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Posts de maio 2010

Sábado brasileiro em Paris

29 de maio de 2010 1

O dia foi perfeito para o tênis brasileiro. 

Tudo começou com as vitórias nas duplas. André Sá, jogando ao lado do australiano Huss, entrou em quadra primeiro. A nova parceria bateu os israelenses Erlich e Sela, em dois sets, se classificando para as oitavas.

Depois, Marcelo Melo e Bruno Soares derrotaram os irmãos Bryan, principais favoritos, também em sets diretos. Grande e importante vitória, que dá muita moral para a sequência do torneio. Os adversários nas oitavas são os italianos Bracciali e Starace.

Por último, o esperado duelo entre Bellucci e Ljubicic.

Desde o início, ficou claro que o croata entrou em quadra bastante desgastado fisicamente. Sua estratégia era cadenciar o jogo, tentando minar a paciência do brasileiro e quebrar o ritmo dos pontos com jogadas variadas.

Bellucci demonstrou certa ansiedade, normal pela oportunidade de ouro que se apresentava. Mas o importante foi que desta vez ele manteve a cabeça no lugar, não se assustou com alguns erros bobos que cometeu e com as chances que desperdiçou.

A vitória do primeiro set no tie-break foi crucial, pois Ljubicic, àquelas alturas, precisava muito arrancar na frente para se manter motivado e acreditando na vitória. O croata se pressionou e jogou um tie-break ruim, abrindo as portas da vitória para o brasileiro.

Empolgado, Bellucci já iniciou o segundo com uma quebra na frente, mostrando que a partida já estava controlada. O restante da partida foi mera formalidade, já estava mais do que claro que o brasileiro não deixaria mais a vitória escapar, e o croata não teria forças para reagir. Final, 7x6 6x2 6x4.

Agora, ele enfrenta ninguém menos do que Rafael Nadal, o grande favorito ao título. Um desafio do tamanho de Roland Garros. As chances dele são de uns 20%. Pequenas, é verdade, mas não desprezíveis.

O brasileiro terá de jogar tudo o que sabe, aguentar bem a disputa física e manter um foco e disciplina tática diferenciados. Afinal de contas, estamos falando do melhor jogador da história em quadras de saibro.

A degola de Fossati

Quem ouve rádio, assiste TV e lê jornais, tem a falsa impressão de que o uruguaio só cometeu equívocos nesses cinco meses em que ele dirigiu o Internacional. Não é bem assim.

Ele chegou em Porto Alegre com uma missão clara: vencer a Libertadores. Estava nas semifinais. Ponto. E não foi vencendo os Auroras e Caracas da vida que ele chegou lá, mas tirando simplesmente o campeão argentino e o campeão da América.

Pra mim, o que aconteceu com ele foi muito parecido com o que aconteceu com o Tite. Uma soma de fatores, incluindo alguns erros graves, determinaram a sua queda.

A insistência com Alecsandro é um sintoma claro de falta de comando de vestiário. A presença deste cidadão em campo não é justificável sob nenhum aspecto futebolístico. Aliás, desde que ele 'se adonou' da camisa nove, o Inter tem sido um festival de fracassos e inoperância ofensiva.

Erros cruciais da arbitragem também foram decisivos. O Inter foi severamente prejudicado nas três derrotas que teve no Brasileirão, assim como já ocorrera com Tite no ano passado - como é que ainda deixam o Heber Roberto Lopes apitar os jogos do Inter?

Por último, o comportamento altamente nocivo dos nossos comentaristas esportivos, que não por acaso são considerados os piores do Brasil por todos os técnicos que já passaram por aqui. Eles, sim, são unanimidade negativa.

O que eles fizeram com o uruguaio nos últimos dois meses não tem nome. Beira a irresponsabilidade, a covardia, pois além da tradicional falta de princípios morais e éticos, houve também muita falta de respeito para com a pessoa do treinador, um senhor de quase 60 anos.

Os dirigentes do Inter precisam aproveitar a ocasião para corrigir os próprios equívocos, que foram muitos.

É preciso limpar o vestiário, abrir espaço para os mais jovens, fazer duas ou três contratações pontuais (goleiro, zagueiro e atacante diferenciados) e, claro, trazer um técnico que esteja acima de qualquer suspeita.

Recompensa

28 de maio de 2010 1

Passei a manhã inteira na quadra e não consegui ver nada de Roland Garros. Logo que cheguei em casa, me enterei da difícil e importante vitória do Bellucci. Ganhou do espanhol Andujar no quinto set.

Não tenho certeza, mas acho que se trata da primeira vitória em cinco sets da carreira dele.

Analisando as parciais, percebe-se que Thomaz, mais uma vez, demorou um pouco pra encontrar o ritmo ideal. Levou 6x2 no terceiro set. Depois, colocou o coração na ponta da raquete, ganhou o quarto e atropelou o espanhol no quinto e decisivo set.

Certamente, ele não jogou seu melhor tênis, mas foi um bom competidor. Da mesma forma, se por um lado ele ainda demonstra uma certa instabilidade emocional em alguns momentos, por outro ele conseguiu ficar no jogo, lutou muito sempre. Foi recompensado com a vitória.

Agora, ele pega o croata Ljubicic. Macaco velho. Ljubicic deve estar desgastado por ter jogado cinco sets contra o americano Fish hoje. Thomaz tem a vantagem de ter jogado dois dos cinco sets ontem, mas para fazer valer o aspecto físico, ele terá de manter a cabeça no lugar e ser agressivo na dose certa.

O croata é pesadão, mas saca muito bem e sabe jogar. É jogo para ganhar nos detalhes.

O dia hoje foi cheio em Paris. Todos jogaram. A parte de cima da chave já está nas oitavas, sem surpresas. Alguns jogos prometem ser muito bons.

Federer pega o compatriota Wawrinka. Soderling, finalista do ano passado, encara o croata Cilic. Murray e Berdych duelam. A esperança dos franceses, Tsonga, recebe o vencedor de Youzhny e Troicki, jogo que foi interrompido por falta de luz natural e continua amanhã.

Embaixo, teremos os jogos da terceira rodada amanhã, com destaque para Bellucci x Ljubicic, Nadal x Hewitt e Djokovic x Hanescu.

Chuva e expectativa

27 de maio de 2010 1

Mais uma vez, a chuva atrapalhou a rodada. Dois jogos de segunda rodada que estava em andamento foram adiados para amanhã, por falta de luz natural. Muitos sequer começaram.

Um dos jogos interrompidos foi o de Thomaz Bellucci contra o espanhol Pablo Andujar, com o placar apontando um set para cada lado.

Andujar surpreendeu o brasileiro no início, apostando sempre na velocidade. O espanhol foi agressivo nos seus games de saque e atacou bastante o segundo saque do Thomaz, obtendo grande aproveitamento para arrancar na frente e vencer o primeiro set em 6x1.

No segundo set, Bellucci começou mais atento e correndo mais. Mesmo assim, ainda não estava conseguindo neutralizar a tática de Andujar. Suas bolas ainda estavam um pouco curtas. Mas o esforço já bastou para que o jogo ficasse bem mais equilibrado.

Quando já começava a escurecer, Bellucci conseguiu uma importantíssima quebra e sacou para fechar 6x3. Tudo ficou para amanhã. Tomara que o brasileiro aproveite o descanso para ajustar melhor os golpes e sua estratégia. O espanhol já deu mostras de que não tem plano B.

Demais jogos

Na chave de cima, tudo ok. Destaques para os principais cabeças de chave - Federer, Murray, Soderling e o local Tsonga estão na terceira rodada. Outro francês, Monfils, perdeu um jogo incrível para o italiano Fognini, depois de abrir dois sets a zero.

Na chave de baixo - onde está Bellucci -, apenas Roddick conseguiu terminar o jogo. Nadal, Djokovic, Verdasco e Ferrer ainda nem entraram em quadra.

Bons jogos

24 de maio de 2010 4

O tênis brasileiro foi bem na primeira rodada de Roland Garros. Foram três belas partidas, com uma vitória importante e duas derrotas 'bem peleadas' diante de adversários que eram realmente favoritos.

Infelizmente, não pude assistir os jogos na íntegra, apenas alguns pedaços aqui e ali. Portanto, só posso comentar aquilo que vi e, claro, os resultados.

Ontem, logo na abertura do torneio, Ricardo Mello fez boa partida diante de Marin Cilic, número 12 do mundo.

Depois de um começo ruim, ele conseguiu equilibrar o jogo. Venceu o segundo set e poderia ter levado também o terceiro. Com o placar em 3x3, Ricardo teve chances de quebra, mas não aproveitou. O croata cresceu, foi pra cima e matou o jogo, vencendo o quarto set com facilidade.

Hoje, foi a vez de Thiago Alves encarar o chileno Fernando Gonzalez, número treze do mundo e semifinalista no ano passado.

Gonzalez abriu 6x2 2x0, dando a impressão de que passaria por cima do brasileiro. Thiago não se assustou, ficou no jogo, venceu o segundo set e deu bastante trabalho ao chileno nos sets seguintes, mas não deu. 

Por último, Thomaz Bellucci entrou na tradicional quadra um do complexo para enfrentar o francês Michel Llodra. Uma partida que tinha tudo para ser complicada.

Mas o número um do Brasil fez uma partida praticamente perfeita e não deu nenhuma chance ao adversário, vencendo em sets diretos. Agora ele enfrenta o qualifier espanhol Pablo Andujar e tem uma bela oportunidade para avançar para a terceira rodada.

Nos demais jogos, destaques para as vitórias de Federer, Djokovic e Murray, que precisou de cinco sets para eliminar o francês Gasquet, no jogo mais esperado da primeira rodada. Amanhã é a vez do favorito Nadal entrar em quadra.

Pelo que pude acompanhar dos jogos, escolheram uma bola bastante rápida para o torneio deste ano. Isso quer dizer que, se o clima continuar bom, a quadra seca vai deixar o jogo bem veloz. Ruim para os espanhóis, bom para aqueles que gostam de atacar. O tênis, de certa forma, agradece.

Espaço vermelho

Com Roland Garros "bombando" e a Libertadores interrompida até julho, não pretendia escrever sobre futebol hoje. Mas não me senti representado em nenhum dos comentários que li e ouvi a respeito dos jogos do fim-de-semana.

Por exemplo, não vi nenhum comentarista dizer que os times gaúchos voltaram a ser prejudicados pelas arbitragens, em jogos que seriam difíceis de qualquer maneira. Enquanto isso, o Corinthians dispara na liderança, sempre com a ajuda do juiz.

Vejamos o jogo do Grêmio. O primeiro gol do Palmeiras foi acidental, Rodrigo escorregou. O segundo gol foi em impedimento clamoroso, daqueles que nem precisa ver o replay. Ainda teve um pênalti claro para o Grêmio que o juiz não marcou. 

Logo depois de empatar o jogo, o tricolor levou um gol de escanteio que foi fatal, pois já começavam a faltar pernas. Depois, ainda levou mais um, mas o resultado não diz o que foi o jogo.

Ontem, o Inter tinha uma missão ainda mais ingrata. Enfrentar o bom time do São Paulo, adversário na Libertadores, menos de três dias após a batalha de Quilmes. Jogadores ainda exaustos. O que fazer nessa situação? Uma verdadeira sinuca de bico para o técnico resolver.

Já o São Paulo estava descansado. Jogou na quarta, praticamente classificado e contra dez jogadores do Cruzeiro, pois Kleber foi expulso aos três minutos. Só administrou a vantagem.

Pois o "misto quente" do Inter jogou uma boa partida. Quando começava a se impor, a criar oportunidades, levou um gol absolutamente acidental. Um golpe duríssimo.

No segundo tempo, o São Paulo simplesmente não passava do meio campo, só especulava. Então, em uma de suas poucas tentativas de contragolpe, Sandro e Glaydson se chocaram, caíram, e a bola sobrou limpa para os dois sãopaulinos que estavam no lance. Gol de Fernandão.

Logo a seguir, Giuliano deu um corte seco no zagueiro dentro da área e levou um safanão no pescoço. Pênalti claríssimo não marcado. Claro que não. É proibido.

O Inter continuou insistindo, encurralou o São Paulo em sua área, mas Rogério Ceni estava inspirado e o gol não saiu. Derrota dolorosa. Mas quem viu o jogo, e não apenas o resultado, viu que o Inter jogou muito mais do que o São Paulo.

Liguei o rádio, coisa que geralmente não faço, só para ouvir os comentários pós-jogo. Esperava ouvir críticas destrutivas e não me decepcionei. Foi um verdadeiro massacre. Como se o Inter tivesse sido eliminado na primeira fase da Libertadores e estivesse prestes a ser rebaixado pra segundona.

O principal alvo, como sempre, é o técnico. No caso, Fossati. A crônica esportiva gaúcha declarou guerra ao uruguaio. Tudo porque ele andou dizendo que a imprensa daqui é destrutiva. Como assim? Quanta petulância.

Além de ser famoso, de ganhar uma fortuna, ainda ousa criticar os pobres jornalistas.

Resultados II

21 de maio de 2010 2

O Brasil terá três representantes na chave de simples em Roland Garros. São eles: Thomaz Bellucci, Ricardo Mello e Thiago Alves.

Bellucci é cabeça de chave e vai encarar na estréia o francês Michel Llodra. Partida difícil. Llodra é um tenista muito experiente e joga um tênis bastante agressivo, saca muito bem e sobe muito à rede. Normalmente, é jogo para quatro ou cinco sets.

Mello, por sua vez, volta a entrar direto na chave de um Grand-Slam depois de cinco anos tendo que disputar qualis. Ele desafia o número 12 do mundo, o croata Marin Cilic. Apesar da diferença de ranking e de nível, o brasileiro tem chances.

Cilic é um tenista que se apoia muito no saque e gosta de atacar batendo "reto" na bola, estilo que pode casar bem com o jogo de velocidade e contra-ataque de Mello.

Thiago Alves foi o único brasileiro a passar o duro quali. Depois de passar por Gaudio, ele eliminou hoje o croata Veic, em três sets, de virada. Na chave, seu adversário será o chileno Fernando Gonzalez, número 14 do mundo, mas que não vem jogando bem neste ano. Não é impossível derrotá-lo.

Nas duplas, uma boa notícia. Melo/Soares está na final do ATP de Nice. Chegam com um pouco mais de confiança para tentar um bom resultado em Paris.

Walter e Giuliano

Na quarta-feira, um amigo gremista perguntou o meu palpite para as decisões contra Santos e Estudiantes. Eu disse que apostava em 3x1 para o Santos e 2x1 para o Estudiantes. Ele achou que eu estava debochando da cara dele, mas estava sendo sincero. Não é que eu acertei na mosca?

O Grêmio poderia ter tido melhor sorte se tivesse marcado um gol nos primeiros 30 minutos, quando jogou melhor e teve oportunidades. Depois disso, só deu Santos, que marcou três golaços para se classificar. Desta vez, quem mexeu mal no time foi Silas, colocando em campo o veterano Leandro e o inútil William.

No duelo de 180 minutos, o Santos foi um pouco melhor do que o Grêmio, o que não é nenhum demérito, pois trata-se, indiscutivelmente, de um belo time de futebol.

Ontem, foi a vez da torcida colorada sofrer. E como. O problema do jogo, ao contrário do que dizem os comentaristas, não foi entrar em campo com três zagueiros. O duro foi entrar em campo sem nenhum atacante, no 3-6-0. 

Apesar de jogar com dez, o Inter até que fez uma boa partida, conseguiu controlar o ímpeto do Estudiantes, que pouco chutou a gol. Os dois gols sofridos foram lances fortuitos, de desatenção colorada e extrema felicidade dos argentinos. 

Mais uma vez, o gol salvador só veio no finalzinho do jogo, quando os garotos bons de bola Walter e Giuliano já estavam em campo. No duelo de 180 minutos, o Inter foi um pouquinho melhor do que o Estudiantes. Correu mais e buscou mais, tanto aqui como lá. O preparo físico fez a diferença.

Não concordo quando comparam esse time com o de 2006, apesar das coincidências. Aquele time sobrou na Libertadores, foi superior em todos os duelos, perdendo apenas um jogo, e na altitude de Quito. Esse time do Inter está mais parecido com o do Grêmio que foi finalista em 2007.

Aquele time tinha o inoperante Tuta no ataque, escapou várias vezes de ser eliminado e ganhou o apelido de "imortal", até levar 5x0 do Boca na final. É o que acontece com quem aposta na sorte.

Não podemos mais jogar com um a menos. A torcida deveria se mobilizar para pedir Walter e Giuliano no ataque.

Resultados

19 de maio de 2010 2

Começou ontem o duro qualifyng de Roland Garros, com a presença de seis brasileiros. Três deles venceram e seguem adiante.

Thiago Alves eliminou o alemão Meffert, aquele mesmo que ganhou o challenger de Curitiba há poucas semanas. Boa estréia. Agora ele encara o argentino Gaudio, ex-top 5 e campeão do torneio em 2004.

A partida é difícil, não apenas pelo currículo do adversário, mas porque Gaudio voltou a jogar um bom tênis, venceu um challenger há duas semanas. Mas, é claro, nada a ver com aquele de cinco, seis anos atrás.

Ricardo Hocevar também conseguiu uma boa vitória, mandando pra casa o espanhol Ivan Navarro. O próximo oponente é o tcheco Lojda. Um nome pouco conhecido, mas isso não quer dizer nada. Todos jogam bem em Roland Garros.

Em um duelo interessante, João Souza, o Feijão, venceu Prakash Amritraj - número dois da Índia e possível adversário na Davis - por 8x6 na negra, de virada. Se o cara foi capaz de complicar tanto assim no saibro, onde os indianos nunca ganham de ninguém, é porque se trata de um bom jogador.

Feijão pega agora o russo naturalizado cazaque Schukin, que na semana passada bateu Marcos Daniel na semi do challenger de Zagreb e ganhou o torneio. Um adversário experiente, mas irregular. Tem belos golpes, mas pouca paciência. Feijão pode vencer.

Marcos Daniel, Julio Silva e Caio Zampieri caíram na estréia. Silva foi eliminado pelo americano De Heart, Zampieri pelo australiano Milmann, ambos em sets diretos.

Já Daniel perdeu uma partida incrível, 17x15 na negra, para o americano Witten. Uma pena, pois o gaúcho vinha jogando bem e já passou o quali outras vezes, tinha boas chances.

Thomaz Bellucci e Ricardo Mello entraram direto e jogam só na semana que vem.

Aliás, Bellucci está jogando no ATP de Nice, onde não foi bem. Ele perdeu agora de manhã, na primeira rodada, para o argentino leonardo Mayer, em dois sets, e já começa a se preparar para o Grand-Slam francês.

Nadal, Federer e Walter

17 de maio de 2010 8

Depois de exatamente um ano, Roger Federer e Rafael Nadal voltaram a disputar uma final neste domingo. A expectativa era grande.

Foi justamente em Madrid que começou a reviravolta que marcou o ano de 2009. Na ocasião, Federer conseguiu derrubar Nadal em sua própria casa e arrancou rumo ao título em Roland Garros, recuperou o número um e quebrou os recordes de Sampras.

Da mesma forma, Nadal, que até então fazia uma temporada perfeita, passou a ter uma série de problemas, incluindo lesões, algumas derrotas contundentes, queda no ranking e uma seca de títulos que durou até abril deste ano.

As condições em Madrid, apesar da quadra ser de saibro, favorecem o jogo agressivo do suíço. Esperava-se, no mínimo, uma grande partida, com ambos tenistas usando todo o seu arsenal, com Federer tentando impor velocidade e variação, e Nadal buscando transformar a partida em uma disputa física e mental.

Infelizmente, não foi bem assim. O jogo foi de baixo nível, decepcionante.

Nadal entrou em quadra nervoso, jogando bem abaixo de seu padrão habitual. Pelo menos, fazia o seu jogo, tentando manter o número um o mais longe possível da quadra e explorando mais o seu revés.

Já Federer foi uma caricatura durante todo o primeiro set. Não correu, não atacou, não fez nada. Se limitou a trocar algumas bolas e arriscar de vez em quando. Parecia intimidado, e o que é ainda pior, parecia não ter plano de jogo algum. 

Nadal venceu por 6x4, um set onde ambos jogaram pouco e desperdiçaram muitas oportunidades de quebra.

No segundo set, Nadal seguiu mais ou menos igual, enquanto Federer melhorou um pouco. Passou a variar mais as jogadas e a subir à rede com maior frequência. Mas ainda não estava à vontade na quadra. Parecia preso, assim como Nadal.

Nadal esteve com um quebra na frente duas vezes, mas não aproveitou a vantagem. O set foi para o tie-break. Federer começou arriscando e abriu vantagem de 4x2, mas errou uma bola boba, baixou a cabeça e Nadal virou para fechar o jogo.

O match-point resumiu bem aquilo que foi o jogo. Federer sacou fraco, Nadal esperou a bola cair, devolveu uma rosca medrosa bem no meio da quadra, a bola quicou mal e enganou Federer que acabou errando em bola. Nadal mereceu a sorte e a vitória porque teve mais determinação e disciplina.

A menos que haja uma mudança radical de atitude por parte de Federer, não o vejo derrotando Nadal em Roland Garros, onde a quadra é bem mais lenta e a partida em melhor de cinco sets.

Espaço colorado

O Brasileirão começou do mesmo jeito de sempre. Resultados irregulares e arbitragens fracas, sem nenhum critério para resolver os lances duvidosos. Neste contexto, o Corinthians deve ser considerado o principal favorito. Tem um bom time, um técnico experiente, e a mídia favorável.

O Inter tem uma vantagem em relação ao ano passado. O técnico Fossati não leva desaforo pra casa, tem poder de indignação. Domingo passado, quando fomos prejudicados contra o Cruzeiro em pleno Beira-Rio, ele reclamou muito, chegando até a se irritar com um repórter mal-intencionado na coletiva pós jogo.

Ontem, o time reserva do Inter jogava melhor do que o fraquíssimo Goiás desde o início. Mas duas faltas inexistentes resultaram em um doloroso 2x0 abaixo. Fossati foi pra cima do juiz no intervalo. Exagerou e foi expulso, mas mostrou, mais uma vez, que está atento. Que "ninguém aqui é bobo".

No segundo tempo, o time foi pra cima, virou o jogo e poderia até ter aplicado uma goleada, não tivesse desperdiçado tantas oportunidades.  

Walter comprovou aquilo que a grande maioria dos colorados já sabia. Que ele tem que ser o centroavante titular. Resta saber quem seria o parceiro ideal. Giuliano ou Taison? Pra mim, Giuliano é mais completo.

Ou seja, para que Fossati conquiste de vez a torcida colorada só falta ele fazer algo que nem Tite, nem Mário Sérgio tiveram a coragem de fazer: colocar Alecsandro - um dos líderes do grupo desde o ano passado - no banco de reservas. E tem que ser já.

Decisão

15 de maio de 2010 3

Em Madrid, nenhuma novidade. Rafael Nadal, Roger Federer e outros dois espanhóis - David Ferrer e Nicolas Almagro - chegaram nas semifinais.

Nadal acabou de bater Almagro na negra, 4x6 6x2 6x2.

O placar já diz quase tudo. Almagro começou muito bem, mas não foi capaz de manter o nível. Abriu 4x1 com duas quebras no primeiro set. Nadal aumentou um pouco o ritmo. Almagro sentiu a pressão e sofreu para fechar. Se salvou com o saque.

Logo no início do segundo, o desafiante poderia ter conseguido uma importante quebra, mas Nadal manteve o saque e vibrou muito. Almagro, que já começava a chegar atrasado nas bolas e a forçar ainda mais as linhas, baixou um pouquinho a guarda e foi quebrado. A partir dali, só deu Nadal.

Agora ele espera o vencedor de Federer e Ferrer, que jogam daqui a pouco.

Federer conseguiu se vingar de Gulbis ontem em um belo jogo, 6x4 na negra, após perder o primeiro set. Já Ferrer tirou Murray, em dois sets duros, outro interessante e bem disputado duelo.

Federer se adapta muito bem às condições de Madrid. Além da altitude de mais de 600m, a quadra seca e um pouco escorregadia deixa o jogo bem rápido. As chances dele no torneio são boas, apesar da excelente forma de Ferrer e, principalmente, de Nadal.

Aliás, faz exatamente um ano que Federer e Nadal não se enfrentam. A última foi justamente na final de Madrid do ano passado, quando o suíço acabou com a invencibilidade  - e boa parte da confiança - do espanhol no saibro.

Pequena vantagem

Grêmio e Santos fizeram um duelo emocionante, de ótimos ataques e defesas frágeis. Foi um festival de oportunidades de gols, que poderia ter terminado 6x6, ou talvez 7x5 para o Grêmio.

Mais uma vez, o preparo físico gremista fez a diferença no segundo tempo. Os técnicos também. Enquanto Silas melhorou o seu time no decorrer do jogo, Dorival diminuiu o seu colocando o desastrado Rodrigo Mancha em campo.  

O Grêmio poderia ter aproveitado para enfiar um 5x2 definitivo, mas depois do quarto gol diminuiu o ritmo. Ganso e Robinho retomaram as rédeas do jogo, inventaram um golaço e mantiveram o Peixe bem vivo para o jogo de volta.

Já no Beira-Rio, uma história totalmente diferente.

Dois times experientes, bem armados, porém sem força no ataque. Foram raríssimas as ocasiões de gol, três ou quatro, todas do Inter. Parecia jogo de xadrez. Mas a partir dos 20 ou 25 minutos do segundo tempo, os argentinos pregaram e o Inter passou a tomar conta da partida. O gol salvador veio no finalzinho.

A vantagem colorada é boa, mas perigosa. O Estudiantes mostrou que tem qualidade e conhece bem o Inter. Eles marcaram implacavelmente o Kleber, o D´Alessandro e o Walter. Vai ser um sufoco, tanto em La Plata como na Vila Belmiro.

Aliás, acho que agora todos já perceberam o tamanho do abismo que separa Borges e Alecsandro.

Madrid

13 de maio de 2010 2

Nesta semana, os melhores do mundo voltam às quadras no Masters 1000 de Madrid. Federer e Nadal jogam. O grande desfalque é o número dois Djokovic. Roddick estava na chave, mas não jogou. Del Potro e Davydenko seguem fora de combate. Metade dos top-10 sofre com lesões.

Hoje serão realizados os jogos válidos pelas oitavas-de-final. Destaque para o duelo suíço entre Federer e Wawrinka. Nadal pega o americano Isner. Murray tenta embalar diante de Hanescu. Os espanhóis Ferrer e Verdasco seguem fazendo ótima campanha, assim como os jovens Gulbis e Cilic.

O brasileiro Thomaz Bellucci perdeu ontem na segunda rodada. Depois de vencer o espanhol Pere Riba na estréia, ele caiu diante do argentino Juan Monaco, em dois sets. Após defender o Brasil na Davis, ele viajou às pressas e não teve tempo para uma perfeita adaptação.

Outros brasileiros estão na Europa. Marcos Daniel tenta defender seu título no challenger de Zagreb e está na segunda rodada. Assim como Thiago Alves, que joga em Bordeaux. Alves foi finalista de um challenger na semana passada e também se aproxima do top-100.

Mudando um pouco de assunto, li ontem que a Índia deve escolher uma quadra dura para o confronto contra o Brasil, ao invés da tradicional grama. A justificativa é a de que o número um deles, Devvarman, prefere jogar neste tipo de superfície.

Se for assim, melhor pra nós. Neste caso, nossas chances de vitória subiriam, no mínimo, para uns 60%.

Índia

11 de maio de 2010 5

Depois da tranquila vitória sobre o Uruguai, todas as atenções se voltaram para o sorteio que definiu os confrontos válidos pela repescagem.

O Brasil tinha poucas chances de jogar em casa. Só receberíamos a Suíça de Federer e Wawrinka. Se o adversário fosse Israel, haveria sorteio. Contra todos os demais, o jogo seria mesmo fora de casa.

Dentro desta realidade, podemos considerar que o sorteio foi bom, já que a Índia está longe de ser uma potência tenística. Normalmente eles devem escolher a grama, historicamente a superfície favorita dos indianos, especialmente quando enfrentam algum país latino.

O ponto forte da equipe indiana é a dupla, formada pelos experientes e campeoníssimos Leander Paes e Mahesh Bhuphati. Sem dúvida, um ponto muito difícil de ser conquistado, mas não impossível. De qualquer forma, em tese, precisaríamos vencer três jogos de simples.

O número um indiano é Somdev Devvarman, 109 do mundo. Um tenista que é muito bom tecnicamente, mas ainda não conseguiu deslanchar no circuito. Foi campeão universitário nos EUA, mas não foi preparado para suportar a rotina e as pressões do circuito. Tem pouca experiência em Davis.

Mas não será fácil derrotá-lo diante de sua torcida em uma quadra de grama, principalmente no primeiro dia, quando ele enfrentará nosso número dois. 

O número dois da Índia é Prakash Amritraj, 266 da ATP. Um jogador que não tem o mesmo nível de seu companheiro de equipe, e nem dos adversários que terá de enfrentar no confronto. As nossas possibilidades de triunfo passam por duas vitórias contra Amritraj.

Colocando todos os ingredientes, eu diria que nossas chances são de 50%. Assim como nos dois confrontos do ano passado, contra Colômbia e Equador.

Além da melhor preparação em todos os sentidos, vamos precisar de uma boa dose de inspiração e, claro, de um pouco de sorte.

Contradição

Já que o assunto é Brasil, acabei de assistir a convocação da seleção brasileira de futebol. A lista dos 23 que vão à Copa não tem Ronaldinho Gaúcho, não tem a dupla Neymar/Ganso, não tem Adriano e nem o goleiro Victor.

Dunga mostrou, mais uma vez, que não tem medo de ninguém, e que age segundo suas próprias convicções. Está certíssimo. Cada brasileiro tem uma opinião diferente, mas só ele será crucificado se as coisas não derem certo. 

Já que a imprensa gosta tanto de culpar os técnicos pelas derrotas, ela deveria, ao menos, deixá-los trabalhar em paz. Ou seja, jornalistas são contraditórios. Cada hora querem uma coisa diferente, quando não querem tudo ao mesmo tempo.

Como deram a entender Dunga e Jorginho na entrevista de hoje, alguns não passam de terroristas com um microfone na mão.