Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de janeiro 2014

O volume II de 'Ninfomaníaca'

31 de janeiro de 2014 0
Crédito: California Filmes

Crédito: California Filmes

Certo, saiu o trailer do Volume II de Ninfomaníaca… Olha, particularmente, achei as cenas que aparecem no final do Volume I (como que antecipando um pouco do que virá na sequência) muito mais interessantes do que estas do trailer. Tinha visto pitadas de violência e desespero que me deixaram animada. Talvez por isso tenha achado esta primeira prévia liberada para divulgação do filme meio leve. Será que foi aquela trilha super pop que surgiu no final a responsável por desvirtuar minhas expectativas, hehe? Tô para dizer que o riffzão nervoso do Rammstein no trailer do Volume I tinha caído bem melhor ao clima do filme.

Sobre o Volume I, ainda acho que ficou longe das principais obras de Lar von Trier (Dançando no Escuro, Dogville, Anticristo e por aí vai), mas eu gostei do filme. Curti muito as relações doidas que o roteiro propõe, fazendo o espectador refletir sobre a vida da protagonista por meio de preceitos da pescaria, da polifonia de Bach, etc. Não posso deixar de falar também sobre a participação de Uma Thurman, numa performance tão espetacular quanto doentia.

Pelo que me consta, a previsão de estreia de Volume II é 28 de março (ao contrário do que mostra ali no trailer). Aguardemos então…

Obrigação desta quinta

30 de janeiro de 2014 2

metropolis19271_1

Obrigação desta quinta para quem curte cinema clássico é ir até o Teatro do Sesc, a partir das 20h. O projeto Cinema de Verão vai exibir o impressionante Metropolis, de Fritz Lang. Mudo e em preto e branco, o filme de 1927 é um marco na história da sétima arte e da ficção científica. A entrada é franca.

Lembrei que há alguns meses, numa entrevista com o guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura, descobri que ele é muito fã deste filme. O último disco da banda é inspirado na obra, inclusive, e traz no título uma frase do filme: The Mediator Between Head and Hands Must be the Heart (algo como “o mediador entre a mente a as mãos deve ser o coração”).

— Eu vi uma versão mais nova do filme, com sequências que ficaram perdidas durante muito tempo. É fantástico, um clássico feito na década de 1920 com efeitos milagrosos. Mostra uma sociedade robotizada, todo mundo andando do mesmo jeito, sem liberdade, trabalhando para poucos poderem usufruir dos jardins do Éden, a gente vê muito disso hoje em dia, dessa escravidão de muitos para poucos. (No disco) a gente pôde se relacionar com temas atuais através dessa frase (The Mediator Between Head and Hands Must be the Heart), sobre não perder a condição humana. Se você tem informação na cabeça e ação pelas mãos sem ter capacidade de argumentação, protesto ou questionamento, você não é mais que um robô só recebendo informação e agindo — refletiu o guitarrista.

Vejam um trailer atual aqui:

Drama premiado

29 de janeiro de 2014 0
Crédito: California Filmes

Crédito: California Filmes

O filme está indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2014 e acaba de abocanhar sete prêmios do 30º Robert Awards, principal premiação do cinema dinamarquês. A Caça levou para casa estatuetas importantes como Melhor Diretor (Thomas Vinterberg) e Melhor Ator (Mads Mikkelsen).

A trama acompanha Lucas (Mikkelsen), um professor de jardim de infância que é acusado de abuso sexual por uma de suas alunas. Assim, ele vira alvo na cidade onde mora. Me arrepiei só de ver o rosto do personagem na foto ali em cima.

Pelo que consta, o filme já está disponível nas locadoras…vale procurar…

Curtindo adoidado

28 de janeiro de 2014 2
Crédito: Imovision

Crédito: Imovision

Olha só, o cineasta Sebastián Lelio queria fazer um filme mais leve do que seu último trabalho, El Año del Tigre, que abordou os desastres naturais no Chile. Então que ele acabou descobrindo algo interessantíssimo sobre mulheres divorciadas e experientes.

— Descobrimos a existência de toda uma cena em Santiago voltada para solteiros maduros, um mundo cheio de vida, onde os adultos parecem se divertir mais do que os adolescentes de hoje — disse ele, em entrevista ao Globo.

Eis o mote do longa Gloria, que acompanha uma mulher de 58 anos (a atal Gloria, vivida por Paulina García), em sua luta diária contra a solidão. O longa, produzido por Pablo Larraín (diretor do ótimo No), concorre ao Goya de melhor filme ibero-americano.

Ah, a a brasileiríssima Águas de Março faz parte da trilha e serviu de inspiração para o filme. O diretor disse que, tanto a música como a história do filme, combinam “prazeres e dores de uma forma doce”.

Achei o trailer bem divertido, o filme deve estrear no Brasil esta semana. O que me dizem?

Caxiense na disputa

27 de janeiro de 2014 0
Crédito: Plano9 Filmes

Crédito: Plano9 Filmes

Tem vídeo dirigido por caxiense na lista dos melhores clipes gaúchos de 2013! A disputa organizada pelo Programa do Roger (TVCOM) apontou 30 trabalhos selecionados por uma comissão de jornalistas da área de cultura de Zero Hora e TVCOM. O clipe de Contando Estrelas, da Tequila Baby, dirigido por DeivisHorbach (lembram que eu falei dele no blog né?) concorre com um monte de outras produções bacanas e, até há pouco, estava em terceiro lugar na competição.

Você pode votar e conferir os clipes concorrentes aqui.

De volta aos clássicos

25 de janeiro de 2014 0

nosferatu-murnau1

Será lançado nesta segunda-feira um projeto com o qual estou muito animada. É o Cinema de Verão, que levará clássicos do cinema mudo parta espaços públicos, em sessões gratuitas. A iniciativa é louvável, simplesmente por oportunizar o acesso a títulos de importância inquestionável para um público geralmente acostumado a outro tipo de linguagem audiovisual. A iniciativa ocupará o Sesc, a praça Dante, além de praças dos bairros Ana Rech, Galópolis, Desvio Rizzo, Santa Lúcia do Piaí, Fazenda Souza, Reolon e Vila Ipê.

Estava conversando com o Robinson Cabral, que é o idealizador dessa baita iniciativa, e ele me contou qual seu filme preferido da lista de clássicos escolhidos para serem exibidos:

- Sem sombra de dúvida é o Nosferatu. Esse filme foi um dos que me levou a querer fazer cinema. Sou louco pela montagem dele. Adoro!

Eu também amo esse filme, Robinson!

Bem, fiquem ligados então na programação. Tudo começa nesta segunda, às 20h, ali na praça Dante Alighieri, com exibições de curtas dos imprenscindíveis irmãos Lumière e do mestre dos efeitos visuais George Méliès. A partir da terça, as exibições seguem assim:

* Luzes da Cidade, de Charles Chaplin (1931), dia 28, às 20h, na praça de Ana Rech

* Em Busca do Ouro, de Charles Chaplin (1925), dia 29, às 20h, na praça de Galópolis

* Metrópolis, de Fritz Lang, dia 30, às 20h, no teatro do Sesc

* O Nascimento de uma Nação, de David W. Griffith (1915), dia 31, às 20h, no teatro do Sesc

* Um Homem com uma Câmera, de Dziga Vertov (1929), dia 1 de fevereiro, às 20h, no teatro do Sesc

* Fausto, de F.W. Murnau (1926), dia 2, às 20h, no teatro do Sesc

* Vida de Cachorro, de Charles Chaplin (1918), às 20h, dia 3 na praça de Forqueta, e dia 4 na Lagoa do Desvio Rizzo

* Sherlock Holmes Jr., de Buster Keaton (1924), às 21h, dia 3 na praça de Forqueta, e dia 4 na Lagoa do Desvio Rizzo

* Tempos Modernos, de Charles Chaplin (1936), dia 5, às 20h, na praça do Reolon

* Nanook, o Esquimó, de Robert J. Flaherty (1922), dia 6, às 20h, no teatro do Sesc

* Um Cão Andaluz, de Luis Bruñuel (1929), dia 7, Às 20h, no teatro do Sesc

* A Idade de Ouro, de Luis Bruñuel (1930), dia 7, às 20h30min, no teatro do Sesc

* O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein (1925), dia 8, às 20h, no teatro do Sesc

* Nosferatu, de F.W. Murnau (1922), dia 9, às 20h, no teatro do Sesc

* O Garoto, de Charles Chaplin (1921), dia 10, às 20h, na praça do Vila Ipê

* O Circo, de Charles Chaplin (1928), dia 11, às 20h, na praça de Santa Lúcia do Piaí

* A General, de Charles Chaplin (1927), dia 12, às 20h, na praça de Fazenda Souza

Histórias de DJs

24 de janeiro de 2014 0
Crédito: Arquivo pessoal

Crédito: Arquivo pessoal

Jorge de Jesus (ou Mono, como todo mundo o conhece) está sempre matutando ou realizando algum projeto cultural em Caxias. No último edital do Financiarte ele aprovou um documentário que será produzido este ano. Faixa Bônus pretende contar um pouco sobre a história dos DJs (ou disque-jóqueis, como eram chamados quando começaram a pintar nas discotecas) da cidade.

Entre as entrevistados da produção estão nomes como Jaime Rocha (lembram do Som Fantasy?), Betto GG, Jorge Rocha Netto, Eliseu Marin, Julius Rigotto (que aparece cheio de glamour ali na foto). A ideia é delimitar a história até a chegada do CD, nos anos 1990…

Tô bem curiosa para ver o que o Mono vai mostrar dessa vez. Só para lembrar que, em 2009, ele lançou o doc bacaníssimo Volume Um! Em Bom Som, sobre os primórdios da cena rock de Caxias. Essa produção você pode ver aqui.

O documentário da Festa da Uva

23 de janeiro de 2014 0
Crédito: André Susin

Crédito: André Susin

Terá pré-estreia nesta quinta, para convidados, o documentário Festa da Uva 80 Anos A Celebração de uma Identidade. O filme conta com mais de 30 depoimentos, além de imagens históricas e atuais da terrinha.

O documentário poderá ser conferido na íntegra durante a Festa da Uva 2014 e, depois disso, no cinema e na televisão.

Dá uma olhadinha do making of que o diretor Airton Soares, da CDI Filmes (de Porto Alegre), liberou para a gente.

'Ninfomaníaca' no Cinépolis

22 de janeiro de 2014 0
Crédito: Califórnia Filmes

Crédito: Califórnia Filmes

Pois bem, achei que os cinemões de Caxias iam ignorar completamente Ninfomaníaca – Volume 1, por causa do apelo sexual e tal. Mas o Cinépolis surpreendeu e estreia o último do Lars von Trier nesta sexta. O filme terá sessões às 19h50min e 22h15min, todos os dias.

Boa notícia né?

A propósito, os engraçadinhos de plantão não perderam tempo em tirar onda com os, até então, polêmicos cartazes do filme (que simulam expressões de gozo). Aqui embaixo, minhas paródias preferidas…

ninfo parodia um

ninfo parodiaa1

ninfo parodiaaa1

Sobre 'Azul é a Cor Mais Quente'

21 de janeiro de 2014 0
Crédito: Imovision

Crédito: Imovision

Ok, acho que tem alguns spoilers nesse texto, mas compartilho minha resenha de Azul é a Cor Mais Quente, publicada no Pioneiro desta terça. O filme estreia nesta quinta na Sala de Cinema Ulysses Geremia.

A liberdade é azul

Não — apesar do título —, esse texto não tem nada a ver com o filme de Kieslowski, integrante da famosa trilogia das cores. Mas o trocadilho se torna quase inevitável depois de conferir um dos filmes mais comentados de 2013 e que chega nesta semana a Caxias do Sul, na Sala de Cinema Ulysses Geremia.

Azul é a Cor Mais Quente também traz “o azul” no título mas, durante as quase três horas da produção francesa, a tonalidade se relaciona muito mais com a descoberta de um estado de espírito, do que com o (outro) trocadilho que o título em português (originado do nome da história em quadrinho em que a trama se baseia) sugere _ no original, em francês, o filme tem o nome mais apropriado de A Vida de Adèle – Capítulos 1 e 2.

Nos primeiros minutos das três horas do longa, somos apresentados a uma adolescente comum, que acorda atrasada para a aula, troca ideias com as amigas e gosta de literatura. Mas há algo de tão difuso no olhar de Adèle que faz o espectador sucumbir rapidamente à interpretação de Adèle Exarchopoulos (sim, personagem e atriz têm o mesmo nome). Um dia, caminhando pela rua, a garota cruza com um olhar azul, e um cabelo da mesma cor. Ela ainda não sabe, mas será engolida pela cor, como se fosse a imensidão do mar ou do céu. No auge dos 15 anos, Adèle será apresentada à intensidade de sentir-se livre, ao mesmo tempo que entregue a um sentimento. Porém, antes de aparecer em forma de olhar e cabelos da personagem Emma (Léa Seydoux), a cor já havia tonalizado a tela em cenas como a do protesto de estudantes por mais recursos à educação. Ali, gritando por um ideal e envolta em fumaça (adivinhem?) azul, Adèle encontra-se com si mesma, outra sensação única.

Então, depois do encontro e do reencontro em um bar, Adèle e Emma se apaixonam e o que se segue é tão naturalmente humano que chega a doer no espectador. O amor se revela no aprendizado que uma divide com a outra (talvez a melhor parte de qualquer relacionamento), no prazer compartilhado pelo sexo, ou na sensação de lentamente encontrar-se no mundo com a ajuda do outro. Mas as falhas também ficam mais expostas numa rotina em casal e alguém vai cometer um erro, que acarretará outro erro e, enfim, amores não duram para sempre no século 21.

Se o comentário geral sobre Azul é a Cor Mais Quente foram as tórridas cenas de sexo lésbico, o diretor Abdellatif Kechiche as justifica com uma trama essencialmente dedicada à intensidade da interpretação. Exatamente por isso, as duas atrizes foram convidadas a dividir com o diretor a Palma de Ouro no Festival de Cannes, algo inédito até então. O filme não existiria como ele é se uma das três “peças” estivesse faltando. Nas quase 800 horas de gravações, o mais recorrente foram sequências de improvisação e longos diálogos entres as personagens. Depois de ver o filme, é quase redundante falar da força das atuações e do roteiro. Há poucas brincadeiras estéticas, há muito close em rosto e dramaticidade. E há tanta vida — preste atenção na cena da briga entre Adèle e Emma, por exemplo — que as sequências de sexo se encaixam perfeitamente, são mostradas com a mesma veracidade que as outras tantas nuances daquele relacionamento. Como a própria atriz Adèle Exarchopoulos bem definiu, o filme é uma “grande aventura humana”.

O desfecho é inesperado como a própria vida, que aliás, precisa seguir. Na cena final, o azul parece já ser intrínseco à personagem Adèle. A liberdade já foi descoberta e agora é preciso lidar com ela.