Incrível e curiosa a rivalidade do vermelho com o azul e vice-e-versa. No esporte, no Carnaval e em outras manifestações folclóricas, quando estas duas cores se encontram em lados opostos, o antagonismo parece mais acirrado.
Vejam o caso do Gre-Nal. Até patrocinadores são obrigados a mudarem suas cores no Olímpico e no Beira-Rio para evitar que o vermelho e o azul "invadam" o território alheio. Só para dar um exemplo.
E o Festival Folclórico de Parintins, que, a cada junho, divide a mítica ilha de Tupinambara, no coração do rio Amazonas?
A rivalidade expressa nas toadas, que até a década de 60 gerava brigas e, às vezes, até mortes, hoje é responsável por um megaevento, que atrai, a cada ano, milhares de turistas, de todo o Brasil e do Exterior.
Mas o antagonismo, agora pacífico, segue vivo, e cada vez mais forte. Há quem diga que as mulheres do Caprichoso jamais usam esmaltes vermelhos. Do lado Garantido, ninguém compraria um carro azul. E cada um se refere ao rival como Boi Contrário, para evitar de pronunciar o nome. E por aí afora.
No Carnaval de Porto Alegre também há o confronto entre o vermelho e o azul. Isso até inspirou o compositor Edson Vieira, autor da criativa Só Tem um Problema Nesse Amor (... ela é bamba e ele é imperador).
É bem verdade que atualmente a rivalidade está menos acirrada, até por força do crescimento de outras escolas. Mas, mesmo que não estejam brigando pelo título, Bambas da Orgia e Imperadores do Samba sempre estarão envolvidas em uma disputa à parte.
Mas no Carnaval, felizmente, a rivalidade costuma ser pacífica, de bom nível e até cortês. Lembro de um dos episódios mais bonitos já ocorridos por aqui:
Estavam sendo apuradas as notas dos jurados no Carnaval de 1995. As duas favoritas daquele ano, Bambas da Orgia, que realizou um brilhante desfile com o enredo Festa de Batuque, e a Imperadores do Samba, que apresentou muito bem O Fantástico Mundo de Monteiro Lobato, disputavam palmo a palmo, para vibração de suas torcidas, colocadas frente a frente nas arquibancadas.
Ao final, é anunciado o resultado: Imperadores campeã, com um ponto de diferença (naquela época, não havia ponto fracionado). Os vermelhos foram ao delírio e, quando se esperava uma vaia do lado azul, veio a primeira surpresa: a vitória dos adversários foi aplaudida.
Foi então que veio o fato mais inesperado: em retribuição às palmas, a torcida da Imperadores imediatamente começou a cantar o samba da Bambas. O Carnaval nos reserva essas coisas boas.






