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Posts de outubro 2010

Daniel campeão em São Paulo

31 de outubro de 2010 2

Marcos Daniel derrotou Thomaz Bellucci, em três sets, e conquistou a etapa brasileira da Copa Petrobrás.

Por causa da chuva, a final não ocorreu no horário previsto e não foi transmitida pelo Sportv, de modo que não assisti o jogo. De qualquer maneira, o resultado não chega a surpreender, apesar da diferença de ranking.

O gaúcho tem um estilo que obriga o adversário a se movimentar bastante em quadra, pois gosta de abrir ângulos e variar as jogadas. Algo que incomoda o Thomaz, que prefere um jogo mais 'franco', onde ele tenta se impor pela potência dos seus golpes.

Estratégias à parte, Thomaz já havia se mostrado vulnerável e um tanto hesitante na semifinal contra Lindell, enquanto Daniel vinha fazendo uma bela campanha, chegando à final sem perder sets. O título ficou em boas mãos.

Futebol

A última rodada deixou ainda mais claro que a única luta que resta para o futebol gaúcho é a do Grêmio pela quarta vaga na Libertadores. Como já venho dizendo há tempos, o resto é pura ficção.

Mais do que os resultados, o que preocupa a nós, colorados, é ver que os problemas do time se repetem a cada jogo e não são solucionados.

A irregularidade de Renan, a lentidão da defesa, a falta de um jogador veloz do meio pra frente e, principalmente, a insistência com Alecsandro.

Já ficou claro, pelo menos pra mim, que trata-se de um sujeito sério, razoavelmente esclarecido, que com o tempo se tornou um dos líderes e porta vozes do grupo. Mas até que ponto isso justifica sua presença quase inútil em campo?

Foi exatamente por não ousar 'mexer no vespeiro' que Tite e Fossati, bons técnicos, acabaram naufragando. Roth está mostrando que apenas teve mais sorte do que eles.

Covardia

30 de outubro de 2010 8

Estão virando rotina as discussões 'acaloradas' entre profissionais do futebol e jornalistas depois dos jogos. O último episódio foi protagonizado pelo experiente e consagrado Felipão, que andou chamando alguns repórteres de 'palhaços'.

Quando este tipo de coisa acontece, o jornalista sempre se coloca na posição de vítima enquanto o 'agressor', invariavelmente, é detonado sem piedade pela imprensa de todo o país. O velho e ruim corporativismo.

Será que os técnicos estão sempre errados? Afinal de contas, Dunga, Felipão, Mano, Roth, Luxa, Leão, Muricy, Abel, Silas, Fossati, Joel, só pra citar os mais conhecidos, já tiveram problemas com repórteres. Uns mais, outros menos.

O problema é que ainda tem coisas que só acontecem no Brasil. Por exemplo, a presença maciça de repórteres dentro de campo seja antes, no intervalo, ou depois dos jogos. Na Europa, pra quem não sabe, isso não existe. É proibido. Será que nós é que estamos certos e eles, errados?

Antes de um jogo, os jogadores e o técnico não querem falar com ninguém, querem apenas canalizar seu foco e energia naquilo que tem de fazer em campo para derrotar o adversário, algo que deveria ser respeitado pela imprensa.

O intervalo dura cerca de quinze minutos. Já é pouquíssimo tempo para se fazer uma porção de coisas como hidratar-se, comer alguma coisa (frutas ou cereais), tomar uma ducha rápida, trocar de uniforme, conversar com o técnico e os companheiros, colocar a cabeça no lugar.

Porque esse curto e precioso tempo deveria ser desperdiçado dando entrevistas? Quem ganha com isso? Os torcedores ou a própria imprensa?

No final de um jogo, estão todos, obviamente, exaustos e atordoados. Quem ganhou está feliz, esbanjando euforia, mas quem perdeu está mal, de cabeça quente, quer ir correndo logo para o vestiário.

O fato é que ninguém está em condições de refletir, muito menos de se expressar sobre o que recém aconteceu em campo. O que fazem os repórteres, então?

Enfiam uma porção de microfones na boca justamente de quem perdeu - não deixam o profissional sequer respirar - e começam a disparar perguntas, muitas vezes maliciosas, agressivas, com a intenção clara de se aproveitar daquela vulnerabilidade momentânea para arrancar alguma 'frase polêmica'. E quase sempre conseguem.

É uma covardia que precisa, urgente, acabar, pois nem o futebol, nem os torcedores precisam disso. Negar essa necessidade significa incitar ainda mais o fanatismo e a violência que, aos poucos, estão tomando conta do meio.

Duelo nacional

Bellucci não fez uma boa partida, sofreu mais do que precisava, mas conseguiu derrotar o jovem Lindell, em três sets, de virada.

Mais uma vez, ficou claro o quanto o nosso número um precisa melhorar seu jogo de defesa. O sueco foi pra cima, jogou bem e poderia ter vencido, mas não foi capaz de manter a concentração e a intensidade até o fim.

Na outra semi, Marcos Daniel bateu o francês Devilder em dois sets duros. Final brasileira, hoje às 13.30 no Sportv2.

Brasileiro ou sueco?

29 de outubro de 2010 3

Thomaz Bellucci joga hoje as semifinais do challenger de São Paulo e ainda não perdeu sets no torneio. Mais do que isso, ele parece estar sobrando em quadra, algo que não chega a surpreender, dada a diferença de ranking que existe entre ele e os adversários.

O seu próximo adversário é o sueco-brasileiro Christian Lindell, de apenas 19 anos. Ou seria brasileiro-sueco? Seja como for, esta aí mais uma prova da nossa incompetência.

Filho de pai sueco e mãe brasileira, Lindell cresceu no Rio de Janeiro, mas parece que não ganhava de ninguém até os 16 anos. Não deram muita bola pra ele. Então, a federação sueca o acolheu, lhe deu apoio financeiro, orientação qualificada e o jovem começou a acreditar em si mesmo.

Agora que ele mostrou estar melhor preparado para o circuito profissional do que todos os nossos 'campeõezinhos' da idade dele, o tênis brasileiro o quer de volta. Parece que já estão fazendo propostas. Típico. O brasileiro é cético e oportunista, só acredita em quem já venceu.

Vi o garoto jogar pela primeira vez no ano passado, em um torneio aqui no RS. Ele já jogava pela Suécia. É alto, saca e devolve muito bem, não tem medo de atacar, e não se intimida diante de adversários melhores ranqueados. Resumindo, joga um tênis moderno e é bom competidor.

Se eu fosse o garoto, agradecia um por um a todos os 'tapinhas nas costas' que vem recebendo, mas continuava treinando na Suécia. Lá, seu futuro no tênis está praticamente garantido, depende só dele. Aqui, é sempre uma incógnita, não é à toa que somos os campeões em desperdiçar talentos esportivos.

De qualquer forma, acho que o Thomaz deverá passar pelo garoto sem grandes problemas. A outra semifinal do torneio reúne Marcos Daniel e o francês Nicolas Devilder. O gaúcho vem fazendo uma campanha sólida no torneio e agora enfrenta um adversário experiente, ex-top 60 que vem se recuperando de lesão. Aposto em uma final brasileira.

Parece que a Sportv vai transmitir o torneio a partir de hoje, dia das semifinais. Eu não disse?

Dois pesos, duas medidas

Ontem, os gremistas sentiram na carne aquilo que nós, colorados, já sabemos há muito tempo: Héber Roberto Lopes não é um bom árbitro.

Contudo, me chama à atenção o fato de que, desta vez, alguns comentaristas estão mostrando grande indignação, ao contrário das incontáveis vezes em que o Inter tem sido prejudicado, inclusive pelo mesmo árbitro.

Não há disfarce que dure para sempre.

Atraso esportivo

27 de outubro de 2010 4

Há dois belos eventos nesta semana que, por falta de transmissões, ninguém está podendo acompanhar.

O primeiro deles é, simplesmente, o Masters da WTA, as oito melhores tenistas do mundo em quadra realizando uma espécie de tira-teima. Torneio imperdível. O outro é a etapa brasileira da Copa Petrobrás, onde estão jogando os melhores tenistas do país, incluindo o top-30 Bellucci.

Não mostrar o Masters feminino revela, no mínimo, preconceito em relação ao tênis feminino. O velho machismo. Já o challenger de São Paulo é uma das poucas oportunidades que nossos tenistas têm de aparecer, algo que ajudaria a alavancar o esporte.

Andam dizendo por aí que o tênis é esporte de burguês. Por que será?

Na Argentina, por exemplo, torneios como esses estão sempre em evidência na TV e nos jornais. Muitas vezes são transmitidos em canais abertos, atingindo, assim, o grande público. Eles também são loucos por futebol, mas têm uma cultura esportiva que nós não temos.

Programas esportivos, no Brasil, são programas que falam de futebol o tempo inteiro. Uma conversa mole e interminável a respeito de um jogo. As páginas esportivas de nossos principais jornais seguem esta mesma 'filosofia'.

Esta aí a principal razão pela qual o nosso futebol tem um calendário tão irracional e desumano. A mídia precisa de duas rodadas por semana para ter assunto e alimentar tanto fanatismo - acho que nem é preciso falar da relação entre fanatismo e violência.

A verdade é que nossa crônica esportiva é liderada por gente oportunista, arrogante, parcial e autoritária. Uma espécie de fundamentalismo, onde é só futebol, futebol, futebol e futebol, com uma pequena pitada de automobilismo, modalidade que, por sinal, está em franca decadência.

Vôlei, basquete, tênis, natação, judô, e outros esportes simplesmente não existem para a crônica esportiva brasileira. E olha que vamos receber uma Olimpíada.

Será que vai haver alguma evolução até 2016? Ainda bem que existe a Internet.

Sem técnico

26 de outubro de 2010 6

Depois de falar algumas verdades que causaram alvoroço na comunidade tenística - algumas 'vacas sagradas' ficaram bastante ofendidas e jornalistas aproveitaram para colocar mais lenha na fogueira -, Bellucci anunciou o fim da parceria com o técnico João Zwetsch.

Não vou cair na vala comum daqueles que transformam tudo em drama. Pra mim, tanto faz se a decisão partiu de A ou B, pois o que realmente interessa aqui é o fato, suas causas e possíveis consequências.

As causas são conhecidas. O relacionamento entre um tenista profissional e seu técnico é complexo, massacrante, e dificilmente dura mais do que um ou dois anos.

Quando vemos parcerias duradouras e bem sucedidas como Guga-Larri ou Nadal-Tio Toni, é porque existe um vínculo afetivo muito forte, que está acima do lado profissional. Algo que só é possível quando o jogador cresce ao lado do técnico e este se torna uma espécie de 'segundo pai'.

Obviamente, não é o caso de Thomaz-João. O relacionamento deles começou quando o Thomaz já estava no top-100. Assim como o técnico anterior, Léo Azevedo, João pegou o bonde andando e deu continuidade. Fez um bom trabalho. O resto é conversa pra boi dormir.

Nestes casos, o técnico se torna refém dos resultados - assim como os treinadores de futebol -, e o fato é que eles tiveram um péssimo segundo semestre. Além da má campanha no circuito, a triste derrota em Chennai, certamente, só piorou o clima entre eles.

Para a carreira de Bellucci, não muda muita coisa. Ele está acostumado a trocar de técnico e ainda tem muitos anos pela frente. Seja lá quem venha a trabalhar com ele na próxima temporada, também não deverá durar mais do que um ou dois anos no 'cargo'.

Posso afirmar que, de todos os tenistas que passaram por mim nos últimos quatro anos, Thomaz foi, sem dúvida, o mais fácil de se trabalhar. Tem boa formação cultural, sabe escutar, não tem medo de trabalhar duro, joga limpo, aprende as coisas rápido. Não foi à toa que ele chegou onde chegou, e em tão pouco tempo.

Mas agora o buraco é bem mais embaixo e ele sabe disso. Para chegar onde ainda não chegou, ele terá de mudar algumas atitudes, rever conceitos. Se eu fosse o Larri, daria uma chance pra ele, pelo bem do tênis brasileiro. Um ano de contrato, rumo ao top-10.

Gre-Nal é Gre-Nal

24 de outubro de 2010 5

O Grêmio precisava ganhar de qualquer maneira para seguir alimentando o sonho. O Inter, com a cabeça no Mundial, só não queria perder. Os gremistas, eufóricos, tomaram conta das ruas, dos bares, das arquibancadas. Os colorados estavam desconfiados, e com razão.

Nos primeiros 15 minutos do jogo, o Inter mostrou um futebol digno de Campeão da América. Tocou a bola e colocou o Grêmio na roda em pleno Olímpico. Mas foi só. Depois disso, o jogo ficou feio, truncado. O Grêmio corria mais, ganhava todas as divididas e levava algum perigo.

Então, em uma cobrança de falta lateral, Renan hesitou e André Lima cabeceou a bola pra dentro. Levamos mais um gol bobo, de bola parada. E o jogo mudou completamente.

Do momento do gol do Grêmio, até mais ou menos uns 15 do segundo tempo, foi um verdadeiro filme de terror para os colorados. Poderíamos ter levado uma sacola de gols. O 1x0 estava baratíssimo.

Quando o Grêmio baixou um pouco o ritmo, Sóbis - que havia entrado no intervalo - e D´Alessandro se acharam em campo e começaram a jogar. O Inter cavou escanteios seguidos. Em um deles, Índio cabeceou e Rochemback meteu a mão na bola. Pênalti e expulsão.

Alecsandro, que ainda não havia feito absolutamente nada no jogo, bateu forte, bem no meio do gol. A bola chegou a raspar na perna de Victor, mas entrou. Ufa.

Quando pensamos que o jogo finalmente seria nosso, levamos mais um gol. Por sinal, um bonito gol de Fábio Santos, fruto de uma jogada bem trabalhada. Não deu pra acreditar. Ainda faltavam 20 minutos. O Grêmio recuou completamente, mas o Inter não conseguia pressionar.

Eis que, de repente, surgiu o jogador diferenciado. D´Alessandro dominou, virou e chutou de fora da área. Golaço e tudo igual outra vez. Ainda dava tempo de fazer mais um - os gremistas estavam pregados em campo -, mas o empate já estava de bom tamanho. Para o Inter.

Para o Grêmio, o empate em casa foi ruim, uma ducha de água fria, pois a vitória consagradora que o levaria diretamente ao G-4 escapou por entre os dedos.

Declarações

23 de outubro de 2010 5

Muita gente reclama, e com razão, que os atletas de hoje pensam duas, três, quatro vezes antes de emitir opinião sobre qualquer assunto. Que só abrem a boca para dizer o óbvio.

Mas quando alguém vai lá e resolve falar o que pensa, acaba sendo sempre aquele 'Deus nos acuda', especialmente quando aquilo que foi dito foge um pouco do padrão 'conversa pra boi dormir' que a imprensa costuma passar adiante.

Bellucci declarou ontem que o grande problema do nosso tênis é que temos - e sempre tivemos - pouquíssimos técnicos de qualidade. E que isso ocorre, basicamente, porque a grande maioria dos ex-jogadores prefere seguir outros caminhos depois que pendura as raquetes.

Antes de mais nada, eu penso que toda opinião deve, ou deveria, ser respeitada, seja ela de quem for. Escrevo isso porque temos a mania de julgar os outros. Quando não concordamos com a opinião de alguém, ao invés de buscar argumentos, tentamos desqualificar o autor.

Depois, não acredito que as críticas feitas pelo Thomaz tenham sido direcionadas para atingir este ou aquele 'medalhão', mas penso que elas englobam o tênis brasileiro de um modo geral e nossa precária cultura tenística.

Por último, concordo com ele. Enquanto capitão, cansei de dizer à CBT que a verba dos Correios deveria ser melhor utilizada, que não adianta nada dar dinheiro pra jogador sem investir na formação de técnicos de alto nível.

Alguns anos depois e muito dinheiro gasto, é fácil constatar que não houve um progresso real e significativo dos nossos jogadores no ranking da ATP. O marketing venceu.

Como ex-jogador e técnico, procuro fazer a minha parte. Nos últimos quatro anos, vários atletas passaram por mim, seja na Davis ou através do IT, e com quase todos mantenho um ótimo relacionamento. Quem estava disposto a aprender, aprendeu alguma coisa comigo.

Além disso, me formo em Educação Física no final deste ano - razão pela qual não tenho viajado muito - e, a partir de 2011, vou me dedicar à formação de tenistas de alto nível. Vou até me mudar para São Paulo, algo que nunca esteve nos meus planos.

Baixo nível

22 de outubro de 2010 3

Falta pouco mais de uma semana para as eleições e a baixaria, definitivamente, tomou conta da campanha.

Dizem que o Brasil é 'o país do futuro'. Pode ser. Mas quando se trata de qualquer tipo de competição, parece que gostamos mesmo é de um bom vale tudo.

Dos três candidatos a presidente que realmente foram levados à sério, a já derrotada Marina era a única que parecia, de alguma forma, estar representando o futuro.

Enganam-se aqueles que imaginam que o sistema se resume ao governo. O sistema é um conjunto de forças do qual o governo faz parte, querendo ou não. Marina critica o sistema como um todo, ao contrário dos adversários, que fazem promessas sem saber se poderão cumprí-las.

Dilma é o presente, a continuidade do governo atual. Se ela for eleita - e tudo indica que será -, o 'Lulismo' vai continuar. Para o bem e para o mal.

Já o Serra, apesar do discurso, tem cara de passado. É um FHC bastante piorado que parece não ter evoluído nada desde a derrota em 2002. Apenas ficou mais velho, carrancudo e desesperado.

Os métodos que sua turma vem utilizando para convencer as pessoas a votarem nele são exatamente os mesmos que elegeram o Collor, há mais de 20 anos.

Quem não lembra de uma ex-mulher do Lula sendo 'contratada' às vésperas das eleições para difamá-lo? Ou dos sequestradores sendo presos vestindo a camisa do PT?

Serra só não foi liquidado já no primeiro turno porque a grande mídia brasileira, assim como em 1989, não está economizando esforços.

A mídia permanece agarrada no passado por um motivo tão simples quanto banal: o mundo está mudando e ela não quer largar o osso de jeito nenhum, o que causa uma espécie de 'medo do futuro'.

Gre-Nal é Gre-Nal

Não lembro quem foi o autor desta expressão, mas ela continua valendo. No entanto, de um modo geral, vence quem joga melhor, assim como em qualquer outra partida.

O Grêmio vive um melhor momento e joga em casa, mas o time do Inter é, sim, tecnicamente superior e duvido que vá jogar com o desleixo dos últimos jogos. Portanto, fica difícil de apontar favoritos desta vez.

Como a grande maioria dos colorados, eu gostaria de ver Giuliano e Sóbis juntos no ataque. Os dois são inteligentes, rápidos, habilidosos e goleadores.

Mas, infelizmente, parece que vamos continuar dependendo da sorte.

Expectativas

20 de outubro de 2010 0

Não deu para o Bellucci ontem. Ele foi derrotado por James Blake em três sets, na primeira rodada do ATP de Estocolmo.

As dificuldades que o número um do Brasil está tendo são normais. É sempre complicado lidar com expectativas, especialmente as dos outros. Levar muita gente 'na carona' significa receber um monte de tapinhas nas costas quando se ganha, mas quando se perde os 'tapinhas' viram pancadas.

Não é fácil ser atleta de ponta no Brasil. Tudo é exagerado. A vitória é um ato de heroísmo, a derrota é uma tragédia. Cada mau resultado faz com que a pressão aumente e a confiança diminua, e a maioria das partidas vêm lhe escapando nos detalhes, por entre os dedos.

Thomaz ainda é jovem, nem completou 23 anos. Tudo aconteceu muito rápido na carreira dele. Há pouco mais de três anos, ele estava fora do top-500 e poucos sabiam que ele existia. Talvez ele precise refletir um pouco sobre tudo isso e focar mais no trabalho, menos no resto.

A volta do G-4

Fantando apenas oito rodadas para o final, o Brasileirão ganhou um novo tempero com a volta da quarta vaga para a Libertadores.

Para Inter, Santos, Cruzeiro e, acredito, Fluminense, essa mudança não deverá significar muita coisa. Já para o Corinthians em crise, trata-se de um verdadeiro alívio, pois o G-3 estava ficando realmente a perigo.

Para aqueles times que andavam um pouco 'desmotivados', em uma espécie de limbo da tabela, como Botafogo, Atlético/PR, São Paulo e Palmeiras, a mudança surgiu como uma luz de esperança no fim do túnel.

O Grêmio é um caso à parte, pois já vinha jogando muito bem, confiante e sem pressão desde o início do returno, quando conseguiu ganhar duas partidas seguidas e se livrou de qualquer ameaça de rebaixamento.

A Libertadores, que até anteontem era mais ficção do que realidade, com a volta do G-4 se tornou uma cobrança, uma quase obsessão, pois a frustração seria enorme se depois de tantas reviravoltas o tricolor terminasse o ano sem poder dar o troco no Inter em 2011.

Resta saber, portanto, como cada time irá reagir a essa mudança radical de expectativas. Eu diria que no domingo começa uma espécie de 'terceiro turno' do Brasileirão.

Indoors

19 de outubro de 2010 0

Recém terminada a gira asiática, os indoors europeus já começaram. Pra quem não está familiarizado com o termo, são os torneios disputados em quadras cobertas.

A temporada tem quatro semanas. Estão em andamento Estocolmo e Moscou. A semana que vem traz Lyon, St. Petersburg e Viena. A seguir, Basel e Valência. E por último, o 'prato principal', o Masters de Paris.

Bellucci estréia hoje em Estocolmo contra o americano James Blake, um ex-top 10 em franca decadência no circuito, que precisou de um convite para poder jogar o evento. Mas engana-se quem espera um jogo fácil.

Na semana que vem, ao invés de permanecer jogando com os 'tops' na Europa, o número um do Brasil anunciou que voltará para o challenger de São Paulo, evento organizado pela mesma empresa que o agencia. Alguns estão questionando a escolha, e com toda a razão.

É óbvio que essa decisão de prestigiar o evento paulista tem tudo a ver com outras questões e pouco ou nada a ver com tênis, algo que não chega a surpreender se tratando de Brasil.

Afinal de contas, segundo o glorioso Galvão Bueno, ícone cultural do nosso esporte, "quem paga as contas tem mais é que mandar mesmo".