O futebol sempre evolui. Basta assistir a jogos de 20, 30 anos atrás para percebermos a enorme diferença de velocidade de jogo. Negar essa evolução é o mesmo que negar os avanços da ciência, da tecnologia. Ou seja, é negar o mundo em que vivemos hoje.
Durante boa parte dos anos 90, até o início do novo milênio, o futebol brasileiro foi dominado por dois estilos opostos.
As equipes de Vanderlei Luxemburgo, que se caracterizavam por praticar um futebol leve, alegre e ofensivo, e as equipes de Felipão Scolari, conhecidas por seu estilo de força física, marcação e disciplina tática.
Nos campeonatos brasileiros, com pontos corridos, grande vantagem para Luxemburgo. Já nas competições sul-americanas, caracterizadas pelo "mata-mata", só deu Felipão.
Nos últimos anos, no entanto, o futebol brasileiro deu um passo à frente.
Os times que têm se caracterizado apenas pela boa defesa já não conquistam títulos. Pior ainda têm se saído os times que não sabem se defender. Ou seja, aqueles modelos de time que foram tão vitoriosos há alguns anos se tornaram, de certa forma, superados.
Peguemos o São Paulo de Muricy como exemplo. Afinal de contas, ninguém ganha três brasileiros consecutivos por acaso.
É um time brilhante? Não, até porque, hoje em dia, os times são obrigados a se desfazer de seus melhores jogadores a cada seis meses, a cada ano.
Mas é um time que, dentro de suas limitações, é capaz de conciliar força e técnica. Uma equipe que se caracteriza por fazer muitos gols de bola parada, por levar poucos gols, mas também é uma equipe que sabe prender a bola, com toques rápidos e precisos, uma equipe que também possui jogadores de boa qualidade técnica.
Mesmo o Inter, seja com Muricy, Abel, ou Tite no comando, só venceu quando foi capaz de combinar marcação forte e jogadores técnicos como Fernandão, Alex ou Nilmar. Não ganhou jogando só na força, e muito menos quando quis dar uma de "time carioca".
Por outro lado, os outros dois times que também lutaram pelo título brasileiro - Grêmio e Palmeiras - se caracterizaram justamente pela aposta no passado.
O Grêmio de Roth tentou "imitar" o Grêmio de Felipão. Apostou única e exclusivamente na força, na marcação. Um time sem grandes jogadores, mas bem preparado fisicamente, muito disciplinado, e sempre comprometido com a vitória.
Mas, no final, ficou claro que faltou qualidade. Faltou futebol, faltou técnica, faltaram opções de jogadas de ataque quando as bolas aéreas não surtiram efeito.
Já o Palmeiras do mesmo Luxemburgo quis repetir o sucesso que ambos tiveram há mais de uma década. Um time leve, caracterizado pelo toque de bola, e que, no início da temporada, se transformou na "menina dos olhos" dos saudosistas de plantão.
Mas, no final, também ficou faltando alguma coisa. Faltou o que sempre falta às equipes de Luxemburgo. Uma boa marcação, força física, disciplina tática.
São Paulo e Inter não estão conquistando títulos por acaso.
São os únicos clubes brasileiros que estão olhando pra frente, não pra trás. Não apenas por terem se tornado "modelos de administração", mas também porque tentam praticar um futebol moderno, sem vínculos com conquistas passadas.
São as únicas equipes do futebol brasileiro que, de alguma maneira, têm conseguido aliar duas virtudes que, juntas, vêm se tornando sinônimo de sucesso em qualquer esporte: alegria e disciplina.
Postado por Francisco Costa