O dia foi perfeito para o tênis brasileiro.
Tudo começou com as vitórias nas duplas. André Sá, jogando ao lado do australiano Huss, entrou em quadra primeiro. A nova parceria bateu os israelenses Erlich e Sela, em dois sets, se classificando para as oitavas.
Depois, Marcelo Melo e Bruno Soares derrotaram os irmãos Bryan, principais favoritos, também em sets diretos. Grande e importante vitória, que dá muita moral para a sequência do torneio. Os adversários nas oitavas são os italianos Bracciali e Starace.
Por último, o esperado duelo entre Bellucci e Ljubicic.
Desde o início, ficou claro que o croata entrou em quadra bastante desgastado fisicamente. Sua estratégia era cadenciar o jogo, tentando minar a paciência do brasileiro e quebrar o ritmo dos pontos com jogadas variadas.
Bellucci demonstrou certa ansiedade, normal pela oportunidade de ouro que se apresentava. Mas o importante foi que desta vez ele manteve a cabeça no lugar, não se assustou com alguns erros bobos que cometeu e com as chances que desperdiçou.
A vitória do primeiro set no tie-break foi crucial, pois Ljubicic, àquelas alturas, precisava muito arrancar na frente para se manter motivado e acreditando na vitória. O croata se pressionou e jogou um tie-break ruim, abrindo as portas da vitória para o brasileiro.
Empolgado, Bellucci já iniciou o segundo com uma quebra na frente, mostrando que a partida já estava controlada. O restante da partida foi mera formalidade, já estava mais do que claro que o brasileiro não deixaria mais a vitória escapar, e o croata não teria forças para reagir. Final, 7x6 6x2 6x4.
Agora, ele enfrenta ninguém menos do que Rafael Nadal, o grande favorito ao título. Um desafio do tamanho de Roland Garros. As chances dele são de uns 20%. Pequenas, é verdade, mas não desprezíveis.
O brasileiro terá de jogar tudo o que sabe, aguentar bem a disputa física e manter um foco e disciplina tática diferenciados. Afinal de contas, estamos falando do melhor jogador da história em quadras de saibro.
A degola de Fossati
Quem ouve rádio, assiste TV e lê jornais, tem a falsa impressão de que o uruguaio só cometeu equívocos nesses cinco meses em que ele dirigiu o Internacional. Não é bem assim.
Ele chegou em Porto Alegre com uma missão clara: vencer a Libertadores. Estava nas semifinais. Ponto. E não foi vencendo os Auroras e Caracas da vida que ele chegou lá, mas tirando simplesmente o campeão argentino e o campeão da América.
Pra mim, o que aconteceu com ele foi muito parecido com o que aconteceu com o Tite. Uma soma de fatores, incluindo alguns erros graves, determinaram a sua queda.
A insistência com Alecsandro é um sintoma claro de falta de comando de vestiário. A presença deste cidadão em campo não é justificável sob nenhum aspecto futebolístico. Aliás, desde que ele 'se adonou' da camisa nove, o Inter tem sido um festival de fracassos e inoperância ofensiva.
Erros cruciais da arbitragem também foram decisivos. O Inter foi severamente prejudicado nas três derrotas que teve no Brasileirão, assim como já ocorrera com Tite no ano passado - como é que ainda deixam o Heber Roberto Lopes apitar os jogos do Inter?
Por último, o comportamento altamente nocivo dos nossos comentaristas esportivos, que não por acaso são considerados os piores do Brasil por todos os técnicos que já passaram por aqui. Eles, sim, são unanimidade negativa.
O que eles fizeram com o uruguaio nos últimos dois meses não tem nome. Beira a irresponsabilidade, a covardia, pois além da tradicional falta de princípios morais e éticos, houve também muita falta de respeito para com a pessoa do treinador, um senhor de quase 60 anos.
Os dirigentes do Inter precisam aproveitar a ocasião para corrigir os próprios equívocos, que foram muitos.
É preciso limpar o vestiário, abrir espaço para os mais jovens, fazer duas ou três contratações pontuais (goleiro, zagueiro e atacante diferenciados) e, claro, trazer um técnico que esteja acima de qualquer suspeita.


