Cá entre nós, não há nada que seja mais espetacular do que a fase decisiva de uma Copa do Mundo. Ontem já tivemos uma amostra de como tudo muda a partir das oitavas.
O Uruguai entrou como favorito contra a Coréia do Sul. Começou mais ligado, achou um gol logo no início e controlou bem o jogo no primeiro tempo.
Mas os velozes coreanos voltaram para o segundo tempo com o pé no acelerador e sufocaram os nossos vizinhos. Até empatar o jogo. Depois disso, se acomodaram um pouco - talvez estivessem cansados de tanto correr - e permitiram que os uruguaios recuperassem o controle da partida. E aí, gol do Uruguai.
Os coreanos, assim como os japoneses, evoluíram muito - teve até coreano pedalando na ponta esquerda. Mas eles ainda não aprenderam a cadenciar o jogo. Só sabem jogar agressivamente, o que ninguém - nem mesmo eles - aguenta fazer durante 90 minutos.
Depois de 40 anos, o tradicional futebol uruguaio volta a estar nas quartas-de-final de uma Copa do Mundo. Seu próximo rival será o único representante dos africanos: Gana, que passou pelos EUA na prorrogação, em outra partida bem emocionante.
Se o Brasil chegar na semifinal, enfrentará Uruguai ou Gana. O caminho parece estar aberto, mas ainda tem muita coisa pela frente. Além do Chile, que é um time veloz e bem treinado, a sempre perigosa Holanda está à espreita.
Os jogos de hoje são imperdíveis. Alemanha e Inglaterra, além de já terem sido campeões mundiais, são rivais históricos. Simpatizo com as duas seleções e ainda não sei de que lado meu coração vai estar. Provavelmente com os ingleses.
Já a Argentina de Messi, Maradona e companhia pega o México. Ao contrário da maioria dos brasileiros, vou torcer para os argentinos. A Copa perderia boa parte de sua graça se eles fossem eliminados hoje. Ainda é cedo e tanto Maradona como Messi fariam muita falta.
Messi por ser, indiscutivelmente, o melhor jogador do mundo. E Dieguito por sua autenticidade, por não ter medo de se expor. Neste sentido, prefiro ele a Pelé. Pelé foi. Maradona ainda é.
Pelé deixou de ser quando abandonou a seleção brasileira em 1973, às vésperas do mundial da Alemanha. Eu, que nasci naquele ano, não conheci o verdadeiro Pelé. Só o Édson. E o Édson nunca me interessou.
Wimbledon
Assim como a Copa, o torneio de tênis mais tradicional do mundo também está nas oitavas. E sem brasileiros, como já era de se esperar.
Thomaz Bellucci caiu ontem diante de Soderling, em sets diretos. O fato é que ele ainda não está no mesmo nível dos melhores do mundo, especialmente em pisos rápidos. Talvez um dia esteja. E a dupla de Melo e Soares também se despediu ontem, diante dos australianos Ball e Guccione.
Vamos aos confrontos, lembrando que hoje, conforme tradição, é dia de descanso, portanto, não há jogos - uma bobagem bem britânica.
Federer x Melzer: o melhor tenista da história escapou de perder na estréia, e está crescendo a cada rodada. Deve passar, apesar da boa fase do austríaco.
Berdych x Brands: o tcheco parece estar, finalmente, começando a acreditar no próprio potencial. O alemão eliminou Davydenko, mas acho que já foi longe demais.
Djokovic x Hewitt: pra mim, não há favoritos. É jogo para cinco sets.
Roddick x Lu: o chinês aproveitou bem a chave que se abriu com as derrotas de Cilic e Ljubicic na primeira rodada. Mas Roddick vem fazendo um bom torneio e deve seguir adiante.
Tsonga x Benneteau: pela irregularidade que é característica dos franceses, os clássicos costumam ser imprevisíveis, embora Tsonga seja bem mais jogador do que Benneteau.
Murray x Querrey: diminuído pela Copa, o torneio precisa muito que Murray siga vivo. Estou torcendo para que ele chegue, pelo menos, nas semifinais.
Soderling x Ferrer: o espanhol é encardido, mas sou mais Soderling.
Nadal x Mathieu: Nadal vem desgastado por duas vitórias no quinto set, onde ele mostrou dificuldades com a grama. Mas para o francês, que por sinal joga um belo tênis, pressão sempre foi sinônimo de sofrimento. Alguém ainda acredita nele?
Também não poderia deixar de lembrar que o americano John Isner, aquele que teve de jogar absurdas 11 horas para derrotar o francês Mahut, voltou à quadra no dia seguinte e, adivinhem, perdeu rapidinho. Ganhou só cinco games.
E tem gente que ainda defende o quinto set longo. É como uma partida de futebol só terminar quando sai um gol. Ou uma luta de boxe que só pode ser encerrada quando alguém cai duro, nocauteado. Viva a pré-história.