Não conheço o Mário Fernandes, mas sou capaz de entendê-lo.
No tênis, por exemplo, os calouros na Copa Davis sempre foram recebidos com trotes intermináveis por parte dos 'veteranos'. Por exemplo, já houve quem tivesse suas roupas 'batizadas' com urina.
A maioria sempre aceitou bem, mas aqueles que são um pouco mais sensíveis ou rebeldes simplesmente não aguentam ser tratados como 'lixo humano' durante uma semana. Não me peçam para citar nomes.
O fato é que essa 'cultura' atingiu seu auge em meados dos anos 90 e felizmente melhorou bastante nos últimos anos.
Enquanto capitão, lutei para acabar com alguns péssimos hábitos que estavam impregnados no time, como, por exemplo, comemorar vitórias destruindo o vestiário, e, claro, também me esforcei para acabar de uma vez por todas com os tais trotes.
Confesso que não consegui ser 100% bem sucedido, e por uma simples razão: aqueles que sofreram trotes fazem questão de passá-los aos mais novos. Como uma verdadeira doença.
Se no tênis sempre foi assim, não é difícil imaginar como os novatos devem ser tratados quando chegam pela primeira vez na seleção brasileira de futebol.
Algumas pessoas não conseguem suportar um ambiente hostil por muito tempo. Um dia, Mário também fugiu do Grêmio. Ele não apenas voltou, como é hoje um dos melhores do time.
Ou seja, ele também deverá voltar à seleção e, quando isto acontecer, ele mostrará o seu futebol. Como todo jogador, Mário 'quer' a seleção; mas, provavelmente, não 'gostou' da seleção.
Gostar e querer são coisas diferentes. Querer é um fim, gostar é um meio. Se querer é importante, gostar é ainda mais. Pra quem não sabe, são os meios que fazem toda a diferença.