O tênis é diferente do futebol.
No futebol, contam os gols. Um time pode massacrar o outro, técnica, tática e fisicamente. Mas, se não fizer gol, não ganha.
No tênis, para que uma zebra aconteça, é bem mais complicado. O jogador "azarão" precisa, realmente, naquele dia, jogar melhor do que o favorito.
Mesmo assim, o número de "zebras" no circuito profissional, em todos os níveis, está cada vez maior. O que só tem uma explicação: as diferenças estão dimunuindo.
Em uma competição como a Copa Davis, no entanto, onde é preciso ganhar três partidas para sair vencedor do confronto, as chances de zebra diminuem muito.
Nos confrontos válidos pela primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis, nenhuma surpresa. Aqueles que eram apontados como favoritos avançaram sem grandes dificuldades.
Como os EUA, que enfrentaram, em casa, a Suíça sem Roger Federer. E venceram, apesar da derrota de Blake para Wawrinka no primeiro dia.
A Espanha de Nadal, atual campeã mundial, jogou em casa contra a Sérvia de Djokovic. Também passou sem problemas, perdendo apenas a partida de duplas.
Já a Argentina estava desfalcada de seus dois principais jogadores, mas jogava em casa justamente contra a Holanda, a equipe mais fraca do torneio. Venceu por 5x0.
A Croácia dos gigantes Ancic, Cilic e Karlovic pegou o Chile sem Fernando Gonzalez, e ganhou por 5x0, perdendo apenas um set, e nas duplas.
A forte Rússia, mesmo sem Davydenko, era a favorita contra a Romênia. E também está nas quartas, após vencer os quatro jogos de simples.
Outros confrontos prometiam equilíbrio.
A badalada França, dos "mosqueteiros" Tsonga, Simon, Monfils e Gasquet, perdeu fora de casa para a fortíssima República Tcheca, de Stepanek e Berdych, por 3x2.
Nesse confronto, em particular, os detalhes podem ter feito a diferença. Por exemplo, a partida de duplas.
Ao invés de escalar os dois melhores singlistas, Tsonga e mais um, e a melhor dupla francesa, Llodra/Clement, o capitão francês resolveu escalar três singlistas e apenas um duplista, Llodra, a fim de tentar "confundir" os adversários.
A invenção custou caro, pois a partida de duplas acabou sendo decisiva para o triunfo tcheco.
A decadente Suécia perdeu em casa para Israel, 3x2, de virada.
O capitão sueco, sem poder contar com seu melhor jogador, Robin Soderling, e também sem "novos talentos" à disposição, teve que apelar para dois tenistas que não vinham atuando no circuito: Johansson e Vinciguerra.
Vencendo por 2x1, os suecos precisavam de apenas uma vitória hoje. Mas os "veteranos" perderam os dois jogos no quinto set, nada mais normal.
Completando a rodada, a Alemanha recebeu sua vizinha, a Áustria, e venceu por 3x2.
Pelo Grupo Americano, a Colômbia confirmou e bateu o Uruguai em casa, 5x0, e será o nosso adversário nos dias 8, 9 e 10 de maio. Desta vez, na casa deles.
Independente do piso que eles possam escolher, eu diria que nossas chances são de 50%. Nem mais, nem menos.
Postado por Francisco Costa