Sempre que escrevo neste blog, principalmente se tratando de análise, tento ser o mais imparcial possível. Mas, como já dizia Nélson Rodrigues, a imparcialidade absoluta não existe. Cabe a quem comenta buscá-la a todo instante, para que a análise não perca sua essência e fique totalmente comprometida, se tornando, assim, uma opinião puramente pessoal e quase sem valor. O que vou escrever a partir de agora são impressões, não apenas do capitão, mas acima de tudo de um espectador privilegiado que acompanhou tudo de perto.
1. A equipe brasileira fez o máximo que podia. Não ganhou porque ainda não era o momento, mas jogou acima das expectativas, equilibrando um confronto dos mais complicados.
2. Dizer que perdemos dez tie-breaks por "questões emocionais" é um grande equívoco. Um jogador que não está mentalmente preparado não consegue jogar como nossos jogadores, acima do nível normal. Um jogador que não está bem preparado não luta da maneira que nossos atletas lutaram, até o último ponto.
3. Perdemos os tie-breaks por uma série de fatores. Primeiro, o piso rapidíssimo, que favorece os grandes sacadores. Depois, a qualidade e experiência dos adversários. Karlovic não é 14º do mundo por acaso. Pode não ser o jogador mais completo, mas é excelente naquilo que faz. Além disso, é o jogador que mais disputa e vence tie-breaks no circuito. Ancic tem nível para ser top-10 e já foi campeão da Davis em 2005, decidindo o título no quinto e decisivo ponto da final. Thomaz e Thiago estavam vivenciando uma situação totalmente inédita em suas carreiras.
4. Thomaz Bellucci provou que tem potencial para chegar bem mais longe que o atual 80º. É uma pessoa diferenciada, daquelas que conseguem assimilar informações e crescer rapidamente. Em uma semana, ele deu um grande salto técnico, tático e mental. E tem apenas 20 anos. Pra mim, pode chegar ao top-10.
5. Thiago Alves está mais maduro, mais consistente, como jogador e como pessoa. Aproveitou muito bem a chance que teve e essa experiência vai ser importante na carreira dele. Tem tudo pra melhorar ainda mais. Precisa acreditar mais nele mesmo e continuar o bom trabalho que vem fazendo com seu técnico.
6. A dupla Melo/Sá deu um show de profissionalismo e comprometimento, desde o primeiro dia. Treinaram muito bem e jogaram uma partida incrível, que vai ficar na história. Quando jogam tudo o que sabem, é um espetáculo. Podem chegar ao número um. Marcelo, assim como Thomaz, é um cara diferenciado, aprende tudo muito rápido. Já o André está vivendo uma fase maravilhosa, na carreira e na vida particular. Ainda tem muita lenha pra queimar e eu acredito muito no jogo dele.
7. Franco Ferreiro e Bruno Soares foram importantíssimos. Exigiram o máximo dos titulares nos treinos e apoiaram muito nos jogos. Mostraram que os recentes bons resultados não foram por acaso. Se continuarem assim, vão crescer muito na carreira e poderão ser titulares quando surgir a oportunidade.
8. Se fomos capazes de jogar de igual para igual com a Croácia no carpete, quer dizer que podemos enfrentar a qualquer adversário em qualquer piso. Portanto, já podemos fazer parte do Grupo Mundial. Todos os integrantes da equipe, sem exceção, confessaram que nunca houve um time tão unido, homogêneo e aguerrido quanto esse que foi à Croácia. Para um capitão, não existe melhor recompensa.
Postado por Francisco Costa