueles que não tiveram um grande ano e já preparam o terreno para a próxima temporada, para quem está em ascensão e quer entrar ou se aproximar do top-100, e também para aqueles que se destacaram nos futures e têm nesses torneios uma chance de se afirmarem nos challengers. Os pontos conquistados na Copa Petrobrás valem para os quatro Grand-Slam e todos os Masters Series do ano seguinte, o que não é pouco. Em Bogotá, Marcos Daniel e Ricardo Hocevar se enfrentam hoje em uma das semifinais, o que garante um brasileiro na final. Na semana que vem, teremos a etapa brasileira de Aracaju, com as presenças de Daniel, Alves e Ferreiro, entre outros. Lembrando que a temporada de torneios ATP termina em outubro, com os "indoors" na Europa, todos jogados em superfície de carpete. Na semana que vem, o primeiro deles acontece em Metz, na França. A seqüência traz na semana seguinte os torneios de Moscou, Estocolmo e Viena. Depois, o Masters Series de Madri, seguido pelos ATP de Basel, Lyon e São Petersburgo e, por fim, o Masters Series de Paris. Uma gira curta, apenas cinco semanas, mas com grande premiação e muitos pontos em jogo. Quem sonha com um lugar no top-50 tem que olhar sempre com muito carinho para esses torneios. O carpete sempre assustou os brasileiros, mas hoje em dia - está muito claro - é preciso jogar bem em qualquer piso.

Postado por Francisco Costa

Oito conclusões

25 de setembro de 2008 1

Sempre que escrevo neste blog, principalmente se tratando de análise, tento ser o mais imparcial possível. Mas, como já dizia Nélson Rodrigues, a imparcialidade absoluta não existe. Cabe a quem comenta buscá-la a todo instante, para que a análise não perca sua essência e fique totalmente comprometida, se tornando, assim, uma opinião puramente pessoal e quase sem valor. O que vou escrever a partir de agora são impressões, não apenas do capitão, mas acima de tudo de um espectador privilegiado que acompanhou tudo de perto.

1. A equipe brasileira fez o máximo que podia. Não ganhou porque ainda não era o momento, mas jogou acima das expectativas, equilibrando um confronto dos mais complicados.

2. Dizer que perdemos dez tie-breaks por "questões emocionais" é um grande equívoco. Um jogador que não está mentalmente preparado não consegue jogar como nossos jogadores, acima do nível normal. Um jogador que não está bem preparado não luta da maneira que nossos atletas lutaram, até o último ponto.

3. Perdemos os tie-breaks por uma série de fatores. Primeiro, o piso rapidíssimo, que favorece os grandes sacadores. Depois, a qualidade e experiência dos adversários. Karlovic não é 14º do mundo por acaso. Pode não ser o jogador mais completo, mas é excelente naquilo que faz. Além disso, é o jogador que mais disputa e vence tie-breaks no circuito. Ancic tem nível para ser top-10 e já foi campeão da Davis em 2005, decidindo o título no quinto e decisivo ponto da final. Thomaz e Thiago estavam vivenciando uma situação totalmente inédita em suas carreiras.

4. Thomaz Bellucci provou que tem potencial para chegar bem mais longe que o atual 80º. É uma pessoa diferenciada, daquelas que conseguem assimilar informações e crescer rapidamente. Em uma semana, ele deu um grande salto técnico, tático e mental. E tem apenas 20 anos. Pra mim, pode chegar ao top-10.

5. Thiago Alves está mais maduro, mais consistente, como jogador e como pessoa. Aproveitou muito bem a chance que teve e essa experiência vai ser importante na carreira dele. Tem tudo pra melhorar ainda mais. Precisa acreditar mais nele mesmo e continuar o bom trabalho que vem fazendo com seu técnico.

6. A dupla Melo/Sá deu um show de profissionalismo e comprometimento, desde o primeiro dia. Treinaram muito bem e jogaram uma partida incrível, que vai ficar na história. Quando jogam tudo o que sabem, é um espetáculo. Podem chegar ao número um. Marcelo, assim como Thomaz, é um cara diferenciado, aprende tudo muito rápido. Já o André está vivendo uma fase maravilhosa, na carreira e na vida particular. Ainda tem muita lenha pra queimar e eu acredito muito no jogo dele.

7. Franco Ferreiro e Bruno Soares foram importantíssimos. Exigiram o máximo dos titulares nos treinos e apoiaram muito nos jogos. Mostraram que os recentes bons resultados não foram por acaso. Se continuarem assim, vão crescer muito na carreira e poderão ser titulares quando surgir a oportunidade.

8. Se fomos capazes de jogar de igual para igual com a Croácia no carpete, quer dizer que podemos enfrentar a qualquer adversário em qualquer piso. Portanto, já podemos fazer parte do Grupo Mundial. Todos os integrantes da equipe, sem exceção, confessaram que nunca houve um time tão unido, homogêneo e aguerrido quanto esse que foi à Croácia. Para um capitão, não existe melhor recompensa.

Postado por Francisco Costa

De volta

24 de setembro de 2008 2

Depois de uma longa viagem, cheguei ontem à noite em Porto Alegre. Começou na segunda de manhã. Foram três horas de carro de Zadar à Zagreb (capital croata), hora e meia de vôo à Frankfurt, mais três horas até Lisboa, onde tivemos que passar a noite de segunda, nove horas e meia até Brasilia e, finalmente, duas horas e meia até Porto Alegre. Os atletas Bellucci, Alves, Melo e Soares seguiram direto para seus torneios, enquanto Sá e Ferreiro retornaram para o Brasil com a comissão técnica. Se no ano passado voltamos da Áustria com a certeza de que pertencíamos à segunda divisão, desta vez mostramos que estamos evoluindo e que temos um time cada vez mais competitivo, capaz de enfrentar a qualquer adversário em qualquer piso. E que subir para o Grupo Mundial é apenas uma questão de tempo. Tenho a certeza de que todos aqueles que acordaram cedo para torcer para o tênis brasileiro no último fim de semana, dessa vez o fizeram com orgulho.

  

Postado por Francisco Costa

Zadar

13 de setembro de 2008 0

Daqui a pouco estarei indo para o aeroporto, iniciando a viagem para Zadar, na Croácia, onde será disputado o confronto entre Brasil e Croácia pela repescagem do Grupo Mundial da Copa Davis. Chegaremos em Zadar no domingo à tarde e iniciaremos os treinamentos a partir de segunda pela manhã. Os jogos começam na sexta, dia 19. Durante os próximos nove dias estarei 100% concentrado no confronto, de modo que me ausentarei do blog. Se sobrar algum tempinho, passo por aqui para contar alguma coisa. Se não, volto a escrever quando retornar de viagem. Desde já, agradeço a torcida de todos vocês. Boa sorte, Brasil.

Postado por Francisco Costa

Notas da semana

11 de setembro de 2008 2

Nos challengers de Sevilla e Quito, alguns brasileiros estiveram em ação, mas já foram eliminados. Em Sevilla, Franco Ferreiro, Rogerio Silva, Júlio Silva e Flávio Saretta caíram na estréia, enquanto Daniel Silva perdeu na segunda rodada. Em Quito, André Miele também não passou da primeira rodada. Ricardo Mello e Caio Zampieri avançaram apenas uma partida, perdendo logo a seguir.**** Começa amanhã a fase final do Troféu Brasil de Tênis, o campeonato brasileiro interclubes, em Belo Horizonte. Os clubes finalistas são o Minas Tênis Clube(donos da casa), o Pinheiros de São Paulo, e a Sogipa de Porto Alegre. Os jogos serão disputados em quadra rápida e coberta, piso semelhante ao escolhido pela Croácia para a Davis, e serão transmitidos pelo Sportv2. Os destaques são as presenças de Marcelo Melo, André Sá e Bruno Soares, defendendo o Minas, e Thomaz Bellucci, que joga pelo Pinheiros. A equipe brasileira da Copa Davis viaja para a Croácia no sábado, após a disputa da final do Troféu Brasil.

Postado por Francisco Costa

Federer, na marra

08 de setembro de 2008 4

Quem diria. Roger Federer começou 2008 sendo superado em velocidade de jogo por Djokovic na Austrália, algo que nunca lhe havia acontecido. Depois, perdeu jogos imperdíveis, como contra Fish em Indian Wells, e contra Stepanek em Roma. Foi nocauteado por Nadal na final de Roland Garros sem esboçar nenhuma reação, melancolicamente. Perdeu para o mesmo Nadal em Wimbledon, o que ninguém - muito menos ele - acreditava que poderia acontecer. Passou longe das finais em Toronto, Cincinatti, e nas Olimpíadas de Pequim. Perdeu o número um bem antes do esperado, e chegou em Nova York sob total desconfiança. No US Open, mesmo com uma chave favorável, chegou na semifinal sem convencer, precisando de cinco sets para derrubar Andreev nas oitavas, e de dois tie-breaks para se livrar de Müller nas quartas. Mas eis que, na hora H, tudo conspirou a seu favor. Djokovic e Nadal, seus principais adversários, chegaram no fim de semana decisivo desgastados pelas sessões noturnas. Veio o tal furacão, obrigando as semifinais a serem antecipadas para as 11h - madrugada para quem vinha jogando sempre à noite. Uma verdadeira "bordoada" nos rivais. Na final, era ele ou Murray que, apesar do grande momento, ainda é marinheiro de primeira viagem. Cansado, nervoso, apático e intimidado, o britânico simplesmente não jogou nada hoje, foi presa fácil. Mas, é claro, Federer também teve méritos, grandes por sinal. Primeiro, sobreviveu às péssimas atuações, algo que não vinha acontecendo ultimamente. Depois, cresceu na hora decisiva, o que não é para qualquer um. Sentiu que sua chance estava ali e não perdoou. Como se costuma dizer no meio esportivo, entrou na quadra "com a faca entre os dentes", pronto para a guerra. Ganhou na marra, talvez pela primeira vez em sua fantástica carreira. 

Postado por Francisco Costa

Favoritismo e discussão

08 de setembro de 2008 2

Andy Murray será o adversário de Roger Federer na grande final do US Open. Ontem ele entrou na quadra precisando vencer apenas um set, e conseguiu, depois de muita luta, correria e algumas jogadas fantásticas. Nadal fez a sua parte, exigindo o máximo de seu adversário, que na verdade é o que sempre se espera do número um do mundo. É preciso matá-lo, pois ele nunca se entrega. O resultado da final é absolutamente imprevisível. De um lado, aquele que venceu as últimas quatro edições do torneio, mas que já está na fase descendente da carreira. Do outro, um jogador em franca ascensão, que vive um grande momento, mas que está chegando pela primeira vez em uma final de Grand-Slam. Sinceramente, não me arrisco a dar um palpite. No feminino, o título ficou com Serena Williams, que derrotou Jelena Jankovic em dois sets, em uma partida irregular. Mais um título de Grand-Slam para a família Williams, o segundo consecutivo, já que Vênus venceu em Wimbledon. Uma questão que merece ser discutida: se o que conta são apenas os resultados, então Richard Williams, pai e treinador das meninas desde sempre, deve ser justamente considerado o melhor treinador da história do tênis mundial, pois nenhum outro técnico foi capaz de colocar dois tenistas no topo do ranking ao mesmo tempo. E ninguém ganhou tantos títulos de Grand-Slam quanto ele. Aqueles que, como eu, questionam esse tipo de afirmação, devem reconhecer, em primeiro lugar, que nem tudo se resume aos resultados. Depois, devem reconhecer também que formar um campeão desde o início é totalmente diferente de lidar com tenistas já formados, com virtudes e defeitos, na maioria das vezes, ainda a serem descobertos. Compreender esses jogadores(pessoas), fazer com que se conheçam e evoluam, isso sim, ao meu ver, é tarefa para os melhores técnicos. Com todo o respeito, simplesmente não consigo imaginar o Sr. Williams colocando "os filhos dos outros" no topo do ranking.

Postado por Francisco Costa

A chance de Federer

07 de setembro de 2008 3

A ameaça de furacão em Nova York foi tudo o que o Roger Federer precisava para "tirar o pé do barro". Em primeiro lugar, a semifinal contra Djokovic foi antecipada para as 11h(horário local) da manhã de sábado. Djokovic vinha desgastado por três batalhas consecutivas, e duas delas - contra Cilic e Roddick - terminaram no início da madrugada. Depois de um jogo, o atleta ainda deve cuidar da recuperação do corpo(alongamento, massagem, etc...) e da alimentação. Vai demorar, no mínimo, mais duas horas até conseguir se deitar, fora o estado de aceleração mental... O corpo e a mente de um atleta funcionam também como uma espécie de relógio. Ou seja, quem está acostumado a dormir às 4h da manhã, e acordar ao meio-dia para jogar só à noite, terá enormes dificuldades para dormir e acordar cedo - e jogar de manhã - de repente. Até poderá fazê-lo, mas seu corpo e sua mente irão acusar a brusca mudança de horário e o atleta não conseguirá atingir sua melhor performance. Quem joga às 11h da manhã deve acordar pelo menos às 8h, de modo que Djokovic jamais conseguiu "acordar" completamente, e colocar 100% de seu foco e de sua energia na partida contra Federer, que não tinha nada a ver com tudo isso e soube aproveitar. Federer jogou, de longe, sua melhor partida dos últimos meses, apesar dos altos e baixos. Do outro lado da chave, mais boas notícias para o suíço. O espanhol Rafael Nadal - outro que vinha em ritmo "noturno", tendo terminado a partida contra Fish apenas às 2h30 da matina - também sentiu o "fuso", esteve abaixo e viu o britânico Murray abrir dois sets a zero. Quando finalmente ele entrou no jogo, já ensaiando uma virada, e com Murray já começando a dar alguns sinais de desequilíbrio, a partida foi interrompida. Quem foi beneficiado, Nadal ou Murray? Nenhum dos dois, Federer. A continuação da partida será hoje à tarde, e Federer estará descansado em seu quarto, apenas observando, provavelmente torcendo por uma vitória de Murray, se possível em cinco sets. A final ficou para segunda-feira. Se Federer conquistar o título em Nova York, não poderá se esquecer de agradecer à organização do torneio pela sua total falta de bom senso esportivo. E, claro, agradecer ao furacão, que veio na hora certa.

Postado por Francisco Costa