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Posts de julho 2010

Rotina

26 de julho de 2010 1

Depois de três semanas acompanhando os atletas nos futures de Sorocaba, Guarulhos e Jundiaí, passo alguns dias em casa. Mas já no sábado devo estar indo para o challenger de Campos do Jordão, invadindo um pouco o período de aulas na faculdade.

Estar junto aos atletas nos torneios é sempre uma experiência altamente enriquecedora. Todos os dias se aprende alguma coisa, dentro e fora da quadra. É preciso estar sempre atento a tudo, alinhando teoria e prática.

Cada vez fica mais claro, pelo menos pra mim, o quanto as questões extra-quadra são importantes. Decisivas, eu diria. Especialmente em um país como o nosso, onde qualquer ambiente costuma ser prejudicial àqueles que têm pretensões um pouco maiores.

No caso do tênis brasileiro, muita coisa melhorou nos últimos anos. Temos um calendário repleto de torneios, onde já não se vê jogadores chegando bêbados no hotel ou entregando jogos. Hoje em dia, todos dormem cedo e lutam para vencer no dia seguinte. 

Tudo isso é necessário, mas não é suficiente. Infelizmente, falta algo. Ainda vejo poucos treinadores nos futures e pouca ambição por parte da grande maioria dos jogadores. Muitos só estão ali porque alguém está pagando a conta, e pouquíssimos trabalham realmente duro.

A boa fase do Inter

Celso Roth, mais uma vez, está mostrando competência em um início de trabalho. Os 100% de aproveitamento com duas vitórias fora de casa mostram, no mínimo, que o time está bem preparado fisicamente.

Mas as boa notícias não acabam aí. Tinga parece ter voltado ainda melhor da Europa, Taison recuperou sua velocidade e ímpeto, e Sóbis chegou para resolver o problema do ataque. Estive no Beira-Rio ontem e pude conferir tudo isso de perto.

Não me iludo com Alecsandro, embora continue torcendo para que ele comece a jogar, aos 29 anos, o que nunca jogou até agora. Ele me parece ser um sujeito esforçado, embora fale bem mais do que joga. Fez uma boa partida, contra o Galo, e só. Ainda está devendo, e muito.

A partida que realmente interessa aos colorados será nesta quarta-feira, contra o experiente e sempre perigoso São Paulo. Tanto Roth como Alecsandro têm uma oportunidade única, talvez a maior de suas carreiras. 

O técnico poderá se livrar para sempre dos injustos rótulos que tanto o incomodam. Já o centroavante terá a oportunidade de compensar, em uma única noite, tudo o que ele não fez nos últimos doze meses.

O futebol agradece

12 de julho de 2010 1

Escrevo de Guarulhos, onde sigo acompanhando os atletas do IT. O dia-a-dia, como sempre, tem sido corrido, com vitórias, derrotas, treinos e conversa. Mas consegui arranjar um tempinho para ver as finais da Copa.

Na Copa da Alemanha, a Itália havia sido campeã jogando um futebol feio, tipicamente italiano. Tanto que o símbolo da conquista acabou sendo o truculento zagueiro Materrazzi, que além de fazer gol na final, ainda provocou a derradeira expulsão de Zidane quando a França se acercava do gol da vitória. 

Desta vez, o 'anti-jogo' foi representado pela seleção da Holanda. Uma equipe um pouquinho melhor do que aquela Itália, mas que apelou para a violência e para as provocações quando teve que enfrentar equipes superiores, como Brasil e Espanha.

Contra o Brasil, eles tiveram muita sorte, pois contaram com um erro bisonho do nosso goleiro, o grande Julio Cesar, e do pavio curto de Felipe Melo. Ontem, na grande final, eles não foram felizes. Tiveram a bola do jogo, mas o goleiro espanhol Casillas salvou seu time em um momento chave.

A Espanha é uma campeã digna. Um time que joga pra frente, que comete poucas faltas e, principalmente, que joga coletivamente, onde todos atacam, defendem, se movimentam e evitam prender a bola - o futebol brasileiro tem muito a aprender com o espanhol.

Copa Davis

Se no futebol a Espanha chegou lá, no tênis eles levaram uma surra neste fim de semana. Desfalcados de Rafael Nadal, os atuais campeões levaram 5x0 da França fora de casa, em partida válida pelas quartas-de-final do Grupo Mundial da Copa Davis.

A Argentina foi até a Rússia e voltou com uma importante vitória por 3x2. O herói, mais uma vez, foi David Nalbandian, que bateu Davydenko, na sexta, e Youzhny, no domingo. Belo triunfo argentino.

No clássico da antiga Iugoslávia, a Sérvia venceu a Croácia fora de casa por 4x1. O número dois do mundo, Novak Djokovic, foi decisivo, vencendo suas duas partidas de simples, contra os bons Ljubicic e Cilic.

O Chile, desfalcado de Fernando Gonzalez, recebeu a República Tcheca e apanhou feio; Na sexta, Massu e Capdeville não viram a cor da bola. No sábado, Massu e Aguilar ganharam apenas um set.

Pelas semifinais, teremos França x Argentina e Sérvia x República Tcheca.

Nadal é campeão

04 de julho de 2010 0

Rafael Nadal conquistou Wimbledon pela segunda vez. Na final de hoje, ele derrotou Tomaz Berdych em sets diretos, parciais de 6x3 7x5 6x4.

Berdych fez uma belíssima campanha, mas hoje ficou devendo. Talvez por estar em sua primeira final de Grand-Slam, o tcheco esteve apático, intimidado. Não foi páreo para Nadal.

Com mais este título, o espanhol disparou na liderança do ranking. Com a queda nas quartas, Federer deverá cair para o terceiro lugar, sendo ultrapassado por Djokovic, semifinalista. Murray segue em quarto, e Berdych deverá subir para o oitavo lugar. 

Aproveitando que o semestre da faculdade terminou nesta semana, amanhã estarei viajando para me juntar aos atletas do Instituto Tênis nos torneios. Quando puder, passo aqui para fazer algum comentário.

Vou torcer para Uruguai e Espanha, mas acho que vai dar Alemanha e Holanda na final.

A final de Wimbledon

03 de julho de 2010 0

Depois de derrotar o favorito Federer nas quartas, Tomaz Berdych bateu o número três do mundo, Novak Djokovic, em sets diretos, e faz amanhã a sua primeira final de Grand-Slam.

O adversário do tcheco vai ser ele mesmo, Rafael Nadal, que passou pelo local Andy Murray, também sem perder sets. A final é muito boa. Mais uma vez, temos o número um do mundo, Nadal, contra um legítimo desafiante, Berdych.

Tenisticamente, até pela quadra de grama, Berdych leva vantagem. Saca muito melhor, tem uma devolução mais agressiva e golpes mais potentes. Mas Nadal é um jogador extremamente equilibrado em quadra. É preciso vencê-lo do primeiro ao último ponto, pois ele não dá nada de graça.

Sabendo disso tudo, a pergunta é só uma: estará Berdych física e mentalmente preparado para vencer Nadal em uma final de Grand-Slam? Amanhã saberemos.

No feminino, Serena Williams conquistou mais um título e ratificou sua condição de número um. As demais favoritas foram tropeçando pelo caminho e ela foi a única a sobreviver. Nas finais, sua força e experiência falaram mais alto e ela passou por cima da russa Zvonareva.

Copa

Logo depois da queda da seleção brasileira, Uruguai e Gana travaram um belíssimo duelo, onde, mais uma vez, os acidentes do jogo decidiram. Nossos vizinhos estiveram bem perto da derrota, a olharam nos olhos, mas ainda conseguiram escapar. Incrível. Agora, a Holanda que se cuide.

Hoje de manhã, a Alemanha mostrou todas as suas qualidades. Achou um gol no início e se segurou bem atrás, sempre levando muito perigo nos contra-ataques. Quando os argentinos começaram a cansar e a se atirar ao ataque, levaram uma sacola de gols. Estamos de alma lavada.

Depois, a Espanha, como era previsto, penou diante da boa marcação paraguaia. Os guaranis ainda tiveram um pênalti para entrar para história, mas, assim como os ganeses, perdoaram. Depois disso, os espanhóis cresceram, tomaram conta do jogo e chegaram ao gol.

No duelo entre europeus e sul-americanos pelas quartas-de-final, deu 3x0 para o velho continente.

Quem sabe não devêssemos ter a humildade de reconhecer que podemos aprender alguma coisa com eles, mesmo se tratando de futebol? Entre outras coisas, a valorizar menos o aspecto individual e mais o coletivo.

Aliás, todos os 'craques' da Copa decepcionaram. Um a um. Cristiano Ronaldo, Rooney, Kaká, Messi estão fora. Será apenas coincidência? Acho que não.

Quinze minutos fatais

02 de julho de 2010 5

O futebol não é uma ciência exata como muitos gostariam que fosse, mas também não é uma arte como insistem os mais românticos. Até pode ter um pouco de cada, mas futebol é esporte. E esporte é competição.

Podemos fazer tudo certo e perder, assim como também fazer tudo errado e vencer, pois do outro lado existe sempre um adversário com os seus objetivos, sonhos, virtudes e fraquezas.

Dentro desta disputa física, técnica, tática e mental, as emoções tanto podem ajudar como atrapalhar. Por isso, a palavra-chave é equilíbrio. O maior desafio do técnico é fazer com que os seus jogadores saibam equilibrar razão e emoção na dose certa. Mas depois que o jogo começa, é tudo com eles.

A seleção brasileira jogou uma grande partida durante 55 minutos. Marcou um gol cedo e amarrava o bom time da Holanda. Poderia ter ampliado o placar duas ou três vezes. Tudo parecia estar bem encaminhado para mais um tranquilo 2x0.

Mas aí veio o imponderável, aquele que ninguém pode prever ou controlar. Um instante fatal que, de repente, muda tudo em um piscar de olhos. Robben cavou mais uma falta. Todos, inclusive os jogadores, temeram pela expulsão de Michel Bastos, injustamente amarelado no final do primeiro tempo.

Em um cruzamento aparentemente despretensioso, Julio Cesar hesitou e gol contra de Felipe Melo. Um lance absolutamente acidental. O Brasil inteiro sentiu o golpe. Os jogadores também. Quem não sentiria? O brasileiro é um povo supersticioso.

O jogo ficou ainda mais truncado, nervoso, com muita marcação. Dez minutos depois, escanteio para a Holanda. E gol de Sneijder. De repente, o Brasil estava sendo eliminado por um adversário que não havia conseguido criar nada, sequer dado um chute decente a gol.

Cinco minutos depois, Felipe Melo perdeu a cabeça, pisou em Robben e foi expulso. O que já era difícil ficou quase impossível. Em pouco mais de quinze minutos, a vitória com bela atuação virou eliminação quase certa. Inacreditável.

Os jogadores, sentindo que não era o dia deles, se desesperaram. O capitão Lúcio virou atacante. Dunga mexeu mal, tirando Luis Fabiano. A experiente e determinada Holanda não deixaria mais a vitória escapar. Deu tudo errado para a seleção brasileira no segundo tempo.

Dunga cometeu erros? Provavelmente sim. Mas é preciso reconhecer também que ele acertou bem mais do que errou. E que os jogadores também fizeram sua parte. Se uniram em torno do título, lutaram muito o tempo inteiro, deram ao Brasil um belo exemplo de disciplina e comprometimento.

Talvez Dunga e seus rapazes até merecessem o hexa, por tudo o que sofreram e fizeram de bom pelo esporte brasileiro nos últimos quatro anos, razão pela qual ainda estou triste com a derrota. 

Por outro lado, o futebol brasileiro de Ricardo Teixeira e seus comparsas, de Galvão Bueno e seus discípulos, esse merecia mesmo perder. Precisamos evoluir muito para que em 2014 não sejamos protagonistas de um fiasco histórico.