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Títulos não se compram

17 de maio de 2013 1

Por causa do fuso horário (na Europa são cinco horas a mais), não assisti nada da Libertadores e da Copa do Brasil.

Não houve grandes novidades. A única surpresa, pra mim, foi o fato de o Corinthians ter sido prejudicado pela arbitragem em uma partida decisiva. Como dizem, para tudo existe uma primeira vez.

O resto já era mais ou menos esperado. O melhor time do Brasil, o Galo, segue firme. O Flu, como sempre, vai se safando, comendo pelas beiradas. E os fracassos de São Paulo, Palmeiras e Grêmio eram apenas questão de tempo.

É triste - e ao mesmo tempo engraçado - constatar que, no Brasil, os resultados são analisados de maneira 'peculiar': ganhou, é porque teve raça, teve 'espírito vencedor'. Perdeu? Faltou garra, atitude, faltou 'sangue nos olhos'.

Na era do futebol-negócio, só duas coisas importam: o dinheiro e o resultado imediato. O jogo propriamente dito é um mero detalhe, algo menor, insignificante até. Ou seja, para conquistar títulos, basta contratar. E quanto mais, melhor!

Para os de mente tosca, visão míope, um time caro (como o do Grêmio, por exemplo) só não ganha se não tiver 'atitude'. Pouco importa se esse time, em cinco meses, nunca tenha jogado nada. Fica Luxemburgo.

Roma

13 de maio de 2013 0

As derrotas prematuras de Djokovic, Federer e Murray abriram espaço para que Nadal conquistasse Madri e ele não decepcionou a torcida.

O momento crítico da conquista foi nas quartas, contra o sempre indigesto Ferrer. Nadal perdeu o primeiro set e chegou bem perto da derrota no segundo, mas eis que Ferrer, mais uma vez, se afobou e deixou a vitória escapar-lhe por entre os dedos.

Os demais semifinalistas foram Andujar, Wawrinka e Berdych. Nadal poderia jogar três vezes contra cada um deles no saibro e ainda assim levaria o troféu.

Começou hoje o Masters 1000 de Roma, último torneio importante antes de Roland Garros. Todos jogam, até o Del Potro. Todos menos o Bellucci, que segue lesionado.

Assim como em Madri, Nadal está na chave de Ferrer. Apenas coincidência ou será que os organizadores estão também 'organizando' a chave para que não tenhamos um Nadal x Djokovic já nas quartas? Em Roland Garros saberemos.

Até lá, todos os caminhos levam a Roma. Olho em Djokovic, Federer, e em jovens como Dimitrov e Raonic.

Feliz dia das mães!

12 de maio de 2013 0

"Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."

(Darcy Ribeiro)

Nova geração derruba favoritos

09 de maio de 2013 0

Escrevo da Itália, mais precisamente de Santa Croce, cidadezinha ao lado de Pisa. Estou acompanhando os atletas do Instituto Tênis no circuito internacional juvenil.

Muitas surpresas no Masters de Madri, menos uma: Nadal segue no torneio. Djokovic e Federer já foram para o saco. Murray acaba de perder o primeiro set para o francês Simon.

Djokovic caiu logo em sua estréia, diante do búlgaro Dimitrov. O jovem de 22 anos foi um ótimo juvenil e vem, aos poucos, se aproximando do topo. Em Monte Carlo, ele bateu na trave, quase derrubando Nadal nas quartas.

Portanto, não chega a ser um absurdo sua vitória diante do número um do mundo. Era questão de tempo. O problema é que, hoje em dia, o buraco é um pouco mais embaixo. Wawrinka já se encarregou de mandar o búlgaro pra casa.

Federer perdeu hoje, vítima do jogo regular e veloz do japonês Nishikori, outro jovem que vem se destacando há algum tempo. Foi o primeiro torneio do suíço em dois meses, ele sentiu a falta de ritmo e o desgaste no terceiro set.

Além de Nadal, estão nas quartas Ferrer, Berdych, Tsonga, Wawrinka, Nishikori, Andujar, e o vencedor do duelo entre Murray e Simon.

Será que algum deles tem bola para derrubar Nadal no saibro, diante de sua torcida?

Madri

06 de maio de 2013 0

Começou hoje o Masters 1000 de Madri, dando sequência à temporada de saibro europeu.

A grande atração é a volta de Federer - o atual campeão do torneio - ao circuito, depois de dois meses de descanso e preparação. Djokovic, Nadal e Murray também jogam, a briga promete ser boa. A principal baixa é o argentino Del Potro, o eterno lesionado.

Madri traz duas notícias para o tênis brasileiro: uma boa, a outra ruim. A ruim é que Bellucci, também lesionado, está fora do torneio. A boa é o fato de um brasileiro ter passado o quali. Feijão Souza enfrenta o francês Paire. Se vencer, Nadal.

Torneios desse porte sempre nos oferecem jogos interessantes, desde a primeira rodada. Por exemplo: Raonic bateu hoje Davydenko. Em outro choque de gerações, a velha guarda levou a melhor: Stepanek mandou Tomic mais cedo para casa.

Feriado de futebol

02 de maio de 2013 0

O dia do trabalhador foi cheio de futebol.

Primeiro, a confirmação de que o Bayern de Munique é, hoje, melhor do que o Barcelona. Portanto, já merece ser considerado o melhor time do mundo.

O placar agregado de 7x0 não foi nenhum exagero: o Barça praticamente não teve chances de gol em 180 minutos, enquanto o Bayern empilhou oportunidades. A ausência de Messi, por si só, não justifica o massacre físico que se viu.

Tanto os amantes do estilo refinado do Barcelona, entre os quais me incluo, como aqueles que preferem um futebol mais de força como o do time alemão, devem encarar essa 'mudança de coroa' com absoluta naturalidade.

É mais ou menos como ver o trintão Federer perdendo quase sempre para tenistas não tão brilhantes, porém mais jovens e fortes fisicamente, como Nadal e Djokovic. Faz parte do esporte e da vida.

Um pouco mais tarde, o Grêmio enfrentou o Santá Fé pelas oitavas da Libertadores. Me arrisco a dizer que, não fosse a desastrada atuação do veterano zagueiro Cris, o Grêmio teria ganhado facilmente e já estaria classificado.

O time colombiano, dono de boa campanha, mas sem nenhuma tradição em competições internacionais, morreu de susto e não jogou nada, nem quando teve um jogador a mais. Sua postura será diferente na altitude de Bogotá, mas e o futebol?

Já o Grêmio compensou suas deficiências coletivas com muito esforço e grandes atuações individuais: Fernando, Vargas e Barcos jogaram muito e decidiram o jogo.

Por último, o Inter fez uma partida modesta contra o modesto Santa Cruz do Recife. Sobraram organização coletiva e domínio territorial, mas faltaram as individualidades.

D´Alessandro, que tem sido o melhor do time, não jogou. Forlán, mais uma vez, se arrastou em campo. E Damião está se consolidando como um centroavante comum, daqueles que brigam muito (com os adversários e com a bola), mas jogam pouco.

Inter e Grêmio ainda precisam melhorar bastante para almejar grandes conquistas. O Grêmio precisa de um técnico de verdade. O Inter, de um atacante que não jogue só no nome.

Resultados da semana

29 de abril de 2013 0

Rafael Nadal não teve muitas dificuldades para conquistar Barcelona pela oitava vez.

No papel, o único que poderia complicar sua vida era David Ferrer, que voltava de lesão e caiu na primeira rodada. A final foi contra o compatriota e 'velho freguês' Nicolas Almagro.

O brasileiro Bellucci fez boa campanha, ganhou dois jogos, mas se machucou e foi obrigado a se retirar do torneio. Bruno Soares foi campeão de duplas ao lado do austríaco Peya, o que não chega a ser uma novidade.

Talvez a boa notícia do evento tenha sido a boa campanha de Milos Raonic. O jovem canadense caiu diante de Nadal na semifinal, mas mostrou evolução em relação ao ano passado. Mesmo no saibro, ele é um perigo.

Em Bucareste, o tcheco Lukas Rosol, aquele que saiu do quali e derrubou o próprio Nadal em Wimbledon no ano passado, conquistou seu primeiro título de ATP e já está no top-40.

Sacando e devolvendo muito bem, Rosol atropelou adversários como Simon, Troicki e Garcia-Lopez. O fato de ele já ter 27 anos apenas mostra que ele demorou um pouco mais do que o 'normal' para amadurecer. Tênis ele sempre teve.

No challenger de São Paulo, final estrangeira: o experiente chileno Paul Capdeville bateu o jovem argentino Renzo Olivo em dois sets. Com exceção de Bellucci, todos os brasileiros jogaram. Clezar foi o único semifinalista.

Pergunta: qual seria a diferença entre um Rosol e um Rogerinho? Um Raonic e um Feijão? Um Dimitrov e um Clezar?

A resposta é simples: tênis. Sem jogo, sem bola, não se vai longe. Antes de mais nada, falta tênis aos brasileiros.

De quem é a culpa?

25 de abril de 2013 3

Não é preciso ser expert para perceber a decadência do futebol brasileiro.

Basta dar uma olhada na Libertadores, na seleção brasileira, e comparar com jogos importantes do futebol europeu, para constatar que não caímos para o 18º do ranking da FIFA por acaso.

O amistoso de ontem entre Brasil e Chile foi apenas mais um capítulo triste. Péssimo futebol e vaias da torcida, especialmente para Neymar, o garoto propaganda, o individualista do sorriso falso, o jogador que se tornou símbolo dessa decadência.

Mas, afinal, de quem seria a culpa por tamanho retrocesso?

Sera que nossos jogadores desaprenderam a jogar futebol? Nossos técnicos estão ultrapassados? Ou o problema reside apenas na ganância de dirigentes e empresários de futebol?

Em todas as áreas, é a mesma coisa: quem está lucrando com a situação não quer saber de mudanças. No caso do futebol brasileiro, jogadores, técnicos, dirigentes, empresários, mídia, todos estão ganhando muito dinheiro.

Ou seja, o problema do futebol brasileiro está na raiz, é cultural. E quando é assim, a culpa é de todos os envolvidos, especialmente aqueles que tomam as decisões importantes.

O que nos leva à pergunta fatal: quem comprou o futebol brasileiro para poder adequá-lo às suas necessidades e interesses?

Goleada histórica

24 de abril de 2013 2

O que dizer da goleada de 4x0 do Bayern Munique sobre o Barcelona?

O time alemão deu uma verdadeira aula de marcação, velocidade e futebol coletivo. Marcou adiantado, mas com todos os seus jogadores, inclusive o centroavante, atrás da linha da bola. O resultado é que o Barça não conseguiu jogar.

Os espanhóis tiveram mais posse de bola, mas nunca entraram na área inimiga. Parecia que o Bayern tinha quinze jogadores. Cada vez que Xavi, Iniesta ou Messi pegavam na bola, eram cercados por três adversários.

Quando os alemães recuperavam a bola, muitas vezes ainda no campo de ataque, avançavam rapidamente, com passes e lançamentos precisos. Os alemães Schweinsteiger e Muller, o francês Ribery e o holandês Robben jogaram muita bola!

Os dois primeiros gols saíram de bola parada, os dois últimos de contra-ataque. O Bayern poderia ter empilhado mais gols.

Como sempre, há de se dar alguns descontos. Messi estava visivelmente fora de forma, se arrastando em campo. E o juiz colaborou com os alemães ao validar dois gols irregulares: impedimento no segundo e falta grotesca no terceiro.

De qualquer forma, a história do futebol foi escrita ontem. O grande Barça foi engolido. Engolido por um time que se mostrou fisicamente muito superior.

Aula de saibro

21 de abril de 2013 2

Nadal e Djokovic fizeram uma belíssima final em Monte Carlo, uma verdadeira aula de como jogar no saibro. E deu Djoko, parciais de 6x2 7x6.

O número um chegou em Mônaco dizendo não estar 100% recuperado de uma lesão do tornozelo. Depois da estréia irregular, logo ficou claro que ele estava muito bem, apenas "dando uma de Nadal", tirando um pouco da pressão.

O fato é que ele fez hoje, provavelmente, sua melhor partida no saibro. Nadal foi o Nadal de sempre, mas Djokovic mostrou estar física e mentalmente muito bem preparado. O objetivo é vencer o único Grand-Slam que lhe falta, Roland Garros.