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Posts de novembro 2008

E o tênis feminino?

30 de novembro de 2008 1

Divulgação

Outro dia escrevi sobre a importância dos torneios futures para o tênis brasileiro, não apenas nas questões óbvias - a distribuição de pontos no ranking e a grande diminuição de despesas para os que estão iniciando a carreira profissional.

Mas principalmente sobre algumas mudanças que essa nova realidade está começando a impor. O fim da cultura de "puxa-saquismo", por exemplo, à medida que o binômio "patrocínio/convites nos torneios" está deixando de ser determinante para uma carreira de sucesso. Felizmente.

Mas e o tênis feminino?

Já faz muito tempo que o Brasil não tem uma grande jogadora no circuito WTA. A nossa última top-50 foi a gaúcha Niége Dias, na segunda metade dos anos 80. A partir dos anos 90, apenas promessas que não se concretizaram. Atualmente, ninguém sequer no top-300. 

Se pararmos para pensar um pouco, perceberemos que esse quadro não poderia ser diferente. 

Quantos torneios WTA tivemos no Brasil nos últimos anos? Nenhum.

Quantos challengers temos atualmente? Apenas um, em Campos do Jordão.

Quantos futures? Em 2008, tivemos um número recorde: meia dúzia de eventos.

A questão é simples: como desenvolver o tênis feminino, se não há oportunidades para as que sonham em se tornar profissionais?

Alguém poderia me dizer - como já disseram - que não há torneios exatamente por não haver jogadoras de destaque. Que não há interesse. Pois eu me arrisco a dizer exatamente o contrário. Enquanto não houver um bom número de eventos no Brasil, jamais teremos um bom número de tenistas de qualidade.

Até poderíamos ter alguma jogadora de exceção, resultado de um enorme esforço pessoal e familiar. Uma espécie de "Guga de saias" - embora o próprio Guga sempre tenha contado com uma estrutura diferenciada, com grande apoio financeiro para as viagens, e um ótimo e experiente treinador para acompanhá-lo.

Mas sem torneios fica impossível de se criar uma cultura de tênis feminino, o que, no fundo, é o que realmente precisamos - o próprio tênis masculino já deixou isso bem claro. Assim como no masculino, o importante, em um primeiro momento, é a quantidade. Não só de jogadoras, mas também de técnicos competentes.

E as dificuldades encontradas no início da carreira são ainda maiores para as meninas, em todos os sentidos, a começar pela falta de apoio financeiro.

Se para um jovem de 17 ou 18 anos é complicado viajar sozinho para o exterior, imaginem para uma menina de 15 ou 16, idade comum para se iniciar uma carreira profissional no tênis feminino.

A falta de torneios deixa nossas meninas absolutamente sem perspectivas. Elas se "agarram", inutilmente, ao circuito juvenil até o último suspiro dos 18 anos e acabam, com isso, limitando seus horizontes para sempre. Pior ainda, vendo um número cada vez maior de "adolescentes" russas, sérvias e americanas se destacarem nos grande torneios. Só pode ser frustrante e desanimador.

Nossa falta de visão é tanta que, quando leio opiniões de especialistas a respeito desse assunto, observo, além do já tradicional discurso "sarcástico-machista", que todos criticam a "falta de atitude" das nossas meninas.

Mas que atitude podemos cobrar delas? Que saiam para viajar sozinhas pelo mundo aos 16 anos, sem jogo, sem dinheiro, sem treinador, sem experiência, apenas com uma mochila nas costas e um sonho? E se fosse sua filha?

A verdade é que temos de aplaudir as poucas meninas que ainda tentam jogar tênis profissional no Brasil.

Postado por Francisco Costa

Inteligência ou esperteza?

28 de novembro de 2008 1

Banco de Dados

No Globo Esporte da última quinta-feira, o final do programa propôs um pequeno debate "filosófico-esportivo" interessante. 

Primeiro mostrou um técnico de um time de futebol da série A dando uma palestra para os "estudantes" da profissão, onde ele preconizava o uso em excesso de faltas "inteligentes" para fins táticos. Aquelas que "param" o jogo, mas que não acarretam em cartões amarelos. Citando, inclusive, o São Paulo como uma das equipes que melhor aplica esse "recurso".

A seguir, mostrou o goleiro do Inter "confessando" que simulou uma lesão nos últimos minutos da partida contra o Estudiantes, apenas para ganhar tempo.

O terceiro exemplo me foge da memória.

A pergunta era a seguinte: você concorda com esse tipo de atitude "inteligente"?

Em todos os esportes, é possível obter-se pequenas vantagens com "truques" de esperteza. E em uma partida equilibrada, qualquer detalhe pode fazer a diferença. Ou seja, uma "malandragem" bem executada certamente pode levar um atleta ou equipe à uma vitória. Até, por que não, algum título.

Mas aí vem o outro lado da moeda.

- Que tipo de contribuição uma equipe que vence - ou até se torna campeã - fazendo 40 faltas por jogo tem para dar ao futebol?

- O que uma "cera" tem para nos ensinar? É uma atitude exemplar?

Isso quer dizer que está errado praticar esses tipos de artifícios? É claro que não.

Porque esses truques já fazem parte do jogo, das imperfeições que o caracterizam. O ato de ludibriar o adversário, até mesmo o árbitro, isso também é esporte.

O esporte imita a vida, portanto ele jamais será perfeito, por mais que se busque a perfeição mudando-se regras, como fez o voleibol, por exemplo.

Mas é preciso que se diga que esses "atos táticos" têm valor puramente "competitivo". Podem ser úteis para efeitos de resultado apenas. Eles não têm nenhum valor "cooperativo", ou seja, não têm nenhuma contribuição para dar em termos de evolução do jogo. Consequentemente, nada acrescentam.

São atos de "esperteza", não são atos de "inteligência".

 

 

Postado por Francisco Costa

Realidade, visão, esforço e prazer

25 de novembro de 2008 0

Divulgação

Depois da final da Copa Davis, já não há eventos de "primeira linha" no circuito internacional. Restam alguns poucos challengers e futures a serem jogados pelo mundo afora.

No Brasil, segue a série de futures. Nesta semana, em São Paulo, está acontecendo o Brasil F30. Depois de duas semanas de pausa, Foz do Iguaçu vai sediar o próximo evento, seguido de mais três futures na capital paulista.

O último desses futures será disputado no Parque Villa Lobos, e será uma espécie de "preliminar" para o já tradicional "Aberto de São Paulo", challenger de 100 mil dólares de premiação sediado no mesmo parque, na primeira semana de janeiro. Ou seja, vários dos nossos jovens tenistas vão passar o Natal e a virada de ano competindo.

Na minha opinião, tudo isso é muito bom. Tanto para o amadurecimento dos meninos como para o crescimento de nosso esporte de maneira geral.

O maior problema do Brasil sempre foi - e continua sendo - a falta de visão das pessoas. A nossa capacidade de enxergar um pouco além do óbvio.

Quando se dizia, há poucos anos, que era necessário que tivéssemos um calendário cheio de futures, a maioria dos "experts" em tênis não era capaz de enxergar isso, afinal de contas os futures não colocam ninguém no top-100.

No entanto, para que se tenha uma qualidade real e duradoura, é preciso investir primeiro na quantidade. Exatamente tudo o que nunca foi feito no tênis brasileiro. O buraco em que nosso tênis caiu após os problemas físicos de Guga apenas confirmou essa premissa e escancarou o nosso despreparo. 

A grande quantidade de futures, acima de tudo, está criando uma nova e sadia cultura tenística no Brasil. Já não é mais necessário choramingar publicamente por patrocínio, nem ser "filho de pai rico". Muito menos "puxar o saco" desse ou daquele para mendigar convites nos torneios. Coisas que, infelizmente, sempre fizeram parte de nosso cotidiano tenístico.

O mais importante nessa nova realidade, em primeiro lugar, é "querer de fato" ser um tenista profissional, gostar de viver como tal. Gostar da pressão, da rotina, do esforço físico diário, das viagens, das vitórias e derrotas, dos sacrifícios que fazem parte da vida de um atleta. 

Não basta "suportar" tudo isso, é preciso ter prazer. Não me refiro àquele prazer puramente superficial e passageiro, mas a um prazer interior e duradouro. Prazer que vem do orgulho e da alegria de viver como um verdadeiro lutador, de não ser apenas mais um brasileiro medíocre. Ou, como diria um conhecido escritor gaúcho, "midíocre". 

Aqueles que só jogam tênis porque sonham com fama e dinheiro não são os que verdadeiramente gostam do que fazem. Por isso mesmo terão vida cada vez mais dura no - cada vez mais duro - circuito profissional. 

A grande quantidade de futures está contribuindo muito para a democratização do tênis brasileiro.

Postado por Francisco Costa

A malandragem argentina

23 de novembro de 2008 0

O espanhol Acasuso conquistou a vitória/Christophe Karaba, EFE

Não deu para os "hermanos". A vitória de Verdasco sobre Acasuso em cinco sets liquidou o confronto com vitória espanhola por 3x1.

O tênis argentino, que estava preparado para uma grande festa, se viu hoje em um verdadeiro filme de terror. Criado, dirigido e estrelado por eles mesmos.

Tudo começou em setembro, nos dias que sucederam as partidas semifinais. Houve uma discussão pública entre jogadores e dirigentes sobre o local onde deveria se realizar o evento, e o piso a ser escolhido. Como sempre, cada um queria uma coisa.

Os jogadores, temendo um confronto com Nadal, exigiram o carpete. Os dirigentes, temendo lucrar menos, queriam o saibro de Buenos Aires. Nalbandian, a principal liderança do time, foi mais além, exigindo ainda jogar em Córdoba, sua terra natal. Del Potro rebateu dizendo que "cada um queria jogar em sua própria cidade".

O capitão Mancini, temendo se desgastar com os jogadores, não se envolveu no assunto. Outro erro. O fato é que os argentinos, famosos mundialmente por seu caráter "competitivo", não foram capazes de se entender nem estando na final da Davis.

Mas o desfalque de Nadal acabou deixando os argentinos com uma mão na taça. Bastaria controlar os próprios nervos e jogar tênis.

Já no primeiro dia, no entanto, as coisas tomaram um rumo diferente do esperado. Enquanto os espanhóis faziam sua parte, a equipe argentina começava a "escancarar" problemas graves.

O primeiro deles foi a escolha do piso, perfeito para Nalbandian, rápido demais para Del Potro, Calleri e Acasuso. Pior ainda quando os adversários não eram mais Nadal e Ferrer, mas Lopez e Verdasco, dois jogadores canhotos que se adaptam bem em superfícies rápidas.

Esse problema ficou claro já na sexta-feira, quando Del Potro não jogou bem e foi surpreendido por Lopez. Pra piorar, ainda saiu lesionado da quadra.

A partida de duplas acabou se tornando decisiva. Lopez e Verdasco venceram e colocaram a Espanha em vantagem. Foram, sem dúvida, mais "time" que Nalbandian e Calleri.

A situação, então, ficou "surreal". Acasuso - um jogador experiente, mas que construiu sua carreira no saibro - estava obrigado a derrotar Verdasco. Ou seja, o carpete escolhido pelos próprios argentinos se tornava seu pior inimigo - quem diria que as coisas chegariam a esse ponto.

O jogo foi típico de uma decisão, extremamente nervoso e irregular. Verdasco tinha o domínio técnico da partida, mas abusava dos erros. Acasuso começou mal, ganhou o segundo set de presente, cresceu no terceiro, mas começou a dar sinais de cansaço a partir do quarto set. O espanhol colocou a cabeça no lugar e acabou com o sonho argentino.

A pergunta é a mesma de sempre: o que faltou para os argentinos? 

Analisando-se a situação como um todo, eu diria que faltou diálogo, faltou solidariedade, faltou pensar e agir como um verdadeiro time.

Faltou inteligência e sobrou esperteza. Dois valores que, na verdade, são opostos.

Enquanto os espanhóis nos deram um grande exemplo de união, de coragem, os argentinos se auto-destruíram. Tropeçaram na própria malandragem.

Postado por Francisco Costa

Argentina em apuros

22 de novembro de 2008 0

Lopez e Verdasco derrotaram os argentinos/Leo La Valle, EFE

A partida de duplas valia muito.

Uma vitória argentina deixaria nossos vizinhos outra vez com uma mão na taça, dependendo de um simples vitória no domingo para conquistar o tão sonhado título da Davis. Bastaria, por exemplo, o favorito Nalbandian ganhar sua partida contra Feliciano Lopez.

Mas não deu. Lopez e Verdasco mostraram uma maior frieza nos momentos decisivos e surpreenderam os donos da casa - Nalbandian e Calleri - em quatro sets.

O jogo foi extremamente tenso, com os quatro jogadores alternando bons e maus momentos. O argentino Calleri e o espanhol Verdasco, talvez por estarem estreando no confronto, mostraram um certo nervosismo inicial. Os dois primeiros sets - um 7x5 para cada lado - foram absolutamente equilibrados.

A chave do jogo foi o terceiro set - o mais nervoso, irregular e disputado de todos. Os espanhóis arrancaram bem e chegaram a abrir 5x1, com Verdasco sacando para fechar. Perderam um set-point, o game, e o jogo mudou completamente. A fanática torcida incendiou a quadra, e os donos da casa conseguiram mais uma quebra, igualando as ações.

No tie-break, os argentinos abriram 5x1 rapidamente. Mas então foi a vez deles perderem a concentração, cometerem erros infantis e levarem uma virada incrível. Ninguém acreditava no que estava vendo. 

O quarto set foi todo dominado pelos visitantes, que não perdoaram e fecharam a partida. Agora são espanhóis que estão a um passo de uma conquista histórica, uma verdadeira façanha esportiva.

O que já havia se tornado um drama, está prestes a virar um verdadeiro pesadelo para o tênis argentino. Com Del Potro lesionado, o veterano Calleri(ou o irregular Acasuso) está obrigado a vencer a primeira partida de amanhã. Contra David Ferrer ou o próprio Verdasco - o mistério nas escalações deverá permanecer até o último instante.

O capitão espanhol, em sua entrevista, fez uma análise perfeita da partida de duplas: "O jogo foi nervoso e irregular, mas no final prevaleceu nosso companheirismo". Simples assim.

Postado por Francisco Costa

A festa virou drama

21 de novembro de 2008 0

Del Potro perdeu devido ao desgaste físico/Leo La Valle, EFE

Argentinos e espanhóis têm muito em comum. Além do idioma, nossos vizinhos herdaram várias características de seus colonizadores. Uma delas é a valorização do tradicional, de suas raízes culturais, da estrutura familiar à moda antiga.

O que faz com que os dois países sejam considerados os de cultura mais "machista" de seus continentes. Talvez por essa razão ambos países - possuidores de uma cultura esportiva rica e interessante - não tenham tradição no esporte feminino.   

A principal diferença entre eles, como não poderia deixar de ser, é o grau de civilização. Enquanto os argentinos são um povo altamente competitivo, em todos os sentidos, os espanhóis já aprenderam que a competição tem hora e local bem definidos. E que, de resto, é preciso cooperar. Uma questão de educação, de princípios.

Tenisticamente, eles também têm várias semelhanças. A começar pelo saibro, o que faz com que uma final de Davis entre Argentina e Espanha disputada no carpete coberto seja, no mínimo, um fato curioso.

A primeira partida do dia foi aquilo que se esperava. David Nalbandian dominou as ações do início ao fim e não deu chances a seu "xará" Ferrer. O argentino fez bom uso da velocidade da quadra, encurtou distâncias e chegou bastante à rede. O espanhol mostrou a mesma falta de convicção dos últimos meses e foi presa fácil. Se limitou a correr, o que esteve longe de ser suficiente para que pudesse, ao menos, equilibrar a partida.

A seguir, o jovem Juan Martin Del Potro entrou em quadra para encaminhar o confronto. Uma vitória deixaria seu país com "uma mão e meia" na taça.

Seu adversário era o canhoto Feliciano Lopez, escolhido à última hora para ser o substituto de Nadal. Lopez é um ótimo sacador e gosta de subir à rede, duas qualidades fundamentais nesse tipo de superfície. Mas o favoritismo era todo do argentino.

Mesmo vencendo o primeiro set, Del Potro não parecia estar à vontade na quadra, um pouco rápida demais para ele. Apesar de seus quase dois metros de altura e golpes muito potentes, o argentino não é exatamente um jogador de ataque.

Lopez levou o segundo set para o tie-break, onde contou com o nervosismo do adversário para empatar a partida. No terceiro set, o mesmo filme. Mais um tie-break, mais erros bobos do argentino. No quarto set, o espanhol já começava a dominar a partida, enquanto Del Potro já dava claros sinais de desgaste físico e mental. Lopez não vacilou e fechou a partida, empatando a série.

O que era para ser uma grande festa argentina se transformou em drama, principalmente por causa dos problemas físicos de Del Potro.

A partida de duplas de amanhã - que deverá ser entre Nalbandian/Calleri e Lopez/Verdasco - adquiriu caráter decisivo.

Postado por Francisco Costa

Violência e suas origens

20 de novembro de 2008 0

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Nada a ver com tênis, tudo a ver com o nosso dia-a-dia.

Duas notícias me chamaram a atenção nos últimos dias, por serem igualmente chocantes e, ao mesmo tempo, emblemáticas.

No RJ, mais um caso de violência nas favelas, na complicada e obscura relação entre traficantes, polícia e população local, onde ninguém mais sabe quem deve ser preso e quem é inocente. Até aí, nenhuma novidade.

O fato inusitado foi a descoberta de um depósito clandestino de fuzis, metralhadoras e pistolas, além de diversos tipos de drogas, tudo em grande quantidade. Onde? Em uma escola pública. 

Ou seja, um perfeito retrato da desvalorização da educação em nosso país. Um problema que, infelizmente, está enraizado na nossa cultura desde sempre, e está diretamente relacionado ao aumento da violência. É como uma bola de neve que não pára de crescer, pois uma coisa leva à outra.

O outro fato ocorreu aqui mesmo, em Porto Alegre.

Alguns torcedores gremistas "comemoraram" a vitória de seu time sobre o Coritiba promovendo uma briga nas redondezas do Estádio Olímpico, com direito a tiroteio e vários feridos.

A imprensa fala em "criminosos" ou vândalos", pedindo rigor nas punições. Muito fácil e óbvio. Mas isso não explica nem resolve nada. Remediar não basta, é preciso entender e prevenir. E a única maneira de se fazer isso é buscando-se as origens desses episódios.

Em primeiro lugar, é preciso esquecer-se por um instante as paixões clubísticas e reconhecer um dado importante: 90% dos recentes casos de violência ligada ao futebol no RS estão relacionados à torcida gremista. Se considerarmos que o estado é "metade vermelho e metade azul", isso jamais poderia passar em branco.

Se prestarmos bem a atenção, perceberemos que esses "vândalos ou criminosos" são, em sua grande maioria, jovens membros de torcidas organizadas. Ou seja, são gremistas fanáticos que cresceram nos anos 80 e 90, duas décadas onde houve uma grande supremacia tricolor no RS. Cresceram acreditando em uma superioridade, sem saber, no entanto, que ela era apenas circunstancial, portanto passageira.

Outro fato que não pode ser ignorado, é o de que esses episódios se tornaram visivelmente mais freqüentes nos últimos anos. Ou seja, após a grave crise que derrubou o Grêmio para a segunda divisão do futebol brasileiro, e também após a retomada do crescimento colorado que culminou com as recentes conquistas da Libertadores e do Mundial.

Para os jovens gremistas mais fanáticos, os últimos anos têm sido de grande frustração de expectativas futebolísticas. Alguns, com certeza, se sentem "traídos" pelo universo.

Também não podemos deixar passar desapercebido o fato de que existem facções das torcidas organizadas do Grêmio que defendem abertamente uma espécie de "neo-nazismo", reunindo-se para cometer crimes contra colorados, minorias raciais e homossexuais, incluindo os próprios gremistas. De onde vem esse falso sentimento de "superioridade" que se transforma rapidamente em ódio?

Juntando-se tudo isso em um quebra-cabeça, até que ponto a mídia não está contribuindo para estimular a violência no futebol, no momento em que, diariamente, joga uma boa dose de "querosene" na fogueira da rivalidade Gre-Nal, que infelizmente já ultrapassou os limites das quatro linhas há muito tempo? Ou quando se usa adjetivos perigosos e sugestivos como "imortal" para classificar um time de futebol? Ou, pior ainda, sua torcida?

O buraco é bem mais embaixo do que se pensa, portanto é preciso que se faça uma reflexão mais aprofundada do assunto, das suas raízes. Caso contrário, como no caso da violência nas favelas cariocas, a tendência é só piorar.

Postado por Francisco Costa

Bellucci e a troca de técnico

18 de novembro de 2008 2

Bellucci tem um novo treinador/Filip Horvat, AP

Com a temporada chegando a seu final, os tenistas já começam a pensar em 2009. O mês de novembro é ideal para identificar-se os acertos e, principalmente, os erros cometidos, a fim de corrigí-los e seguir em frente na carreira.

O jovem Thomaz Bellucci, por exemplo, optou por trocar de treinador. Sai Léo Azevedo e entra João Zwetsch.

Não cabe a mim julgar se a decisão foi correta. Fui jogador profissional durante mais de dez anos e sou técnico há três. Sei bem da "complexidade" que envolve a relação jogador-técnico, pois já estive dos dois lados.

O principal "elo", nessa ou em qualquer relação, sem dúvida, é a honestidade. É preciso haver, acima de tudo, uma confiança mútua absoluta, pois existe sempre uma grande pressão por resultados. É preciso "jogar limpo". Nas vitórias e, principalmente, nas derrotas.

Alguns técnicos - especialmente os que nunca tiveram a oportunidade de jogar tênis profissional - têm o mau hábito de super-valorizar os próprios méritos. É preciso que se diga a verdade: são os jogadores que ganham e que perdem as partidas. O técnico deve estar ciente disso e conformado com seu papel de coadjuvante. Quanto menos aparecer, melhor.

Nos últimos dias, li uma série de opiniões a respeito desse assunto, e percebi que existe uma idéia geral um pouco distorcida da realidade.

Em primeiro lugar, não se pode creditar a ascensão de Thomaz única e exclusivamente ao bom trabalho de seu ex-técnico. Bellucci não foi encontrado na "lata do lixo", muito pelo contrário. Já vinha subindo rapidamente - pulou de 500º para 200º no segundo semestre de 2007, com apenas 19 anos. Fato que despertou a atenção de todos, inclusive o da Koch Tavares, empresa que o agencia há mais de um ano, e responsável pela contratação de seu ex-técnico em novembro do ano passado. 

Analisando-se o ano de 2008 de Bellucci, podemos concluir que o primeiro semestre foi excelente, acima das expectativas. Saiu do 200º para o 67º. Um grande salto, cujo principal combustível foram os challengers jogados em quadras de saibro, alguns na América do Sul, outros no norte da África. Longe, portanto, dos principais centros tenísticos do mundo. 

Já no segundo semestre, jogando torneios ATP, alguma coisa ficou faltando. Foram apenas duas vitórias em cinco meses. Não se pode negar que os resultados foram ruins, decepcionantes de certa forma. Quando todos esperavam que, sem muitos pontos a defender, ele entrasse com tudo no top-50, ele caiu para 90º.

E agora tem que defender todos os seus pontos até maio, um grande desafio para ele e seu novo técnico. 

Quanto a João Zwetsch, sou suspeito para falar. Como todos sabem, é meu companheiro de comissão técnica na Copa Davis.

Mas posso garantir que se trata de um dos melhores técnicos do país, além de uma excelente pessoa. Foi um bom jogador profissional e tem bastante experiência como treinador.

Só posso achar que a nova parceria tem tudo para dar certo.

 

 

Postado por Francisco Costa

Djokovic vence a Masters Cup

16 de novembro de 2008 1

Oliver Weiken, EFE

As semifinais de sábado eram imprevisíveis.

A grande sensação do momento, Andy Murray, chegava desgastado pela batalha contra Federer na sexta. Do outro lado da rede, o descansado Davydenko, cuja principal qualidade é exatamente a velocidade de jogo, a capacidade de fazer o rival correr o tempo inteiro.

Desde o início, Murray não fez nenhuma questão de esconder que não estava 100%. Talvez para "se fazer de morto", talvez por não estar conseguindo aguentar o ritmo imposto pelo russo.

O fato é que o primeiro set foi equilibrado, mas, na hora H, pesou a maior convicção de Davydenko. Murray já não sabia se fazia cara de cansado ou se quebrava a raquete, ou seja, não estava devidamente concentrado e comprometido com a vitória. Perdeu o primeiro set no finalzinho e desanimou de vez, se tornando presa fácil.

Na outra semi, Djokovic tinha o claro domínio técnico e tático da partida, mas voltava a mostrar a mesma falta de paciência que o impediu de brigar pelo número um a partir da metade do ano.

O francês Simon - que só disputou o torneio devido à ausência de Nadal - "comia pelas beiradas", mostrando que a paciência é exatamente uma de suas principais virtudes.

No terceiro set, apressado, Djokovic desperdiçou várias oportunidade de matar o jogo, incluindo um 5x4 e saque, mas manteve a lucidez e voltou a quebrar o saque do francês, fechando em 7x5.

A final, disputada há pouco, também não tinha favorito.

Djokovic chegava um pouco mais desgastado, porém, não se pode negar, tem mais recursos técnicos do que Davydenko. Sabe construir melhor as jogadas de ataque, utilizando melhor os ângulos da quadra, e chegando mais à rede.

Além disso, a maior arma do russo, a velocidade de jogo, não chega a incomodar tanto o sérvio, que tem justamente na movimentação e no contra-ataque suas principais qualidades como tenista.

O sérvio entrou em quadra tranquilo e dominou a partida do início ao fim, voltando a mostrar todo o potencial que o levou ao título no Aberto da Austrália, e a ser apontado como um sério candidato ao número um.

Minha previsão há seis meses era a de que Federer terminaria o ano como terceiro do mundo, atrás de Nadal e Djokovic. Errei por pouco, o sérvio vacilou demais nos últimos meses. Mesmo assim, está colado no suíço.

O ano que vem, com Murray entrando definitivamente na briga, promete ser emocionante.

 

 

Postado por Francisco Costa

Murray cruel

14 de novembro de 2008 0

Federer caiu diante de Andy Murray/Diego Azubel, EFE

Roger Federer fez de tudo e mais um pouco para vencer e se manter vivo na Masters Cup. Realizou jogadas incríveis, salvou vários match-points, e saiu da quadra completamente exausto.

Murray, já classificado, começou um pouco "devagar", mas a partir do segundo set, deixou bem claro que queria mandar o suíço pra casa. Até para não correr o risco de ter que enfrentá-lo outra vez na final.

A partir daí, o que se viu foi uma partida de altíssimo nível, com ambos tenistas mostrando todos os recursos que uma raquete e uma bolinha de tênis permitem. O comentarista da Sportv, Dácio Campos, foi feliz quando disse que o único resultado justo para esta partida seria o "empate". 

Como o tênis não permite "empates", o resultado final - vitória de Murray por 7x5 na negra - acabou resumindo o ano de 2008, onde Federer simplesmente já não consegue superar seus jovens rivais. Por uma série de fatores, já devidamente discutidos neste espaço.

O público, que apoiou o suíço do início ao fim, deixou a quadra triste. Não só pelo resultado, mas principalmente pela eliminação do ex-número um. Todos queriam ver Roger Federer disputando as finais. Eu também. A verdade é que Murray foi cruel com todos nós.

Os confrontos das semis são: Djokovic x Simon e Murray x Davydenko. Tudo pode acontecer, vale a pena conferir.

 

 

 

Postado por Francisco Costa