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Um viva a 'Ia Dizer que Voltei'

08 de maio de 2014 0
Crédito: Gustavo Juber

Crédito: Gustavo Juber

Tenho comparecido a várias sessões de estreia de produções locais ultimamente – ah, lembrei que na próxima quarta será a vez da ficção O Grande L, dirigida por Lê Daros. Pois bem, geralmente não escrevo aqui sobre esses filmes depois de tê-los visto, o que é uma baita injustiça. Simplesmente porque tem muita coisa legal sendo feita.

Na noite de quarta estive na Sala de Cinema Ulysses Geremia para conferir o filme Ia Dizer que Voltei, produzido de forma independente em Caxias do Sul. E devo dizer que fiquei impressionada com a qualidade do trabalho, principalmente por ter sido realizado por uma equipe técnica praticamente sem experiência prévia em audiovisual. Legal também ter visto a sessão lotada para a estreia.

Na trama de 29 minutos, Robert (Marcelo Casagrande) decide fazer uma surpresa para a família, voltando para o lugar de onde havia saído alguns anos antes. Lá ele acaba se deparando com uma realidade um tanto inesperada. Casagrande está bem convincente na pele do personagem, assim como todos os outros quatro atores em cena (Rafaela Giacomelli, Maria do Horto Coelho, Gregory Debaco e Louise Pierosan). Não há, porém, como não se surpreender com o desempenho da veterana Maria do Horto na pele de uma mãe um tanto fora dos padrões. O semblante dela comunica uma melancolia misturada com loucura intensamente arrebatadora. A presença da personagem só cresce durante o filme, é ela a grande dama da trama (para ter um gostinho, confiram aquele vídeo ali embaixo).

A fotografia (assinada por Gustavo Juber) é competente, cheia de iluminações (feitas por Eduardo Taborda) amareladas, sombras e contra-luz. A câmera parada é bastante utilizada e valoriza silêncios estéticos importantes em tramas com flerte entre suspense e horror. A locação (encontrada pela equipe em Faxinal da Serra) foi realmente um achado. Os móveis de madeira parecem ter um brilho natural, o que valorizou muitos takes.

A trilha deu um tom mais sofisticado ao filme, bem fiel à sonoridade das produções de terror italianas setentistas (Dario Argento mandou um abraço), escolha acertada do diretor Mateus Frazão. O gosto do diretor pelo cinema dos irmãos Coen também fica evidente no diálogo meio surreal entre mãe e filhos dentro do quarto, decidindo o destino de um cadáver. Rolou um humor bem obscurinho ali. Outro elemento interessante foi a câmera subjetiva mais ao final do filme, que conferiu dinâmica e a tensão necessária no caminho para o desfecho. Ah, curti também o detalhe da camiseta dos Misfits usada pela personagem Ana, figurino bem adequado, hehe.

Bem, certamente esqueci aqui de mencionar várias outras coisas legais sobre Ia Dizer que Voltei, porém, o que queria mesmo dizer para o diretor Mateus Frazão e sua equipe é: “não parem”. Sei um pouquinho do esforço que foi fazer o filme de forma independente, também sei do envolvimento de um monte de gente para que as coisas saíssem como planejado (fazer jorrar sangue de um pescoço parece muito mais fácil do que realmente é né?), então, o primeiro e mais corajoso passo já foi dado. Agora é seguir em frente.

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