Depois de ser campeão em Monte Carlo, Rafael Nadal abriu mão de jogar um de seus torneios favoritos, o ATP 500 de Barcelona.
Decisão dolorosa, mas sábia. Depois de Barcelona, ainda tem os Masters de Roma e de Madri e Roland Garros. Tudo isso em pouco mais de um mês. A temporada de saibro é muito curta, extremamente desgastante e é preciso priorizar os torneios mais importantes.
No ano passado, ele ganhou Monte Carlo, Barcelona e Roma, mas acabou ficando sem o mais importante deles, que é Roland Garros. Pior ainda, ficou dois meses longe das quadras por lesão, não pôde defender o título em Wimbledon e perdeu a confiança. Só voltou a ser campeão no último domingo, quase um ano depois.
Nadal mostra assim que reconhece os próprios erros e trata de não repetí-los. Ontem mesmo escrevi sobre humildade e coragem, duas virtudes que sempre tiveram muito a ver com o sucesso do espanhol. É preciso ter humildade para reconhecer os erros e coragem para não repetí-los.
Obviamente, a organização do torneio não deve ter gostado nem um pouco de ver a principal estrela do torneio se retirar. Mas ao invés de apontar o dedo para o jogador, eles deveriam buscar, junto aos demais diretores de torneios europeus e à ATP, fazer algumas mudanças tão necessárias quanto benéficas no calendário de torneios.
Torneios tradicionais como o de Barcelona, Hamburgo, Sttutgart e outros estão perdendo seu prestígio por culpa do calendário. A ATP deveria ter a humildade de reconhecer que ainda tem muito a melhorar, mesmo que os números apontem o contrário.
Não canso de repetir que jamais podemos confiar cegamente nos números. Muitas vezes eles escondem uma realidade que já existe, mas que ainda não é visível a olho nu.
Enquanto isso, o torneio já começou. E começou bem para Thomaz Bellucci. Ontem ele derrotou o finlandês Jarkko Nieminem na primeira rodada, em dois sets. Boa vitória contra um adversário encardido e experiente.
Além da boa estréia, Thomaz foi favorecido pela desistência de Nadal, já que eles se enfrentariam nas oitavas, o que poderia significar o fim da linha para o brasileiro. Agora, com a chave dele aberta, tudo pode acontecer. É questão de tempo para que ele consiga um grande resultado no saibro.
Covardia ou burrice?
Acabei de ler que o Fluminense demitiu ontem o técnico Cuca.
No ano passado, no mesmo fim de semana do confronto contra o Equador, o Fluminense veio a Porto Alegre enfrentar o Grêmio e se hospedou no mesmo hotel em que estávamos concentrados.
O João Zwetsch e eu estávamos na recepção, quando o Cuca nos reconheceu e veio conversar com a gente. Na época, o Flu estava em último lugar no Brasileirão, uns seis pontos atrás do penúltimo. Situação crítica, desesperadora.
Ele havia recém chegado no clube e disse que, segundo os seus cálculos, precisava vencer 10 dos últimos 15 jogos para não cair, algo assim. E que acreditava piamente nisso. Disse que havia uma gurizada jovem muito boa no elenco e que todos estavam unidos e trabalhando duro em torno desse objetivo.
Pois o que parecia impossível acabou mesmo acontecendo. E Cuca virou herói.
Agora, poucos meses depois, acaba de ser demitido. Não foi campeão carioca. Na Copa do Brasil, competição mais importante, o Flu está nas oitavas e ganhou a primeira da Portuguesa, fora de casa. Ou seja, vai bem.
É incrível como os erros se repetem no futebol. A imprensa põe lenha na fogueira, a torcida pressiona, e os dirigentes cedem. Covardia ou burrice? Talvez as duas coisas.
O Fluminense é exemplo de como não se deve fazer as coisas no esporte. Todos os anos, é a mesma coisa. Perde o estadual, demite o técnico e tem que começar tudo do zero, sem o apoio dos jogadores. No final do ano, acaba brigando pra não ser rebaixado.
O Fluminense já caiu uma vez para a série C e ainda não aprendeu a lição. É o contrário de Nadal.