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Neymar, Ronaldinho e o 'craquismo'

29 de julho de 2011 14

Não faz muito tempo escrevi sobre as duas ‘correntes do atraso’ que, através do futebol, contaminam todo o esporte brasileiro.
De um lado estão os saudosistas, os defensores do talento puro e do futebol arte. São ‘aristocratas’ que pertencem ao século XIX.
Do outro estão os fanáticos por resultados, os adoradores de nomes e números que, no fundo, são também defensores do ‘neoliberalismo’ e gostariam que ainda estivéssemos nos anos 80.
Lá de vez em quando, essas duas correntes convergem e acaba ocorrendo uma perigosa e contagiosa ‘unanimidade’ na imprensa esportiva brasileira, que obviamente acaba se refletindo nas ruas.
É assim: sempre que nossa crônica se torna unânime sobre alguma coisa, é bom abrir bem os olhos e ficar atento. Nessas ocasiões, costumamos dar um salto gigantesco. Só que para trás. É mais ou menos como Bush e Saddam fazendo as pazes e decidindo juntos o melhor destino para a humanidade.
Todos, sem exceção, louvaram a partida Santos 4×5 Flamengo como ‘o jogo do ano’, e as atuações dos craques Neymar e Ronaldinho como ‘fenomenais’. Muitos, inclusive, já defendem a volta do veterano gaúcho para a seleção.
A verdade é que Santos e Flamengo jogaram futebol ‘à moda antiga’: ninguém marcou no meio campo. Sobrou espaço. Paraguaios e venezuelanos, por exemplo, não jogam nada, mas não costumam ser tão generosos com os adversários.
É verdade que Neymar fez dois belos gols, mas também exagerou no individualismo, perdeu dezenas de bolas e gerou contra ataques perigosos. Seu time levou cinco gols em casa.
Já Ronaldinho fez três gols: no primeiro, o goleiro falhou e a bola sobrou limpa; no segundo, arriscou bater a falta por baixo da barreira, algo que já havia tentado fazer mil vezes em vão; no terceiro, ele chutou mal, mas a bola desviou no zagueiro e entrou.
Em 2006, Ronaldinho estava no auge e fez uma Copa medíocre – ele e o quarteto mágico; Neymar acaba de fazer uma Copa América medíocre, junto com Ganso, Pato e Robinho. Outro quarteto. Jogadores individualistas tem algo em comum: costumam fracassar quando são bem marcados. Mas, é claro, eu sou apenas um ex-tenista que não entende nada de futebol.
Então, viva o craquismo, viva as vedetes, viva a unanimidade.
Viva o passado – o tal do Barcelona é uma mentira.
Ronaldinho, Neymar, Ganso, Pato, Robinho e Kaká juntos na seleção já.
E, por que não, viva também a festança com dinheiro público.

Comentários (14)

  • Marcelo diz: 29 de julho de 2011

    Oi Chico. Concordo com muito do que você diz. Mas, olha só: você começa falando dos extremismos que existem (saudosistas x fanáticos por resultados). Concordo totalmente. A virtude, na maioria das vezes, está no equilíbrio. Mas, aí você vai para um extremismo, diminuindo as façanhas de Neymar e Ronaldinho. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Abraço de um gaúcho que decidiu morar no Rio, sempre buscando o equilíbrio (Não valorizo demais a rigidez gaúcha, nem o “jogo de cintura” do carioca).

    Resposta> Marcelo, não se trata de ‘diminuir as façanhas’, mas de mostrar o outro lado da moeda, aquele que a mídia costuma esconder. E quando ‘extremistas’ convergem, o resultado é ainda mais extremismo, ou seja, o oposto de equilibrio. Abraço.

  • Carlos Augusto diz: 29 de julho de 2011

    Olha, por diversas vezes discordei de ti, principalmente quando comentas sobre a dupla GRE-nal, mas hoje vou ter que concordar contigo, apesar de ser um ex-tenista falando de futebol. Saudações.

  • Maurino Mendes diz: 29 de julho de 2011

    Também vi o jogo,compartilho com tua analise.A nível de espetáculo(espectadores) uma maravilha,competitividade zero.Se os dois times jogarem assim,não chegarão ao título.Era uma avenida no meio, lado direito(flamengo)lado esquerdo(santos).Ataque contra defesa.Ronaldinho e Neymar jogaram muito individualmente.Mesi,Chavi,Iniesta dão aula de como se joga individualmente e coletivamente.Ganso só joga com bola no pé,não acompanha ninguém e muito menos se desloca para os lados.Nesse jogo,teve momento do jogador carregar a bola por 10 / 15 metros sem marcação alguma.Muriçoca tava p da vida com tamanha facilidade.

  • Roberto Guimaraes diz: 29 de julho de 2011

    Concordo plenamente.

    Alias, afirmo que estas apenas considerando os fatos, de que tais (mesmos) jogadores nao conseguem reproduzir tais performances num cenario diferente. Alguns, mais romanticos, tendem a ignorar tais fatos, porque lhes apetece.

  • Marcio Tavares diz: 29 de julho de 2011

    Chico, eu pensei o mesmo, ainda durante o tal jogo. Foi bonito etc e tal, mas a emoção geralmente esconde os detalhes importantes. Falei isso aqui no trabalho no dia seguinte e quase fui agredido por alguns flamenguistas: se não fosse a zaga peneira do Santos, o flamengo nem sonharia em vencer esse jogo depois de estar 3×0 atrás. Mas tudo bem, gol é gol, o Santos deu mole e o flamengo, que não tem nada a ver com isso, venceu o jogo.

    O que eu acho mais curioso é justamente a reação extremamente exagerada das pessoas. Transformam uma situação dessas em algo de outro mundo, um delírio coletivo, chegando ao ápice de, como vc falou, falarem que o Ronaldinho tem que voltar pra seleção. Tenham dó… Veja bem, ele está no flamengo há mais de um semestre, jogou o “fortíssimo” campeonato carioca e só *agora* ele conseguiu fazer o que todos esperavam: uma atuação excepcional, que no fundo no fundo nem foi tão excepcional assim, mas aí é aquela coisa, torcedor tem desculpa pra tudo: a bola desvia e entra, o cara “tem estrela” né. A emoção pura à flor da pele agradece. Somos todos uns animais, praticamente irracionais.

  • Lucas diz: 29 de julho de 2011

    Acho que foi o comentário mais coerente sobre futebol que ouvi nos ultimos tempos!!!
    Mais do que muito ditos entendidos!!!

  • guilherme diz: 29 de julho de 2011

    acho que são coisas diferentes… maioria das coisas que disse é verdade, agora, você se contradiz quando ciritica os torcedores de resultado (eu concordo) mas fala que o futebol apresentado pelo santos e flamengo não venceria o paraguai… qual o problema?? São coisas diferentes, o jogo foi maravilhoso, isso é fato…. concordo em parte com seu temor, mas o jogo foi maravilhoso e não precisava encontrar problemas nos gols do ronaldinho ou lances do neymar… foram irretocáveis… ronaldinho na seleção?? Isso é outra história, obvio que não tem que ir… o santos tem um timasso, perder é do jogo, obvio que não pode perder um jogo que estava ganhando de 3×0, mas todo time erra… o murici com certeza vai corrigir isso… se eles tivessem uma boa defesa, ficaria um time ideal, quem não queria o time deles do meio para frente?

  • Norman diz: 29 de julho de 2011

    Perfeito, parabéns pela visão diferenciada e consistente, concordo plenamente e digo mais, chega dessa “palhaçada” de ficar enaltecendo esses caras, que exemplo eles são pra sociedade? Não quero meu filho se espelhando em um Neymar da vida, MUITO menos em um Ronaldinho cachaceiro. Grandes times, sempre foram grandes GRUPOS, com valores acima de tudo, a historia nos ensina isso.

  • Antonio Tavares de Oliveira diz: 29 de julho de 2011

    Carlos Augusto, não entendi essa frase “apesar de ser um ex-tenista falando de futebol”. Em primeiro lugar qual é o problema de ser um ex-tenista? Segundo, qual o problema dele comentar futebol? por acaso esse “tema/mercado” está reservado a quem? aos ex-jogadores de futebol? aos jornalistas?, que nunca nem jogaram e nem estudaram futebol! Então por que um atleta de outra modalidade não pode comentar futebol?

    Aliás, se não estou enganado o Chico é colorado, o que já mostra muita INTERligência e uma prova definitiva de que entende de futebol.

  • Diogo diz: 29 de julho de 2011

    Sábias palavra. Chega a irritar esse oba oba. O futebol não é mais isso.
    Parabéns.

  • julio pires diz: 29 de julho de 2011

    É a primeira vez que leio um comentário seu. Entretanto não posso deixar de elogiar sua clareza em relação ao assunto hoje abordado.
    É impressionante como os “extremistas” saudosistas , conseguem transformar o normal em sobrenatural, e daqui a pouco invertem tudo, ou seja pensam e escrevem conforme a direção do vento. Infelizmente esse pensamento se reflete na nossa seleção. Pensamos ainda que todos os nossos adversários são os manés da que jogaram contra nós na copa de 70 . Enquanto badalamos os nossos “craques” esquecemos que em termos de futebol o velho mundo evoluiu. É como disseste, o Barcelona é uma mentira, e acompanhando esse raciocinio , inventada pelo velho mundo. Os verdadeiros craques estã aqui, franzinos , festeiros , e fazendo comercial pra TV .

  • Alvaro diz: 29 de julho de 2011

    Chico, foste o único que “viu” o mesmo jogo que eu, parabens. Infelizmente o sr. dentuço e seu time vão dar outra goleada histórica, desta vez Grêmio.

  • Igor diz: 30 de julho de 2011

    Algumas Considerações:

    - Ronaldinho não tem mais lugar na seleção (Faz um bom tempo);
    - Neymar é craque, porém individualista e inexperiente;
    - Ganso, craque mas inexperiente (mostou isso na seleção);
    - Um time não precisa mais do que dois, ou três craques.. (Precisa tbm de quem carregue o piano. Se este for craque, melhor. Mas não é uma regra).
    - O gol de falta do Ronaldinho, é gol de gênio. (Ao contrário do que tu disseste, ele não utiliza em vão essa técnica. Fez um gol decisivo na champions pelo Barça contra o Werder Bremem. É um gol que não se vê todo dia, inegavelmente).
    - A seleção não ganhará nada enqto contar com jogadores que batem penalti de cavadinha, querem pedalar 6 vezes antes de chutar a gol e etc… Futebol tem que ter brilho, mas tem que ser levado a sério!
    -Se tu viu o jogo, mesmo sabendo que os times eram “faceiros”, tu tens que admitir que não é sempre que se ve um jogo tão movimentado. Tu sabes disso.
    - Sobre as tuas comparações entre futebol resultado e o neoliberalismo, não vou comentar, por que, com todo o respeito, beiram o ridículo…

    Obs.: Percebi um certo rancor quanto ao Ronaldinho. És gremista?

    Abraço,
    Igor.

    Resposta> Não comparei o futebol resultado com nada. Escrevi que os fanáticos por resultados, nomes e números, de um modo geral, são também neoliberais. E sou colorado, ou seja, tua percepção falhou.

  • Igor diz: 1 de agosto de 2011

    Sim, minha percepção quanto ao motivo do teu rancor com o Ronaldinho falhou… Assim como falhou a tua percepção por encontrar um paralelo entre os fanáticos por resultados e os neoliberais. Sou esquerdista e gosto do resultado. E não sou o único. Ah, e eu não gostaria de voltar aos anos 80.

    Resposta> Todos nós gostamos do resultado, o que não significa que sejamos fanáticos.

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