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Posts de junho 2009

Murray vive

30 de junho de 2009 2

O britânico Andy Murray passou ontem por uma verdadeira prova de fogo.

O herói local precisou de cinco sets para eliminar o ótimo Wawrinka e se classificar para as quartas-de-final em Wimbledon.

Seu próximo rival será o espanhol Juan Carlos Ferrero. O ex-número um despachou o francês Simon em sets diretos. Murray tem tudo para vencer e chegar na semi.

Na mesma chave, também se enfrentam Hewitt e Roddick. Dois jogadores que também já estiveram no topo do ranking e prometem uma partida equilibrada.

Na chave de baixo, Federer bateu Soderling em sets diretos, mas precisando de dois tie-breaks. Seu rival nas quartas será o gigante croata Karlovic, que venceu mais uma batalha de tie-breaks contra Verdasco.

O último duelo será entre o alemão Haas e o sérvio Djokovic. Ambos se enfrentaram há duas semanas, na final do ATP de Halle, e Haas venceu. Em um Grand-Slam, a história é um pouco diferente, mas é jogo para quatro ou cinco sets.

O torneio embalou de vez, mas continuo apostando em Federer x Murray, que seria uma final “de sonhos”, por mais de uma razão.

No feminino, as irmãs Williams seguem mostrando sua tradicional força em quadras de grama. Vai ser difícil tirar o título de uma delas, embora Safina continue firme, determinada a vencer seu primeiro Slam.

DVD colorado

Ao contrário de alguns ”especialistas” em futebol, achei muito boa essa iniciativa do Inter em apresentar à imprensa um DVD com erros de arbitragem em favor do Corinthians.

Estava mais do que na hora de alguém mostrar alguma indignação com as “coincidências” que se repetem no futebol brasileiro.

Com bem disse Fernando Carvalho, não se trata de má fé, armação ou complô. Nada disso.

Mas de uma problema cultural, que se reflete na enorme pressão que sofrem os árbitros brasileiros quando times de grande torcida como Flamengo ou Corinthians chegam nas finais.

Como sempre acontece quando alguém desafia o “establishment”, muita gente se ofendeu, levou a coisa para o lado errado, tentou transformar a denúncia em algo pessoal, em um simples condicionamento de juiz.

É o preço que se paga pela coragem. 

Postado por Francisco Costa

Oitavas em Wimbledon

27 de junho de 2009 0

Oitavas de finais em Wimbledon definidas. O torneio começa a esquentar.

Os duelos:

Hewitt x Stepanek: jogaço entre dois “veteranos” do circuito.

Berdych x Roddick: imprevisível, pode dar qualquer um.

Murray x Wawrinka: favoritismo local.

Ferrero x Simon: boa oportunidade para os dois.

Andreev x Haas: o alemão joga mais, o russo luta mais.

Sela x Djokovic: não é tão fácil quanto parece.

Verdasco x Karlovic: quem se der melhor nos tie-breaks, leva.

Federer x Soderling: cuidado com o freguês!

No feminino, destaque para três jogos:

A número um Safina pega a ex-número um Mauresmo, Vênus e Ivanovic se enfrentam, e Serena encara Hantuchova, a nova pupila do Larri.

Nas duplas, Bruno e Ullyett também estão nas oitavas.

  

Postado por Francisco Costa

Má fase

26 de junho de 2009 2

O esporte de alto nível é feito de detalhes.

As qualidades de um jogador, ou de um time, sempre vem acompanhadas de algumas deficiências. É a famosa história do “cobertor curto”. Ganha-se daqui, mas perde-se dali.

No caso do tênis, esporte individual, isso fica bem claro. Nadal e Federer também têm defeitos que, quando bem explorados pelos adversários, aparecem.

Em um esporte coletivo é um pouco mais complicado, pois é preciso combinar características diferentes de jogadores diferentes. A famosa “química”.

Bem sucedidos são os jogadores - ou as equipes – que conseguem desenvolver uma maneira de se impor aos adversários, de modo que as qualidades apareçam, e os defeitos fiquem “escondidos”.

O time do Inter, que conquistou a torcida e a imprensa nacional neste primeiro semestre, conseguiu fazer muito bem isso.

Bolivar, Índio, Álvaro, Kléber, Magrão, Guiñazu, D`Alessandro ou Andrezinho são todos jogadores de excelente nível, mas que já não tem a velocidade dos jovens.

Ou seja, quase toda a defesa e meio campo são formados por jogadores que, sempre que ficarem no “mano a mano” contra um adversário jovem e veloz, terão enormes dificuldades.

A partir daí, o time desenvolveu uma maneira de jogar, combinando a qualidade e experiência dos jogadores citados acima, com alguns mais jovens e velozes, como Sandro e, principalmente, Nilmar e Taison.

Um sistema que deu certo: defesa sólida, meio campo marcador e inteligente, ataque veloz e fulminante. 

Os defeitos começaram a aparecer com o acúmulo de jogos decisivos. Os jogadores mais “experientes” sentem demais o desgaste físico. O time, como um todo, perdeu intensidade.

Depois, pra piorar, veio a seleção e nos levou o preparador físico, nos levou Kléber, e nos levou Nilmar. É duro, mas inevitável.

O substituto de Nilmar, Alecsandro, independente de sua questionável qualidade, tem características diferentes. Se enquadra mais no perfil do restante do time, se movimenta pouco. 

Ou seja, o time perdeu a sua “química”, sua engrenagem, e ficou ainda mais lento do que já estava.

E Taison se tornou a única saída veloz do time. Obviamente, os adversários perceberam isso e o jovem começou a ser impiedosamente marcado. 

Sobrecarregado e com pouco espaço, não fez mais gols, apesar de todo o esforço. 

Desde que Nilmar foi para a seleção, o Inter só marcou um gol, e de bola parada, contra o Cruzeiro no Mineirão. Em seis partidas.

Os maus resultados tiram a confiança de qualquer um, até do técnico. Começa-se a questionar tudo, planejamento, sistema, jogadores.

O diagnóstico, a meu ver, é simples. A solução, nem tanto. A idade dos jogadores não vai diminuir e Nilmar pode ser vendido a qualquer momento.

Fernando Carvalho e Tite, além da competência que têm, são pessoas inteligentes e encontrarão as soluções. Os colorados podem e devem ficar tranquilos.

Racismo no Mineirão

Que assunto chato, que confusão danada. E o pior é que ninguém tem culpa.

É óbvio que, no calor de uma partida, os jogadores se agridem verbalmente. Faz parte do futebol desde sempre.

Até no tênis, onde não existe contato físico, às vezes acontece. Eu mesmo, que nunca fui de provocar confusão, já xinguei e fui xingado algumas vezes.

O jogador do Cruzeiro se sentiu no direito de protestar. Não está errado.

Os jogadores e o técnico do Grêmio tentaram minimizar o ocorrido. Também não estão errados.

Mas achei que os dirigentes gremistas, mais uma vez, se comportaram muito mal.

Brigaram com a polícia, fizeram acusações indevidas, já criando um clima de guerra para o jogo da volta. Tomara que a situação não piore.

Notícia triste

Há poucos dias, escrevi sobre a importância dos valores, da educação.  E que, sem eles, o sucesso acaba trazendo, a médio e longo prazo, mais problemas do que benefícios.

Quem, na história deste planeta, ganhou mais dinheiro, foi mais famoso ou bem sucedido do que ele, Michael Jackson?  

Michael, o ser humano de carne e osso, morreu jovem, sozinho, e, por incrível que pareça, endividado.

Morreu infeliz.

Postado por Francisco Costa

Valeu

25 de junho de 2009 1

O brasileiro Thiago Alves conseguiu equilibrar a partida, mas não deu. Ele perdeu há poucos instantes para o francês Gilles Simon em quatro sets.

Thiago venceu o primeiro, e teve algumas oportunidades de quebra para sair na frente nos três sets seguintes, mas não soube aproveitar. Prevaleceu a maior experiência e qualidade de Simon, que apesar da queda de produção em 2009, ainda é o sétimo do mundo.

Mas valeu, lembrando que Alves havia perdido na rodada decisiva do quali, e foi beneficiado pela desistência de Nadal para entrar no torneio.

Depois de vencer o veterano romeno Andrei Pavel na primeira rodada, em cinco sets, ele parou em Simon hoje. Thiago jogou bem e aproveitou a sorte que teve.

Ainda temos os duplistas, que começaram o torneio com o pé direito. Tanto Melo/Sá como Soares/Ullyett estão na segunda rodada.

Federer, Murray e Djokovic seguem firmes. Del Potro perdeu hoje para o ex-número um Hewitt em sets diretos, mostrando, mais uma vez, que não se adapta muito bem aos pisos muito velozes.

No feminino, mais uma derrota prematura da musa Sharapova. Será que ela está seguindo os passos de outra russa, Kournikova, que trocou de vez as raquetes pela passarela quando começou a perder e a cair no ranking?

Postado por Francisco Costa

Coluna no Tênis Show

23 de junho de 2009 6

                                 

                                     Sobre talento e trabalho

Um dos principais problemas do Brasil, a meu ver, é o culto exagerado ao talento, ao improviso, à espontaneidade. Em minha opinião, esse exagero gera um desequilíbrio com consequências devastadoras para a nossa sociedade.

Em primeiro lugar, a desvalorização da educação. Para que estudar, se o Presidente da República nunca estudou? Para que desenvolver valores, se eles não trazem dinheiro ou status a curto prazo?

A partir daí, fica fácil explicar, por exemplo, os péssimos salários dos professores, o desinteresse cada vez maior dos alunos, a falta de estrutura da grande maioria das escolas.

A partir daí, também, outras coisas começam a fazer sentido. A corrupção dos políticos, tão combatida pela mídia, é apenas um dos reflexos dessa cultura, da nossa eterna vocação para o oportunismo.

Os políticos são os representantes do povo, ou seja, eles agem de acordo com os valores da nossa sociedade. Muitos daqueles que se dizem revoltados com a corrupção fariam a mesma coisa se tivessem a mesma oportunidade.

E que tal a violência, que não para de crescer? No final das contas, o que os “criminosos” buscam é simples: “dinheiro fácil”. Mas não é exatamente isso o que todos querem?

Ou seja, sem educação, sem valores, cada um acaba fazendo uso do próprio talento da maneira mais “espontânea” e “oportuna” possível, seguindo apenas as leis de seu meio.

Considero importantíssimo combater a corrupção e a violência, mas se não formos capazes de entender as origens dos problemas, passaremos o resto de nossas vidas “chocados” com o que assistimos diariamente nos noticiários.

Obviamente, o esporte também está dentro deste contexto cultural. A começar pela grande paixão nacional, a seleção brasileira de futebol.

Depois de 24 anos sem vencer uma Copa, veio o título em 1994. Ao invés de exaltar-se as grandes virtudes daquela seleção, como a disciplina e organização tática, o espírito de equipe, preferiu-se dizer que o talento e a genialidade de Romário carregaram nas costas um time limitado.

Em 2002, foi a vez de Ronaldo ser transformado em herói nacional. Ou seja, o brasileiro tende a atribuir o sucesso sempre ao talento, e o fracasso, simplesmente, à falta dele.

O que ninguém disse ou diz é que os talentos de Romário e Ronaldo só puderam aparecer porque atrás deles havia equipes altamente competitivas, disciplinadas e comprometidas com a vitória.

E também que, além da habilidade com a bola, ambos, quando no auge, eram dotados de força e velocidade incríveis, acima dos zagueiros que os marcavam. E força e velocidade são propriedades físicas que têm muito mais a ver com o treinamento do que com qualquer outra coisa.

No tênis é igual. Quando a carreira de Guga decolou, não faltaram adjetivos que tentassem reduzir tudo a seu talento natural. O “manezinho da ilha”, o “surfista dourado”, o “gênio da raquete”, quem não lembra?

As virtudes pessoais, físicas, e os valores que moldaram o seu sucesso passaram quase despercebidos em meio à euforia generalizada.

A consequência foi que nosso tênis não evoluiu em nada naquele período. Todos se preocuparam apenas em aproveitar aquele momento, “tirar uma casquinha” do ídolo.

Quando tudo acabou, não sobrou nada, pois nada havia sido plantado – pra que plantar, se é o talento, no final das contas, que determina tudo?

Como sempre, é preciso encontrar um equilíbrio. Precisamos equilibrar melhor essa relação entre trabalho e talento, disciplina e espontaneidade.

Peguemos os melhores tenistas do mundo como exemplo.

Nadal é 90% trabalho, 10% talento. Percebe-se claramente que ele é um jogador muito mais “construído” do que qualquer outra coisa, desde seu comportamento dentro e fora da quadra, até a maneira como ele joga tênis.

Nadal é puro trabalho, disciplina, comprometimento, com uma “pitada” de talento natural.

Já Federer, sem dúvida, é mais talentoso e espontâneo do que Nadal. Mas não teria chegado a lugar algum se não fosse tecnicamente quase perfeito. E a técnica é algo que se aprende, que se ensina, que está nos livros.

Isso significa dizer que Federer só se tornou o melhor de todos os tempos porque teve excelentes professores e treinadores durante sua formação, porque foi capaz de abrir mão de sua juventude para ser atleta, e também porque aprendeu a controlar as próprias emoções, já que, quando adolescente, ele era tão conhecido pelas raquetes quebradas quanto pelas vitórias.

Ou seja, mesmo Federer, de certa forma, foi construído.

Não nos enganemos. O talento, sem uma boa educação, sem muito trabalho, é inútil.

Sábia mesmo é a nossa bandeira, cada vez mais esquecida. Ela diz, simplesmente, “Ordem e Progresso”.

Ou seja, para que haja um progresso real e duradouro, é preciso haver, em primeiro lugar, ordem.

Aqueles que tentam progredir sem valores, sem educação, sem trabalho, estarão apenas se iludindo, pois o sucesso acabará lhes trazendo, a médio e longo prazo, mais problemas do que benefícios.

Vale para cada indivíduo, e vale também para o conjunto.

 

Postado por Francisco Costa

Vida que segue

19 de junho de 2009 3

Os brasileiros Alves e Zampieri perderam na rodada decisiva do quali de Wimbledon e foram eliminados.

Diferente dos demais Grand-Slam, a decisão do quali em Wimbledon é disputada em melhor de cinco sets.  Tanto Thiago como Caio não jogaram bem e caíram em sets diretos, assim que não teremos nenhum brasileiro na chave de simples.

Resta torcer para os duplistas. Bruno Soares jogará ao lado de seu tradicional parceiro, Kevin Ullyett do Zimbabwe, enquanto Marcelo Melo e André Sá seguem juntos.

Camilo troca o IT pelo IGT

Alguns treinadores se sentem frustrados e até ofendidos quando são “abandonados” por algum jogador. Eu, que tive o privilégio de jogar tênis profissional por muito tempo, encaro tudo isso com muita naturalidade.

Apesar de ter dedicado grande parte de meu tempo ao Rafael nesse último ano e meio, período onde, tenisticamente, ele evoluiu muito, os resultados foram bem abaixo daquilo que se esperava.

Infelizmente, não consegui ajudá-lo a desenvolver os valores que considero fundamentais para que se tenha sucesso, não apenas no tênis, mas em qualquer profissão.

Desejo boa sorte a ele e sua nova equipe. Potencial ele tem de sobra.

Rio de Janeiro

Estou indo daqui a pouco para o Rio de Janeiro, onde vou disputar mais uma etapa do circuito Citibank de Masters. Meu parceiro, desta vez, será João Soares e pegamos, logo de cara, uma pedreira: o espanhol Tomaz Carbonell, que foi um ótimo duplista e é a atração do evento, e o gaúcho Fernando Roese.

E lá vou eu, correr atrás da bola mais uma vez. Bom fim de semana a todos.

Postado por Francisco Costa

O resultado e o jogo

18 de junho de 2009 4

Antes de ser ex-tenista e técnico, sou um amante do tênis.

Da mesma forma, antes de ser colorado, me considero um amante do futebol.

E, como tal, não me satisfaço apenas em torcer para meu time. Também quero ver bom futebol.

Ontem, na grande e esperada final da Copa do Brasil, eu vi bom futebol.

Muitas vezes, as finais nos trazem jogos truncados, até violentos. Ontem, tanto Inter como Corinthians fizeram uma excelente partida, disputada intensamente, mas com absoluta lealdade.

De tal maneira que não consigo pensar em um jogador que tenha jogado mal. Todos aqueles que estiveram em campo lutaram muito, mas também mostraram qualidade.

O melhor em campo foi o goleiro corintiano, Felipe, que várias vezes salvou seu time de levar um gol.

O pior em campo, sem dúvida nenhuma, foi o juiz.

Logo no início do jogo, Magrão fez falta dura e levou cartão amarelo. No minuto seguinte, Elias fez uma falta praticamente igual e não levou cartão.

A partida seguiu tranquila, com os jogadores se comportando bem, jogando na bola, portanto, o árbitro não teve grandes dificuldades em conduzir o jogo na parte disciplinar.

Mas dois erros em lances capitais o condenaram.

Primeiro, um pênalti claro sobre Alecssandro ainda no primeiro tempo. Estranhamente, esse erro foi omitido pelos comentaristas da Globo.

Depois, o lance do segundo gol corintiano, com a cobrança de falta com a bola rolando. Um erro primário e grosseiro que pode ter decidido o título em favor dos paulistas.

E mais uma vez, os comentaristas fizeram “vista grossa”. 

Outro detalhe que não me passou desapercebido foi que, antes de puxar o cartão amarelo para um corintiano, o árbitro olhava o número da camiseta do jogador.

Talvez por isso, nenhum dos vários corintianos que entraram pendurados levou cartão amarelo. No mínimo, estranho.

Mas vamos ao que interessa, ao que acrescenta.

É preciso destacar também os dois técnicos. Mano e Tite mostraram, mais uma vez, que são grandes treinadores, e sérios candidatos à seleção brasileira após a Copa do ano que vem, juntamente com Autuori, o técnico do Grêmio.

Mano representa bem a escola gaúcha. Seus times jogam um futebol simples e objetivo. Assim como Felipão, Dunga e até, por que não, Roth, Mano acredita muito na disciplina, na marcação forte, nas bolas paradas e nos contra-ataques rápidos.

Tite tem outro estilo. Apesar de também dominar a simplicidade do jogo, ele tenta ir um pouco mais além.

Quem assistiu o jogo de ontem e tem acompanhado o time do Inter nos últimos meses, deve ter percebido que existe, além do natural e necessário compromisso com o resultado, um desejo de jogar bonito, de praticar um futebol moderno.

Eu, como treinador que sou, valorizo muito a competitividade. Tenho grande admiração por aqueles técnicos que são capazes de formar atletas ou equipes altamente competitivas.

Mas, por também ser um amante do esporte, admiro ainda mais os técnicos estudiosos que, além dos resultados, também se preocupam com a beleza do espetáculo e com a evolução do jogo. 

Bernardinho, o saudoso Telê Santana, e o próprio Tite são bons exemplos e é neles que eu, como treinador, tento me espelhar.

Postado por Francisco Costa

Wimbledon

17 de junho de 2009 0

Dois brasileiros estão na terceira e última rodada do quali de Wimbledon.

Thiago Alves derrotou outro brasileiro na primeira rodada, Rogerio Silva, e passou pelo alemão Tobias Kamke hoje de manhã.

Seu adversário agora será o austríaco Alexander Peya, um jogador experiente que também se dá melhor em quadras rápidas. Peya eliminou o brasileiro Souza na primeira rodada.

O outro brasileiro que segue vivo é Caio Zampieri, que hoje venceu o clássico contra Ricardo Hocevar em dois sets.

Para entrar na chave, ele terá que passar pelo vencedor do confronto entre o português Machado e o eslovaco Lacko, que jogam ainda hoje.

Ferreiro perdeu ontem, na segunda rodada, enquanto Mello e Miele cairam na estréia.

A chave principal começa na próxima segunda. Os favoritos, pra mim, são Federer, Murray, Nadal, nesta ordem.

Federer, que normalmente já é superior em quadras de grama, ainda vem embalado e confiante pelo título em Paris. Vai ser difícil impedir que ele conquiste seu 15º Grand-Slam.

Murray, além de ser o número três do mundo, também gosta de jogar na grama -venceu Queen´s na semana passada -, e vai contar com apoio da torcida. Não será nada fácil batê-lo.

Nadal chega em Londres ”ferido” pela inesperada derrota em Paris. Como disse seu tio e técnico há poucos dias, sua confiança está abalada. Mas ele segue sendo o número um do mundo e o atual campeão do torneio. Como sempre, vai vender caro.

Outros tenistas correm por fora. Djokovic, Tsonga, Roddick e outros menos cotados também podem sonhar, por que não, com um lugar na grande final.

Afinal de contas, quem apostaria que Soderling seria finalista em Paris?

Postado por Francisco Costa

Do saibro para a grama

14 de junho de 2009 1

Um dos maiores equívocos do calendário de torneios da ATP, a meu ver, é a proximidade incrível entre dois torneios de Grand-Slam, Roland Garros e Wimbledon.

Quem jogou tênis profissional sabe o quanto é difícil mudar do saibro para a grama, algo que exigiria, pelo menos, uma boa semana de treinos para uma adaptação decente.

Infelizmente para os tenistas, a correria do calendário não permite isso, pois no dia seguinte à grande final em Paris já começam os tradicionais ATP de Queen´s, na Inglaterra, e Halle, na Alemanha, jogados na grama.

Nos anos anteriores, Nadal e Federer – finalistas em Roland Garros – nem tiveram tempo para descansar. No dia seguinte, já estavam treinando na grama, o que, a meu ver, é uma violência sem tamanho.

Para os músculos, articulações e, principalmente, para o cérebro.

Neste ano, parece que as coisas mudaram. Nadal, depois da eliminação precoce em Paris, resolveu descansar e abriu mão da participação em Queen´s, onde ele foi campeão no ano passado. 

Já Federer, depois de conquistar RG pela primeira vez, desistiu, sabiamente, de jogar em Halle, onde ele também defendia o título. A diferença é que o suíço já estava na chave, como cabeça um e grande estrela do evento.

O que é uma necessidade vital para os tenistas acaba se tornando o pesadelo de organizadores de torneios milionários e tradicionais.

Dessa forma, o descontentamento acaba sendo geral.

Os principais tenistas reclamam da correria desumana a que são submetidos, enquanto os jogadores comuns reclamam da indiferença e pouco caso com que são tratados pela entidade. 

E os diretores de torneios? Duvido muito que os de Monte Carlo, Hamburgo, Halle e Queen´s estejam satisfeitos.

Um calendário mais racional, sem dúvida, ajudaria muito. Fácil não é e nunca foi, mas um pouco de inteligência, bom senso e “ousadia responsável” nunca fizeram mal a ninguém.

Mas vamos aos resultados.

Em Halle, o alemão Tommy Haas fez a alegria da torcida agora há pouco, derrotando na final Novak Djokovic, em três sets.

Em Queen´s, Andy Murray bateu o americano James Blake em dois sets e conquistou seu primeiro título.

Murray iniciou sua arrancada rumo ao topo justamente em Wimbledon, no ano passado, quando fez uma boa campanha e chegou nas quartas-de-final.

Seus resultados desde então o conduziram ao terceiro lugar do ranking, o que deixa os britânicos esperançosos de ver um tenista local vencendo em Wimbledon, algo que não acontece há muito tempo.

Depois desse título em Queen´s, então, já posso imaginar o peso que a imprensa inglesa está colocando nas costas do jovem. Afinal de contas, são décadas de frustração.

Nas duplas, uma ótima notícia: os brasileiros Marcelo Melo e André Sá estão na final. Depois de vencerem jogos duros, eles enfrentam, daqui há pouco, a dupla formada por Moodie e Youzhny. Boa sorte!

O quali de Wimbledon começa amanhã, apenas oito dias após a final de Roland Garros, e terá a presença de vários brasileiros: Alves, Ferreiro, Hocevar, Mello, Souza, Zampieri e os irmãos Dutra Silva. Miele ainda aguarda desistências.

Thomaz Bellucci e Marcos Daniel, que também teriam que disputar o quali, preferiram continuar no saibro e não jogam Wimbledon. Uma pena.

Postado por Francisco Costa

Davis em Porto Alegre

12 de junho de 2009 1

Como todos já sabem, o confronto contra o Equador será aqui mesmo, em Porto Alegre, no tradicional Gigantinho.

Queríamos jogar no saibro, ao nível do mar, e sob uma temperatura mais amena, já que nossos principais tenistas não conseguem jogar seu melhor tênis quando há muito calor e umidade.

Porto Alegre preenche todos esses quesitos.

Jogar em uma quadra coberta de saibro pode soar estranho, mas é bem comum na Europa, principalmente no inverno deles. Espanha, França e Rússia conquistaram títulos de Davis, recentemente, nessas condições.

Para este confronto em particular, jogar em quadra coberta nos traz algumas vantagens e desvantagens. Em minha opinião, as vantagens são maiores.

Jogar com luz artificial é diferente de jogar com o sol. Nem todo mundo gosta, mas nossos jogadores mostraram várias vezes que se adaptam bem à ela.

O jogo também fica mais “limpo”, pois não haverá mudanças bruscas de temperatura, chuva, vento, ou interrupções por falta de luz natural, que são tão comuns em jogos de Copa Davis.

Queremos que a quadra fique bem lenta, a fim de minimizar o aumento de velocidade que a quadra coberta naturalmente impõe, favorecendo assim as características de nossos principais jogadores de simples.

Para a nossa dupla, jogar em quadra coberta, certamente, representa uma vantagem. E em confrontos equilibrados como esse, a partida de duplas pode ser decisiva.

Nossos adversários são bem conhecidos. Os irmãos Lapentti, além de serem ótimos jogadores, costumam crescer quando defendem seu país.

Nicolas completa 33 anos em agosto e já foi top-10. Ainda joga muito bem, tanto em simples como em duplas. Tecnicamente é completo, tem muita habilidade, experiência e sabe levar o jogo à sua maneira. Vai ser um rival complicado.

Seu irmão, Giovanni, tem 26 anos. Sempre foi considerado mais talentoso do que Nicolas, mas nunca teve a mesma dedicação. É um jogador perigoso. Saca e devolve muito bem, gosta de atacar, e também é bom duplista.

Nossas chances, assim como no confronto passado, são de 50%. Serão cinco batalhas em três dias, e qualquer detalhe poderá fazer a diferença no resultado final.

Estaremos preparados.

Postado por Francisco Costa