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Posts de março 2009

Fim de semana

30 de março de 2009 1

Neste fim de semana dei folga para os meus atletas, que normalmente treinam no sábado de manhã, mas dessa vez estavam um pouco cansados.

Aproveitei para descansar um pouco da correria diária. No sábado de manhã, joguei uma "duplinha" com amigos, todos bons tenistas, o que continua sendo diversão garantida. Ainda bem.

Depois, fiquei de molho, escrevi um pouco. E me preparei para um fim de semana familiar e "futebolístico".

O futebol, sempre tão apaixonante, tem também, infelizmente, o poder de me aborrecer, o que não é fácil, pois só há dois tipos de partidas que me fazem perder a paciência.

Uma delas é quando o time para o qual torcemos não está jogando absolutamente nada, está irreconhecível, e levando um "vareio" de um adversário qualquer, muitas vezes até "inferior". Não aceito.

A outra é quando um árbitro deixa de ser coadjuvante e passa a ser protagonista, influenciando diretamente no resultado de uma partida. Pior ainda.

Neste fim de semana, por coincidência, os dois jogos que assisti me tiraram do sério.

No sábado teve Juventude x Inter, em Caxias.

Acredito que todos os torcedores colorados, assim como eu, "fantasiavam" com a possibilidade de aplicar uma goleada no Jaconi. Afinal de contas, o Inter vem jogando um futebol de primeiríssima qualidade.

Começou o jogo, e já se pôde perceber que o "campo estava inclinado", a favor do time local. Algo muito comum no futebol brasileiro, mas que não vinha acontecendo no campeonato gaúcho.

O Juventude batia à vontade, o Inter recebia cartões. E todos os lances duvidosos eram a favor do time de Caxias.

Mesmo assim, o Inter dominava as ações. O Juventude, encorajado pela situação, mostrava valentia.

Depois de levar um gol bobo de bola parada, no entanto, o Inter passou a jogar um futebol diferente, de encher os olhos. Um futebol de sonhos.

Perdeu algumas oportunidades, mas, rapidinho, virou o placar, com dois golaços - a desejada goleada era, então, apenas uma questão de tempo.

Esse "momento" não durou muito. Pouco depois da virada, os colorados levaram uma verdadeira "ducha de água fria".

O jogador do Inter cometeu falta no início do lance, longe da área, mas o atacante do Juventude, obviamente, só caiu dentro da área.

Penalti e expulsão. Ou seja, dois erros graves e decisivos em apenas um lance.

De repente, o jogo estava 2x2 e o Inter estava com dez em campo, aos trinta do primeiro tempo. Adeus goleada, adeus futebol de sonhos, adeus fantasia. 

E bem vindo à realidade de um jogo dirigido por um árbitro desequilibrado e inexperiente, pra não dizer coisa pior.

O que aconteceu no campo, a partir dali, foi uma distorção da partida. Poderia ter acontecido qualquer coisa. Menos mal que ainda deu empate.

Em um jogo que era para ser lembrado pelo gol antológico de Nilmar, e por mais uma atuação "de gala" do Inter, o juiz acabou sendo o personagem principal.

Alguns consideraram esse como o melhor jogo do campeonato. Enfim, cada um com seus critérios.

No domingo tinha mais, era dia de ver a seleção brasileira.

Mas o que se viu foi um time horroroso em campo, mal em todos os aspectos e dimensões possíveis. Mal técnica, tática, física e mentalmente. Ruim na defesa, no meio campo e no ataque.

Tudo isso porque o Brasil jogou sempre com dois a menos, pois Elano e Ronaldinho não viram a cor da bola, não se movimentaram, não marcaram, não fizeram absolutamente nada. 

Se tivessem saído de campo sem avisar, ninguém teria percebido.

Os dois volantes, sobrecarregados, pareciam "baratas tontas", não sabiam a quem marcar, tantos eram os adversários naquele setor..

A prova disso é que o time só fez alguma coisa depois que os dois "fantasmas", finalmente, foram substituídos, quando faltavam quinze minutos para o jogo acabar.

E o Brasil fez um gol, depois poderia ter feito outro e matado o jogo, o que seria, na verdade, uma injustiça histórica.

Por ironia do destino, ou por merecimento, o Equador ainda empatou no fim.

Cá entre nós, o resultado mais justo era um 5x1 pra eles. Mas, graças ao nosso goleiro e à péssima pontaria dos adversários, deu empate.

Menos mal que venci a duplinha de sábado. 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

Postado por Francisco Costa

Oportunismo

29 de março de 2009 1

Ainda sobre meu último texto.

Que fique bem claro: sou radicalmente contra um jovem deixar a escola antes de completar o ensino médio.

Por exemplo, um de meus atletas, Rafael Camilo, parou de estudar quando ainda tinha 15 anos, dois anos antes de começar a treinar comigo.

Por que? Boa pergunta, mas não sou eu quem deve respondê-la. E sim seus ex-técnicos e, claro, seus pais.

Para corrigir esse grave erro, Rafael está tendo que fazer uma espécie de "supletivo" via internet, já que suas viagens não permitem mais que ele termine o segundo grau normalmente.

Hoje, com 19 anos recém cumpridos, ele já é profissional e deveria estar dedicando 100% de seu tempo ao tênis.   

Mas voltemos às universidades americanas.

Nos futures brasileiros, uma cena já virou rotina, e tem chamado a atenção de todos. Eu mesmo já fui "testemunha".

Agentes que promovem a ida de nossos meninos aos EUA estão sempre lá, "acompanhando" os torneios.

Quando termina uma partida, muitas vezes eles "seguem" o perdedor até o vestiário, a fim de tentar convencê-lo a desistir de seu sonho e ir estudar nos EUA.

Pra mim, isso se chama oportunismo. E com uma pitada de "covardia".

Pois um jogador que acabou de ser eliminado está no auge de sua vulnerabilidade, e certamente está questionando o próprio potencial.

Por causa de atitudes como essa, grande parte dos jovens que vão aos EUA acaba voltando ao Brasil antes de se formar.

Acabam descobrindo que não era exatamente o que eles queriam.

Aqueles que vão para os EUA devem saber que estão indo para estudar, para voltar com um diploma universitário, e não para jogar tênis. O tênis é apenas um "meio" para se conseguir isso. 

A maior prova disso é que a grande maioria dos que voltam ao Brasil "diplomados" acaba indo trabalhar em outras áreas, longe do tênis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por Francisco Costa

Coluna no Tênis Show

27 de março de 2009 1

Gostei do novo modelo do clicEsportes.

Ficou mais informativo, e outros esportes também ganharam mais espaço.

No caso do tênis, o parceiro é o já conhecido site "Tênis Show", onde escrevo uma coluna mensal.

Aproveito para reproduzir aqui meu último texto, publicado hoje.

Tênis Profissional x Universidade nos EUA: A Verdade

Nos últimos anos, um número cada vez maior de jovens tenistas brasileiros têm ido estudar nos EUA, recebendo bolsa de estudos para defender a equipe de tênis das universidades.

Nossos meninos têm sido constantemente assediados por agentes e pessoas ligadas às universidades, que vendem o peixe mostrando apenas o lado da moeda que lhes convêm.

Ou seja, muitos vão parar nas universidades americanas sem estar devidamente informados.

A fim de esclarecer um pouco as pessoas a respeito desse assunto, vou mostrar o "outro lado da moeda", aquele que os "profissionais do assédio" costumam omitir.

Todos precisam saber o seguinte:

- A opção pelo tênis universitário é clara e indiscutível: a dedicação é dividida entre estudos e tênis, com os estudos em primeiro lugar;

- A maioria esmagadora dos tenistas que chegaram ao top-100 ou top-200 nos últimos 20 anos dedicou-se ao tênis com exclusividade - não passaram por universidades americanas;

- Das centenas de brasileiros que foram estudar nos EUA nos últimos 10 anos, nenhum chegou sequer entre os 200 melhores;

- Os números são claros por uma razão muito simples: como um tenista em formação que divide seu tempo entre esporte e estudos poderá competir e vencer contra aqueles que dedicam 100% de seu tempo ao tênis? Raríssimas exceções conseguem, ainda assim tendo que abandonar os estudos pelo esporte.

- Os quatro anos dedicados à Universidade representam um tempo praticamente irreversível em termos de competição profissional e ranking. O esporte evolui tão rapidamente que a dedicação dividida deixa o atleta pra trás;

- É falsa a idéia de que os EUA estão na ponta do tênis profissional hoje. Para os números astronômicos de praticantes, a porcentagem de tenistas bem sucedidos é ínfima. A Europa é dominante sem qualquer idéia de conciliar tênis e universidade;

- Quem quer ser top-100 não vai para a universidade. Quem está na universidade e quer ser top-100, deve sair dela. Então, se é pra não terminar, pra que começar?

- Você pode ser uma pessoa destacada no esporte ou fora dele. A opção é sua, de sua família. Você pode se dedicar aos estudos e deixar o tênis em segundo plano, ou, ao contrário, dedicar-se exclusivamente ao tênis e deixar os estudos para mais tarde;

- A conclusão é a de que tenistas, treinadores, pais, agentes e formadores de opinião devem ser responsáveis e honestos. É importante informar adequadamente, sem fantasias de interesses comerciais com manipulação de números falsos.

A opção de ir para os EUA é válida? Sim.

Pode trazer experiências enriquecedoras e ser importante para a vida dos jovens atletas? Sim.

A universidade americana vai ajudar mais no desenvolvimento tenístico do que a preparação exclusiva para o circuito? Não.

Então, o tênis universitário é a melhor opção para aqueles que sonham em se tornar tenistas de destaque? Não.

Muitos jovens sem recursos financeiros e/ou sem nível tenístico para iniciar uma carreira profissional não podem abrir mão de uma bolsa de estudos e optam, então, pelo tênis universitário com o tênis em segundo plano. Isso é justo.

O que não é justo é ficar iludindo as pessoas de que podem chegar ao topo em ambas as coisas ao mesmo tempo.

Você quer ser bom na vida acadêmica? Estude.

Você quer ser bom no tênis? Treine.

Você quer ser mais ou menos em ambos? Estude e treine. É muito simples.

Quando você estiver em dúvida, lembre-se da máxima que todas as pessoas de sucesso reconhecem:

"Cheguei lá porque me dediquei 100% ao que queria".

O sonho é feito somente para os que acreditam completamente nele.

 

 

 

 

Postado por Francisco Costa

Derrotas

26 de março de 2009 0

O francês Santoro é um adversário perigoso/Nousha Salimi, AP

Perder para o veterano Santoro não é nenhuma tragédia.

Para determinados jogadores, que gostam de ritmo e têm dificuldades quando enfrentam bolas variadas, jogar contra o francês de 37 anos é um verdadeiro inferno.

O russo Safin, por exemplo, chegou a ser número um, mesmo tendo recebido várias "aulinhas". Cada vez que ele via Santoro do outro lado da rede, era um desespero.

Thomaz tem jogo para derrotá-lo? É claro que sim, mas para que isso aconteça de forma clara, com imposição, o jovem ainda precisa crescer em alguns aspectos.

Pois o que Santoro faz na quadra é exatamante ficar testando o adversário em todas as dimensões: técnica, tática, física e mental. 

E essa "consistência" que Thomaz ainda não tem, tenho certeza, virá com o tempo, com o amadurecimento de seu jogo e de sua personalidade.

Outro brasileiro, Ricardo Mello, também foi eliminado.

Seu adversário foi o americano Taylor Dent, um adversário "indigesto" que já esteve muito bem ranqueado, mas que passou os últimos anos envolvido com lesões.

Dent é um grande sacador, voleia muito bem, e ataca todos os segundo serviços do adversário. Ou seja, não dá ritmo algum.

O escore dilatado mostra que o brasileiro, além das dificuldades já esperadas em conseguir devolver o saque do americano, também sofreu muito para confirmar seus próprios games de serviço. Fatal.

No challenger de Barletta, na Itália, Marcos Daniel perdeu na primeira rodada.

Vindo de um título na semana passada, ele provavelmente sentiu o desgaste e pouquíssimo tempo de adaptação.

Jogou a final domingo, no Marrocos, e na terça já estava na quadra, só que na Itália. Quadra mais lenta, bolas diferentes, frio.

E os jogadores de futebol ainda reclamam quando são obrigados a jogar duas vezes por semana.

 

 

 

 

Postado por Francisco Costa

Miami

25 de março de 2009 0

Thomaz Bellucci passou para a chave principal em Miami/Andre Penner, AP

O Masters 1000 de Miami começou bem para o tênis brasileiro.

Thomaz Bellucci e Ricardo Mello passaram o quali e estão na chave principal. Alves e Hocevar não tiveram a mesma sorte.

Thomaz passou pelo suíço Chiudinelli e pelo alemão Greul. Seu adversário na chave será o veterano francês Fabrice Santoro.

Já Ricardo derrotou o alemão Gremelmayr e o americano Spadea. Agora ele pega outro americano, o também qualifier Taylor Dent, que está voltando ao circuito depois de longa parada por contusão.

O grande favorito ao título é ele mesmo, Rafael Nadal.

O número um abriu quatro mil pontos de vantagem em relação a Federer, pois venceu os dois torneios mais importantes do ano até agora - Austrália e Indian Wells.

É o homem a ser batido em Miami.

Federer, Murray e Djokovic ainda estão devendo nesta temporada.

 

Postado por Francisco Costa

Teoria, prática e os treinadores

24 de março de 2009 10

Divulgação

É preciso conviver com as críticas. Com algumas, aprendemos alguma coisa. De todas as outras, aprendemos a nos defender.

Mas com classe, sem cair na vala comum do "pessoal".

Em meados de janeiro, um leitor enviou um comentário questionando minha validade como treinador de tênis, já que sou apenas um estudante de Educação Física.

Essa questão, na verdade, é filosófica. E diz respeito às origens do conhecimento.

Como se aprende melhor, com a teoria ou com a prática? Estudo ou vivência?

Em minha modesta opinião, tudo é importante.

Por isso faço questão de estudar Educação Física - e vou seguir estudando, mesmo com o diploma na mão.  Mesmo sabendo que vou aproveitar, de fato, apenas 20% do conteúdo curricular do curso.

Mas é exatamente esse 20% a mais de teoria que poderá fazer a diferença em meu trabalho, tão cheio de particularidades quanto vocês podem imaginar.

Porque não é nada fácil ser treinador.

É preciso, ao mesmo tempo, ser pai, mãe, amigo, psicólogo e treinador. 

Com momentos de "sargento" e até de "padre", mas sempre com conhecimento de causa. 

Por tudo isso, um bom treinador tem que saber exatamente como o jogador se sente nas mais diversas situações, seja de jogo, treino, ou descanso.

Porque não basta identificar corretamente o problema, é preciso dar um jeito de solucioná-lo. Se o problema for dentro da quadra, a solução deve ser tão rápida quanto possível.

É preciso ter reflexo.

Aqueles que não tiveram a oportunidade de passar uma década jogando profissionalmente até podem desenvolver esse "reflexo".

Mas não nas universidades, nem na frente da TV.  E sim lá dentro, competindo.

Ganhando e perdendo, diariamente, durante uma década, como treinador.

Como fizeram Larri Passos e Carlos Alberto Parreira, que através da Educação Física se tornaram "craques" na profissão de treinador.

Eu acredito na teoria, que, aliás, são muitas. 

Mas a vivência é única.

Ter estado lá dentro, em minha modesta opinião, é insubstituível.

Postado por Francisco Costa

Vareio tático

22 de março de 2009 5

Nadal levou o troféu em Indian Wells/Paul Buck, EFE

Outro dia escrevi que não costumo tentar "adivinhar resultados", pois qualquer imprevisto pode gerar um desequilíbrio que coloca toda a análise "a priori" por água abaixo.

E são inúmeras as variáveis, os detalhes que fazem do tênis um dos esportes mais ricos e apaixonantes.

Quem apostaria em um 6x1 6x2 para Nadal, com a facilidade que se viu?

Desta vez, o "imprevisto" foi o fortíssimo vento que soprou em Indian Wells, o que sempre gera uma dificuldade extra para ambos jogadores.

E o "detalhe" que acabou fazendo toda a diferença no jogo diz respeito à postura adotada por cada jogador, a maneira como eles lidaram com o problema. 

Enquanto Murray se limitou apenas a correr e a tentar manter a bola em quadra, Nadal foi ainda mais agressivo do que costuma ser. Desde o início da partida, foi o espanhol quem tomou a iniciativa, quem entrou na quadra e chegou na rede.

Ou seja, dos quatro ingredientes fundamentais que mencionei antes da partida, faltaram dois para o escocês: agressividade e construção dos pontos.

Mas o que tem o vento a ver com tudo isso? 

Muita coisa.

O vento faz com que a trajetória da bola se torne irregular, o que dificulta a recepção e a precisão dos golpes.

Nadal resolveu os dois problemas de maneira exemplar. 

Intensificou sua movimentação de pés e jogou dentro da quadra, diminuindo assim o tempo e a distância entre o "quique da bola" e seus golpes.

Além disso, usou e abusou ainda mais do topspin, evitou ainda mais as linhas, jogou ainda mais nas cruzadas. 

E subiu à rede o tempo inteiro, dificultando a "recepção" do escocês e obrigando-o a buscar "precisão" nos contra-ataques.

Vento, bolas difíceis e precisão não combinam.

Ou seja, Nadal conseguiu, ao mesmo tempo, "minimizar" os efeitos do vento sobre seus golpes, e "maximizar" as dificuldades do adversário.

O vareio tem, sim, explicação.

Marcos Daniel campeão

Em Marrakesh, no Marrocos, o gaúcho Marcos Daniel venceu o challenger local, batendo na final o argelino Lamine Ouahab, em três sets.

Sem dúvida, um belo resultado e uma ótima notícia para o tênis brasileiro. 

Postado por Francisco Costa

Nadal x Murray

22 de março de 2009 0

Matt Slocum, AP / Paul Buck, EFE

Acompanho a carreira de Federer desde seus 17 anos, quando o suíço ainda era uma grande promessa e recebia convites nos challengers e ATP europeus.

Uma característica sempre o acompanhou, desde aquela época.

Ele precisa "sobrar" em quadra. Ou seja, se o adversário consegue equilibrar suficientemente o embate técnico, levar a partida para o detalhe, para o limite, tem grandes chances de vencê-lo.

Enquanto "sobrou" tecnicamente, Federer reinou absoluto. Hoje, ele simplesmente não consegue mais vencer Nadal e Murray - justamente os dois tenistas que têm conseguido levá-lo sempre ao detalhe, ao limite.

A razão é simples: o tênis de Federer não é baseado na força, nem na regularidade, mas na precisão. E a precisão é quem mais sofre as consequências quando a situação é de extrema pressão - quem já jogou tênis competitivo sabe do que estou falando. 

Um tenista como Nadal, por exemplo, quando está inseguro, dá um passo pra trás e fica "enroscando" a bola, com muita força, topspin, e longe das linhas. Mantém a bola em jogo e, aos poucos, vai recuperando a confiança.

Já Federer, o "cirurgião das quadras", não tem o direito de tremer, pois qualquer vacilo será fatal.

E foi isso que aconteceu ontem. Mais uma vez.

A partida estava extremamente equilibrada, um verdadeiro "jogo de xadrez", com Federer abusando dos ângulos, e das paralelas nas linhas. Murray ficava mais no contra-ataque.

De repente, o suíço voltou a se desconcentrar e errou, errou, errou.

E não parou mais de errar, a exemplo do que aconteceu no quinto set da final na Austrália. Levou 6x1 rapidinho e Murray está na final.

O adversário do escocês será Rafael Nadal.

O número um levou a melhor na "queda de braço" contra Andy Roddick.

O americano é um grande sacador, mas não tem um bom jogo de ataque. Pelo contrário, ganha mais pontos no erro do adversário do qualquer outra coisa.

Mas Nadal, além de devolver saque muito bem, também erra muito pouco. O que obriga o americano a fazer exatamente aquilo que não gosta, entrar na quadra, construir jogadas, subir à rede.

Roddick sempre deixa a bola cair um pouquinho e acaba perdendo velocidade na jogada, se tornando "presa fácil" para um exímio passador como Nadal.

E ficar no fundo, trocando bolas com Nadal, da maneira como Roddick está acostumado a fazer com os demais adversários, é quase um suicídio.

Ou seja, "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".

Agora é Nadal x Murray.

Nos últimos jogos, vantagem para o escocês, que parece ter encontrado uma boa fórmula para lidar com o número um.

Murray joga seu xadrez, pacientemente, mas com uma postura mais agressiva e, claro, com toda a disposição física do mundo. 

Construção de jogadas, paciência, agressividade e muita disposição física. Se algum desses quatro ingredientes estiver faltando, não se ganha de Nadal.

Quem gosta de tênis tem o dever de estar na frente da TV, às 18h, no SporTV2.

Postado por Francisco Costa

Expectativa

20 de março de 2009 1

Federer garantiu lugar na semifinal/Paul Buck, EFE

O primeiro "Masters 1000" já tem seus semifinalistas.

Ontem, Roger Federer garantiu seu lugar ao derrotar Verdasco, em dois sets. Seu próximo adversário é Andy Murray, que eliminou Ljubicic.

Hoje, Rafael Nadal também confirmou, ganhando de Del Potro com certa facilidade. Ele agora vai lutar por um lugar na final contra Andy Roddick, responsável pela queda de Djokovic.

Do "top 4", apenas o sérvio está fora, o que não chega a ser uma surpresa.

Os jogos de amanhã prometem ser muito bons. O duelo Federer x Murray é uma espécie de "jogo de xadrez", com vantagem para o escocês nos últimos confrontos.

O suíço, consciente de que tem sido superado exatamente em seu próprio estilo de jogo, vem tentando, desde o início da temporada, pressionar o jovem rival com declarações provocativas.

Já Nadal x Roddick é mais um duelo de "força". O americano está jogando seu melhor tênis, tem a vantagem de contar com o apoio da torcida, mas é o espanhol, mais forte física e mentalmente, quem tem levado a melhor.

Alguns comentaristas gostam de fazer previsões, de tentar adivinhar os resultados das partidas.

Eu prefiro a expectativa, o suspense absoluto, principalmente quando se trata de grandes jogos. Porque, na verdade, tudo pode acontecer. E tenho certeza de que cada jogador vai entrar em quadra disposto a jogar tudo o que sabe.

Nadal pode ser considerado favorito? Talvez. Mas Federer, certamente não.

Challengers

Dois tenistas gaúchos estão em semifinais de challengers.

Em Marrakesh, no Marrocos, Marcos Daniel faz sua primeira boa campanha em 2009. Hoje ele bateu o espanhol Ventura, em dois sets. Seu próximo adversário é o francês Sidorenko.

Em Bogotá, Franco Ferreiro segue em boa forma. Depois de eliminar o veterano argentino Puerta nas quartas, ele enfrenta o mexicano Gonzales por um lugar na decisão. Mello e Hocevar foram eliminados.

Banana Bowl

Lembro que, no ano passado, escrevi sobre o tabu brasileiro na categoria 18 anos do Banana Bowl, e a pressão "surreal" que nossos garotos sentem cada vez que vão jogar esse torneio que, diga-se, hoje vale ainda menos do que antes.

Desta vez, nenhum sequer chegou nas quartas. Já está virando "maldição".

Postado por Francisco Costa

Nadal escapa da derrota

19 de março de 2009 1

Matt Slocum, AP

Não tem sobrado muito tempo para assitir jogos, principalmente durante a semana. 

De manhã ou de tarde, geralmente estou na quadra, trabalhando com meus atletas. À noite, estou no IPA, universidade onde estudo Educação Física. Chego em casa lá pelas 11 da noite, só sobra tempo para tomar um banho, comer alguma coisa e apagar.

Dos jogos de ontem, só pude assistir o segundo set do duelo entre Federer e Gonzalez. Por sinal, um set mal jogado, com o suíço mostrando um pouco de "desleixo", e o chileno muito ansioso, impaciente.

Federer ganhou na negra, e agora pega o espanhol Verdasco, que vem fazendo uma campanha sólida.

Na mesma chave, também pelas quartas, Andy Murray enfrenta o veterano croata Ivan Ljubicic.

O atual campeão Djokovic segue vencendo sem convencer. Ontem ele precisou de dois tie-breaks para despachar o perigoso Wawrinka. Seu adversário nas quartas é o americano Roddick, que vem fazendo uma boa temporada.

Mas o jogo mais esperado do dia foi o interessante duelo entre Nadal e Nalbandian.

Nem preciso ter visto o jogo para saber o que aconteceu. O resultado, 3x6 7x6 6x0 para Nadal, diz muita coisa. Principalmente quando leio que o argentino desperdiçou cinco match-points.

Nalbandian, certamente, dominou o jogo, técnica e taticamente. Mas, após perder tantas oportunidades, desanimou e se entregou, levando um pneu na negra.

Obviamente, perder match-points e ver o jogo ir pra negra é um golpe duro para qualquer um. São poucos os que conseguem manter a concentração.

Mas então eu pergunto: e se fosse o contrário, se fosse Nadal quem tivesse desperdiçado tantas oportunidades e perdido o set no tie-break? Ele teria levado um pneu na negra?

Dificilmente. E mais, eu diria que ele teria vencido do mesmo jeito, na marra.

É por isso que Nadal é o número um, apesar de não jogar o melhor tênis do mundo. E é por isso que Nalbandian, apesar de jogar um tênis de número um há muito tempo, não consegue se manter no top-10.

No challenger de Bogotá, Mello e Hocevar estão nas quartas. Feijão e Alves perderam ontem, e Ferreiro joga hoje, ainda pelas oitavas. 

Postado por Francisco Costa