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Posts de abril 2010

Derrotas

29 de abril de 2010 6

Após conquistar duas boas vitórias, Thomaz Bellucci foi eliminado hoje nas oitavas do Masters de Roma. Ele caiu diante do número dois do mundo, Novak Djokovic, parciais de 6x4 6x4.

Ao contrário do duelo contra Ferrer, dessa vez ficou a impressão de que o brasileiro poderia ter saído da quadra com a vitória. Além de não ter sido dominado taticamente, Thomaz chegou a estar uma quebra na frente em ambos os sets. Faltou um pouquinho de concentração e de tênis.

Bellucci não é aquele tipo de jogador que vai lá e ganha de todo mundo em uma semana de grande inspiração, mas depois perde dez seguidas. Ele está indo passo a passo, apostando na consistência.

Isso quer dizer que, no momento em que ele começar a equilibrar e a ganhar dos tops, é porque estará realmente preparado para se tornar um deles.

Colorado apanhou de novo

Desde o ano passado tem sido assim. Quando o Inter começa a jogar decisões consecutivas, os resultados despencam de uma maneira radical. A razão é simples: o time e o plantel têm veteranos demais e jovens de menos. Faltam pernas para suportar as maratonas.

Eu não pude ver o primeiro tempo ontem, só cheguei em casa quando o jogo já estava indo para o intervalo.

Mas depois de ver os melhores lances (todas as oportunidades de gol haviam sido do Banfield) e a escalação do time (D´Ale e Alecgol em campo, Giuliano e Walter no banco), me preparei para assistir a um verdadeiro filme de terror no segundo tempo.

E não deu outra. A arbitragem ruim foi apenas um daqueles ingredientes que nunca podem faltar.

Federer fora

27 de abril de 2010 1

O número um Roger Federer perdeu hoje para o jovem Ernest Gulbis logo na estréia do Masters de Roma, por 7x5 na negra, em uma partida bem disputada e cheia de altos e baixos.

Mais uma vez, os detalhes. Essa foi a primeira partida do suíço no saibro neste ano, depois de quase um mês sem disputar torneios, enquanto Gulbis vinha com um bom ritmo de jogo, tendo alcançado as quartas em Barcelona.

Depois de ganhar fácil no primeiro set, muito mais pelos erros do adversário do que por méritos próprios, Federer sentiu as dificuldades de sempre. Gulbis começou a jogar pesado em seu revés, a errar pouco, e o encurralou. O número um não conseguiu mais controlar o jogo.

Gulbis venceu o segundo set com sobras e fez 5x3 no terceiro. Dominava o jogo. Então, ele desperdiçou dois match-points no saque de Federer. Ficou nervoso e se precipitou. No game seguinte, sacando para o jogo, mais chances foram desperdiçadas e o jogo ficou empatado.

Quem achou que Gulbis não venceria mais a partida se enganou. Federer não foi capaz de aproveitar o momento favorável. Cometendo erros bobos, ele voltou a ser quebrado. No game seguinte, Gulbis não perdoou.

Logo a seguir, foi a vez de Thomaz Bellucci entrar em quadra. E ele foi bem, venceu o argentino Mayer em três sets e agora encara John Isner, um gigante americano de mais de dois metros de altura. As chances são boas, mas jogos contra esse tipo de adversário costumam ser duros.

Em outros jogos, Djokovic e Murray venceram bem. O favorito Nadal estréia amanhã.

Detalhes que decidem

26 de abril de 2010 4

A final do ATP de Barcelona entre Verdasco e Soderling, além de ter sido um belo jogo de tênis, foi taticamente interessante. Verdasco venceu em três sets muito bem disputados.

Quando enfrentamos caras como o Soderling, que sacam muito bem e batem muito forte na bola, a tendência natural é ficarmos nos defendendo e esperando pelos erros não forçados, o que pode até dar certo eventualmente, especialmente se o 'canhão' estiver descalibrado.

Mas essa não é uma boa estratégia. A melhor estratégia contra os grandalhões é apostar na velocidade, já que eles são lentos. É preciso obrigá-los a correr o tempo inteiro e a se defender, algo que eles invariavelmente detestam fazer.

Lembro quando o Soderling veio ao Brasil jogar a Davis. Ele ainda não era um jogador top e passou por cima tanto do Mello como do Saretta. Ganhou seis sets e não perdeu nenhum. Os dois cometeram o mesmo erro. Apostaram na defesa e não viram a cor da bola.

No jogo de ontem, Verdasco jogou uma boa partida, mas, acima de tudo, jogou certo. Se defendeu quando não tinha opção, mas sempre buscando ser agressivo. No primeiro set, ele dominou completamente o adversário.

No início do segundo, no entanto, ele perdeu um pouquinho da intensidade e viu o grandalhão tomar conta do jogo. Quando tem tempo para armar o seus tiros, Soderling faz um estrago enorme. Especialmente com a direita.

Mas Verdasco sabia bem o que tinha que fazer em quadra e pisou outra vez no acelerador. Depois de muita correria, muita luta,  ele fez a festa da torcida espanhola, que devia estar com o tal de Soderling entalado na garganta desde que ele derrubou Nadal em Paris.

Nesta semana começa o Masters 1000 de Roma, com a presença de Federer, Nadal e companhia. A semana que está começando será recheada de belos jogos de tênis.

No challenger de Curitiba, a festa foi de um estrangeiro. O alemão Meffert derrotou Daniel na semi e Mello na final para conquistar o título.

Gre-Nal decidido nos detalhes

O Inter entrou em campo com a obrigação de se impor e de vencer. Jogava em casa. Mas só conseguiu ser melhor que o Grêmio durante os 25 minutos finais da primeira etapa. Muito pouco. Além disso, as melhores oportunidades de gol foram quase sempre gremistas. Portanto, o resultado foi justo.

Andrezinho e D´Alessandro não têm condições físicas de atuar 90 minutos, quanto mais 180. Eles se arrastaram em campo e fizeram com que o Inter perdesse o domínio do meio-campo durante boa parte do jogo, incluindo todo o segundo tempo. Logo o meio, onde o Inter tem melhores jogadores e deveria ser claramente superior. Ou seja, os dois deveriam ter começado a partida no banco.

Sem o controle do meio-campo e com um centroavante absolutamente inútil, ficamos depedendo única e exclusivamente das jogadas individuais de Walter. O garoto jogou muito, venceu o duelo particular com o Mario Fernandes, mas só conseguiu concluir de longe. E aí, ele encontrou o ótimo Victor em tarde inspirada.

Os dois gols do Grêmio vieram de bola parada. Rodrigo e Borges foram premiados pela dedicação que tiveram em campo. O primeiro engoliu Alecsandro, o que não deve ser muito difícil. O segundo - junto com o Jonas - infernizou a defesa colorada do primeiro ao último minuto. Foi sempre um perigo.

Enfim, venceu quem melhor se preparou para o clássico, e quem ainda tem o melhor goleiro e o melhor centroavante, apesar das dificuldades financeiras.

Se o Inter, assim como em 2006, aprender alguma coisa com a perda do Gauchão, ainda pode ter alguma chance na Libertadores. Caso contrário, o fracasso é só questão de tempo.

Difícil

24 de abril de 2010 4

Não deu para o Bellucci ontem. Ele caiu diante do espanhol David Ferrer, por 6x4 6x0.

Pude assistir o jogo e foi aquilo que se esperava. Uma partida muito difícil contra um adversário que, além de ser de alto nível, possui as armas que mais incomodam o brasileiro. Thomaz só conseguiu equilibrar a partida durante os quatro primeiros games do jogo. Depois, só deu Ferrer.

Uma das características do tênis que contribuem para que ele seja um dos esportes mais difíceis é o fato de que os jogos são quase sempre diários. Ou seja, não há tempo para que possamos nos preparar adequadamente para enfrentar determinado jogador.

O que acaba existindo é apenas uma conversa com o técnico sobre como se deve jogar, mas não aquele treino específico onde se poderia simular algumas situações de jogo. Então, o tenista acaba muitas vezes repetindo aquilo que vem dando certo nos jogos anteriores, o que nem sempre é a melhor coisa a fazer.

No jogo de ontem, achei que o Thomaz poderia ter sido bem mais agressivo nas devoluções. De maneira geral, ele ficava atrás esperando a bola, quando poderia ter aproveitado que o segundo saque do Ferrer é das poucas oportunidades que se tem de iniciar o ponto dentro da quadra.

Também achei que o brasileiro cometeu muitos erros tentando buscar ângulos improváveis, especialmente quando a bola do espanhol estava muito profunda e a melhor coisa a fazer era, simplesmente, aprofundá-la de volta para neutralizar a jogada. 

De resto, ainda é preciso aprimorar os fundamentos que ele já vem trabalhando e melhorando: as definições junto à rede e o jogo de defesa/contra-ataque. E, claro, não podemos esquecer da experiência. Mas esta só se adquire com o tempo, jogando mais vezes contra caras desse nível e tentando explorar melhor as pequenas brechas que eles concedem.

Valeu pela boa campanha - foi a melhor dele em um ATP 500 - e pela expectativa de que a temporada de saibro ainda vai render bons frutos ao nosso número um.

As semifinais de Barcelona: Ferrer x Verdasco, Soderling x De Bakker. Este último é a grande surpresa do torneio, tendo eliminado Ferrero e Tsonga nas últimas rodadas.

Libertadores e Gre-Nal

Quando o Inter conseguiu arrancar um pontinho lá na altitude de Quito, eu fui um dos poucos que valorizou aquele resultado. Pois foi justamente ali que o primeiro lugar do grupo começou a se desenhar, com aquele sofrido empate em condições absolutamente adversas. 

Nesta quinta-feira, o time jogou muito bem e dominou a partida do início ao fim, mas é preciso dar o mesmo desconto da altitude. Além disso, o golaço de Andrezinho logo aos três minutos fez com que o rival perdesse completamente o rumo. Foi um jogo de um time só.

Agora, são quatro decisões em poucos dias. Os grenais e os duelos contra o argentino Banfield.

Sobre os clássicos, o Inter tem mais time e plantel do que o Grêmio. Mas não vai ser fácil, principalmente porque os dois destaques do Grêmio são justamente aqueles que considero os jogadores mais importantes de um time: o goleiro e o centroavante. É ali que tudo se decide, e Victor e Borges podem fazer a diferença.

O Inter amenizou um pouco essa desvantagem quando contratou o experiente Abbondanzieri, que apesar de nos dar alguns sustos, é bem mais goleiro do que o Lauro. Por outro lado, seguimos com um centroavante comum, que além de não dar uma só boa assistência, ainda perde bem mais gols do que faz. Haja paciência.

Desafio

22 de abril de 2010 3

Thomaz Bellucci está nas quartas em Barcelona. Ele venceu hoje o espanhol Garcia-Lopez em dois sets e, confirmando as melhores expectativas, aproveitou muito bem a brecha que a desistência de Nadal deixou na chave de cima.

Amanhã o adversário será outro espanhol, só que bem mais experiente e encardido. David Ferrer, contra quem ele jogou uma vez este ano, se não me engano em Acapulco, e perdeu sem conseguir ao menos equilibrar o jogo.

Além de ser um grande jogador - já chegou a ser o número quatro do mundo e está há vários anos circulando entre os 20 melhores -, Ferrer é o tipo de jogador que mais incomoda o nosso número um, por várias razões, que têm a ver com a parte física, mental, técnica e estratégica. Ou seja, a parada é mesmo dura.

Enfrentei o Ferrer duas vezes em 2002, quando ele começava a se destacar no circuito. Ganhei uma delas. É um cara que joga em alta intensidade, erra muito pouco e se defende muito bem. É consistente de ambos os lados, devolve muito bem saque e mexe bastante a bola, obrigando o adversário a correr o tempo inteiro.

Mas, assim como todos, ele tem alguns pontos fracos que podem e devem ser explorados. É baixo e tem pouca envergadura, e até por isso não é um grande sacador. Não gosta que lhe quebrem o ritmo, não é bom do meio para a frente da quadra e perde um pouco a paciência quando não consegue controlar o jogo.

Thomaz tem uns 25% de chances de sair da quadra vencedor. Vai precisar sacar muito bem, correr muito e jogar com extrema disciplina tática. Mais uma vez, a velha e boa combinação de humildade e coragem.

Ele terá de ser agressivo nas devoluções, especialmente no segundo saque do espanhol e não ter pressa na hora de definir os pontos. Quando não estiver bem posicionado para atacar, terá de manter a bola alta e pesada para não entrar na correria. O jogo veloz favorece o espanhol. Terá de escolher bem a hora de arriscar nas paralelas, caso contrário vai sofrer com os excelentes contra-ataques de Ferrer.

Resumindo, o brasileiro terá de se superar em quadra e também ter um pouco de sorte, a mesma que ele começou a ter antes mesmo de entrar em quadra, quando Nadal resolveu poupar os joelhos.

Bellucci e a convocação

21 de abril de 2010 3

O brasileiro Thomaz Bellucci venceu mais uma hoje e está nas oitavas do ATP de Barcelona. Ele passou pelo romeno Hanescu em um jogo difícil, 7x5 na negra. Seu próximo adversário será o espanhol Garcia-Lopez, velho conhecido, de quem ele já ganhou e perdeu anteriormente.

Bela vitória. Thomaz está, cada vez mais, se consolidando como um dos jovens mais promissores do circuito internacional. Em pouco tempo, ele deverá estar brigando para entrar no seleto grupo do top-20 e começando a incomodar os melhores do mundo, especialmente no saibro.

Enquanto o número um do Brasil se aventura em território europeu, os demais brasileiros disputam o challenger de Curitiba, que começou nesta segunda. 

Os experientes Marcos Daniel, Ricardo Mello e Thiago Alves são os principais nomes. Mello e Alves já estão nas quartas, assim como Zampieri, enquanto Daniel ainda joga amanhã pela segunda rodada. Os demais brasileiros já perderam.

Davis

O capitão João Zwetsch anunciou ontem os convocados para o confronto contra o Uruguai em Bauru. Os titulares são Thomaz Bellucci, Marcos Daniel, Marcelo Melo e Bruno Soares. Ricardo Hocevar e André Ghem também foram chamados para compor a equipe, além de dois juvenis, Clezar e Laranja.

A convocação não tem nada de óbvia. Havia, sim, algumas dúvidas, tanto em relação ao singlista número dois - as principais opções eram o próprio Daniel, Ricardo Mello e o jovem João Souza -, como em relação à dupla, onde o experiente André Sá também poderia estar presente na lista.

Em relação à convocação de Daniel, deve ter pesado o fato de ele ser mais "saibrista" do que Mello, já que este último vinha tendo melhores resultados na temporada. Acredito que o recente título no challenger de Blumenau não teve nada a ver com isso, uma vez que a convocação de fato ocorre bem antes do anúncio oficial.

Quanto à dupla, o capitão optou pelo entrosamento de quem já vem jogando junto desde o início da temporada. É um critério válido, visto que nenhum dos três duplistas vinha obtendo bons resultados. É verdade que André Sá também venceu em Blumenau, mas, como já escrevi no parágrafo anterior, a escolha dos nomes deve ter sido feita bem antes do último domingo.

Quanto aos reservas, Hocevar e Ghem devem ter sido escolhidos porque foram aqueles que se dispuseram a abrir mão de jogar torneios na semana do confronto para participar dos treinos. Infelizmente, nem todos aceitam essa tarefa. O tenista é um ser individualista por natureza e tem dificuldades de compreender a idéia de "equipe".

Durante os três anos em que fui capitão, sempre fiz questão de valorizar aqueles que se colocam à disposição para fazer parte do time. Não por caridade, mas porque eles são realmente importantes, e por várias razões.

De qualquer maneira, a convocação é justa e o time é forte o suficiente para vencer o Uruguai.

Aprender com os erros

20 de abril de 2010 3

Depois de ser campeão em Monte Carlo, Rafael Nadal abriu mão de jogar um de seus torneios favoritos, o ATP 500 de Barcelona.

Decisão dolorosa, mas sábia. Depois de Barcelona, ainda tem os Masters de Roma e de Madri e Roland Garros. Tudo isso em pouco mais de um mês. A temporada de saibro é muito curta, extremamente desgastante e é preciso priorizar os torneios mais importantes.

No ano passado, ele ganhou Monte Carlo, Barcelona e Roma, mas acabou ficando sem o mais importante deles, que é Roland Garros. Pior ainda, ficou dois meses longe das quadras por lesão, não pôde defender o título em Wimbledon e perdeu a confiança. Só voltou a ser campeão no último domingo, quase um ano depois.

Nadal mostra assim que reconhece os próprios erros e trata de não repetí-los. Ontem mesmo escrevi sobre humildade e coragem, duas virtudes que sempre tiveram muito a ver com o sucesso do espanhol. É preciso ter humildade para reconhecer os erros e coragem para não repetí-los.

Obviamente, a organização do torneio não deve ter gostado nem um pouco de ver a principal estrela do torneio se retirar. Mas ao invés de apontar o dedo para o jogador, eles deveriam buscar, junto aos demais diretores de torneios europeus e à ATP, fazer algumas mudanças tão necessárias quanto benéficas no calendário de torneios.

Torneios tradicionais como o de Barcelona, Hamburgo, Sttutgart e outros estão perdendo seu prestígio por culpa do calendário. A ATP deveria ter a humildade de reconhecer que ainda tem muito a melhorar, mesmo que os números apontem o contrário.

Não canso de repetir que jamais podemos confiar cegamente nos números. Muitas vezes eles escondem uma realidade que já existe, mas que ainda não é visível a olho nu.

Enquanto isso, o torneio já começou. E começou bem para Thomaz Bellucci. Ontem ele derrotou o finlandês Jarkko Nieminem na primeira rodada, em dois sets. Boa vitória contra um adversário encardido e experiente.

Além da boa estréia, Thomaz foi favorecido pela desistência de Nadal, já que eles se enfrentariam nas oitavas, o que poderia significar o fim da linha para o brasileiro. Agora, com a chave dele aberta, tudo pode acontecer. É questão de tempo para que ele consiga um grande resultado no saibro.

Covardia ou burrice?

Acabei de ler que o Fluminense demitiu ontem o técnico Cuca.

No ano passado, no mesmo fim de semana do confronto contra o Equador, o Fluminense veio a Porto Alegre enfrentar o Grêmio e se hospedou no mesmo hotel em que estávamos concentrados.

O João Zwetsch e eu estávamos na recepção, quando o Cuca nos reconheceu e veio conversar com a gente. Na época, o Flu estava em último lugar no Brasileirão, uns seis pontos atrás do penúltimo. Situação crítica, desesperadora.

Ele havia recém chegado no clube e disse que, segundo os seus cálculos, precisava vencer 10 dos últimos 15 jogos para não cair, algo assim. E que acreditava piamente nisso. Disse que havia uma gurizada jovem muito boa no elenco e que todos estavam unidos e trabalhando duro em torno desse objetivo. 

Pois o que parecia impossível acabou mesmo acontecendo. E Cuca virou herói.

Agora, poucos meses depois, acaba de ser demitido. Não foi campeão carioca. Na Copa do Brasil, competição mais importante, o Flu está nas oitavas e ganhou a primeira da Portuguesa, fora de casa. Ou seja, vai bem.

É incrível como os erros se repetem no futebol. A imprensa põe lenha na fogueira, a torcida pressiona, e os dirigentes cedem. Covardia ou burrice? Talvez as duas coisas.

O Fluminense é exemplo de como não se deve fazer as coisas no esporte. Todos os anos, é a mesma coisa. Perde o estadual, demite o técnico e tem que começar tudo do zero, sem o apoio dos jogadores. No final do ano, acaba brigando pra não ser rebaixado.

O Fluminense já caiu uma vez para a série C e ainda não aprendeu a lição. É o contrário de Nadal.

Humildade e coragem

19 de abril de 2010 1

Ontem escrevi que, se Verdasco acreditasse na vitória e aguentasse a disputa física, poderia derrotar Nadal. Ganhou apenas um game. Isso significa que ele não fez nem uma coisa e nem outra. Na verdade, ele não fez nada. Foi, simplesmente, presa fácil.

A pergunta que fica é a seguinte: ele deixou de acreditar na vitória porque não aguentou o ritmo proposto pelo adversário, ou ele não aguentava esse ritmo justamente porque não acreditava em suas próprias possibilidades? É preciso poder para acreditar ou acreditar para poder? O ovo ou a galinha?

Pergunta difícil, não é mesmo? O certo é que uma coisa leva à outra. Aqueles que se sentem fortes fisicamente acreditam um pouco mais em si mesmos. Isso é fato. Mas também é verdade que aqueles que acreditam no esforço, na superação, também vão aguentar um pouco mais, e essa atitude, com o tempo, os tornará mais fortes.

Então, a primeira missão do esportista é sempre acreditar no esforço, na superação, e também na vitória, já que ele nunca sabe ao certo onde estão os seus limites. Na final de ontem, Verdasco passou longe disso.

Das duas, uma: ou ele já entrou na quadra derrotado, algo inadmissível para um atleta do nível dele, ou ele entrou na quadra com confiança em excesso - a ponto de ser surpreendido pelo tamanho das dificuldades que encontrou na partida -, caiu do cavalo rapidinho e baixou a cabeça, decepcionado. Resumindo, ou faltou humildade, ou faltou coragem para Verdasco. 

Explico. Antes de a partida iniciar, as chances de Verdasco eram de uns 30%. Não mais do que isso, mas também não menos. As chances eram pequenas, mas reais. Todo o problema começa no fato de que é preciso ter humildade para aceitar essa condição de inferioridade a priori. 

Mas ser humilde não basta para que se possa derrotar um adversário superior. É necessário, mas não é suficiente. Para dar o próximo passo, é preciso muita coragem.

Coragem para agarrar esses 30% com as duas mãos e montar um plano de jogo adequado. Coragem para continuar acreditando no plano mesmo nos momentos mais difíceis. Coragem para aproveitar as pequenas brechas que, mais cedo ou mais tarde, podem se abrir.

Querem um exemplo clássico? O épico Inter x Barcelona. O Inter foi humilde quando reconheceu que era inferior ao rival e montou uma estratégia adequada. Depois, passou por maus bocados, escapou de levar gols, mas seguiu acreditando no plano de jogo. Manteve a disciplina tática. Foi corajoso.

Quando o Barcelona finalmente começou a perder a paciência, a se atirar ao ataque, começaram a aparecer pequenas brechas. Em uma delas, gol de Gabirú. E taça no armário.

No ano seguinte, o Boca Jr. enfrentou o Milan de igual pra igual e levou 4x2. Quis achar que não era inferior, quando isso era óbvio. Adotou a estratégia errada e se deu mal. Talvez tenha sido corajoso, mas, certamente, não foi humilde.

No tênis, é preciso atacar sempre que houver a oportunidade. Isso não significa ficar arriscando tiros lá de trás, de qualquer jeito. Aqueles que fazem isso não estão sendo corajosos, estão é fugindo da briga, como fez Verdasco ontem.

Daniel campeão

O gaúcho Marcos Daniel conquistou ontem o challenger de Blumenau. Na final, ele derrotou o alemão Knittel em três sets duros. Com esse resultado, ele volta a figurar entre os cem melhores e encerra a sequência de maus resultados, que vinha desde o ano passado. Nada como voltar ao saibro.

Os canhotos

18 de abril de 2010 1

A final do Masters de Monte Carlo será entre dois canhotos espanhóis, Rafael Nadal e Fernando Verdasco. Nos jogos de ontem, Nadal confirmou contra Ferrer sem maiores problemas, enquanto Verdasco surpreendeu Djokovic, também em dois sets.

A partida entre Nadal e Ferrer foi semelhante à da véspera, contra Ferrero. Dado um certo equilíbrio técnico e estratégico - quase todos os espanhóis fazem a mesma coisa na quadra - venceu o de maior aptidão. Além de ser fisicamente mais potente, Nadal ainda tem a vantagem de ser canhoto. Aliás, uma bela vantagem.

Verdasco venceu Djokovic por razões parecidas. A partida foi equilibrada apenas nos primeiros games. Após uma sequência de pontos longos, o sérvio sentiu que o buraco era mais embaixo e abriu as pernas, para usar termos bem populares. Antes de o torneio começar, eu já alertava para essa fragilidade física do atual número dois do mundo.

A final de hoje tem tudo pra ser bem interessante. Nadal e Verdasco são tenistas com muitas semelhanças e poucas diferenças.

Além de serem canhotos, os dois têm um forehand demolidor, recheado de top-spin. Com esse golpe eles conseguem empurrar o adversário pra trás, abrir a quadra e definir. Tudo isso em poucos tiros. Já o revés é o golpe a ser explorado.

Estrategicamente, eles pertencem à mesma escola, a espanhola, onde todos seguem a cartilha e ninguém inventa nada. Os espanhóis não têm plano B, o que os torna previsíveis. Mas é preciso admitir que, no saibro, o Plano A deles é extremamente eficiente.

Agora, as diferenças. O revés de Nadal é mais consistente. Verdasco saca melhor. Nadal é mais concentrado e disciplinado. Verdasco é mais talentoso e versátil. Ou seja, há um certo equilíbrio. Mais uma vez, a condição física deverá ser decisiva.

Sendo assim, Nadal pode ser considerado o favorito natural. Não é à toa que ele venceu todos os confrontos anteriores entre eles. Mas se acreditar na vitória e, obviamente, "aguentar o tranco", Verdasco pode muito bem surpreender e vencer o seu primeiro título de Masters.

A primeira vez

Um dos tenistas mais promissores do Brasil, o alagoano José Pereira venceu ontem, aos 19 anos, o seu primeiro título como profissional, conquistando o future de Bauru. Na final ele bateu o argentino Alejandro Kon, em dois sets.

Parabéns para o Zé, para o meu irmão Fernando, o Alemão, que o está acompanhando nos torneios, e para toda a equipe do Instituto Tênis. É só o começo, mas um belo começo.

Cultura

17 de abril de 2010 2

As semis de Monte Carlo: Djokovic x Verdasco, Nadal x Ferrer.

Nadal confirmou contra Ferrero, vencendo em dois sets. O primeiro game já mostrou o que seria a partida, uma disputa física. Nadal abriu 2x0, mas teve problemas com o forte vento que invadiu a quadra de repente. Reclamou muito e perdeu três games seguidos. Sorte dele que a chuva também veio e interrompeu a partida antes que a vaca pudesse começar a ir para o brejo.

Quando a chuva parou, Nadal voltou aos trilhos e deixou bem claro que para vencê-lo no saibro é preciso ter alguma qualidade diferenciada. Muita potência nos golpes - como talvez apenas Soderling ou Del Potro tenham - ou então uma velocidade de jogo incrível, caminho este ainda mais difícil.

Depois foi a vez de Djokovic não dar nenhuma chance ao Nalbandian. O sérvio foi melhor do início ao fim, deixando claro que falta ao argentino uma maior intensidade para competir naquele nível. Talvez a conta de tantos anos envolvido com excesso de peso e lesões tenha chegado e o segundo escalão seja sua nova realidade. 

Por último, Verdasco confirmou contra Montañes. O canhoto abriu 6x3 5x1 e sacava para fechar. Perdeu match-points e se desconcentrou. O adversário cresceu e o jogo acabou indo para o terceiro set, onde Verdasco colocou a cabeça de novo no lugar e liquidou a partida sem perder nenhum game. Existe aqui uma clara diferença entre os dois tenistas, tanto física quanto técnica.

Aliás, cada vez que vejo Montañes jogar, vejo o quanto somos atrasados. Ele não é alto, não tem muita força, não tem grandes golpes, e também não é aquele cara extremamente obstinado. Muitas vezes já o vi perder para qualquer um, jogando até com certo desleixo. Ou seja, ele não tem absolutamente nada de diferenciado.

No entanto, ele está sempre circulando entre o 30° e o 100°. Aos 30 anos, já ganhou mais de três milhões de dólares em prêmios. Para que se tenha uma idéia, em toda a história do tênis brasileiro, só o Guga ganhou mais dinheiro que ele. Pra quem gosta de números, um dado interessante. Mas como ele conseguiu tanto com tão pouco?

Fazendo as coisas simples e certas, desde sempre. Ele não inventa nada, segue a cartilha à risca, o que o torna um jogador previsível, mas frio, tranquilo na quadra. Já se conhece bem e não está nem um pouco preocupado com questões extra-quadra, e nem é afetado por causa das rivalidades locais e da imprensa.

Montañes é espanhol da Catalunha e treinou a vida inteira em Barcelona. Ou seja, é um aluno mediano de uma ótima escola, onde existe espaço para um Nadal, mas também para um Montañes, já que ele nunca foi excluído por não estar entre os melhores, e acabou, com o tempo, conquistando o próprio espaço.

Se tivesse nascido no Brasil, ele provavelmente já teria abandonado a carreira há muito tempo. Seria apenas mais um a ser engolido pelo sistema. Cultura é mesmo tudo.