Antes de mais nada faço questão de esclarecer que, mesmo colorado assumido, sou totalmente favorável à construção da Arena gremista. Sem dúvidas, será um belo palco para o futebol em nossa cidade, que, além de tudo, desde já, está promovendo o desenvolvimento daquela região, porta de entrada da Capital para quem chega por meios rodoviários.
Contudo, não pode ser esquecido que, há exatos dez anos, a população do Bairro Humaitá, que agora abrigará o moderno estádio gremista, refutou, com todas as suas forças, a construção do Sambódromo naquela região.
Vamos relembrar: em 2001, a prefeitura de Porto Alegre, após anos de polêmica, nos quais outras três áreas haviam sido rechaçadas (Parque Harmonia, ao lado do Estádio Beira-Rio e próximo à Foz do Arroio Dilúvio), levantou outras três hipóteses: Humaitá, Restinga e Porto Seco.
Em fevereiro do ano seguinte, em reunião do Conselho Municipal do Plano Diretor, os representantes do Humaitá se demonstraram radicalmente contra à construção do Sambódromo no bairro. Antes disso, já haviam entregue ao prefeito um documento com 6,7 mil assinaturas, defendendo esta mesma posição.
O que mais me impressiona foram os principais argumentos apresentados: a construção de um equipamento como um sambódromo causaria um grande impacto, negativo, devido ao número de pessoas que atrairia e ao consequente movimento que provocaria no bairro.
Não vi manifestações nesse sentido quando do anúncio da construção da Arena.
Comparando:
* A capacidade do Sambódromo seria para, no máximo, 40 mil pessoas.
A Arena vai comportar mais de 60 mil.
* O Sambódromo seria utilizado, para Carnaval, no máximo, seis noites por ano,
A Arena terá jogos o ano inteiro.
E o Sambódromo acabou no Extremo Norte da cidade.




Fotos: Luiz Armando Vaz



