Foto Luiz Armando Vaz
Por Antônio Carlos Côrtes
O texto de Gaston Bachaleard, "A formação do espírito científico", que discorre sobre a paciência da erudição, nada tem a ver com a paciência científica. Mas o que isso tem com o quesito conjunto do carnaval? Tudo e nada, aliás, o grande Tim Maia já afirmava: tudo é tudo e nada é nada.
O quesito conjunto é sutil, é a alma ou o espírito planetário do desfile. Ele é invisível e visível. É a luz que brilha de dentro para fora da escola. É a aura da escola no desfile. É o lado imaterial, que o envolve sob o pálio a qualidade total. "É o todo do desfile". A forma geral integrada como a escola se apresenta, mostra a uniformidade da apresentação: música, dramaticidade, visual, coreografia, arte e beleza harmonicamente. É o equilíbrio artístico do conjunto.
Cada desfile tem a sua própria trajetória e sua liturgia no imaginário coletivo. Uma escola pode fazer um desfile super-empolgado, comunicar com a massa, mas vem sem P&MS. Logo, não pode almejar nota máxima. A intuição do avaliador é o olfato da mente, é intuição é um sexto sentido. Cada um de nós tem a sabedoria e o conhecimento de que necessita em seu próprio interior (Jung).
Muitos dos avaliadores vêem o carnaval, mas o avaliador do quesito conjunto enxerga por dentro e por fora a escola e seu desfile. É o quesito difícil de avaliar, exige do avaliador estar ligado todo o tempo, ao menor deslize que possa comprometer o conjunto. Possuímos carnavalescos com elevado saber para este quesito: Sergio Bastos, Osvaldo Ferreira dos Reis, Dirney Ribeiro, Nilo Feijó, Cesar Lucena e Luiz Fernando Lima. Ao mesmo tempo, é o mais fácil de avaliar eis que se uma escola apresenta-se bem em todos os quesitos tem um PLUS, merece nota máxima no conjunto. Ex: Uma pessoa que não conhece nada de carnaval, mas sabe identificar cada quesito. Ao final do desfile, o repórter pergunta: quem desfilou melhor? A resposta traz em seu bojo, a que apresentou melhor conjunto.
A regra é o conjunto vai bem o individual vai bem. o individual mal o conjunto vai mal. Setores da imprensa carioca afirman: Se é um super-quesito deveria repetir a soma geral. Errado uma escola pode fazer um desfile perfeito, obtendo nota máxima em todos os quesitos, porém desfilou sem levantar a arquibancada, fez um desfile frio, com o regulamento sob o braço. O quesito conjunto esta lá para observar isto, a nota não pode ser a máxima. O mesmo setor da imprensa afirmar que pode acontecer dupla penalização. Errado, por exemplo, se uma escola deixou buraco na avenida ela é penalizada no quesito Evolução, logo não podera receber nota máxima no quesito. Eis que aquele quesito viciou, contaminou este. Ponto.
O quesito conjunto precisa ser avaliado, a luz de uma sala de cirurgia, com calma, firmeza, objetividade e profundidade necessárias.




