Aqueles que acompanham o noticiário tenístico já devem ter se acostumado com o vocabulário pobre, repetitivo e negativo.
Agora mesmo, acabei de ler: "Venus completa os fiascos do dia".
Fiascos do dia!! Por que? Porque ela perdeu para uma tenista que veio do quali, por 7x6 7x5.
Que o autor de uma manchete assim nunca tenha jogado tênis na vida é perfeitamente compreensível, mas ele deveria, pelo menos, se informar um pouquinho melhor antes de sair escrevendo qualquer coisa a torto e a direito.
Ontem, no mesmo site, provavelmente obra do mesmo autor: "Mais um vexame em Tóquio! Dementieva eliminada".
Dementieva perdeu em três sets. Realmente, um vexame!
Então, quando um dos favoritos perde, o vencedor nunca tem méritos? É essa a visão do esporte que as pessoas devem ter?
Isso sem falar dos "carrascos" e "algozes" que estão soltos por aí, torturando as pessoas impunemente...
"Carrasco de fulano vence mais uma". "Algoz de beltrano é eliminado".
E que tal o adorado termo "jejum"? "Jejum de títulos já dura dois anos". Quantas vezes somos obrigados a ler uma frase assim em apenas uma semana?
Não me surpreende que nossas meninas não queiram mais jogar tênis, que não tenhamos quase torneios femininos no Brasil.
E não me surpreende também que nossos atletas tenham tanta dificuldade em conseguir apoio financeiro, que promotores de eventos tenham que suar sangue para conseguir organizar um mísero challenger.
A impressão que nós, jogadores e técnicos, temos é de que alguns dos que escrevem sobre tênis o fazem com raiva, com frustração, transmitindo ao leitor um sentimento negativo.
Ao invés de aplaudirmos o vencedor, avacalhamos o perdedor. Então, no final, a imagem que fica é a de que todos, no fundo, são perdedores.
Isso sem falar que nossos jornais, nossos canais de TV aberta, simplesmente ignoram o tênis. E nas poucas vezes em que surge um pequeno espaço, um cantinho de página, vai lá alguém e fala, ou escreve, qualquer coisa.
Por exemplo, aqui no RS falaram após a Davis que "o tênis brasileiro caiu para a segunda divisão". É mesmo? E quando estivemos na primeira?
Fica a imagem de que o nosso tênis está cada vez pior, que não paramos de descer a ladeira da desgraça.
É por isso que digo e vou continuar repetindo: se queremos um dia nos tornar uma potência no tênis, precisamos melhorar bastante, em todas as esferas.
O melhor do tênis brasileiro ainda é, de longe, a qualidade dos nossos jogadores.
Se você acha que o nível dos nossos jogadores é de segunda divisão, se você reclama que a organização do nosso tênis é de terceira, lamento lhe informar o seguinte: a nossa cultura de tênis é de quinta divisão.
Postado por Francisco Costa


