Mais um Carnaval. Dez escolas, duas noites de desfiles, um título em jogo. Ah, e não dá para esquecer: um rebaixamento. Ou seja, como sempre, uns festejarão, outros vão lamentar.
O período pré-carnavalesco, não há como negar, é um definidor de favoritos. Começar o trabalho antes mesmo da chegada do inverno (ou seja: logo após o término do Carnaval anterior), captar recursos com profissionalismo (para isso, a organização conta muito), estabelecer e cumprir metas são alguns dos fatores que acabam se refletindo no reta final.
Embora em pleno Século 21 ainda haja "censores", críticos não de opiniões, mas de quem opina, não abro mão de revelar as minhas. Até porque isso faz parte das minhas funções jornalísticas.
Sendo assim, começo minha análise pela campeã do ano passado. A Estado Maior da Restinga, mais uma vez, não brinca em serviço. Com a força da comunidade e com apoio de patrocinadores, a Tinga realizou bons ensaios e não teve percalços em seu trabalho de barracão. Logo, não há como não dizer que vem forte para a briga.
Situações semelhantes são vividas por Império da Zona Norte e Imperadores do Samba, a meu ver, as duas principais desafiadoras da campeã. A Império, sabe-se, em seus ensaios, insistiu muito numa questão que ajudou a afastá-la do título nos dois últimos anos; a evolução.
A Imperadores, a meu ver, tem como principal mérito a combinação da tradição, com a garra de seus componentes, com a gestão moderna do Carnaval, principalmente no que diz respeito ao trabalho de barracão.
Embora o favoritismo, não há como dizer que a disputa esteja restrita a essas três escolas. Exemplo disso foi o Carnaval de 2010, quando a Imperatriz Dona Leopoldina, que três meses antes dos desfiles havia perdido a quadra em um vendaval (por isso, não figurava entre as favoritas), desfilou com técnica e garra e garantiu seu primeiro título no Grupo Especial. E como dizia o samba do ano passado: "Imperatriz, Superação é Tua Sina".
E não podemos esquecer das vilas. União da Vila do IAPI e Unidos de VIla Isabel, que já chegaram bem pertinho, com vices-campeonatos, estão sedentas pelo primeiro título. E contam com comunidades para driblar eventuais dificuldades.
E tem também a Embaixadores do Ritmo como suas inovações em termos de preparação. Visulamente, é inegável que a escola vem fazendo ótimos desfiles. E agora, seu povo está cantando o samba.
Acadêmicos de Gravataí e Protegidos da Princesa Isabel (de Novo Hamburgo) são visitantes que sempre buscam estragar a festa das anfitriãs. A primeira, inclusive, até bem pouco tempo esteve figurando na noite das campeãs.
De propósito, deixeu para o fim a Bambas da Orgia. Muito se falou nas dificuldades encontradas pela escola no período pré-carnavalesco. Mas quem conhece a história da azul e branco sabe que isso não é novidade. E em outras oportunidades, os problemas foram driblados na hora do desfile.
Portanto, caros leitores, mesmo com os visíveis favoritismos, surpresas não estão proibidas de acontecer. O que deixa o espetáculo ainda mais emocionante. Boa sorte a todas as escolas, e bom Carnaval a todos nós.









