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Queridos Fulano e Fulana...

04 de março de 2015 0

Em agosto de 2009, eu comprei um carro. Era a coisa mais cara  que  eu já tinha comprado até então e eu lembro bem do frio na  barriga.  Hoje eu vendi esse carro. Um pouco porque precisei, um  pouco  porque escolhi – tava cansada de dirigir em São Paulo e  cheguei à  conclusão de que aquele carro já não me trazia a desejada  liberdade  e independência.
carrogabvuolo

    Nesses 5 anos e meio, eu descobri outros jeitos de me deslocar  pela  cidade. E descobri que a liberdade pode estar em tirar um  cochilo  no busão (como eu fiz hoje, voltando do cartório); ou então  em  voltar pedalando pra casa; ou então eu caminhar distâncias que  antes eu julgava enormes (e de quebra encontrar amigues pelo  caminho ♥). Vender o carro me deu um alívio tremendo, mesmo  sentindo um frio na barriga igual ao que senti quando eu comprei –  porque, afinal, viver sem carro será algo completamente novo pra  mim.
Deixei uma cartinha simpática pros novos donos (porque ativista que é ativista deixa recado até nessa hora, rs). Transcrevo aqui pra quem tiver saco de ler.
E deixo também um beijo pras pessoas que botaram pilha e que me inspiram todos os dias, provando que sim, viver sem carro é possível – e talvez seja bem melhor. Obrigada.

‪#‎maisamormenosmotor‬

Queridos Fulano e Fulana,
Antes de mais nada, obrigada por comprarem meu carro! Vocês nem imaginam como isso será importante neste momento da minha vida… Agradeço demais, de verdade.

Como vocês sabem, hoje deixo de ser uma motorista diária e passo a ser uma pedestre e ciclista. Escolhi outros jeitos de me locomover pela cidade, e por isso gostaria de deixar quatro pedidos para vocês:

1. Por favor, deem sempre preferência ao pedestre – mesmo quando ele não estiver na faixa. Lembrem-se de que aquela pessoa que caminha é um carro a menos na rua – e portanto, menos trânsito e menos poluição! Nem sempre há faixas e calçadas decentes por onde o pedestre passa, mas o pedestre é sempre bem mais frágil do que o carro. Por isso, todo cuidado é pouco.

2. Por favor, tenham cuidado com ciclistas como eu. Nós também somos bastante frágeis – qualquer deslize ou imprudência recai sobre nossos corpos, e não sobre a lataria (como acontece com um carro). Ultrapassagens em alta velocidade podem fazer com que a gente desequilibre e caia, por causa do deslocamento de ar. Passar muito pertinho também – é por isso inclusive que o Código de Trânsito diz que os veículos devem manter 1,5m de distância na hora de ultrapassar bicicletas. É difícil medir 1,5m ali, no meio do trânsito, então, por garantia, basta mudar de faixa na hora de ultrapassar. Não custa nada – e, por outro lado, uma ultrapassagem descuidada pode custar nossa vida. Lembrem-se de que o ciclista também é um carro a menos na rua – e portanto menos trânsito e menos poluição.

3. Por favor, deem preferência aos ônibus. Eles transportam muitas pessoas ao mesmo tempo. Se todas essas pessoas resolvessem ter um carro, teríamos muitos carros a mais na rua. Mais carros = mais trânsito, mais poluição e mais stress. Respeitar a faixa de ônibus e dar preferência aos coletivos beneficia todo mundo – quem anda de carro e quem anda de ônibus.

4. Por último, por favor, sejam gentis. São Paulo tem um trânsito maluco e muitas vezes a gente esquece que quem está dentro do outro carro são pessoas, como nós e nossos familiares. Não custa nada ser gentil, dar passagem, não fechar cruzamentos, não parar sobre a faixa de pedestre, etc. Tenho certeza que vocês, assim como eu e muita gente, também querem uma cidade melhor e menos estressante. Mas se a gente não começar fazendo a nossa parte, isso não vai acontecer nunca.

Eu fui bastante feliz com este carro nos últimos 5 anos e meio e ele foi muito útil pra mim. Espero que o mesmo valha pra vocês!

Boa sorte, e nos vemos nas ruas,
Gabriela Vuolo

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