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Posts de junho 2010

Funil

30 de junho de 2010 1

As quartas-de-final costumam ser traiçoeiras, um verdadeiro perigo para os favoritos, pois aqueles que chegam entre os oito, de maneira geral, ou são cabeças-de-chave, ou derrubaram algum pelo caminho.

E se para os favoritos o título ainda parece uma luz distante no fim do túnel, para aqueles que não pensavam muito nisso ele já se tornou um sonho possível de ser realizado.

É assim que vejo o duelo entre Brasil e Holanda. Uma partida dificílima. Os holandeses não jogam o futebol vistoso de outras épocas, mas são extremamente competitivos. Cansaram de dar espetáculo e de voltar pra casa com as mãos abanando. Agora, só querem vencer.

Outro jogo que ninguém pode deixar de assistir é o clássico entre argentinos e alemães. Desta vez, vou de Alemanha. Desde criancinha. Está na hora de Maradona e Messi voltarem pra casa. Se passarem, nossos vizinhos vão crescer demais.

Uruguai e Gana têm uma oportunidade única de chegar entre os quatro. Vai ser uma briga daquelas. Não gostaria de ser o juiz deste jogo. A Espanha terá pela frente mais uma retranca, mas acho que vai passar. Os paraguaios já foram longe demais.

Wimbledon

Assim como em Roland Garros, as quartas-de-final foram o fim da linha para Roger Federer em Wimbledon. Desta vez, ele caiu diante de Tomaz Berdych em quatro sets. Uma derrota, de certa forma, previsível.

Federer não vinha fazendo uma grande temporada. Depois de vencer na Austrália, o suíço empacou. Enquanto isso, Berdych vem dando mostras de que percebeu que tem potencial para fazer muito mais do que vinha fazendo no circuito. Cuidado com ele.

Nos outros jogos, não houve surpresas. Djokovic passou em sets diretos pela grande zebra do torneio, o chinês Lu. Na chave de baixo, Murray só sofreu nos dois primeiros sets para despachar o francês Tsonga, enquanto Nadal voltou a derrotar Soderling sem grandes problemas. Os dois jogos foram em quatro sets.

Gostaria de ver Murray e Berdych na final, seria bom para o tênis. Mas acho que vai dar Djokovic e Nadal.

O olho humano

28 de junho de 2010 0

Depois da primeira rodada de jogos, fiz aqui um elogio às boas arbitragens da Copa - até então, os árbitros vinham bem.

Me precipitei redondamente, talvez por querer acreditar no improvável. Ou melhor dizendo, no impossível. A verdade é só uma: os árbitros vão errar cada vez mais. E cada vez mais, vão decidir jogos importantes. A tendência, querendo ou não, infelizmente, é essa.

O jogo está cada vez mais veloz. Os jogadores estão correndo cada vez mais, até a bola está mais rápida. O futebol movimenta bilhões - de pessoas e de dólares. Tudo está ficando rápido e importante demais para ser decidido pelo limitado, pressionado e desatento olho humano.

Nos jogos de ontem, dois erros grosseiros de arbitragem decidiram o destino de quatro seleções.

Primeiro, um emocionante e histórico 2x2 que se encaminhava no duelo entre Inglaterra e Alemanha acabou se tornando um inapelável 4x1. Que diferença. Os ingleses fizeram a sua melhor partida na Copa, mas estão voltando pra casa com uma goleada dolorosa no lombo.

Depois foi a vez do México, que vinha controlando o jogo bem como queria. Messi estava bem marcado, os argentinos nervosos. Os mexicanos tinham mais posse de bola e já haviam desperdiçado duas chances claras. Um erro mudou tudo. Em meia hora, o 0x0 virou 3x0. Deu pena dos mexicanos.

Devemos crucificar os árbitros e seus auxiliares? É claro que não. Isso seria o equivalente a querer tapar o sol com a peneira. O buraco é mais embaixo. Trata-se de um debate 'filosófico'.

Minha opinião é de que a Fifa - assim como todas as entidades - precisa usar a tecnologia a seu favor, a fim de garantir a lisura da competição. Bastaria o quarto árbitro ter um monitor e estar em constante comunicação com o juiz principal. Tudo se resolveria rapidamente, em questão de segundos.

Mas, por favor, não misturemos os erros desta Copa com aqueles que se tornaram rotina no Brasileirão. Não devemos colocar tudo no mesmo saco. Arbitragem incapaz é uma coisa, arbitragem tendenciosa é outra. São defeitos bem diferentes.

Oitavas

27 de junho de 2010 0

Cá entre nós, não há nada que seja mais espetacular do que a fase decisiva de uma Copa do Mundo. Ontem já tivemos uma amostra de como tudo muda a partir das oitavas.

O Uruguai entrou como favorito contra a Coréia do Sul. Começou mais ligado, achou um gol logo no início e controlou bem o jogo no primeiro tempo.

Mas os velozes coreanos voltaram para o segundo tempo com o pé no acelerador e sufocaram os nossos vizinhos. Até empatar o jogo. Depois disso, se acomodaram um pouco - talvez estivessem cansados de tanto correr - e permitiram que os uruguaios recuperassem o controle da partida. E aí, gol do Uruguai.

Os coreanos, assim como os japoneses, evoluíram muito - teve até coreano pedalando na ponta esquerda. Mas eles ainda não aprenderam a cadenciar o jogo. Só sabem jogar agressivamente, o que ninguém - nem mesmo eles - aguenta fazer durante 90 minutos.

Depois de 40 anos, o tradicional futebol uruguaio volta a estar nas quartas-de-final de uma Copa do Mundo. Seu próximo rival será o único representante dos africanos: Gana, que passou pelos EUA na prorrogação, em outra partida bem emocionante.

Se o Brasil chegar na semifinal, enfrentará Uruguai ou Gana. O caminho parece estar aberto, mas ainda tem muita coisa pela frente. Além do Chile, que é um time veloz e bem treinado, a sempre perigosa Holanda está à espreita.

Os jogos de hoje são imperdíveis. Alemanha e Inglaterra, além de já terem sido campeões mundiais, são rivais históricos. Simpatizo com as duas seleções e ainda não sei de que lado meu coração vai estar. Provavelmente com os ingleses.

Já a Argentina de Messi, Maradona e companhia pega o México. Ao contrário da maioria dos brasileiros, vou torcer para os argentinos. A Copa perderia boa parte de sua graça se eles fossem eliminados hoje. Ainda é cedo e tanto Maradona como Messi fariam muita falta.

Messi por ser, indiscutivelmente, o melhor jogador do mundo. E Dieguito por sua autenticidade, por não ter medo de se expor. Neste sentido, prefiro ele a Pelé. Pelé foi. Maradona ainda é. 

Pelé deixou de ser quando abandonou a seleção brasileira em 1973, às vésperas do mundial da Alemanha. Eu, que nasci naquele ano, não conheci o verdadeiro Pelé. Só o Édson. E o Édson nunca me interessou.

Wimbledon

Assim como a Copa, o torneio de tênis mais tradicional do mundo também está nas oitavas. E sem brasileiros, como já era de se esperar.

Thomaz Bellucci caiu ontem diante de Soderling, em sets diretos. O fato é que ele ainda não está no mesmo nível dos melhores do mundo, especialmente em pisos rápidos. Talvez um dia esteja. E a dupla de Melo e Soares também se despediu ontem, diante dos australianos Ball e Guccione.

Vamos aos confrontos, lembrando que hoje, conforme tradição, é dia de descanso, portanto, não há jogos - uma bobagem bem britânica.

Federer x Melzer: o melhor tenista da história escapou de perder na estréia, e está crescendo a cada rodada. Deve passar, apesar da boa fase do austríaco.

Berdych x Brands: o tcheco parece estar, finalmente, começando a acreditar no próprio potencial. O alemão eliminou Davydenko, mas acho que já foi longe demais.

Djokovic x Hewitt: pra mim, não há favoritos. É jogo para cinco sets.

Roddick x Lu: o chinês aproveitou bem a chave que se abriu com as derrotas de Cilic e Ljubicic na primeira rodada. Mas Roddick vem fazendo um bom torneio e deve seguir adiante.

Tsonga x Benneteau: pela irregularidade que é característica dos franceses, os clássicos costumam ser imprevisíveis, embora Tsonga seja bem mais jogador do que Benneteau.

Murray x Querrey: diminuído pela Copa, o torneio precisa muito que Murray siga vivo. Estou torcendo para que ele chegue, pelo menos, nas semifinais.

Soderling x Ferrer: o espanhol é encardido, mas sou mais Soderling.

Nadal x Mathieu: Nadal vem desgastado por duas vitórias no quinto set, onde ele mostrou dificuldades com a grama. Mas para o francês, que por sinal joga um belo tênis, pressão sempre foi sinônimo de sofrimento. Alguém ainda acredita nele?

Também não poderia deixar de lembrar que o americano John Isner, aquele que teve de jogar absurdas 11 horas para derrotar o francês Mahut, voltou à quadra no dia seguinte e, adivinhem, perdeu rapidinho. Ganhou só cinco games.

E tem gente que ainda defende o quinto set longo. É como uma partida de futebol só terminar quando sai um gol. Ou uma luta de boxe que só pode ser encerrada quando alguém cai duro, nocauteado. Viva a pré-história.

Museu

25 de junho de 2010 1

O brasileiro Thomaz Bellucci conseguiu uma importante e difícil vitória ontem e está na terceira rodada em Wimbledon. Ele venceu o austríaco Fischer por 6x7 7x6 7x6 6x2.

Depois de perder o primeiro set no tie-break, chegou a estar uma quebra atrás no segundo set. Situação tipicamente complicada. Mas ele reagiu bem e conseguiu dar a volta no jogo. São vitórias como essa que mostram a consistência de um jogador.

Cada vez mais perto do top-20, ele agora enfrenta o top-10 Robin Soderling. Nem é preciso dizer o quanto o jogo será difícil. Tomara que o brasileiro jogue agressivamente e obrigue o grandalhão sueco a se defender o máximo possível. Pra cima dele!

De resto, Nadal sofreu bastante para passar pelo holandês Haase. Venceu em cinco sets. Já Murray não teve problemas contra Niemenen.

E o vencedor da partida mais longa da história do tênis foi o americano Isner. 70x68 no quinto set, após mais de 11 horas de partida, se é que se pode chamar assim.

Copa

Depois da queda da França, ontem foi a vez da Itália dar adeus. Ou seja, os dois finalistas de 2006 já foram mandados de volta pra casa. Pra quem acompanha futebol, não chegou a ser uma grande surpresa. Das seleções mais tradicionais, Itália e França eram mesmo as piores.

Essa não foi a primeira nem a última vez que os defensores do título decepcionam. Pelo contrário, é muito comum isso acontecer. A França já havia decepcionado em 2002. O Brasil também fracassou em 2006. Agora foi a Itália.

Em comum, o fato de que as três seleções apostaram na experiência dos campeões, só que quatro anos mais velhos e de barriga quatro anos mais cheia. Por que? Porque se tornaram reféns, tanto dos resultados imediatos como dos 'heróis' das conquistas.

O esporte é dinâmico e é preciso estar sempre renovando nomes, conceitos e atitudes, mesmo após grandes conquistas. Quem vive de passado é museu.

Wimbledon, a Copa e a bola

23 de junho de 2010 1

Com a correria do dia-a-dia e a Copa do Mundo esquentando, ainda não consegui me concentrar em Wimbledon. Tenho assistido a alguns pontos aqui e ali, e só.

O favorito Roger Federer quase foi eliminado na estréia, e voltou a ter dificuldades hoje contra o sérvio Bozoliac - perdeu o segundo set -, mas está na terceira rodada. Vai ganhando confiança aos poucos.

Ainda na chave de cima, destaque também para as vitórias de Djokovic, de Melzer e Berdych - semifinalistas em Paris -, e dos ex-número um Hewitt e Roddick, que parecem estar em ótima forma e prontos para incomodar os favoritos.

Amanhã teremos os jogos da segunda rodada pela chave de baixo - a de Rafael Nadal, que joga contra o holandês Haase. Murray pega o finlandês Niemenen. Soderling encara o espanhol Granollers.

Após bater Ricardo Mello com autoridade, o brasileiro Thomaz Bellucci também joga por uma vaga na terceira rodada. Seu adversário será o qualifier austríaco Martin Fischer. Boas chances de seguir em frente.

Ainda sobre Wimbledon, agora há pouco li uma notícia que quase me fez cair da cadeira.

O jogo entre o americano John Isner e o francês Nicolas Mahut foi interrompido por falta de luz natural. O placar está 59x59 no quinto set. Isso mesmo, não me enganei. Conferi no site oficial.

O jogo já durou mais de 10 horas, sete delas apenas no quinto set. Vários recordes foram quebrados com sobras. Incrível. Espero que essa aberração sirva para que as pessoas vejam o absurdo que se tornou jogar cinco sets sem tie-break no quinto.

A Copa

Em Copas passadas, além de torcer para o Brasil, eu ainda secava os principais rivais, Argentina, Itália, Alemanha, Inglaterra, França, etc..

Desta vez, não. Sigo torcendo muito pelo Brasil, mas também simpatizo com a Argentina de Maradona e Messi, por exemplo. Quero que ganhem do México. Quero também que os valentes uruguaios passem pela Coréia.

Também torci para Inglaterra e Alemanha - que agora se enfrentam - não ficarem de fora na primeira fase. Não cheguei a ficar triste pelos franceses, mas gostaria que eles também tivessem classificado. Tomara que Itália e Espanha não me decepcionem.

Nesta Copa, desejo ver as melhores seleções se enfrentando nas finais. Não me perguntem por que. Sentimentos não se explicam.

A bola

Hoje de manhã tive o prazer de conhecer a Jabulani "pessoalmente", na escola onde faço estágio. Um dos alunos a comprou e, obviamente, foi com ela que eles jogaram o tradicional rachão. Aproveitei a ocasião para observá-la de perto e, claro, também brinquei um pouco.

Ela é mesmo bem diferente das outras bolas. A primeira coisa que chama à atenção é que ela quica muito alto e rápido, dificultando bastante o domínio. E seja no ar ou rolando no gramado, ela demora muito para desacelerar.

É um verdadeiro foguete, que não para em campo. O joguinho dos alunos conseguiu piorar.

Correria

21 de junho de 2010 1

Passei o fim de semana no Rio de Janeiro, jogando a 3ª etapa do Circuito Citibank de Masters. Meu parceiro foi o Fernando Roese e ganhamos o torneio.

Viajamos na sexta de manhã e à noite já enfrentamos o Saliola e o Julio Góes. No sábado, participamos do tradicional Pro-Am e no final da tarde jogamos a semifinal contra o Givaldo Barbosa e o Betão Jabali. A final foi ontem de manhã contra o mestre Thomaz Koch e o argentino Arnold.

Independente do resultado, é sempre um prazer participar destes eventos que são um encontro de diferentes gerações do tênis profissional brasileiro - ver o Thomaz Koch jogando tão bem aos 65 anos nos inspira a todos.

Depois da final, almoçamos no clube e fomos direto para o aeroporto do Galeão, onde assistimos o jogo do Brasil - por sinal, uma atuação consistente do time de Dunga. Depois, cada um pegou o seu avião. Cheguei em casa cansado, mas valeu a pena.

Wimbledon

Começou hoje a chave principal de Wimbledon. Marcos Daniel perdeu uma partida incrível para o turco Marcel Ilhan. Vencia por dois sets a zero, mas levou a virada. O favorito Federer fez o caminho inverso. Venceu o colombiano Falla no sufoco.

Mas o suíço não foi o único favorito que sofreu hoje. Davydenko bateu o sul africano Anderson por 9x7 no quinto set. E Djokovic teve sua partida interrompida quando perdia para o belga Rochus por dois sets a um. Amanhã tem mais.

Thomaz Bellucci e Ricardo Mello se enfrentam logo na primeira rodada. Que coincidência. Mas não gostei desse sorteio, penso que os dois poderiam avançar. Que vença o melhor. De resto, Nadal pega o japonês Nishikori e o local Murray terá pela frente o tcheco Hajek.

É Copa do Mundo, Wimbledon...

A Jabulani e a pressão

19 de junho de 2010 3

Em tempos de Copa do Mundo, impossível falar de outra coisa.

Ontem, Alemanha e Inglaterra tropeçaram feio. E os comentaristas continuam sendo surpreendidos pelos resultados irregulares. Buscam explicações e não encontram. Nunca vão encontrar. Então, começam a apelar. Fulano é ruim. Fulano amarelou. Fulano não tem estrela. Patético.

No Brasil, tem-se o mau hábito de desprezar os detalhes. A Jabulani, por exemplo. Mesmo os que trocaram a chuteira pelo microfone não estão dando a devida ênfase. O microfone deve causar algum tipo de amnésia, cegueira. Talvez seja o ambiente. Talvez seja só burrice mesmo. 

Vou tentar ajudar, porque as pessoas merecem um pouquinho de informação decente. Por menor e mais simples que seja.

Todos os nossos movimentos são divididos em três tipos: reflexos, automatismos e movimentos voluntários.

Reflexo, por exemplo, é quando encostamos a mão em uma panela quente e a tiramos imediatamente. Sem pensar. Uma reação absolutamente inconsciente, pois é executada pela medula, não pelo cérebro.

Bem diferente de um movimento voluntário.  Para escrever, chutar uma bola que está parada no meio da rua, ou pegar alguma coisa para comer, nós pensamos antes de fazer. Um movimento voluntário é, necessariamente, consciente.

Automatismos são os movimentos voluntários que, por terem sido repetidos tantas e tantas vezes, se tornaram automáticos. Por exemplo, andar. Não pensamos "vou colocar a perna direita, depois a esquerda, depois a direita...". Simplesmente andamos. Porque já o fizemos tanto que se tornou automático.

No esporte, quase todos os nossos movimentos são automáticos. Um tenista, ou um jogador de futebol, não tem tempo de raciocinar antes de cada jogada.

Antes de um saque, ou da cobrança de uma falta ou escanteio, ou seja, quando a "bola está parada", pensa-se um pouco. Mas só um pouco, pois geralmente estamos ofegantes e sob pressão. Quem já competiu em algum esporte sabe que é bem difícil organizar idéias nessas condições.

Agora, durante uma jogada em alta velocidade, não pensamos nada. Fazemos aquilo que está programado em nosso sistema. Ou seja, uma bola mais leve e mais rápida interfere em todos os automatismos de um jogador. Um jogador correndo a mil pela ponta não tem tempo de pensar "vou cruzar mais fraco porque é a Jabulani".

Imaginem agora um jogador da seleção inglesa.

A mídia daquele país é considerada a pior do planeta. Eles não chegam a uma final de Copa desde 66. Uma coisa, é obvio, tem muito a ver com a outra. A pressão sobre os jogadores é sempre monstruosa. Errar é proibido, pois os culpados das derrotas são sempre execrados, destruídos pela mídia.

Não gostaria de ser goleiro na Inglaterra. O que levou o frango contra os EUA, por exemplo, ficou abalado de tal maneira que o experiente técnico Capello se viu obrigado a tirá-lo do time. Aquele que entrou em seu lugar na partida de ontem é um veterano que tem até apelido: James Calamidade.

Os jogadores ingleses, acostumados a jogar desde pequenos com passes longos, cruzamentos e chutes de fora da área, não conseguem acertar um lançamento, cruzamento ou chute. Para eles, a Jabulani vai sempre mais longe e mais alta do que o desejado. Sob pressão, tudo fica ainda mais difícil.

Quem sofre menos com a bola mais leve? Jogadores que gostam de driblar, como Robinho e Messi, e aqueles times que jogam com passes mais curtos, como os sul-americanos.

Nem tudo, na vida, tem explicação. Mas é nosso dever sempre tentar encontrá-la.

Brasileiros em Wimbledon

17 de junho de 2010 1

Não sobrou nenhum brasileiro no quali de Wimbledon. Ontem, Thiago Alves, o único a vencer a primeira rodada, caiu diante de Gilles Muller em dois sets.

Nenhuma novidade em relação à péssima campanha dos brasileiros na grama. Além de termos pouquíssimas quadras de grama no Brasil - nunca vi uma de perto -, nossos jogadores costumam chegar em Wimbledon sempre de última hora, na correria, o que torna tudo mais complicado.

O buraco, no entanto, é um pouco mais embaixo. Como escrevi há alguns dias, a grama privilegia a técnica, quesito onde estamos - e sempre estivemos - mais atrasados em relação ao primeiro mundo.

Nossos jogadores costumam sair do juvenil cheios de pequenos defeitos, tanto nos golpes como na movimentação em quadra, algo que ocorre porque a grande maioria dos técnicos que trabalham na formação não têm qualidade para estar no tênis de alto rendimento. É simples assim.

Apesar das dificuldades, vale a torcida por nossos representantes. Thomaz Bellucci é cabeça-de-chave, o que geralmente significa uma chave um pouco mais acessível. Além disso, é canhoto, tem um belo saque, e sabe devolver agressivamente. Nada o impede de repetir a boa campanha que fez em Paris.

Ricardo Mello se adapta bem em pisos velozes, também poderá vencer um ou dois jogos, dependendo do sorteio. Já Daniel, especialista em saibro, tem poucas chances. Vai de sangue doce, sem nada a perder.

A dupla de Melo e Soares é sempre uma esperança. Eles ainda não conseguiram uma regularidade de bons resultados, mas vêm crescendo nas últimas semanas. Podem muito bem surpreender e fazer uma grande campanha.

Surpresas, pitacos, lições

Se o futebol africano tem sido decepcionante, os sul-americanos vão muito bem, obrigado. Poderemos ter os cinco representantes nas oitavas. A Argentina já se garantiu. O Uruguai está quase lá. O Brasil, salvo uma tragédia, também. Chile e Paraguai arrancaram bem e estão na briga.

Também merece destaque a boa qualidade das arbitragens. Depois do fiasco que foi a Copa de 2002, parece que a FIFA aprendeu a lição. É uma questão de credibilidade, algo que o campeonato brasileiro, por exemplo, perdeu em 2005 e ainda não conseguiu recuperar.

Por ironia do destino, os únicos prejudicados, até agora, foram os donos da casa na partida de ontem. O juiz marcou um pênalti e expulsou o goleiro em uma jogada em que o atacante uruguaio estava na banheira, e decidiu o jogo. Acontece. Nada a ver com o Brasil, onde os erros se repetem a cada rodada. 

Outro detalhe que tem chamado à atenção, mas não chega a surpreender, é a pobreza dos nossos comentaristas. Ontem, eles tiveram um dia particularmente ruim.

Logo no início do jogo entre uruguaios e sul africanos, o nosso Parreira, descontente com a postura de seu time, gritava e gesticulava muito na beira do campo, bem diferente daquela postura passiva que o marcou na Copa de 2006.

Segundo o comentarista do SporTV, essa diferença de postura se deve à "motivação". Imagine, caro leitor, um técnico brasileiro estar mais motivado para treinar os limitados bafanas à gloriosa seleção brasileira. Soa até como piada. E era um dos poucos comentaristas que ainda se esforça para acertar.

Na verdade, a diferença é que, em 2006, Parreira não tinha comando algum, os jogadores se escalavam e faziam o que queriam, tanto no campo como fora dele. Gritar pra quê?

Também choveram explicações ruins para o tropeço da favorita Espanha diante da Suíça. Alguns falaram em salto alto, outros em 'amarelada'. O velho reducionismo. O problema é que este filme já foi visto dezenas, centenas de vezes.

Times que jogam um futebol ofensivo, vistoso, sempre sofrem quando enfrentam um bom sistema de marcação e contra-ataque. É a lei da Copa e de todas as competições de 'mata-mata', onde a pressão está sempre em seu limite máximo.

Como bem disse Zico certa vez, a inesquecível seleção de 82 não se consagrou justamente porque jogou aquela Copa como se fosse uma disputa por pontos corridos. Bastou uma tarde infeliz  - e um adversário perigoso - para que ela tomasse o avião de volta com as mãos abanando.

Muitos brasileiros ainda não aprenderam - ou não querem aprender - aquela dolorosa lição.

Dureza

15 de junho de 2010 1

Os brasileiros não tiveram vida fácil no quali de Wimbledon.

O único a avançar para a segunda rodada foi Thiago Alves, que venceu outro brasileiro, Julio Silva. Thiago pega agora Gilles Muller, um rival experiente e especialista em pisos rápidos. Vai ser duro.

Hocevar, Feijão e Zampieri caíram na estréia. Três brasileiros já estão na chave: Thomaz Bellucci, que deve ser cabeça-de-chave, Ricardo Mello e Marcos Daniel.

Ali perto, no ATP de Eastbourne, o tênis brasileiro também marcou presença. Daniel perdeu na primeira do quali, mas a dupla de Melo e Soares começou com tudo, eliminando os principais favoritos Kubot e Marach.

Os perigos da Copa

Depois de um primeiro tempo sonolento, a seleção brasileira pisou no acelerador e definiu a vitória. Poderia ter feito o terceiro, mas acabou levando um gol bobo no fim. Mas o importante foi começar com vitória, o que deu ao Brasil a liderança do grupo, depois do empate sem gols entre Portugal e Costa do Marfim.

A situação não é tão simples como parece. Quando há três candidatos (Brasil, Portugal e Costa do Marfim) e um "peso morto" (Coréia do Norte), tudo se decide nos confrontos diretos, ou no saldo de gols. 

Ou seja, o Brasil segue proibido de perder, especialmente após a vitória magra de hoje. A Copa do Mundo é mesmo uma competição traiçoeira, basta um dia infeliz para que se volte antes pra casa. Todo cuidado é pouco.

Roth no Inter

O perfil de treinador que o Inter precisava no momento era esse mesmo. Alguém que tenha coragem de peitar os líderes do grupo, coloque a boleirada para trabalhar duro, e dê uma injeção de força e velocidade que o time tanto precisa.

Celso Roth me parece ter essas qualidades. O fato de ele ainda não ter títulos expressivos no currículo não quer dizer nada, pois creio que esta seja a primeira vez que ele recebe um plantel decente para trabalhar. Com o Grêmio, convenhamos, ele tirou leite de pedra e acabou sendo injustiçado.

Mas tem uma questão que, pra mim, é pontual, decisiva. Se Roth conseguir 'arrancar' Alecsandro do time titular, tem boas chances de dar certo no Inter. Caso contrário, ele deverá ter o mesmo destino de Tite e Fossati. 

Impressões

14 de junho de 2010 2

Acordei cedo ontem para ver a Copa, mas a partida da manhã era Eslovênia x Argélia. Mudei de canal despretensiosamente e encontrei a final do torneio de Halle entre Federer e Hewitt sendo transmitida ao vivo pela ESPN, ainda no início do jogo. Coisa linda.

Dois especialistas em grama, dois ex-número um. Se Federer tem seis títulos em Wimbledon, Hewitt tem dois. E a partida foi mesmo de altíssimo nível, bem equilibrada. 

O suíço venceu o primeiro set e teve o jogo nas mãos no final do segundo set, mas vacilou, perdeu o tie-break e viu o rival crescer e virar a partida. Hewitt mostrou que está em grande forma e promete incomodar em Wimbledon.

O outro ATP da semana, em Queen´s, na Inglaterra, teve a presença de Rafael Nadal que, curiosamente, estreou contra Marcos Daniel. O espanhol venceu bem o gaúcho, mas, na rodada seguinte já sofreu um bocado pra despachar Istomin. E acabou caindo nas quartas diante de Feliciano Lopez.

A final foi um duelo entre americanos. Querrey derrotou Fish em dois sets duros.

Nesta semana, não teremos nenhum top-10 disputando os torneios de Eastbourne e 's-Hertogenbosch. Os principais favoritos são, respectivamente, Almagro e Ljubicic.

Copa

De um modo geral, as seleções vêm mostrando que aprenderam a jogar a Copa do Mundo, uma competição onde é proibido perder. Os jogos têm sido de muita marcação e poucas situações de gol. 

As favoritas Argentina, Inglaterra e Alemanha justificaram o status. A Argentina de Maradona poderia ter enfiado uma sacola de gols na Nigéria, não fosse a grande atuação do goleiro nigeriano. Messi mostrou que será muito difícil pará-lo. O baixinho está endiabrado.

A Inglaterra enfrentou a boa seleção dos EUA, que já havia mostrado seu valor na Copa das Confederações do ano passado. Os ingleses têm organização, força física, velocidade e técnica. Não fosse o frangaço do goleiro, teriam saído com a vitória. Olho neles.

A Alemanha goleou a Austrália e jogou um futebol bonito, de passes rápidos e muita movimentação. É uma equipe jovem, disciplinada e certamente, vai dar muito trabalho. Como sempre, aliás.

A decepção, por enquanto, é o futebol africano. Depois de obter bons resultados nos anos 90, conquistando duas Olimpíadas consecutivas, esperava-se que eles chegassem à Copa africana com força. Nada disso. A única seleção africana que jogou direitinho até o momento foi a anfitriã África do Sul.

E a tal da Jabulani é mesmo tudo aquilo que disseram antes de começar a Copa: uma porcaria.