Diego Hipólito, o maior ginasta brasileiro da história, caiu de cara no chão. Pela segunda vez. César Cielo, atual campeão olímpico e recordista mundial, ficou em terceiro lugar. Os judocas que chegaram a Londres como favoritos voltaram sem medalha. Fabiana Murer, campeã mundial, não conseguiu saltar!
O que acontece com os brasileiros que chegam às Olimpíadas como favoritos ao ouro? Para responder a essa pergunta, lembrei de dois textos que escrevi há quatro anos, durante os jogos de Pequim. Me pareceram tão atuais que resolvi juntá-los em um só post.
Aí vai:
Não é fácil lidar com o peso do favoritismo. Principalmente em uma Olimpíada, onde existe todo um envolvimento nacional. O país inteiro esperando a tão sonhada e sofrida medalha de ouro.
Para um chinês, russo ou americano, situação corriqueira. Só o nadador Phelps subiu oito vezes ao degrau mais alto do pódio em Pequim, sem mudar a expressão de seu rosto. Quantas Olimpíadas são necessárias para que o Brasil conquiste oito medalhas de ouro? Várias, ou seja, mais de uma década.
Nos esportes individuais, essa realidade é cruel. As medalhas de ouro vêm, quando vêm, de onde menos se espera. Enquanto todos prestavam atenção em Thiago Pereira, foi César Cielo quem faturou. Os favoritos da mídia simplesmente não resistem. Aconteceu com Daiane em Atenas, e com Diego Hipólito agora em Pequim. A Ginástica é um esporte de pura precisão, e qualquer vacilo é fatal.
De um lado, a possibilidade de ser elevado à condição de "herói nacional", com todos os exageros de sempre incluídos. Do outro, a decepção, a amargura de ter "amarelado" na hora H e frustrado as expectativas de milhões de brasileiros. O próprio Diego se sentiu na obrigação de pedir desculpas, o que explica sua queda.
Quem não entra nessa de herói é o espanhol Rafael Nadal, que acaba de conquistar o ouro olímpico, vencendo o chileno Gonzalez em sets diretos. Para ele, mais um objetivo foi alcançado. Sem pompa, sem exageros, sem mudar seu olhar, sem mudar sua rotina, sem sensacionalismo, sem a mãe dele chorando em cadeia nacional.
"Estou extremamente cansado. Federer é o favorito". Foram essas as palavras do espanhol ao chegar em Pequim. Ontem, depois de ver seu nome pela primeira vez no topo do ranking mundial, disparou: "Federer ainda é o melhor, seu jogo é mais completo".
Muitos não gostam desse tipo de atitude, confundindo a postura cautelosa do espanhol com falsa modéstia. Na verdade, ao contrário da grande maioria dos atletas, Nadal parece ser muito bem orientado também no que diz respeito a seu relacionamento com a imprensa, com os torcedores.
No fundo, ele só quis dizer: "Pessoal, não sou tão bom quanto estão dizendo por aí, portanto, não esperem muita coisa. Só posso prometer muita luta. Torçam por mim". Nada poderia ser mais humilde e verdadeiro, pois ninguém é tão bom a ponto de ser imbatível, a ponto de ser imune às circunstâncias do jogo.
É preciso estar preparado para tudo, inclusive para perder. O único compromisso que qualquer atleta, seja de ponta ou não, tem condições de assumir é o de dar seu máximo, o de colocar 100% de seu foco e de sua energia na competição. Mais do que isso apenas refletirá a insegurança de quem, na verdade, não tem a menor idéia do que vai acontecer.
Não existem super-heróis.



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