Nem Nadal, nem Federer, nem Murray. Djokovic é o grande campeão do Australian Open de 2011.
O sérvio fez uma campanha perfeita, tendo perdido apenas um set em todo o torneio, e ainda no tie-break, e na distante segunda rodada. De resto, só deu ele. A partir das quartas, suas performances beiraram à perfeição.
Na final contra Murray, a estratégia foi a mesma que deu certíssimo contra Berdych e, principalmente, contra Federer. Jogar os pontos em alta velocidade, mas sem correr riscos, obrigando o adversário a jogar sempre no limite, das pernas e das linhas.
Foi o que aconteceu hoje. Murray deu tudo o que tinha para vencer o primeiro set, mas não deu. Desgastado fisicamente e sem encontrar alternativas, o escocês baixou a cabeça e foi presa fácil nos sets seguintes.
Um detalhe que não pode passar despercebido é o fato de que, enquanto Djokovic estava amparado por seu técnico e seu preparador físico, Murray contava apenas com a mãe, a quem ele, desrespeitosamente, mandou calar a boca mais de uma vez durante a final de hoje.
Se o próprio Federer - já ficou mais do que provado - precisa da ajuda de um técnico competente, então o ainda jovem e rebelde Murray está longe de estar fazendo todo o possível para conquistar seu primeiro Grand-Slam.
O triunfo de Djokovic é muito bom para o tênis de um modo geral, especialmente em um momento em que alguns tenistas do passado, pra variar, questionavam a competitividade do circuito atual, dada a supremacia da dupla Federer/Nadal nos últimos anos.
Na verdade, o tênis nunca para de evoluir. Djokovic e Murray, apesar dos pesares, são infinitamente melhores tenistas, por exemplo, do que Ivanisevic ou Chang, que chegaram ao número dois e hoje, em hipótese alguma, seriam top-10.
Aliás, jogando como jogou em Melbourne, Djokovic me lembrou 'o melhor dos Agassis', com a vantagem de sacar bem mais e chegar à rede com maior desenvoltura, além de se defender como o careca jamais sonhou em fazê-lo.
Enfim, comparar jogadores de épocas distintas é quase o mesmo que comparar os carros de hoje com os de 20, 30 anos atrás. Uma injustiça com todos. Os atuais sempre serão mais fortes, mais rápidos e mais completos. Hewitt que o diga.


