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'A Gaiola Dourada' estreia em Caxias

31 de julho de 2014 0

Pessoal, depois de um mês intenso da mostra Documento Brasil, a Sala de Cinema Ulysses Geremia volta às tradicionais estreias de ficção. Nesta quinta, a telona recebe a comédia A Gaiola Dourada, co-produção entre França e Portugal. O filme fica em cartaz até o dia 10 de agosto.

O filme é bem divertidinho, dá uma olhada…

Grande família

Uma família ganha uma boa quantidade de dinheiro inesperadamente e muda de vida, esse é o mote para uma comédia que se tornou campeã de bilheteria. É, mas as semelhanças entre o longa nacional Até que a Sorte nos Separe e o franco-português A Gaiola Dourada param por aí. Ainda bem.

A estreia desta semana na Sala de Cinema Ulysses Geremia traz um humor suave, com personagens mais tendenciados à uma comédia mais contida do que a caricatura do fazer rir a qualquer custo.

A trama acompanha a história da família Ribeiro, capitaneada pelo casal José e Maria, portugueses que emigraram para a França em busca de uma vida melhor longe do regime autoritário de Salazar. O patriarca ganha a vida como mestre de obras e a esposa é a porteira e “faz tudo” de um condomínio de classe média alta. Zeladores que vivem ao lado dos filhos num apertado apartamento concedido a eles no prédio, os dois são constantemente explorados pelos vizinhos com a exigência de trabalhos braçais a qualquer hora do dia.

Quando recebem uma herança inesperada, José e Maria sentem vontade de voltar à terra natal, mas o povo do condomínio e o dono da construtora não querem nem pensar em como a vida seria sem esses esforçados funcionários por perto. Assim, os interessados em convencer os portugueses a permanecerem na França vão elaborar as mais injustas estratégias para tal.

A comédia marca a estreia do jovem Ruben Alves como diretor. O roteiro também é dele, e presta uma homenagem aos pais, imigrantes portugueses na França _ só que, no caso deles, não houve herança alguma. Com elenco cheio de estrelas lusitanas, A Gaiola Dourada se tornou a produção mais vista em Portugal em 2013 e uma das maiores bilheterias nos cinemas da Europa. Mérito de uma comédia despretensiosa, em que a simplicidade conta como ponto a favor.

Ruben Alves vem sendo comparado ao espanhol Pedro Almodóvar e chegou a vencer o veterano na categoria prêmio do público do último European Film Awards. A estética tem mesmo alguns pontos em comum _ figurinos, cenografia, trilha _, mas talvez o que mais aproxime os dois diretores seja mesmo as atenções voltadas às personagens femininas.

Em A Gaiola Dourada, acompanhamos as peripécias de pelo menos cinco mulheres e cena. Talvez a mais almodovariana seja a espalhafatosa irmã de Maria (Jacqueline Corado). A atriz Maria Vieira, conhecida do público brasileiro por ter participado de novelas globais, vive uma hilária diarista e divide com a patroa, interpretada pela francesa Chantal Lauby, alguns momentos divertidos. A protagonista vivida por Rita Blanco tem atuação mais contida e cativa exatamente por isso.

Não há cenas hilariantes nesta comédia, justamente porque não há personagens ou situações extraordinárias na trama. O riso natural que surge no espectador vem mais de um possível identificar-se com pessoas simples e seus “planos infalíveis” do dia a dia. Uma grande família e os costumes típicos do lugar de onde ela vem já foram matéria-prima para muitas comédias. Geralmente dá certo, ainda mais quando a receita prevê leveza no tom humorístico.

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