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10 anos - hora de dizer adeus!

02 de julho de 2017 3

Exatamente uma década depois de ter escrito as primeiras linhas, estou me despedindo deste espaço.

Um espaço que sempre valorizei – foram mais de 1500 textos -, mas que, nos últimos tempos, se tornou um fardo pra mim. E, como tal, desnecessário.

Agradeço aos profissionais da RBS/ZH pela oportunidade de dividir aqui alegrias, frustrações, informações, opiniões, idéias e, por que não, brincadeiras.

Se alguém se sentiu pessoalmente agredido por alguma palavra ou frase minha, peço mil desculpas. O objetivo aqui sempre foi questionar, provocar, e às vezes incomodar um pouco, mas jamais ofender.

De qualquer forma, tenho que admitir que me diverti muito escrevendo aqui. Como quase tudo na vida, foi bom enquanto durou.

Um grande abraço a todos e vida que segue!

A dureza do circuito

15 de maio de 2017 1

Peço desculpas por escrever cada vez menos. Muito trabalho, algumas viagens e, no tempo livre, família. Com o passar do tempo, fui perdendo um pouco o ‘timing’ de vir aqui.

Mas, até por dever de ofício, sigo acompanho atentamente tudo o que acontece no circuito. E, claro, também tento ver os jogos do Inter nesse ano complicado.

O tênis internacional está passando por um momento diferente, raro, especial. Os melhores tenistas da atual temporada são, disparados, Federer e Nadal.

Federer ganhou Austrália, Indian Wells e Miami, ou seja, tudo o que disputou, mas deu um ‘break’ para cuidar do físico e da motivação. A pergunta que todos fazem: ele jogará Roland Garros? Tomara que sim.

Nadal perdeu justamente para Federer nos três torneios acima citados. Mas chegou com tudo na temporada de saibro. Como nos velhos tempos, venceu Monte Carlo, Barcelona e Madri, e pisará em Roland Garros como grande favorito.

O mais surpreendente (e interessante) de tudo isso e ver Federer e Nadal jogando o melhor tênis de suas carreiras.

Sobre Federer, já falei bastante nos posts anteriores. Além de estar voando fisicamente e curtindo muito estar em quadra, ele fez ajustes no seu backhand que o permitiram jogar ainda mais agressivamente.

Nadal está mostrando algo parecido. Física e mentalmente, voltou a ser ‘o velho Nadal’. Tenisticamente, está muito melhor. Joga mais próximo da linha, agride as devoluções, faz mais com a bola e chega mais na rede.

Totalmente na contramão de Federer e Nadal, estão os ainda (por pouquíssimo tempo) líderes do ranking.

Djokovic vive seu pior momento dos últimos dez anos. Permitiu que problemas pessoais contaminassem seu tênis, e sua solução até agora foi dispensar toda a sua antiga equipe e não colocar ninguém no lugar.

Ou seja, tudo indica que ele ainda vai demorar um pouco pra voltar a ser o Djoko que conhecemos, se é que voltará.

Murray, apesar de todo o sucesso, títulos, e de enfim ter chegado ao sonhado número um, continua sendo um jogador instável, irregular, imaturo. Resumindo, ainda não tem cacife para se manter no topo do ranking.

Enquanto isso, jovens como Thiem, Zverev, Kyrgios, Kachanov vão se aproximando, aos poucos, das grandes finais dos grandes torneios, mas ainda têm chão pela frente.

O fato é que o circuito está cada vez mais competitivo. Trabalha-se muito duro para subir um pouquinho, a outra opção é cair na vertical. Mesmo para um grande campeão como Djokovic.

Federer, número um aos 36 anos?

19 de março de 2017 1

Primeiro Masters 1000 da temporada, o tradicional torneio de Indian Wells está apenas confirmando aquilo que se viu no Australian Open, há quase dois meses.

Murray e Djokovic, os dois líderes do ranking mundial, não estão jogando bem. Aliás, bem longe disso.

Assim como em Melbourne, o número um Murray foi derrotado por um jogador de saque e voleio. Justamente ele, que tem na defesa e no contra ataque suas principais virtudes. Prova de algo anda errado com seu tênis.

Djokovic, o homem que venceu tudo nos últimos anos, vem sendo uma caricatura de si mesmo desde junho do ano passado. Ele passa a impressão de estar desmotivado e, consequentemente, mal treinado e sem confiança.

Diante de tal cenário, a pergunta é óbvia: quem terminará 2017 como número um do mundo? São vários os candidatos e não existe hoje um ‘grande favorito’, mas quem está jogando o melhor tênis, sem dúvida, é Roger Federer.

Depois de vencer o Australian Open, o veterano suíço (completa 36 anos em agosto) está na final em Indian Wells. O adversário é seu compatriota Stan Wawrinka.

O mais impressionante é que Federer, detentor de quase todos os recordes do tênis mundial, está jogando o melhor tênis de sua vida. No caminho até a final, voltou a vencer Nadal, desta vez com assustadora naturalidade.

Federer voltará a ser número um, aos 36 anos? Ainda falta muito, mas seria fantástico. Uma lição de vida, de amor ao esporte, e um xeque mate moral, tanto nos céticos como nos cínicos de plantão.

Torneios do Brasil mostram realidade de sempre

03 de março de 2017 0

Estou na estrada desde o início de fevereiro e pouco pude acompanhar os ATP brasileiros.

Tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo, os tenistas nacionais ficaram dentro das expectativas. Uma vitória aqui, outra ali. Mais do que isso, pra mim, teria sido surpreendente.

Bellucci alegou problemas físicos para justificar seu desempenho irregular; Monteiro se mostrou afobado e um pouco limitado de recursos; os demais figurantes nas chaves, Feijão, Rogerinho e Clezar, fizeram o que puderam.

No RJ, o austríaco Thiem confirmou o favoritismo e levou o troféu ao natural, sem sustos. Em São Paulo, torneio ainda em andamento, os principais favoritos seguem adiante e vão brigar pelo título.

Não vou engrossar o coro daqueles que acham que tudo está uma porcaria, que nunca estivemos tão mal, etc, etc..

O tênis brasileiro está exatamente onde sempre esteve, desde que comecei no tênis, em meados dos anos 80: no segundo (ou terceiro) escalão do tênis mundial. Guga foi um capítulo à parte, a exceção que confirma a regra.

Nada mudou de lá pra cá porque as coisas seguem sendo conduzidas exatamente da mesma forma: muita pompa, pouco trabalho e zero visão de longo prazo.

Federer vence a final das finais

29 de janeiro de 2017 3

De um lado, o maior vencedor de Grand-Slams da história do tênis. Do outro lado, seu principal rival, com retrospecto amplamente favorável, tentando se aproximar de seu recorde.

Não é nenhum exagero afirmar que, provavelmente, a final do Australian Open 2017, Federer x Nadal, entrará para a historia como o maior duelo de todos os tempos.

Depois de aproveitar a única chance de quebra e vencer o set inicial, Federer arrancou mal no 2º set e foi quebrado duas vezes. Voltou ao jogo, recuperou uma das quebras, mas a partida estava empatada.

O primeiro game do 3º set foi decisivo. Federer abriu 40×0 rapidamente, mas vacilou e foi obrigado a salvar três break-points com três aces. A partir dali, só ele jogou: 6×1.

O set seguinte também começou com um Nadal mais agressivo e um Federer vacilante, outra vez, sendo quebrado logo de cara. Sem conceder nenhum break point, Nadal seguiu firme para empatar o duelo.

Uma partida dessas só poderia mesmo ser decidida no quinto set.

E, mais uma vez, Nadal começou com tudo e quebrou o saque de Federer logo no primeiro game. Parecia que o filme se repetiria, mas desta vez vimos um Federer diferente: brilhante como sempre, mas também paciente e cirúrgico.

Foram seis chances de quebra desperdiçadas por Federer nos três primeiros games de serviço de Nadal, até que ele, finalmente, conseguiu vencer uma troca de bolas e empatou o quinto set em 3×3.

A partir dali, show de Federer. Enquanto ele se tornava cada vez mais agressivo e inspirado, Nadal foi perdendo a convicção, especialmente no saque e na devolução. Federer venceu cinco games seguidos e liquidou a partida.

Além de estar em excepcional forma física, mental e técnica, jogando tudo o que sabe aos 35 anos, Federer fez dois acréscimos decisivos em seu tênis.

Seu golpe de revés, ou backhand, foi aprimorado nos últimos meses. Diferente de outros duelos contra Nadal, Federer deu pouquíssimo espaço por ali, se manteve próximo da linha de base, atacou e contra atacou muito bem.

Mas a chave da vitória, sem dúvida, foi a paciência, quesito que tanto fez falta a ele nas 23 derrotas sofridas diante de Nadal, seis delas em finais de Slam.

Mesmo cometendo alguns erros bobos que custaram games de saque, mesmo desperdiçando chances de quebra em sequência, mesmo estando atrás no placar, Federer sempre se manteve firme e forte.

Reta final em Melbourne

23 de janeiro de 2017 3

O Australian Open chega na sua reta final sem os favoritos Murray e Djokovic. Os números um e dois do mundo sofreram derrotas absolutamente inesperadas.

Djokovic caiu logo na segunda rodada diante do uzbeque Denis Istomin, um veterano que ele já havia derrotado algumas vezes, e que não vinha jogando bem. Djoko abriu dois sets a um, mas foi incapaz de se impor.

Já Murray foi eliminado nas oitavas pelo alemão Mischa Zverev, outro veterano do circuito, que é mais conhecido por ser o irmão mais velho de Alexander, do que por seus próprios feitos. Incrível!

Com os principais rivais fora de combate, Federer e Nadal crescem a cada jogo e estão nas quartas.

Eis os duelos:

Federer x Zverev: favoritismo total de Federer. Zverev é um bom jogador de saque e voleio, canhoto, perigoso, mas Federer está jogando muito tênis, e duvido que deixe essa oportunidade escapar.

Wawrinka x Tsonga: duelo equilibrado, para quatro ou cinco sets. Se Tsonga voltou a jogar seu melhor tênis depois de uma temporada ruim, Wawrinka é sempre um perigo quando chega tão longe em um Grand-Slam.

Nadal x Raonic: mais equilíbrio. Nadal está em excelente forma física e técnica, e ganha confiança a cada rodada. Raonic é o atual número três do mundo, um tenista em ascensão e obstinado por vencer seu primeiro Slam.

Goffin x Dimitrov: tudo pode acontecer. Dois jogadores tecnicamente muito bons, relativamente jovens, buscando sua primeira semifinal de Slam. Vencerá quem controlar melhor os nervos.

Australian Open

15 de janeiro de 2017 2

Está começando o Australian Open, primeiro Grand Slam da temporada.

Cinco brasileiros atravessaram o mundo pra disputar o sempre forte qualifyng, mas todos já foram eliminados.

Quem foi mais longe foi o veterano André Ghem, caindo na terceira e última rodada. Guilherme Clezar, Teliana Pereira e Paula Gonçalves ganharam uma partida, enquanto João Souza perdeu logo na estreia.

Thomaz Bellucci, Thiago Monteiro e Rogerio Silva são os representantes brasileiros na chave de simples: Bellucci encara o local Tomic; Monteiro desafia o francês Tsonga: Silva pega o jovem americano Donaldson.

O número um Murray e o número dois Djokovic entram como favoritos naturais, especialmente após já terem duelado na final do ATP de Doha, com vitória do sérvio em três sets.

Mas nem tudo em Melboune se resume à rivalidade Djokovic x Murray.

Federer volta ao Circuito após um semestre inteiro sem competir. Estará o melhor tenista da história preparado para chegar mais uma vez nas finais? Ou seu tempo já passou? A mesma pergunta também vale para Nadal.

Se Djokovic e Murray brigam pelo número um, e Federer e Nadal tentam provar que ainda tem ‘muita lenha pra queimar’, caras como Raonic e Nishikori se aproximam do topo, ainda buscando seu primeiro título de Slam.

Destaque também para jovens como Kyrgios e Zverev, cujos objetivos para a temporada que se inicia certamente é entrar no top-10 e se afirmar definitivamente como futuros campeões de Grand-Slam.

Além destes, vale a pena ficar de olho na nova geração de russos e americanos: Kachanov, Medvedev, Rublev, Fritz, Tiafoe, Kozlov, Opelka são tenistas que prometem crescer e dar bastante trabalho em 2017.

Vale a pena conferir de perto.

Inter: fim de uma era

17 de dezembro de 2016 40

Embora o Inter tenha sido rebaixado apenas neste ano, é fato que esse caminho inglório começou a ser trilhado em 2010.

Ou seja, o Inter começou a seguir o manual do rebaixamento logo após sagrar-se bicampeão da Libertadores.

Ali o Inter se tornou um clube arrogante, preguiçoso, que fala muito e trabalha pouco. Ali o Inter começou a fazer corpo mole, a desvalorizar jogos e campeonatos, a ignorar, desrespeitar e envergonhar sua imensa torcida.

Não por acaso, o primeiro jogo do Inter como bi da Libertadores foi um modorrento empate em 0×0 contra o Atlético/GO, no Beira-Rio. Roth era o técnico. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Entre aquele jogo e o empate contra o rebaixado Santa Cruz que empurrou o Inter ladeira abaixo, se passaram pouco mais de seis anos sem título de expressão, alguns vexames históricos e lampejos de bom futebol.

Não há dúvidas de que Luigi e Píffero, enquanto presidentes, são os grandes responsáveis pela derrocada colorada. Pois, ao invés de olharem para frente, para o futuro, geriram o Inter pensando única e exclusivamente no passado.

Isso ficou claro na política de vendas/contratações, e no perfil dos técnicos que passaram pelo Inter nesse período, quase todos escolhidos pelo fato de serem ‘colorados’.

O dinheiro das vendas de jovens como Sandro, Taison, Giuliano, Oscar, Fred, Lucas Lima, Ricardo Goulart, Walter, Otávio, Moledo, Damião, Alisson, foi usado para trazer/sustentar veteranos e ex-jogadores.

Forlan, Juan, Rafael Moura, Alex, Jorge Henrique, Rever, Nilmar, Anderson, Lisandro Lopez, Ariel, desembarcaram no Beira-Rio com status e salários de ‘craques’, mas futebol decadente, medíocre. Eis o resultado.

Que 2017 signifique o fim do amadorismo e o início de uma gestão profissional no Inter.

Sobre grandeza, incompetência, oportunismo e 'moral de cuecas'

03 de dezembro de 2016 26

Como esportista, foi impossível não me envolver, mental e emocionalmente, com essa tragédia sem precedentes.

Depois de alguns dias lendo e ouvindo praticamente tudo, fica claro que a delegação da Chapecoense e os jornalistas que a acompanhavam foram vítimas da velha incompetência sul americana. Ou seja, a palavra é crime.

Desde a obscura parceria entre a corrupta Conmebol com uma empresa ‘pirata’ de aviação, até a irresponsabilidade do piloto, tudo cheira mal, mas não surpreende. Infelizmente, é assim que as coisas funcionam por aqui.

Tem um ditado que diz: é nas situações extremas que as pessoas se revelam. Alguns se sobressaem, outros se escondem, a maioria fica no ‘meio da tabela’. E há também, obviamente, os que sempre tentam levar vantagem.

O Atlético Nacional de Medellin, por exemplo, mostrou que não se tornou o maior clube da América do Sul neste ano por acaso. Gente simples, respeitosa, honrada, com espírito vencedor. Gente que orgulhou o mundo inteiro.

Por sua vez, os dirigentes e os jogadores do Inter mostram a cada dia porque estão sendo rebaixados para a segunda divisão. Porque estão conseguindo a ‘façanha’ de se colocar abaixo da linha do medíocre.

Covardia, arrogância, oportunismo. Atitudes que envergonham a imensa torcida colorada e ainda dão ‘munição’ para que o futebol brasileiro, em peso, vejam só, se sinta no direito de nos dar lição de moral.

Moral de cuecas, é claro, pois não há nada mais desonrado e imoral do que o futebol brasileiro. E nele devem ser incluídos todos os envolvidos. Pois, querendo ou não, ‘aceitam’ que um criminoso permaneça no poder.

Com ou sem o direito absurdo de tentar recuperar no tapetão o que não fez em campo, o Inter precisa, urgente, recomeçar, voltar às suas origens. Ser, de fato, o clube do povo. Na Série B.

Vida longa à Chapecoense!

A Davis, enfim, é dos argentinos

27 de novembro de 2016 2

Argentinos e croatas travaram um grande duelo, certamente uma das melhores finais de Copa Davis que acompanhei.

As escalações de Cilic e Del Potro para a partida de duplas mostraram que ambos os capitães tinham plena convicção de que a disputa seria ‘palmo a palmo’ até o último ponto. E assim foi.

A vitória nas duplas deixou os croatas em vantagem. E a dúvida era se Del Potro, ‘o eterno lesionado’, estaria 100% para domingo, já que na semifinal contra os britânicos ele havia ficado de fora da decisão.

Veio o domingo, Del Potro e Cilic protagonizaram um verdadeiro partidaço. O croata começou mais solto, mais agressivo, abriu dois sets de vantagem, mas Del Potro mostrou que é um monstro do esporte.

O argentino demorou pra soltar os golpes, mas ficou mentalmente no jogo, cresceu na hora certa e conseguiu uma virada espetacular. Cilic fez o que pôde, jogou e lutou muito, mas do outro lado estava um grande campeão.

A seguir, coube ao ascendente Delbonis e ao veterano Karlovic decidirem tudo. E deu Argentina em sets diretos, onde um Delbonis intenso e determinado passou por cima de um Karlovic amarrado, apático, irreconhecível.

Depois de perder quatro vezes na final, a Argentina finalmente é campeã da Copa Davis. Conquista justa de um país que realmente ama e valoriza o esporte, e não apenas vencer no futebol.