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Posts de novembro 2010

O Barcelona e a evolução do futebol

30 de novembro de 2010 13

Ainda bem que existe o Barcelona para contrariar tudo aquilo que pregam os nossos 'especialistas' e para provar que existe, sim, uma maneira correta de se fazer as coisas no futebol.

Ontem, antes do clássico entre o Barça e o Real, li uma matéria no site da Globo que, pra variar, falava em 'cifras mirabolantes', reduzindo todo o sucesso futebolístico dos dois times ao seu poderio financeiro.

É óbvio que, sem muito dinheiro, não se faz nada em esporte nenhum, especialmente no futebol atual, mas é um erro grotesco pensar que a vida é um cifrão. Pior ainda é sair afirmando isso aos quatro ventos como se fosse a 'verdade do universo'. Além de nociva, esta é uma idéia superada.

Aliás, nunca é demais lembrar o que aconteceu com os clubes que, incentivados pela mídia, apostaram tudo na parceria com a ISL. Além de terem ido parar na segundona, estão pagando as contas até hoje. Ou seja, não é bem assim que as coisas funcionam.

Da mesma forma, falar sobre a necessidade de uma gestão profissional e competente, de se traçar boas estratégias de marketing para gerar recursos, hoje em dia, é refletir sobre o óbvio. Todos já sabem disso, mesmo no Brasil, onde a maioria dos clubes ainda são mal administrados.

Pra começar, é preciso dizer que Barcelona e Real Madrid, apesar da rivalidade histórica, são clubes completamente diferentes, que pensam o futebol de maneiras quase opostas. Diferenças que vêm se acentuando nos últimos anos e desequilibrando a balança a favor do Barça.

Enquanto o Real, considerado o principal clube de futebol do século passado, aposta tudo em 'nomes' como Kaká, Cristiano Ronaldo e o técnico Mourinho, o Barça - grande vencedor deste início de século - acredita em uma filosofia de trabalho, em uma cultura de futebol.

Para se ter uma idéia, no clássico de ontem, o Barça entrou em campo com nada menos do que oito jogadores oriundos das categorias de base - entre eles o argentino Messi. Eu disse oito de onze! O próprio técnico, Pep Guardiola, é prata da casa.

Ou seja, a filosofia do Barcelona é a de manter no time, no elenco, e na instituição o maior número possível de pessoas identificadas com o clube e sua cultura de futebol. Assim, ao invés de fazer contratações 'por atacado', contrata-se apenas para suprir alguma deficiência específica.

Outro ponto importante: ao contrário da grande maioria dos clubes, o Barça se recusa a servir de 'asilo para veteranos', sejam craques ou não. Quando o jogador, seja ele quem for, começa a dar sinais claros de decadência física ou falta de motivacão, é imediatamente passado adiante.

Foi assim com Romário e, mais recentemente, com o Ronaldinho Gaúcho. Quando eles começaram a fazer mais festas do que gols, foram vendidos, ainda a peso de ouro, política que acaba abrindo um importante espaço para os jovens que estão em ascensão.

Por último, o time catalão aposta em uma maneira clara e específica de jogar futebol: o futebol coletivo, também chamado de 'futebol total', onde todos devem atacar e defender com qualidade. No Barça não existe mais espaço para o zagueirão tosco, o centroavante paradão, muito menos o craque individualista.

Quem realmente acompanha o futebol mundial e assiste os jogos do Barcelona com frequência não chegou a se surpreender totalmente com os 5x0 - fora o baile - de ontem. Afinal, o Barça de hoje representa justamente a evolução do futebol, um exemplo que deveria ser seguido por todos os clubes do planeta.

Bom para o tênis

29 de novembro de 2010 1

Passei o dia em São Paulo ontem, participando do Itaú Pro-Am, evento de confraternização que contou com a presença de tenistas profissionais, jornalistas e empresários.

Saí de casa às 5 da matina e só cheguei lá pelas 9 da noite, de modo que não deu pra assistir nada da grande e esperada final entre Nadal e Federer no Masters de Londres. Aliás, fiquei sabendo que a Sportv não mostrou o jogo ao vivo, só depois. Essa Sportv...

O placar de 6x3 3x6 6x1 mostra que Federer conseguiu se impor tecnicamente o suficiente para não ter de depender dos chamados 'pontos decisivos', onde Nadal é extremamente eficiente e costuma fazer a diferença a seu favor.

De qualquer forma, considero a vitória de Federer muito boa para o tênis, pois não gosto de grandes 'supremacias'. Por causa de nossa pobreza cultural, costumamos interpretar os fatos de maneira reducionista e exagerada.

E a verdade é que Federer e Nadal, apesar de terem natureza e formação distintas, são dois grandes exemplos do quão complexo o esporte se tornou. Não é à toa que um é suíço e o outro espanhol, dois países que, culturalmente, estão vários oceanos à nossa frente.

Em maior ou menor grau, os dois tenistas são uma combinação de talentos (sempre no plural), auto determinação e, principalmente, trabalhos muito bem realizados desde o início de suas carreiras.

Nadal x Federer

27 de novembro de 2010 0

Os dois melhores tenistas do mundo estão na grande final do Masters de Londres. Nadal bateu Murray em três sets da melhor qualidade. A seguir, Federer deu uma aula de tênis em Djokovic.

A partida entre Nadal e Murray foi extremamente equilibrada, disputada ponto a ponto, quase sempre com longas trocas de bola no fundo da quadra. Os dois jogaram demais e o placar de 7x6 3x6 7x6 diz tudo. Nadal foi um pouquinho melhor nas horas decisivas.

A outra semifinal foi bem diferente. Federer conseguiu impor seu melhor tênis desde o início, teve um pequeno momento de descuido no início do segundo set, mas conseguiu se recuperar. Final de jogo, 6x1 6x4. A Djokovic só restou aplaudir o adversário.

Depois de uma longa espera de quase dois anos, finalmente teremos um Federer x Nadal na decisão de um grande torneio. Ótimo para o tênis, melhor ainda para quem sabe apreciá-lo.

Semifinais do Masters de Londres

27 de novembro de 2010 1

Nenhuma novidade em Londres. O desfecho do Grupo A também seguiu a cartilha do ranking, e Nadal e Djokovic estão na semifinais.

A rodada começou com o duelo entre Nadal e Berdych. O número um precisava de apenas um set, enquanto para o tcheco só a vitória interessava.

O primeiro set foi nervoso e bem disputado. Berdych foi agressivo e incomodou bastante. Nadal passou por algumas situações complicadas, chegou a discutir com o árbitro, mas conseguiu levar o set para o tie-break, onde o tcheco deixou bastante a desejar, errou demais.

Já classificado, o espanhol aproveitou para soltar mais o braço no segundo set, enquanto Berdych, aos poucos, perdia intensidade. A partida já estava no papo. Nadal em primeiro, Berdych eliminado.

A vitória de Nadal em sets diretos fez com que o segundo jogo do dia ganhasse uma importância ainda maior, uma vez que agora bastaria Roddick vencer em dois sets para se classificar. Difícil, mas não impossível.

Mas não teve jeito. O americano gastou mesmo tudo naquela primeira partida contra Nadal, onde esteve muito perto da vitória e a deixou escapar. Djokovic acabou rapidamente com o suspense, ganhando o primeiro set com facilidade. Depois, foi só manter o embalo.

As semifinais de hoje trazem Nadal x Murray às 12h, Federer x Djokovic às 18h. O favoritismo não poderia deixar de ser de Nadal e Federer, até pelo que se viu até agora no torneio, mas é preciso lembrar que eles estarão diante de rivais que já os derrotaram várias vezes.

Só posso esperar que, a partir de agora, tenhamos um torneio de verdade. Com jogos emocionantes e resultados imprevisíveis.

Federer, Murray na semi

26 de novembro de 2010 0

Ao contrário das edições anteriores, o Masters deste ano está seguindo a lógica do ranking de uma maneira incrível, assustadora até.

Ontem foi apenas mais um dia que não trouxe nenhuma novidade neste sentido. Primeiro, Federer confirmou o liderança do grupo vencendo Soderling e, a seguir, Murray não tomou conhecimento de Ferrer, tudo em dois sets.

Federer até que teve trabalho no primeiro set. Saiu na frente, mas permitiu a reação do sueco, que teve as suas chances, mas não soube aproveitar. Precisando de apenas um set para confirmar o primeiro lugar, o suíço esteve irregular, mas conseguiu vencer no tie-break.

Soderling ainda tentou reagir no início do segundo, mas voltou a desperdiçar oportunidades e murchou. Federer fez apenas o básico para liquidar o jogo, um placar que já deixou Soderling sem quaisquer chances de se classificar.

Então, tudo ficou fácil para Murray. Bastava fazer um jogo mais ou menos equilibrado, podendo até perder em dois sets para Ferrer, para se classificar. Era tudo o que ele queria, jogar sem pressão. E não deixou por menos. Em uma hora de jogo, ele passou por cima do espanhol.

De quebra, Murray garantiu a recuperação do quarto lugar no ranking que havia perdido justamente para Soderling há duas semanas. E cuidado com ele nas semis, especialmente se Nadal confirmar o primeiro lugar do Grupo A - vai gostar de ser azarão assim lá na Escócia.

Hoje tem Nadal x Berdych às 12h, Djokovic x Roddick às 6 da tarde. Será que a rodada nos reserva alguma surpresa? Ou, pelo menos, um pouco mais de emoção? Ou será que Nadal e Djokovic vencerão em sets diretos? Logo saberemos.

Ataque colorado

Eu escalaria Giuliano e Sóbis. Além de ter sido, simplesmente, o goleador do time na Libertadores, Giuliano é um jogador inteligente, de muita precisão. Damião também seria uma opção válida, pois é muito alto, forte fisicamente e tem faro de gol.

Mas, ao que tudo indica, parece que vamos seguir contrariando todas as leis da natureza e todos os princípios do futebol, e seguir com Alecsandro, para o desespero total e absoluto da grande maioria dos colorados que assistem todos os jogos e já viram o que tinham que ver.

Alecsandro, por sinal, deu uma entrevista esclarecedora ontem. Falou em 'confiança da direção' e 'lei da atração', contando que alguém sonhou que ele faria o gol do título. Aí está. Vamos apostar tudo na sorte, em outro gol de Gabiru. Sofrimento à vista.

Nadal embala, Felipão sofre

25 de novembro de 2010 3

Mais um dia de jogos no Masters de Londres, mais um dia em que os favoritos venceram.

Pelo Grupo A, Nadal bateu Djokovic e encaminhou uma vaga na semifinal, enquanto Berdych derrotou Roddick. Os dois jogos foram bem parecidos, com um primeiro set bem disputado e outro nem tanto.

Berdych se impôs sobre Roddick tecnicamente. Se o americano é um dos grandes sacadores do circuito, o tcheco não fica muito atrás. E em todos os demais aspectos, Berdych leva vantagem. Devolve melhor, joga mais perto da linha, tem os golpes mais limpos.

Roddick equilibrou o jogo enquanto pôde, mas baixou a cabeça quando perdeu o primeiro set, indício de que aquela dolorosa derrota para Nadal na estréia ainda não foi digerida por completo.

Já na partida de fundo, Djokovic partiu para o ataque, impondo velocidade ao jogo e atacando o segundo saque de Nadal. Mas, desta vez, o espanhol estava mais esperto, aguentou firme. Nadal até chegou a quebrar primeiro, mas levou o troco logo em seguida.

O primeiro set seguiu equilibrado, mas Nadal foi mais competente na hora H. A partir dali, o sérvio não foi mais o mesmo. Perdeu completamente a convicção e a intensidade que havia mostrado no início, se tornando presa fácil.

Por sua vez, o espanhol fez uma bela partida, cometeu poucos erros e parece ter embalado de vez, o que é muito bom para o torneio. O tênis precisa de Nadal. Mas agora, cuidado com ele.

Assim como Federer, Nadal só precisa vencer um set contra Berdych para se garantir na semifinal. Se perder em dois, terá de torcer para Roddick fazer o crime diante de Djokovic, algo improvável, mas não impossível.

Djokovic também só depende de si. Ganhando em sets diretos, está dentro. Se perder um set ou a partida, terá de torcer por Nadal. Já Berdych precisa ganhar de qualquer jeito, de preferência em dois sets, e ainda torcer para que Roddick ganhe pelo menos um set de Djoko.

E Roddick ainda tem uma pequena chance: vencer em dois sets e torcer para que Nadal também não perca nenhum set diante de Berdych. Resumindo: assim como no Grupo B, tudo pode acontecer.

Hoje tem Federer x Soderling ao meio-dia, Murray x Ferrer às 18h, valendo duas vagas na semifinal.

Técnico ganha jogo?

De um lado, o grande Palmeiras, jogando em casa, estádio lotado, e ainda com a vantagem do empate. No ataque, Kléber, o gladiador. No banco, Felipão, o técnico mais vitorioso do futebol brasileiro atual.

Do outro, o Goiás, recém rebaixado para segunda divisão. No ataque, Rafael Moura, que por não ter tido uma boa passagem pelo Corinthians costuma ser ridicularizado pela imprensa, apesar de ser bom jogador. No banco, o desconhecido Arthur Neto.

O Palmeiras saiu na frente e poderia ter liquidado o jogo no primeiro tempo. Não só não o fez como ainda levou o empate no último minuto. A tragédia começava a se desenhar.

No segundo tempo, mais pressão dos paulistas. Kleber perdeu gol feito. Faltando dez minutos, em um lance que começou com um chutão, um zagueiro do Palmeiras errou a bola, se armou uma jogada de linha de fundo, gol do Goiás. E boa noite, amor. O futebol é mesmo danado.

Bom para os gremistas, que viam na figura de seu ex-ídolo Felipão uma ameaça terrível ao sonho de chegar na Libertadores e agora devem estar aliviados. Quem disse que técnico ganha jogo?

Federer quase lá

24 de novembro de 2010 0

Em jogos válidos pelo Grupo B, Federer bateu Murray em dois sets e encaminhou a sua classificação às semifinais. Mais tarde, Soderling derrotou Ferrer, também em sets diretos, e deixou o espanhol praticamente sem chances de classificação.

O tão esperado duelo entre Federer e Murray acabou sendo uma decepção. O suíço foi superior do início ao fim. Ganhou bem o primeiro set e abriu logo 4x0 no segundo, acabando com quaisquer expectativas de que haveria um pouco de emoção na partida.

Decepção sim, surpresa não. Murray é um tenista que ainda depende demais de estar inspirado e, principalmente, 'solto' para render seu melhor tênis, rompendo com aquela antiga idéia de que 'confiança é tudo'. Para Murray, não é.

O escocês havia jogado uma grande partida contra Soderling na estréia e alimentado o sonho de que poderia, sim, vencer em casa. No entanto, dois dias depois, entrou em quadra 'travado', errático e não mostrou nenhum poder de reação.

Por sua vez, Federer sabia que precisava da vitória, pois uma derrota o deixaria na incômoda obrigação de vencer o último jogo. Entrou em quadra concentrado, determinado e, no final das contas, nem precisou jogar tudo o que sabe para atingir seu objetivo.

Podemos descartar Murray depois da triste derrota de ontem? Nada disso, muito pelo contrário. A diminuição de expectativas costuma fazer um bem danado a seu tênis. Foi exatamente assim, correndo por fora, longe dos holofotes, que ele obteve seus melhores resultados.

A situação do grupo é a seguinte: se vencer apenas um set contra Soderling, Federer já garante o primeiro lugar do grupo, pelo saldo de sets. Se ele perder em dois sets e Murray ganhar de Ferrer também em dois sets, tudo se decidirá no saldo de games.

Murray garante um lugar nas semifinais se vencer em sets diretos. Se perder um set ou o jogo, dependerá do resultado da outra partida. Soderling, além de ganhar de Federer, precisa torcer para o escocês perder pelo menos um set para Ferrer, que depende de um milagre.

Hoje tem o Grupo A. Berdych x Roddick ao meio-dia, Nadal x Djokovic às 18h.

Perto da derrota

23 de novembro de 2010 2

Nenhuma surpresa na primeira rodada de jogos do Masters de Londres.

Se no domingo os favoritos Federer e Murray começaram com o pé direito, ontem foi a vez de Nadal e Djokovic darem um importante passo rumo às semifinais.

Djokovic não tomou conhecimento de Berdych, dominou a partida do início ao fim e ganhou em dois sets, vingando-se daquela dolorosa derrota na semifinal de Wimbledom.

Já com Nadal a história foi bem diferente. Enfrentando um grande sacador como Roddick, o líder do ranking iniciou a partida da pior forma possível: perdendo o próprio serviço.

A partida tomou um rumo desagradável para o espanhol. O primeiro set foi embora ali mesmo, já que ele não conseguiu recuperar a quebra. Logo no início do segundo set, Nadal voltou a vacilar e, mais uma vez, deixou o adversário arrancar com uma quebra na frente.

Mas, desta vez, Roddick não soube lidar com a pressão e permitiu que Nadal se recuperasse. O segundo set foi para o tie-break, onde prevaleceu o entusiasmo daquele que havia conseguido escapar de uma derrota iminente.

No set decisivo, um filme que já estamos acostumados a ver. O americano, completamente sem convicção, não foi páreo para o espanhol, que não demorou muito para conseguir a quebra que precisava para despachar o rival.

Ontem, Nadal foi mais Nadal do que nunca: começou mal, jogou menos do que o adversário, sofreu barbaridades, chegou bem perto da derrota, a olhou nos olhos, bateu um papo sincero com ela, mas reagiu a tempo e conseguiu vencer.

Esta aí a principal virtude de Nadal. Enxergar a derrota como algo natural, que faz parte da vida de qualquer atleta, faz com que o seu medo de perder seja quase nulo.

Hoje tem Federer x Murray, às 12h, e Soderling x Ferrer, às 18h. Lembrando que o Sportv2 está transmitindo todos os jogos ao vivo.

De Londres ao Barradão

22 de novembro de 2010 12

Começou ontem o Masters de Londres, ou 'ATP Finals', como é chamado atualmente o tradicional encontro de final de temporada com os oito melhores tenistas do mundo.

Como tenho certeza de que a ATP, mais cedo ou mais tarde, mudará o nome do evento de novo, fico com Masters. Me parece ser questão de tempo para que o torneio volte a ter seu nome original.

O que nunca muda, ainda bem, é o formato de disputa. Ao contrário de todos os demais eventos do tênis profissional, o Masters é disputado no sistema 'round robin': dois grupos de quatro, todos contra todos, semifinal e final.

De modo que um tenista pode ser derrotado na fase de grupos e ainda assim ser campeão do torneio. De qualquer forma, cada vitória vale muito, especialmente se ela vier em sets diretos, uma vez que o saldo de sets é o primeiro critério de desempate.

Ontem, foi dia de jogos do Grupo B, grupo encabeçado por Roger Federer e completado por Robin Soderling, Andy Murray e David Ferrer.

A partida inaugural foi entre Soderling e Murray, duelo que, teoricamente, poderia estar definindo uma das vagas à semifinal, se levarmos em consideração o favoritismo de Federer e a condição de 'zebra absoluta' de Ferrer.

Pois Murray aproveitou bem o apoio da torcida e fez uma grande partida, não dando chances ao grandalhão sueco. Ganhou em dois sets e encaminhou bem uma vaga para a semifinal.

Pouco depois, Federer foi lá e não teve problemas para confirmar contra Ferrer, também vencendo em sets diretos. Fez o dever de casa, já que o baixinho espanhol dificilmente ganhará algum jogo e poderá ser o 'fiel da balança'.

Hoje é dia de conferir o Grupo A, de Rafael Nadal, Novak Djokovic, Tomaz Berdych e Andy Roddick. Sem dúvida, este grupo parece ser o mais equilibrado. A primeira rodada traz Djokovic x Berdych, Nadal x Roddick.

A água que bebemos

A rodada deste final de semana trouxe um pouco de esperança para aqueles que realmente gostam de futebol e não têm a visão limitada pelo fanatismo clubístico que a mídia faz questão de incentivar.

O Inter não deu bola para as picuinhas locais e, com um time recheado de garotos, foi pra cima do Botafogo em pleno Engenhão. E ganhou bem, mostrando ao Brasil inteiro como um clube que se diz grande deve se comportar.

O resultado não só colocou o rival no G4 como o deixou muito perto da tão sonhada quarta vaga. Tudo bem. Se o Grêmio se classificar para a Libertadores, é porque realmente mereceu. O importante para nós, colorados, é que nós não bebemos água suja.

Já a briga pelo título teve mais um capítulo interessante, emblemático. O Corinthians, mesmo ajudado, não conseguiu vencer o Vitória no Barradão. E viu o rival São Paulo ser goleado em casa pelo Fluminense, o novo líder. O Cruzeiro também venceu, mas segue atrás.

Agora, o Fluminense pega, também fora de casa, o Palmeiras, que está nas finais da Sul-Americana e mandará os reservas a campo. E ninguem poderá falar nada. Vencendo, o Flu coloca uma mão e meia na taça. Que coisa. Que destino mais irônico.

Antes que eu me esqueça: obrigado, Inter. Estamos, sim, orgulhosos de ti.

Corporativismo

21 de novembro de 2010 1

Um de meus melhores amigos é formado em jornalismo, embora não exerça a profissão. Minha tia é jornalista. Um de meus primos, que por sinal adora jogar tênis, também é jornalista.

Tem um jornalista do centro do país com quem bati um longo papo há alguns anos que vira e mexe me liga para saber minha opinião sobre os fatos tenísticos, mesmo que não vá publicá-la em seu jornal. E eu sempre faço questão de atendê-lo, trato-o como amigo.

Ou seja, não tenho absolutamente nada contra jornalistas, muito pelo contrário, respeito a profissão e a considero importantíssima para a consolidação de uma democracia.

Mas é preciso dizer que, hoje em dia, infelizmente, os bons jornalistas são minoria. Culpa, é claro, dessa política dos grandes veículos de comunicação de defender os próprios interesses a qualquer custo, cujos principais mandamentos parecem ser:

1. Puxar o saco do patrão e dos 'superiores' sempre que possível;
2. Defender a imprensa e os colegas de profissão até debaixo d`água;
3. Vender o tipo de cultura que interessa à mídia e combater ou ignorar aqueles que a questionam.

Mas não é só o jornalismo que sofre deste mal, as lideranças negativas. A própria Educação Física, profissão que só foi regulamentada há pouco mais de 20 anos, também já tem os seus burocratas, os defensores do 'corporativismo'.

Em uma aula da disciplina de "Ética" na faculdade, tive que ler um artigo que defendia a necessidade de haver um maior 'coleguismo' entre os profissionais de Educação Física e, claro, escrevi um pequeno texto sobre ele. É bem simples, aí vai:

"O artigo defende a adoção de um comportamento eticamente adequado por parte dos profissionais da área da Educação Física no sentido de haver uma maior união na classe. E que, por tratar-se de uma profissão que foi regulamentada há poucos anos, faz-se necessário nortear condutas e criar mecanismos e diretrizes que venham a fortalecer as relações entre os colegas e, conseqüentemente, a profissão.

Concordo minimamente com os autores, pois, em meu entendimento, as idéias defendidas pouco ou nada acrescentam ao debate. Acredito que a 'falta de coleguismo' entre profissionais sempre vai existir aqui ou ali, mas não está - e nunca esteve -, exatamente, entre os principais problemas da Educação Física.

Falar sobre virtudes profissionais básicas como zelo, honestidade ou competência é refletir sobre o óbvio, afinal de contas todos sabem da importância dessas qualidades, não apenas em qualquer profissão, mas em qualquer relacionamento ou atividade que se proponha. Ajudar colegas de profissão? Ok, mas e quanto às outras pessoas que podem vir a necessitar-nos? Devemos virar as costas para o professor de Matemática ou para a faxineira da escola?

Não se omitir diante de situações-problema, não apropriar-se de trabalhos alheios, evitar fazer comentários depreciativos desnecessários sobre os colegas, também são atitudes que deveriam fazer parte de qualquer ambiente e acreditamos que nenhum ser humano em sã consciência e razoavelmente educado ousaria contestá-las.

A grande maioria dos que já praticaram ou praticam atos como os citados acima o fazem sabendo que estão errados ou, no mínimo, que estão sendo anti-éticos, mesmo que não o reconheçam. Então, onde está o significado de tudo isso, qual a necessidade de se promover todo um debate sobre a necessidade de haver ‘coleguismo’ entre os profissionais de Educação Física?

Em minha opinião, o 'coleguismo' é, sim, uma virtude essencial, mas que não deve se restringir apenas aos colegas de profissão, pois o tipo de coleguismo que os autores do texto defendem está muito próximo de um dos principais problemas da sociedade atual, o corporativismo, cuja proliferação é exatamente uma das grandes responsáveis pela incompetência e falta de ética que tomaram conta do nosso país nas últimas décadas, em praticamente todas as áreas".

Hoje começa o Masters, amanhã volto a falar de tênis.