Nunca canso de dizer: são as derrotas, e não as vitórias, que mostram realmente quem somos. É nas derrotas que aparecem os defeitos de cada um, ou eventuais problemas de relacionamento.
No domingo à noite, durante a nossa despedida no hotel, como sempre fazemos, cada integrante da equipe teve a oportunidade de falar, de se expressar naquele momento difícil.
Apesar da tristeza geral, havia um sentimento comum e profundo de muito orgulho. Fizemos o máximo e perdemos juntos.
Todos nos comprometemos a voltar ainda melhores na próxima Copa Davis. Afinal de contas, o que deixará a equipe ainda mais forte é a evolução pessoal de cada um, bem como a manutenção desse espírito solidário e vencedor.
Nos dias seguintes, eu aproveitei para ler as mais diversas opiniões, mesmo sabendo que as críticas mais "maliciosas" seriam direcionadas a mim, já que nunca tive medo de falar a verdade, de mostrar as feridas do nosso tênis.
E desta vez não foi diferente.
Teoricamente, o esporte é feito de jogadores, de técnicos com suas comissões, de dirigentes, de jornalistas e de torcedores. Cada qual fazendo a sua parte, e respeitando o espaço alheio.
Mas, aqui no Brasil, e não é de hoje, uma nova classe de "indivíduos" vem se espalhando com a velocidade de um vírus, agindo. São os famosos "ex", pessoas que o tempo deixou para trás, mas que agora se dedicam a agir nos bastidores.
Ex-tenistas, ex-técnicos, ex-dirigentes, ex-jornalistas. Tem até ex-torcedores, por incrível que pareça.
Enfim, pessoas que não assumem compromisso nenhum, pois não querem ser cobrados depois. Por isso não jogam, não treinam, não dirigem, não analisam, e também não torcem. Vivem do passado e são pessimistas.
Ficam dando palpites negativos, de intenção duvidosa. primeiro, tentando criar um clima de "já ganhou", para depois aproveitar as eventuais derrotas para fazer "lobby", agir nos bastidores, influenciar de alguma maneira.
Resumindo: querem ser protagonistas, mas não querem sujar as mãos.
Por isso admiro um cara como o Guga, que veio até Porto Alegre e realmente apoiou a equipe, conversou com a gente, deu sugestões, e depois sentou humildemente com os demais jogadores, no box. Torceu pelo Brasil, teve uma atitude exemplar, digna de um ídolo.
Às vezes, eu me pergunto: qual seria o verdadeiro objetivo dos "palpiteiros" de plantão? O que eles realmente desejam, lá no fundo de suas almas perdidas, já que não querem mais pegar no batente?
Ver o circo pegar fogo para tentar empregar os seus comparsas e voltar a cantar de galo? Ou simplesmente garantir que o nosso tênis continue medíocre para que eles continuem parecendo que foram bons?
Provavelmente, um pouco de cada.
Um cara que foi tenista de alto nível, ou que foi técnico durante muitos anos, deveria ser o primeiro a ter um compreensão diferenciada acerca da competição.
Deveria ser o primeiro a reconhecer que, lá dentro da quadra, todos encontramos os nossos limites. Todos ganhamos e perdemos, jogando bem ou jogando mal, e todos sentimos a pressão, em maior ou menor escala. Ou não?
E um jornalista que se preze deveria ser o primeiro a saber que jamais, sob hipótese alguma, ele deveria tentar exercer qualquer tipo de influência sobre os fatos. Ou não?
No fundo, está aí o verdadeiro e principal motivo de sermos um país culturalmente atrasado. As pessoas não fazem a sua parte.
Vou para a escola, que as crianças estão me esperando. Por sinal, todos os meus "aluninhos" querem aprender a jogar tênis agora.
Postado por Francisco Costa



26 de setembro de 2009 às 19:47
Chico, eu sou mais pragmático nesse quesito, perdemos porque jogamos pior (talvez pior nos momentos decisivos)... e só... não há culpados... perdemos na quadra, concorda? O cleto, Meligeni também já foram muito criticados...
26 de setembro de 2009 às 5:31
Realmente, Chico. É importante saber lidar com pessoas que aproveitam a dificuldade alheia para tirar proveito. Não baixa tua cabeça nunca. Eles não merecem. Quem estava lá no Gigantinho viu o Brasil dar o seu melhor. Isso de "já ganhou" antes do confronto é pra quem não conheçe tenis. Ainda mais de alto nível. Tem que ser jogado. E tu jogou, o Marcos jogou, o Guga jogou, enfim, a equipe toda. E estão de parabéns, assim como os equatorianos. E vamos em frente, na torcida sempre!!Abraço a todos!!
28 de setembro de 2009 às 12:21
Chico, faltou dar nome aos bois.
Sobre a derrota: faz parte do jogo e o Equador jogou mais. O Brasil fez o que pode.
abraço
28 de setembro de 2009 às 19:19
Vc só aceita os comentários de quem fala bem e apóia a tua posição. Acho importante que faças uma auto-crítica para o tênis brasileiro realmente crescer. Vc não é o único nem o maior culpado desta derrota pro Equador, mas tens de reconhecer que perder para apenas 1 jogador, em franca decadência (pendurando a raquete) e ainda tendo ao nosso lado tenistas bem rankeados é, no mínimo, um sinal de alerta. Acho importante repensares a preparação, inclusive psicológica da equipe. Pq jogamos no saibro?
25 de setembro de 2009 às 12:28
Chico, muito boas estas colocações.Conheço Guga desde pequeno, filho de uma família estruturada, pai atleta e batalhador e mãe fantástica lutadora, gente de bem.É isso, estas coisas nascem dentro de casa, é o sentimento de finitude, de que o que fica é o amor, calcado na simplicidade e humildade, onde se fala com todos, sem o nariz empinado dos pobres de espírito.O problema são os atalhos , todos querem começar com os bônus ,esquecendo os ônus, como os do Guga, pouca infância e muito treino.
27 de setembro de 2009 às 10:24
Olá Chico,
primeiramente bom dia, e queria te dizer que não conhecia o seu blog nem o seu trabalho; mas depois desse seu post vi que você é uma pessoa do bem e que jamais faria o que pessoas, os EX, ficam falando...
O mais engraçado é que diversos blogs estavam torcendo, reconheceram que o Nico estava bem, somente um BLOG, de um pseudo-jornalista e pseudo-comentarista que eu não vou citar o nome, não disse nenhuma palavra de apoio em seu blog e que tem uma "tag" no blog dele com o seu nome.
1 de outubro de 2009 às 18:51
Marcos Daniel se não me engano começou no saibro do interior do RS (Erechim e Passo Fundo). Bellucci ganhou no saibro seu primeiro título da ATP. MArcelo Melo finalista de duplas mistas em Roland Garros, mas joga em todos os pisos. O único do time que talvez tenha um perfil "mais adequado" para quadra rápida é o Sá, e mesmo assim joga saibro tranquilamente. Todos jogaram bem demais e foram muito bem orientados pelo Capitão. Chega de desmerecer o bom desempenho e tirar o mérito dos equatorianos.
29 de setembro de 2009 às 7:54
Marcos, em quadras rápidas teria sido ainda mais difícil, podes ter certeza. Não concordo quando escreves que perdemos para um único jogador. Giovanni jogou demais a dupla, e complicou bastante a primeira partida. É por isso que eu digo: as pessoas não analisam os jogos, ficam presas a nomes e ranking. Esqueça o ranking atual do Nicolas. Aqui, ele jogou tênis de top-20, correu como se tivesse 20 anos e usou toda a experiência nas horas decisivas. Por isso, mereceu vencer.
28 de setembro de 2009 às 23:49
Marcos, sei que a pergunta foi pro Chico. Não quero me meter, mas já li vários comentários aceitos pelo dono do blog criticando o trabalho. Portanto não entram apenas os que falam bem. Aliás, não acho que algum tenha sido barrado. E sobre o saibro, o nosso Bellucci vem de um título na ATP nesse piso, em Gstaad na Suiça, se nao me engano vencendo até o Wawrinka. E o Nico, mesmo em fim de carreira, fez grandes jogos esse ano. Confere no site da ATP. Ele segue, como vimos, jogando muito bem. Abraço