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Posts de agosto 2010

Boas notícias

30 de agosto de 2010 0

As boas notícias começaram anteontem, quando Júlio Silva derrotou o francês Mahut em três sets duros e se classificou para disputar a chave principal do US Open.

Nunca canso de dizer que o Julinho, depois do Guga, é nosso melhor exemplo de que sempre vale a pena jogar tênis e tentar realizar o sonho de ser profissional.

Ele nunca foi ou será um jogador top, é verdade, mas, na proporção, ninguém chegou mais longe do que ele.

Hoje, já pela chave principal, outro veterano, Ricardo Mello, conseguiu uma boa vitória, derrotando o alemão Phau em quatro sets bem disputados. Pelo que li a respeito, foi um jogo cheio de alternativas e reviravoltas, típico de dois jogadores que devolvem bem mais do que sacam.

A seguir, foi a vez de Thomaz Bellucci começar o último Grand-Slam do ano com o pé direito. Sem jogar tudo o que sabe, ele derrotou o convidado americano Smyczek em sets diretos.

Amanhã, Júlio enfrenta o uruguaio Cuevas, um tenista bastante 'comum' em quadras rápidas. Se o brasileiro jogar o que jogou no quali, tem tudo para vencer.

Mello vai encarar o espanhol Ferrero, que além de toda a experiência de ex-número um do mundo, tem um estilo que o incomoda bastante. Mas, além de não estar em grande fase, o espanhol é outro que costuma cair bastante de nível nessa superfície. Tudo é possível.

Já Bellucci, aproveitando sua condição de cabeça-de-chave, segue como favorito na segunda rodada. Desta vez, no entanto, ele terá que jogar seu melhor tênis, pois vai enfrentar o perigoso sul-africano Anderson, que eliminou o indiano Devvarman sem grandes problemas. Vale a torcida.

Sorteio

27 de agosto de 2010 1

A chave principal do US Open já foi sorteada e os brasileiros não têm do que reclamar.

Bellucci pega o americano Tim Smiczek, 184 do mundo, tenista que recebeu um convite da organização. É claro que ranking não ganha jogo, mas o nosso número um tem tudo para arrancar com uma boa vitória.

Já Mello vai encarar o alemão Bjorn Phau, um veterano do circuito que tem um estilo semelhante ao seu. É baixo, rápido e contra ataca muito bem. É jogo para quatro ou cinco sets, mas por estar em boa fase - venceu o challenger de Salvador há uma semana -, o brasileiro entra em quadra com um leve favoritismo.

Além destes, mais dois brasileiros seguem na luta por um lugar na chave principal. Ricardo Hocevar e Julio Silva estão na terceira e última rodada e enfrentam, respectivamente, o americano Harrison e o francês Mahut.

Quanto aos favoritos, Federer terá pela frente o argentino Dabul, Nadal pega o russo Gabashvilli, enquanto Murray inicia a busca pelo seu primeiro título de Grand Slam contra o eslovaco Lacko.

'Aberto' dos EUA

24 de agosto de 2010 1

Depois da correria de Toronto e Cincinatti, todas as atenções já se voltam para a disputa do último Grand-Slam do ano, o US Open, e surge a mesma pergunta de sempre: qual o tenista a ser batido em Nova York?

Já há alguns anos, Federer e Nadal vem dividindo naturalmente o favoritismo dos principais torneios do mundo. Algo que é perfeitamente justificável, principalmente se levarmos em consideração que, nos últimos 25 torneios de Grand-Slam, em apenas três oportunidades o título não ficou com um deles.

As únicas exceções nesses - até agora seis - anos de hegemonia foram Safin (Austrália/2005), Djokovic (Austrália/ 2008), e Del Potro (US Open/2009).

E o mais interessante disso tudo é que já nos aproximamos do final da temporada 2010 e ainda não surgiu no horizonte um tenista que seja capaz de reunir todos os requisitos necessários para desafiá-los, o que apenas confirma o alto padrão de exigência que os dois estebeleceram.

Djokovic apareceu bem, mas seu rendimento caiu quando a pressão e as expectativas aumentaram. Depois veio Murray, outro que, até hoje, só conseguiu jogar tudo o que sabe quando se colocou na confortável posição de franco-atirador, o que não é suficiente para levar alguém ao topo do ranking.

No ano passado, Del Potro pintou como um possível candidato a número um, especialmente após o título do US Open, quando enfileirou Nadal e Federer nas finais. Mas os problemas físicos arruinaram sua temporada e sua ascensão. Ainda não voltou a jogar e deve demorar um pouco até que ele recupere o ritmo.

E agora? Pelo que se viu nas semanas anteriores, Nadal parece estar pouco à vontade nas quadras duras, mostrando não ser por acaso que ele jamais foi finalista em Nova York. Mas o espanhol já provou várias vezes que nunca devemos duvidar dele.

Federer vem de uma temporada ruim, melhorou um pouco nas últimas duas semanas - algo que já o coloca como o principal candidato ao título -, mas percebe-se claramente que ele já está um pouquinho mais lento e inseguro do que antes, algo que é perfeitamente natural.

Djokovic não consegue deslanchar e Murray ainda é uma incógnita. Veteranos de guerra como Roddick e Davydenko até poderiam surpreender, mas vêm de lesão e ainda não estão jogando bem. A Nalbandian não falta tênis, mas o argentino segue gordinho e falastrão.

Berdych e Soderling estão em ótima forma, mas decepcionaram nas finais de RG e Wimbledon e não se destacaram nos torneios preparatórios. Jovens como Gulbis e Cilic ainda não parecem estar maduros o suficiente, se é que um dia estarão. Alguém mais? Baghdatis? Fish? Tsonga?

A verdade é que o US Open nunca esteve tão 'aberto'. Tudo pode acontecer. Mas eu apostaria as minhas fichas em Federer ou Nadal, contra a minha vontade.

Brasileiros

Thomaz Bellucci joga nesta semana o ATP de New Haven, último torneio de preparação para o US Open. Ele é o cabeça dois e estréia hoje contra o eslovaco Lacko.

Outros cinco brasileiros já estão em Nova York para a disputa do quali, que também começa hoje. São eles: João Souza, Thiago Alves, Caio Zampieri, Ricardo Hocevar e Julio Silva.

Ricardo Mello e Bellucci já estão na chave principal. Mais uma vez, só dois. O tênis brasileiro ainda não evoluiu em 2010.

Caminho livre

22 de agosto de 2010 2

Depois do título na Austrália, em janeiro, Federer caiu de rendimento. Não ganhou mais nada, e ainda perdeu nas quartas em Roland Garros e Wimbledon. Resolveu, então, contratar um técnico. Finalmente.

Em Toronto ele já deu alguns sinais de melhora. Mesmo irregular, venceu Berdych e Djokovic 'no limite' e, visivelmente cansado, caiu diante de um inspirado Murray na final.

Nesta semana, em Cincinatti, está dando tudo certo para o suíço.

Enquanto Federer nem precisou jogar para chegar nas quartas - dois adversários desistiram por lesão -, Nadal e Murray, os principais rivais, passaram por sérias dificuldades nas rodadas iniciais.

Nadal teve que salvar match-point para despachar o francês Benneteau nas oitavas. Murray, que já havia jogado três sets contra Chardy na estréia, quase sucumbiu diante de Gulbis, vencendo por 7x6 na negra.

No esporte é assim: quanto mais alto o nível, mais os detalhes fazem a diferença. Nadal e Murray, desgastados, caíram juntos nas quartas, diante de Baghdatis e Fish, enquanto Federer fazia uma boa 'estréia' contra Davydenko.

Nas semifinais, Federer bateu Baghdatis com naturalidade, enquanto Fish venceu o clássico americano contra Roddick. A final será hoje à tarde. Apesar da boa campanha de Fish, Federer tem tudo para levantar seu primeiro troféu desde janeiro.

Brasil convocado

Nesta semana, o capitão João Zwetsch convocou a equipe brasileira que irá enfrentar a Índia em setembro.

Foram chamados Bellucci e Mello para as simples, Melo e Sá para as duplas, Alves para a reserva e o juvenil Clezar para completar os treinos.

É o que temos de melhor hoje e é uma equipe forte o suficiente para que tenhamos ótimas chances de voltar da Índia com uma grande vitória. Agora vai.

O fim e os meios, parte 2

19 de agosto de 2010 1

Agora há pouco, Celso Roth estava em um programa de TV. 

Perguntado sobre o que lhe passou pela cabeça quando deitou a cabeça no travesseiro ontem, o técnico mandou bem:

- O time para o jogo de domingo contra o Atlético-GO.... nossa vida é assim.

Pouco depois, o outro entrevistador disse que estranhava a postura comedida do campeão, uma vez que "seu crédito como treinador acabara de se tornar eterno".

O ex-azarado rebateu:

- Não estou atrás desse tipo de crédito, mas de trabalho, de confiança, de relações...

Eu sempre gostei do trabalho e do discurso do Roth. No ano passado, critiquei a postura covarde da imprensa e da direção do Grêmio, apesar de toda aquela confusão ter sido ótima para o Inter.

Tite, Mário Sérgio, e Fossati também foram importantes. Não no fim, é verdade, mas no longo trajeto. Sem a contribuição deles, ninguém estaria comemorando o bi da Libertadores.

O primeiro reestruturou o time, o segundo nos classificou para a Libertadores, o último nos colocou nas semifinais. Roth teve o mérito de saber aproveitar o bom trabalho deles e agregar o seu.

A conquista do Inter transcende o esporte. Ela é filosófica.

Mar vermelho

19 de agosto de 2010 8

O narrador metido a filósofo Galvão Bueno tentou aproveitar a conquista colorada para voltar a atacar o Dunga, repetindo as mesmas bobagens de sempre. O velho oportunismo barato.

Mas o tiro saiu pela culatra pois, como sempre, ele se esqueceu de alguns detalhes importantes.

Dunga não apenas é um grande colorado, mas também amigo pessoal de Celso Roth, outro rotulado de "rabugento, retranqueiro e perdedor" pela mídia.

Certamente, Dunga foi dormir feliz ontem, ao contrário do narrador, que reclamava de tudo no final da transmissão.

Além de não entender nada de esportes, Galvão é rancoroso e mal humorado. Joga sujo.

Aliás, muita gente acordou hoje com a língua queimada.

É campeão!!!

19 de agosto de 2010 1

Como é bom ser Colorado!!

Toronto/Cincinatti

17 de agosto de 2010 0

Sou contra a realização de dois torneios importantes em semanas consecutivas.

Penso que ninguém ganha com isso. Na temporada de saibro, felizmente, para o bem do tênis, isso já foi corrigido. Na gira norte-americana de quadras duras, no entanto, os interesses comerciais seguem falando mais alto do que os tenísticos. Uma pena.

Na semana passada, os melhores do mundo se reuniram para o tradicional Aberto do Canadá, em Toronto. Pra quem não sabe, Toronto e Montreal se revezam para sediar o evento. Neste ano, os homens jogaram em Toronto e as mulheres, em Montreal. No ano que vem, ocorre o inverso, e assim por diante.

Bellucci caiu logo na estréia diante do promissor Gulbis, em dois sets. Apesar do letão estar atrás do brasileiro no ranking, o resultado não chegou a surpreender. Se tivesse passado, Bellucci teria pela frente o Soderling. Chavezinha ruim, não só pela qualidade, mas também pelo estilo agressivo dos dois.

Nas semifinais, os quatro primeiros do ranking finalmente duelaram. Murray bateu Nadal com autoridade, enquanto Federer venceu uma verdadeira guerra de nervos contra Djokovic. Na final, Murray derrotou Federer ao natural, 7x5 7x5, aproveitando o desgate do suíço.

O britânico, que também ganhou o torneio em 2009, jogou um belo tênis, especialmente a partir das quartas. Como o problema dele sempre foi exatamente a irregularidade, não podemos concluir nada. Mas seria ótimo vê-lo, finalmente, dando aquele salto de qualidade que há muito se espera.

No mais, Nadal mostrou, mais uma vez, o quanto sofre para se adaptar às quadras duras. Quase perdeu para Kohlschreiber nas quartas e não foi páreo para Murray. Federer oscilou grandes e péssimos momentos, enquanto Djokovic foi o mesmo de sempre - falta-lhe equilíbrio emocional para brigar pelo número um.

Na abertura de Cincinatti, ontem, pude dar uma boa olhada no indiano Devvarman, ex-número um do tênis universitário americano, mas que ainda não conseguiu deslanchar no circuito profissional. Nosso próximo adversário na Davis me pareceu ser um tenista comum, consistente em todos os aspectos, mas sem nenhum golpe diferenciado.

Bellucci começou bem desta vez, ganhando do alemão Becker em dois sets duros. Hoje ele enfrenta o sempre perigoso Baghdatis, outro tenista que, assim como Gulbis, tem mais jogo do que ranking. Duelo difícil e interessante.

Apesar da loucura do calendário, a semana promete bons jogos.

O fim e os meios

13 de agosto de 2010 3

As pessoas confundem ambição com motivação. Não é a mesma coisa. Duas pessoas podem almejar o mesmo objetivo, mas por diferentes motivos.

Conheci uma porção de tenistas cuja motivação era ganhar muito dinheiro. Alguns conseguiram, a maioria não. Houve quem quisesse apenas um pouco de fama e sucesso com as mulheres. A maioria conseguiu.

Para os atletas realmente diferenciados, no entanto, o tênis é tudo, e não apenas um meio para se conseguir algo.

Alguém acha que campeões como Federer e Nadal jogam tênis por outros motivos que não sejam tenísticos? Não creio. Se fosse assim, eles já teriam perdido a motivação há muito tempo. O mesmo vale para Guga, que também chegou lá e só parou de jogar quando realmente não podia mais.

São as nossas motivações, e não nossa ambição, que definem quem realmente somos. São elas que nos guiam durante o trajeto e definem os meios que utilizaremos para alcançar os nossos objetivos. 

Um exemplo disso é a atual situação da dupla Gre-Nal. Os dois clubes têm - e sempre tiveram - ambições parecidas. Conquistar títulos. Ou seja, se o fim almejado é o mesmo, então o que, exatamente, os diferencia neste momento? 

Os meios. Enquanto o Inter é um clube que já há alguns anos está olhando para frente, para o futuro, o Grêmio segue perseguindo um passado que não existe mais - muita gente, parece mentira, ainda defende idéias que pertencem à época em que eram jovens e não havia Internet.

Não há fim que justifique os meios, pois são justamente os meios que fazem toda a diferença.

Realidade

10 de agosto de 2010 10

Deve ser dura a vida de comentarista de tênis, especialmente quando não há torneios importantes em andamento.

Só o tédio absoluto pode explicar a reação exagerada de alguns em relação ao que disse o nosso glorioso presidente. Segundo Lula, o tênis seria um "esporte de burguesia".

Além de ter sido engraçado, não vejo nada de errado. Embora pouca gente a use hoje em dia, não acho que a palavra 'burguesia' tenha um sentido pejorativo. Além disso, é preciso considerar que o presidente conversava com um menino aparentemente de origem humilde e, como sempre, se fazia entender muito bem.

No Brasil, uma simples raquete pode custar mais do que um salário mínimo (isso, sim, é triste) enquanto as bolinhas são as mais caras do mundo. E ainda há pouquíssimas quadras públicas, o que quase obriga o praticante a ser sócio de um clube ou alugar quadra em alguma academia, a 50 reais por hora.

E para aqueles que se contentam em ser apenas fãs, jogos de tênis só podem ser assistidos por quem possui TV a cabo. Alguém aí lembra quando foi a última vez que a Globo transmitiu tênis ao vivo? Talvez se o filho do Galvão jogasse tênis...  

Nosso único torneio de nível ATP é realizado na distante Costa do Sauípe, local turístico, de difícil acesso e onde tudo é caro. Ou seja, um evento que, teoricamente, deveria ajudar a popularizar e a alavancar o esporte, acaba sendo apenas para convidados, patrocinadores e afins.

No ano passado, alguém teve a idéia de trazer a musa pop-star Sharapova para o Brasil. Mas resolveram escondê-la em um sítio para que os nobres convidados (ou seriam burgueses?) pudessem 'babar' e beber à vontade, sem ser molestados - se eu não fosse brasileiro, eu não acreditaria nessa história.

Há uns dois anos atrás, fomos jogar a Davis em Sorocaba, um confronto de segunda divisão, o primeiro sem o Guga na equipe, e os organizadores tiveram a brilhante idéia de cobrar 300 reais por ingresso, o que fez com que metade das arquibancadas ficassem vazias e todos tivessem prejuízos. 

Precisa mais alguma coisa ou já está bom? Melhor parar por aqui. Infelizmente, nosso tênis sempre foi assim. Não exatamente burguês, mas elitista ao quadrado. 

Felizmente, as coisas já começaram a mudar. Aos poucos, bem lentamente, como tudo tem que ser no Brasil, para que aqueles que sempre se beneficiaram com o sistema possam se adaptar e continuar usufruindo.

Na Europa, a realidade é bem diferente. Lá, o tênis é o segundo esporte, atrás apenas do futebol. Quase todas as federações nacionais têm sua própria liga de clubes, e países como a França, Alemanha, Itália, Holanda, Suíça, Espanha têm um calendário repleto de torneios profissionais que são desvinculados da ATP.

Talvez seja por isso que um europeu nunca precisa abandonar a carreira por falta de estrutura ou dinheiro, e talvez também seja essa uma das razões que fazem com que nove dos top-10, 40 dos top-50 de hoje sejam europeus.

Nem sempre concordo com o Lula, mas desta vez ele mandou bem. Mesmo sem querer.