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Posts de setembro 2009

Cultura de quinta

29 de setembro de 2009 11

Aqueles que acompanham o noticiário tenístico já devem ter se acostumado com o vocabulário pobre, repetitivo e negativo.

Agora mesmo, acabei de ler: "Venus completa os fiascos do dia".

Fiascos do dia!! Por que? Porque ela perdeu para uma tenista que veio do quali, por 7x6 7x5.  

Que o autor de uma manchete assim nunca tenha jogado tênis na vida é perfeitamente compreensível, mas ele deveria, pelo menos, se informar um pouquinho melhor antes de sair escrevendo qualquer coisa a torto e a direito. 

Ontem, no mesmo site, provavelmente obra do mesmo autor: "Mais um vexame em Tóquio! Dementieva eliminada".

Dementieva perdeu em três sets. Realmente, um vexame!

Então, quando um dos favoritos perde, o vencedor nunca tem méritos? É essa a visão do esporte que as pessoas devem ter?

Isso sem falar dos "carrascos" e "algozes" que estão soltos por aí, torturando as pessoas impunemente...

"Carrasco de fulano vence mais uma". "Algoz de beltrano é eliminado".

E que tal o adorado termo "jejum"? "Jejum de títulos já dura dois anos". Quantas vezes somos obrigados a ler uma frase assim em apenas uma semana?

Não me surpreende que nossas meninas não queiram mais jogar tênis, que não tenhamos quase torneios femininos no Brasil.

E não me surpreende também que nossos atletas tenham tanta dificuldade em conseguir apoio financeiro, que promotores de eventos tenham que suar sangue para conseguir organizar um mísero challenger.

A impressão que nós, jogadores e técnicos, temos é de que alguns dos que escrevem sobre tênis o fazem com raiva, com frustração, transmitindo ao leitor um sentimento negativo.

Ao invés de aplaudirmos o vencedor, avacalhamos o perdedor. Então, no final, a imagem que fica é a de que todos, no fundo, são perdedores.

Isso sem falar que nossos jornais, nossos canais de TV aberta, simplesmente ignoram o tênis. E nas poucas vezes em que surge um pequeno espaço, um cantinho de página, vai lá alguém e fala, ou escreve, qualquer coisa. 

Por exemplo, aqui no RS falaram após a Davis que "o tênis brasileiro caiu para a segunda divisão". É mesmo? E quando estivemos na primeira?

Fica a imagem de que o nosso tênis está cada vez pior, que não paramos de descer a ladeira da desgraça.

É por isso que digo e vou continuar repetindo: se queremos um dia nos tornar uma potência no tênis, precisamos melhorar bastante, em todas as esferas.

O melhor do tênis brasileiro ainda é, de longe, a qualidade dos nossos jogadores.

Se você acha que o nível dos nossos jogadores é de segunda divisão, se você reclama que a organização do nosso tênis é de terceira, lamento lhe informar o seguinte: a nossa cultura de tênis é de quinta divisão.

Postado por Francisco Costa

Bellucci vence

28 de setembro de 2009 3

Thomaz Bellucci arrancou bem no ATP de Bangcoc, vencendo o espanhol Garcia-Lopez por 6x4 7x6. seu próximo rival será o sérvio Victor Troicki.

Marcos Daniel estréia nesta terça, contra o austríaco Jurgen Melzer.

Vários outros brasileiros jogam nesta semana.

Franco Ferreiro, Ricardo Hocevar, João Souza e Julio Silva jogam a etapa argentina da Copa Petrobrás, em Buenos Aires.

Thiago Alves está em Nápoli, enquanto Demoliner, Kirche e Ribeiro jogam em Quito. Outros estão no future de Itu.

Vamos em frente, pessoal.

Postado por Francisco Costa

Copa Davis: um pouco de história...

27 de setembro de 2009 7

..... não faz mal a ninguém. Principalmente quando tem muita gente falando ao mesmo tempo, e as pessoas já não sabem quem está dizendo a verdade, e quem está simplesmente contando histórias pra boi dormir.

Desde a criação do atual formato, o Brasil participou do Grupo Mundial nos anos 1981, 1988, 1992, 1993, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003.

É fácil perceber claramente três momentos distintos do nosso tênis.

Até 1997 - ano em que Guga ganhou Roland Garros pela primeira vez -, a nossa realidade era o Grupo Americano, já que subimos duas ou três vezes, e em apenas uma delas(1992) não fomos imediatamente rebaixados.

Nesse período, início dos 80 até o final dos 90, nosso tênis viveu em uma espécie de limbo. Muitos torneios no Brasil, muita gente fazendo festa, com tudo o que isso pode significar, e resultados pra lá de medíocres.

Coincidência ou não, tivemos apenas um capitão durante esse longo e tenebroso inverno, que foi o glorioso Paulo Cleto, hoje em dia um comentarista de tênis.

Como alguém pôde durar tanto tempo no comando de uma seleção, sem obter resultados expressivos, sem fazer nada de bom para futuro do esporte, e ainda sendo odiado por 99% dos jogadores, seria um verdadeiro caso a ser estudado, não fôssemos um país de terceiro mundo.

Algumas derrotas sintetizaram bem aquele período.

Em 1983, levamos 5x0 do Equador na casa deles. Em 1985, o México veio a Porto Alegre e nos surrou, 4x1. Em 1986, foi a vez do Chile vir a São Paulo e vencer por 5x0 a equipe de Motta, Mattar e Kirmayr. Cadê a vergonha na cara?

Em 1987, finalmente subimos, ao vencer o Equador em São Paulo. Eles tinham o Andrés Gomes, um grande jogador, mas o número dois era um tal de Hugo Nunez, 700 do mundo em uma época onde só tinham 700 jogadores no ranking mundial. Impossível perder.

Caímos no ano seguinte, sem vencer uma única partida, e voltamos a subir só em 1991, quando derrotamos a Índia, no saibro de São Paulo.

No ano seguinte, o primeiro e único bom resultado da era Cleto, depois de mais de uma década de "ditadura": uma semifinal, onde acabamos perdendo para a Suíça por 5x0, ganhando um único set no confronto inteiro.

No ano seguinte, derrotas consecutivas para Itália e Bélgica nos mandaram de volta para o Zonal.

Subimos outra vez só em 1996, já com o Guga na equipe, quando vencemos a Áustria, na repescagem, naquele confronto em que Thomaz Muster pegou as suas coisas e foi embora no meio da partida de duplas, indignado com o comportamento da torcida brasileira. 

Em 1997, perdemos em casa para os EUA(4x1) na primeira rodada. Na repescagem, pegamos a fraquíssima Nova Zelândia e conseguimos, ficar na elite. Aleluia.

Em 1998, nova derrota em casa, desta vez para a Espanha(3x2), e os principais tenistas do país exigem (finalmente!) a saída de Cleto do comando da equipe.

A equipe passava a ser comandada por uma comissão técnica, onde Ricardo Acioly era o capitão, e Larri Passos era o técnico. A base da equipe era Guga e Meligeni nas simples, Guga e Oncins nas duplas.

O auge desse time foi a semifinal, em 2000. Para uma equipe que dependia demais das vitórias de um único jogador, sonhar com uma final talvez fosse mesmo demasiado. Pelo menos, ficamos alguns anos consecutivos na elite.

Em 2003, o Brasil perde na primeira rodada para a Suécia(3x2) fora de casa. Na repescagem, derrota para o Canadá(3x2), também fora de casa, e a volta para o Grupo Americano.

Com a queda, a equipe brasileira passou a exigir mudanças na CBT. Como ninguém se mexeu, os principais jogadores se recusaram a defender o país em 2004. E uma nova etapa estava por vir.

Caímos para a terceira divisão, mas as desejadas mudanças aconteceram. O presidente da CBT, Nélson Nastás, foi afastado do cargo por corrupção.

Assumiu o novo presidente, Jorge Lacerda, que escolheu Fernando Meligeni para ser o capitão da Davis a partir de 2005. Naquele ano, o Brasil conseguiu sair da terceirona, e voltou para o Grupo Americano.

Em 2006, a equipe voltou a disputar o acesso ao Grupo Mundial. Perdeu em casa para a Suécia, por 3x1. Meligeni foi muito criticado por ter deixado Marcos Daniel e Thiago Alves, os dois melhores tenistas brasileiros naquele momento, de fora da equipe.

No final do ano, Fininho não aguentou o rojão e pediu demissão, alegando divergências com a CBT. Assumimos em fevereiro de 2007, e tivemos que começar praticamente do zero. 

Como podemos ver, o passado recente do nosso tênis, com exceção das vitórias de Guga, é mesmo para ser esquecido.

Postado por Francisco Costa

Repercussão

25 de setembro de 2009 9

Nunca canso de dizer: são as derrotas, e não as vitórias, que mostram realmente quem somos. É nas derrotas que aparecem os defeitos de cada um, ou eventuais problemas de relacionamento.

No domingo à noite, durante a nossa despedida no hotel, como sempre fazemos, cada integrante da equipe teve a oportunidade de falar, de se expressar naquele momento difícil.

Apesar da tristeza geral, havia um sentimento comum e profundo de muito orgulho. Fizemos o máximo e perdemos juntos.

Todos nos comprometemos a voltar ainda melhores na próxima Copa Davis. Afinal de contas, o que deixará a equipe ainda mais forte é a evolução pessoal de cada um, bem como a manutenção desse espírito solidário e vencedor.

Nos dias seguintes, eu aproveitei para ler as mais diversas opiniões, mesmo sabendo que as críticas mais "maliciosas" seriam direcionadas a mim, já que nunca tive medo de falar a verdade, de mostrar as feridas do nosso tênis.

E desta vez não foi diferente.

Teoricamente, o esporte é feito de jogadores, de técnicos com suas comissões, de dirigentes, de jornalistas e de torcedores. Cada qual fazendo a sua parte, e respeitando o espaço alheio.

Mas, aqui no Brasil, e não é de hoje, uma nova classe de "indivíduos" vem se espalhando com a velocidade de um vírus, agindo. São os famosos "ex", pessoas que o tempo deixou para trás, mas que agora se dedicam a agir nos bastidores. 

Ex-tenistas, ex-técnicos, ex-dirigentes, ex-jornalistas. Tem até ex-torcedores, por incrível que pareça.  

Enfim, pessoas que não assumem compromisso nenhum, pois não querem ser cobrados depois. Por isso não jogam, não treinam, não dirigem, não analisam, e também não torcem. Vivem do passado e são pessimistas.

Ficam dando palpites negativos, de intenção duvidosa. primeiro, tentando criar um clima de "já ganhou", para depois aproveitar as eventuais derrotas para fazer "lobby", agir nos bastidores, influenciar de alguma maneira.

Resumindo: querem ser protagonistas, mas não querem sujar as mãos.

Por isso admiro um cara como o Guga, que veio até Porto Alegre e realmente apoiou a equipe, conversou com a gente, deu sugestões, e depois sentou humildemente com os demais jogadores, no box. Torceu pelo Brasil, teve uma atitude exemplar, digna de um ídolo.

Às vezes, eu me pergunto: qual seria o verdadeiro objetivo dos "palpiteiros" de plantão? O que eles realmente desejam, lá no fundo de suas almas perdidas, já que não querem mais pegar no batente?

Ver o circo pegar fogo para tentar empregar os seus comparsas e voltar a cantar de galo? Ou simplesmente garantir que o nosso tênis continue medíocre para que eles continuem parecendo que foram bons?

Provavelmente, um pouco de cada.

Um cara que foi tenista de alto nível, ou que foi técnico durante muitos anos, deveria ser o primeiro a ter um compreensão diferenciada acerca da competição.

Deveria ser o primeiro a reconhecer que, lá dentro da quadra, todos encontramos os nossos limites. Todos ganhamos e perdemos, jogando bem ou jogando mal, e todos sentimos a pressão, em maior ou menor escala. Ou não?

E um jornalista que se preze deveria ser o primeiro a saber que jamais, sob hipótese alguma, ele deveria tentar exercer qualquer tipo de influência sobre os fatos. Ou não?

No fundo, está aí  o verdadeiro e principal motivo de sermos um país culturalmente atrasado. As pessoas não fazem a sua parte.

Vou para a escola, que as crianças estão me esperando. Por sinal, todos os meus "aluninhos" querem aprender a jogar tênis agora.

Postado por Francisco Costa

Coluna no Tênis Show

23 de setembro de 2009 20

Acima dos resultados

 

Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer o apoio maravilhoso da torcida, que deu um verdadeiro show de alegria e civilidade nas arquibancadas. Apoiou a nossa equipe o tempo inteiro, mas nunca desrespeitou os nossos adversários.  Um exemplo para todo o Brasil. Obrigado.

Os jogos foram exatamente como esperávamos. Longos, difíceis, nervosos, sofridos. Decididos em pequenos detalhes.

Poderíamos ter jogado um pouco melhor aqui ou ali, o que faz parte de uma decisão, mas saímos do confronto de cabeça erguida, com a consciência de que fizemos o máximo. Trabalhamos muito bem durante a semana, estivemos sempre unidos, concentrados, e lutamos muito nos jogos, do primeiro ao último ponto de cada partida. Buscamos a vitória com todas as nossas forças, acreditando nela até o fim.

 Mas, do outro lado da rede, havia um grande adversário. Eles tinham na equipe deles um jogador diferenciado, de grande qualidade técnica, experiente em decisões, em ótima forma e inspirado, o que acabou fazendo toda a diferença no resultado final.

Me lembrou muito aquele confronto entre Brasil e Espanha, em Lleida, abril de 1999. Eles tinham o Moyá, número dois do mundo, o Corretja, número quatro, o Albert Costa e o Mantilla, ambos top-20, e outros top-50 na reserva. Nós tínhamos o Guga, que já tinha um Roland Garros na bagagem e era o 18° do mundo, e outros jogadores, bons, mas que, por mais que se esforçassem, dificilmente seriam capazes de vencer alguma partida contra aqueles caras.

Então, todos nós que fazíamos parte daquela equipe sabíamos que só tínhamos uma única chance de sair dali com a vitória. Era o Guga jogar tudo o que sabia e mais um pouco, na sexta, no sábado e no domingo.

E o que parecia impossível aconteceu. Guga ganhou as duas simples sem perder sets, e ainda carregou a dupla nas costas. Quando tudo acabou, a torcida espanhola o aplaudiu em pé, enquanto nossa equipe comemorava dentro da quadra.

No ano seguinte, a Espanha viria a conquistar seu primeiro título na Copa Davis. Hoje, os espanhóis, já tricampeões, estão mais uma vez na final. Jogam em casa contra a República Tcheca e têm tudo para conquistar o tetra.

Enquanto isso, nós, brasileiros, que tanto comemoramos naquele domingo frio em Lleida, com direito à volta olímpica de bandeira em punho, ainda não chegamos sequer a uma final de Copa Davis. Pior ainda, saímos do Grupo Mundial em 2003, mesmo com o Guga na equipe, e ainda não voltamos.

Escrevo isso para mostrar que as coisas, no esporte, não acontecem por acaso. Um jogador inspirado pode, sim, decidir um confronto. Pode, sim, levar um time nas costas uma ou duas vezes, mas para que um país tenha alguma chance de vencer a Copa Davis é preciso muito, mas muito mais do que isso.

Então, caros amigos, se daquela vez ninguém ousou dizer que o tênis brasileiro estava na frente do espanhol, não devemos pensar agora que estamos atrás do Equador, como alguns precipitados andaram escrevendo por aí. Como equipe, somos e continuaremos sendo muito melhores do que eles.

Como equipe, gostaríamos muito de ter vencido, de ter colocado o Brasil outra vez no Grupo Mundial. Principalmente porque sabemos que hoje temos um bom time, que somos capazes de enfrentar qualquer equipe do mundo, e de ganhar de muita gente.

Mas sabemos também que ainda precisamos melhorar muito, em todas as esferas possíveis, para que o sonho de ser campeão da Copa Davis seja possível de ser realizado.

Porque um país grande e esportivo como o Brasil não pode se contentar em continuar sendo, como sempre foi, um mero participante no Grupo Mundial. Temos que buscar estar entre os melhores, mesmo que para isso demore anos, ou décadas. Então, nosso objetivo é mais amplo e precisamos seguir em frente. 2010 já está aí. Se ganharmos de Uruguai ou de República Dominicana em maio, teremos mais um play-off em setembro. E uma nova oportunidade.

Existem valores que estão acima dos resultados. Há muitos anos não tínhamos uma Copa Davis tão bonita, tão intensa, em um cenário ideal, com casa cheia, disputada aqui no Brasil.

           As emoções que todos nós vivemos juntos no Gigantinho são inesquecíveis, não têm preço. Ter visto mais de cinco mil pessoas cantando, em coro, o hino rio-grandense, naquele momento da partida, em pleno 20 de setembro, foi, simplesmente, de arrepiar.  

          O tênis provou, neste fim-de-semana, que merece muito mais apoio do que vem tendo nos últimos tempos, principalmente aqui no estado.

Postado por Francisco Costa

Chuva e despedida

11 de setembro de 2009 3

Nos últimos dois dias, não consegui parar para assistir o US Open. Não vi nenhum ponto de nenhum jogo.

Então, não tenho como comentar os jogos. Posso, no máximo, comentar os resultados, a partir do meu conhecimento dos jogadores.

A vitória de Federer sobre Soderling, por exemplo, já era esperada.

O número um possui as armas ideais para explorar a pouca mobilidade do sueco - o retrospecto de 13x0 comprova isso - e dessa vez não foi diferente, embora o placar da partida possa sugerir um equilíbrio nas últimas parciais.

Djokovic também cumpriu, vencendo o espanhol Verdasco em quatro sets, e será o desafiante do número um nas semifinais. Nenhuma novidade, e a garantia de um belíssimo duelo.

Quem também fez a sua parte ontem foi o argentino Del Potro, eliminando o perigoso e surpreendente Cilic. Esta partida despertava algumas dúvidas, principalmente depois da exibição do croata diante de Murray.

Mas Del Potro confirmou, mais uma vez, que chegou para ficar. E me arrisco a dizer que ele chegou, não apenas para ficar, mas também para brigar. Para brigar lá em cima, algo que não basta apenas querer, ou poder, mas os dois.

Então, as semifinais estão quase definidas. Quase, porque a partida de Nadal contra Gonzalez foi interrompida pela chuva, sempre ela, a maior inimiga de um torneio de tênis. Nadal havia vencido o primeiro set, no tie-break.

Chuva que, nos últimos dias, não tem nos dado qualquer trégua aqui em Porto Alegre. Ainda bem que o confronto contra o Equador, que começa daqui a exatamente uma semana, será em quadra coberta.

Por sinal, a quadra ficou muito bonita, deixou o Gigantinho ainda mais belo do que sempre foi. Hoje à tarde volto lá para bater uma bola, a fim de testar a velocidade do piso.

E aproveito também para me despedir temporariamente daqueles que me lêem, já que a equipe brasileira se reúne amanhã e, a partir de então, estarei 100% focado no confronto.

Agora é lotar o Gigantinho e apoiar os nossos jogadores rumo à vitória. Mas não esqueçam de levar as crianças. Levem todas as crianças que vocês puderem levar.

Um grande abraço a todos e volto assim que puder.

Postado por Francisco Costa

Murray eliminado

09 de setembro de 2009 0

Andy Murray, o número dois do mundo, está fora da briga.

Ontem ele foi surpreendido pelo croata Marin Cilic nas oitavas do US Open. Cilic venceu em sets diretos e agora enfrenta o argentino Del Potro nas quartas.

O croata tem apenas 21 anos e já havia mostrado outras vezes seu enorme potencial, mas sempre vinha esbarrando quando enfrentava um dos "tops". Ultimamente, ele sequer chegava a enfrentá-los. Perdia antes.

Mas, na segunda rodada deste torneio, Cilic virou uma partida em que perdia por dois sets a zero contra o americano Levine. São vitórias como essa que fazem um tenista acreditar mais. Ontem, ele jogou demais e, finalmente, derrubou um dos tops.

Cuidado com ele. Mas Del Potro, que tem a mesma idade de Cilic, segue sendo o favorito, até porque já passou por isso, está mais consolidado na carreira.

Federer, Nadal e Djokovic seguem firmes.

O número um despachou Robredo sem problemas. Nadal mostrou solidez física e mental ao vencer Monfils de virada, enquanto Djokovic esbanjou confiança contra Stepanek.

Os duelos das quartas: Federer x Soderling, Djokovic x Verdasco, Del Potro x Cilic, Nadal x Gonzalez. Grandes jogos.

No feminino, Serena Williams e Kim Clijsters venceram e batem de frente em uma das semifinais. Todos consideram esse duelo uma final antecipada, já que a chave de cima só tem "zebras" como Wickmayer, Bondarenko, Oudin e Wozniacki.

Também acho que que o título deve ficar mesmo com Serena ou Clijsters, mas um pouco de cautela e caldo de galinha nunca fazem mal.

Circo?

Voltando ao Brasil, ainda não me conformei com essa história de que a CBF vai mesmo desfalcar o Inter por sete, oito partidas, justo na reta final do campeonato.

Perder jogadores para uma seleção principal, ainda vá lá. Mas para uma sub-20, é inaceitável.

Lembro 2003, quando o Inter, com um time limitado, lutava por uma vaga na Libertadores. A CBF nos tirou Nilmar e Daniel Carvalho, os melhores do time, na reta final, pela mesma razão - nos tirou também a vaga. 

Sandro já está na seleção principal. Giuliano tem sido um dos destaques do time e uma das principais revelações do Brasileirão. Voltar às categorias de base, neste momento, será um grande atraso na vida dos dois.

Mas o pior mesmo é saber que jogadores de outros times, concorrentes diretos, foram liberados, sequer foram chamados. Ou seja, não há critérios.

Chamar o futebol brasileiro de circo é uma ofensa aos palhaços.

Postado por Francisco Costa

Lições de domingo

07 de setembro de 2009 0

Nada como um feriadão para recuperar as energias.

Algumas pessoas preferem aproveitar as folgas para dormir até tarde. Eu faço questão de continuar acordando cedo, de tomar café da manhã, até para fazer um dia como hoje o mais longo possível.

Ontem, passei o dia assistindo jogos. Vi quase tudo do US Open, e acompanhei também a rodada do Brasileirão, que já começa a mostrar quem realmente tem bala na agulha para brigar pelo título.

O Inter tem a difícil missão de competir com os grandes de São Paulo. E o "sistema" já começou a agir: expulsões rigorosas, suspensões absurdas, convocação de titulares importantes para uma seleção sub-20.

Enfim, o circo de sempre, mas com uma vantagem: dessa vez, ninguém espera nada diferente.

No torneio feminino do US Open, destaque para as partidas das irmãs Williams.

Serena não deu chances para a pupila do Larri, Daniela Hantuchova. Alguém aí prestou atenção na pressão terrível que Serena coloca no segundo saque da adversária?

Depois, Venus bateu de frente contra Kim Clijsters, um verdadeiro partidaço, pra marmanjo nenhum botar defeito, vencido pela belga, em três sets.

O torneio masculino também está nas oitavas-de-finais. A surpresa, se é que se pode dizer assim, é a presença de apenas um tenista que não é cabeça-de-chave entre os 16 melhores.

E o autor da "proeza" é o gigante americano John Isner, responsável justamente pela queda do herói local, Andy Roddick, que aliás vinha jogando muito bem.

Oito jogos bons de se assistir: Federer x Robredo, Soderling x Davydenko, Djokovic x Stepanek, Verdasco x Isner, Tsonga x Gonzalez, Monfils x Nadal, Del Potro x Ferrero, Cilic x Murray.

Uma das gratas surpresas deste ano é a campanha do espanhol Juan Carlos Ferrero, 29 anos, ex-número um do mundo.

Ontem, Ferrero derrubou o francês Gilles Simon em um grande jogo, marcado pelas longas trocas de bola, e pela desistência de um exausto Simon no quarto set.

Lembro que em janeiro, no Australian Open, Ferrero perdeu logo de cara para o veterano Santoro. Depois do jogo, admitiu que já estava, há muito tempo, desmotivado e afirmou que deixaria o circuito no final da temporada. 

Parece que ter tomado aquela atitude tirou um enorme peso de suas costas. De lá pra cá, ele vem conseguindo bons resultados, mais condizentes com a qualidade de seu tênis.

O espanhol é considerado um sujeito exemplar em todos os sentidos. Bem educado, trabalhador, simples. Sua carreira é emblemática, e como tal nos oferece boas lições.

Primeiro, foi um jovem diferenciado, que se destacou muito cedo. Virou top-50 aos 19 anos de idade. Chegou ao número um do mundo aos 23 anos, mas lá não durou muito. Quando começou a cair no ranking, desanimou. Perdeu a motivação.

Passou alguns anos sem brilho, demorou para aceitar a realidade. O problema não era ele, mas o tempo. O tempo trouxe Federer, trouxe Nadal, tenistas melhores e mais bem preparados.

Então, no início deste ano, ele resolveu encarar a verdade. Encarou de frente a aposentadoria, que nada mais é do que a morte para um tenista.

Isso fez com que ele perdesse o medo e, aos poucos, recuperasse a alegria de jogar. Em fevereiro, era o 101° do mundo. Hoje, sete meses depois, já é o 25°.

Ontem, após a partida, ele disse o seguinte, se referindo ao passado glorioso:

- 2003 já faz muito tempo. Naquela época, eu tinha mais confiança. Hoje, sou um jogador melhor e mais completo. Meu objetivo é voltar ao top-10 em 2010.

O esporte imita a vida. Felizes são aqueles que encaram a decadência física como uma nova fase, uma fase de sabedoria, de tranquilidade e de melhor compreensão da natureza e do mundo.

Como nos ensina o craque espanhol, é preciso vencer a insegurança, olhar pra frente sem medo, e buscar novos objetivos. É preciso continuar evoluindo. 

Postado por Francisco Costa

Os saudosistas

06 de setembro de 2009 3

Depois da derrota de Bellucci, ontem foi a vez dos duplistas brasileiros serem eliminados na segunda rodada do US Open.

Soares/Ullyett foram surpreendidos por Chela/Cuevas, enquanto Melo/Sá caíram diante da forte dupla austríaca formada por Knowle/Melzer. Ambas as partidas foram em três sets, decididas no detalhe. Vida que segue, a Copa Davis vem aí.

Aproveito para escrever um pouco sobre o tênis feminino, já que só consigo acompanhar a modalidade nos Grand-Slam.

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que discordo radicalmente daqueles que defendem a idéia de que o tênis feminino piorou, que hoje só tem "perdedoras" no circuito, enfim, discordo dos saudosistas/pessimistas de plantão.

Dizer que um esporte já foi mais interessante, mais divertido, como a F1, por exemplo, é algo aceitável. Agora, dizer, pura e simplesmente, que "o nível das jogadoras piorou" é um absurdo quase tão grande quanto dizer que o tempo retrocedeu.

O tempo, caros leitores - e aqui todos devem concordar comigo -, nunca volta atrás. Tudo, na vida, está em constante evolução. No caso do esporte, os atletas de hoje sempre serão melhores, mais bem preparados do que os de ontem. Isso é lei.

Até pouco tempo atrás, assistir as primeiras rodadas de um torneio feminino era como assistir a um "passeio no parque" das melhores, já que elas avançavam quase sem perder games. Raramente elas deixavam de se cruzar nas finais.

Olhando a chave deste ano, vejo que tenistas como Safina, Dementieva, Jankovic, Ivanovic e Sharapova já estão fora. Sequer chegaram às oitavas, fase onde os cabeças-de-chave começam a se encontrar.

Isso só quer dizer uma coisa: o circuito está muito mais forte, mais duro, mais equilibrado.

Alguém aí vai me perguntar: e as incontáveis duplas faltas, que já viraram rotina nos jogos femininos?

Muitos atribuem esse problema, pura e simplesmente, ao emocional. O velho simplismo. Pra mim, o buraco é mais embaixo, já que vários marmanjos também já sofreram - e uns ainda sofrem - desse mal. 

Com isso quero dizer que o diagnóstico correto tem a ver com técnica, com tática, com força física e, claro, também com a parte mental.

Tecnicamente falando, um bom segundo saque é um bom "kick", ou "american twist", ou simplesmente "saque topspin", que é quando o contato entre a raquete e a bolinha é feito de baixo para cima.

Só assim o sacador poderá soltar o braço no segundo saque, pois o efeito aplicado na bola possibilitará a famosa "margem de acerto". A bola passa alta pela rede e desce rápido, antes de se aproximar demais das linhas.

Seja homem, seja mulher, quem não tiver domínio desse fundamento, nunca terá um segundo saque que seja suficientemente veloz, e ao mesmo tempo, confiável.

No caso específico das mulheres, boa parte do problema reside no simples fato de que esse fundamento exige muita força, muita aceleração de ombro, cotovelo e punho. Força que as mulheres, por natureza, não têm.

Antigamente, as mulheres não faziam tantas duplas faltas porque se limitavam a empurrar o segundo saque na quadra, a colocar a bola em jogo. Sacavam fraquinho.

De uns tempos para cá, especialmente a partir do surgimento das irmãs Williams, as tenistas começaram a entrar dois, três passos dentro da quadra, e a atacar todo e qualquer segundo saque. Martina Hingis que o diga.

Então, as tenistas se vêem hoje em apuros. Se sacam fraquinho, levam uma bordoada. Se forçam o saque, cometem duplas faltas. Tudo porque não conseguem sacar com "kick", tudo porque não têm força suficiente para gerar o efeito desejado.

E aí, somente aí, entra a parte emocional, a insegurança na hora de sacar. E não é pra menos, qualquer um se sentiria inseguro diante de uma situação do tipo "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".

Uma dica: dêem uma passada no youtube, busquem uma partida entre Chris Evert e Martina Navratilova, duas campeãs que dividiram todos os títulos no início dos anos 80, e prestem bastante atenção no segundo saque delas. 

Depois disso, liguem a TV e assistam a qualquer jogo feminino do US Open deste ano. Nem é preciso entender de tênis para notar a diferença, basta saber contar até três.

Eu adoro o passado, estudo história, volta e meia assisto jogos antigos. Quase todas as músicas que escuto são dos anos 60 ou 70. Chico Buarque, Beatles, etc...

Uma coisa é gostar do passado. Outra coisa, completamente diferente, é viver do passado, é ficar parado no tempo, é negar a evolução.

No fundo, os saudosistas são apenas dinossauros, neanderthais que tiveram seus dias de glória e não querem - ou não conseguem - evoluir.

Por isso eles insistem em negar a evolução, porque têm medo de que a pré-história - espaço no tempo onde eles cantaram de galo - já tenha acabado. 

Assim como as duplas faltas nos jogos femininos, o discurso saudosista só comprova que toda e qualquer insegurança é real e justificada.

Postado por Francisco Costa

A derrota

04 de setembro de 2009 3

Não deu para Thomaz Bellucci hoje. Ele perdeu em sets diretos para o francês Gilles Simon.

Vi a partida inteira, e ao contrário do que tenho lido por aí, não achei que o brasileiro tenha jogado tão mal assim.

Achei, isso sim, que ele estava diante de um rival que soube neutralizar muito bem suas principais armas. Que o deixou sem soluções.

É claro que Thomaz poderia ter jogado um pouco melhor, e principalmente ter tido um pouco mais de paciência em alguns momentos. Mas o francês também soube aproveitar cada equívoco, cada erro não forçado que o brasileiro cometia.

Depois de começar perdendo o saque logo de cara, Thomaz jogou um belo game e devolveu a quebra. Mas aí, na hora de empatar e colocar pressão no adversário, ele voltou a se afobar um pouco, e acabou sofrendo mais um break.

Então, o jogo já começava a tomar seu rumo, um rumo nada favorável ao brasileiro. O francês, que já era o favorito, jogou sempre na frente, à vontade, o que tornou a missão de Bellucci ainda mais complicada.

Simon mostrou todas as qualidades que o fazem ser o número nove do mundo.

Devolve saque como poucos, corre feito um animal, se defende muito bem, e tem um excelente timing, golpes rápidos em ambos os lados. É carne de pescoço da pior espécie.

Bellucci sentiu na pele como é difícil derrubar um tenista top-10, jogando em seu piso favorito, em um Grand-Slam.

E ele sentiu isso em vários momentos do jogo. Momentos em que jogou seu melhor tênis, e mesmo assim não conseguiu deslanchar. Conseguiu, no máximo, equilibrar as ações.

Ainda lhe falta aprimorar alguns detalhes para que ele possa jogar de igual para igual contra os melhores do mundo, principalmente em quadras rápidas.

Mas a campanha como um todo foi excelente, o que, mais uma vez, mostra que ele está no bom caminho. Nunca é demais lembrar que Thomaz tem apenas 21 anos, e ainda muito tempo, e espaço, para crescer.

E nunca é demais lembrar também que, em toda a história do tênis brasileiro, só tivemos um único top-10, que por sinal foi Guga. Os outros sequer chegaram perto.

Então, respeitemos Gilles Simon, que, por sinal, já derrotou tanto Federer como Nadal. Bellucci não estava diante de um pangaré qualquer.

Postado por Francisco Costa