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Audiência pública, acústica...

20 de agosto de 2013 2

Nesta quarta-feira à noite, a Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) da Câmara Municipal da Capital promoverá uma audiência pública sobre a conclusão do Complexo Cultural do Porto Seco. Começará às 19h30min, na Avenida Plínio Kroeff, 1000, Bairro Sarandi, bem próximo ao local de desfiles do Carnaval.
Devem participar vereadores, evidentemente, representantes de secretarias e órgãos municipais e estaduais, o grupo de trabalho da Assembleia Legislativa que trata do assunto, e a comunidade, que reivindicou a audiência.

Faz bem a Câmara Municipal ao propiciar um diálogo entre as partes interessadas na conclusão do Complexo. Será uma oportunidade ímpar de discussão, uma vez que o novo projeto, que está em fase de conclusão e deverá ser executado a partir do próximo ano, se tudo der certo, foi apresentado e debatido pela prefeitura apenas com dirigentes de escolas de samba.

Não vou discutir ou questionar aqui a representatividade e a legitimidade dos presidentes das escolas de samba. Mas alguns aspectos devem ser levados em conta nessa relação:
Nem sempre os interesses mais imediatos são convergentes. Na década passada, por exemplo, houve presidente que se contentasse com a construção dos barracões, que foram inegavelmente um avanço, mas que contemplou apenas uma das partes interessadas nos desfiles. Lembro que um(a) presidente chegou a me dizer, na época: “se a gente não colocar a escola na rua, não tem Carnaval”, não levando em conta que a recíproca é verdadeira: para quem desfilariam as escolas se não houvesse público?

Além disso, mesmo que, administrativa e politicamente os dirigentes sejam as autoridades máximas em suas entidades, não há a garantia de que sejam os mais indicados para sugerir e debater detalhes do projeto. Serei mais claro: um diretor de bateria pode estar mais apto a opinar sobre o espaço de recúo do que um presidente. Então, em vez reunir todos os presidentes de escolas de samba e mais a Aecpars e a Ungespa, creio que seria mais produtivo se fosse criada uma comissão de dirigentes, abrindo espaço nas discussões para representantes de outras entidades, como a Associação dos Diretores de Bateria (Asdiba) e da União dos Destaques do Carnaval (Udesca), por exemplo.

Outro ponto que me preocupa diz respeito ao projeto arquitetônico em si.
Quem projeta e constrói depois, tem a vantagem de observar os erros e os acertos dos que fiezeram antes. Porém, em minha humilde opinião, Porto Alegre repete um erro do Rio de Janeiro que, por sinal, já foi corrigido na capital fluminense.

Aliás, já me referi a esse assunto, neste mesmo espaço, no dia 9 deste mês. É sobre o plano de obras para a construção de arquibancadas e camarotes. Recebi a informação de que será priorizado o lado esquerdo da pista, no sentido dos desfiles (Norte-Sul), onde serão construídas as arquibancadas. Em um segundo momento, serão realizadas as obras do lado direito, destinado aos camarotes, cabines e afins.

Surge-me aí uma preocupação: enquanto houver construção em apenas de um dos lados, não estará comprometida a acústica da avenida para os desfiles? Lembro-me que, em mais de uma oportunidade, ouvi reclamações sobre o Sambódromo carioca, que, até o carnaval de 2011, tinha, em boa parte de sua extensão, um lado com arquibancadas, e espaços vazados entre elas, e, do outro, um “blocão” contínuo de camarotes (o chamado Setor 2). Segundo as queixas que ouvia, essa arquitetura era terrível para a acústica durante os desfiles.

Entre os carnavais de 2011 e 2012, diante da possibilidade de implosão do prédio de uma cervejaria (antes tombado pelo Patrimônio Público), foi possível colocar em prática o projeto original do gênio Oscar Niemeyer, e o sambódromo da Marquês de Sapucaí passou a ser simétrico: arquibancadas com as mesmas dimensões de cada lado.

Em Porto Alegre, enquanto houver concreto apenas de um lado, como ficará a acústica para os desfiles?

Comentários (2)

  • Jesus Machado diz: 21 de agosto de 2013

    Mais uma vez não vai dar em nada, esta tarde o prefeito anuncio cortes nos orçamento publico.

  • Paulo Bastos diz: 23 de agosto de 2013

    Enquanto nao tiverem pulso e organizaçao,vai ser assim.Porque os PIQUETES sao unidos,e as ESCOLAS DE SAMBA nao.Porque acham que o carnaval e feito num mes e nao feito o ano todo para fazerem uma boa apresentaçao.Sao Paulo começou depois de Porto Alegre e olha a estrutura hoje.

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