Preocupante o relato que faz meu amigo Chico Alves lá de Uruguaiana, no espaço onde falo sobre as comissões de frente. Aqui em Porto Alegre, alguns internautas se manifestaram também. O assunto: comissões de frente e a importação de carnavalescos de fora do Estado. Há sempre que ressaltar que nosso Carnaval segue o modelo do Rio, carnaval espetáculo. Uma escolha feita de forma muito espontânea, sem pressão ou algo assim.
Tal modelo toma forma concreta quando da fundação da Sociedade Recreativa Beneficente Cultural Academia de Samba Praiana, fundada em março de 1960, trouxe o jeito carioca de fazer Carnaval. A escola revolucionou sendo a primeira a desfilar com alas, fantasias, alegorias, tudo como conhecemos dos Carnavais de hoje. Feita por um grupo de pelotenses, chegou a ser hors concours do Carnaval de 1962. Logo, faz muito tempo que temos os nossos desfiles neste formato.
Muito já se falou neste espaço das mudanças que aconteceram em nosso Carnaval. Hoje, algumas coisas exigem de nós uma reflexão. Nossos destaques são profissionais de muito bom nível. Uma opinião importante, a de mestre Manoel Dionísio, carioca , professor dos grandes casais, fala sempre da qualidade de nossos mestres-salas e porta-bandeiras. Fazendo justiça depois dos cursos e oficinas realizados aqui, muitos de nosso casais progrediram bastante.
Em Uruguaiana, me alerta o Chico Alves, a importação do Rio de Janeiro é algo que precisa ser revisto. Puxadores, compositores e até diretores de Carnaval, bem como carnavalescos, já têm em Uruguaiana um mercado muito interessante, quase cativo. Do ponto de vista da contribuição destes carnavalescos, é algo excelente.
O Carnaval é grande demais para acomodar xenofobia e discriminação. Temos que estar atentos, não podemos deixar passar nenhum exagero. Carnavalescos de fora do Estado a trabalho em nosso Carnaval é uma realidade, e parece que veio para ficar. Mas é da maior importância manter uma possibilidade para o pessoal da terra.
Não falo de reserva de mercado, mas da preservação de um espaço para o crescimento do talento local. Um espaço para a assimilação do conhecimento, um caminho para deixar passar o nosso jeito de fazer Carnaval. Aqui em Porto Alegre temos alguma semelhança com Uruguaiana, mas não na mesma intensidade.
Por aqui está acontecendo uma experiência importante. Estamos vivendo uma troca que envolve carnavalescos, puxadores do Rio de Janeiro e de São Paulo também. A direção da Eacpars trabalha tem um profissional do Rio, Zé Luís Azevedo, profissional de muita experiência na organização do Carnaval na Marquês de Sapucaí.
Particularmente, acho que todo este conjunto de fatos novos significa um grande avanço. As oficinas, cursos, seminários e palestras trouxeram novidades e muita informação.
O Carnaval é uma estrada de duas mãos, logo cabem trocas, experiências e muito trabalho. O Carnaval de nosso Estado mudou. Uruguaiana adquiriu uma importância decisiva com o seu Carnaval temporão.
Assim que o complexo estiver pronto, o Porto Seco será importante referência, e com certeza um dos maiores sambódromos do país. Para os que estão envolvidos com comissões de frente, têm que estar claro que as coisas não estão prontas nem acabadas, excessos não nos levarão ao caminho correto. Nosso Carnaval está sendo construído. E isto pode ser facilitado se houver mais discussão, quem sabe um seminário especifico feito pela Aecpars e Udesca, possa nos indicar um caminho seguro.












