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Sessão comentada

04 de outubro de 2014 0
Crédito: Sony Pictures

Crédito: Sony Pictures

Pessoal, tô atrasada né, eu sei, mas ainda dá tempo de convidar todo mundo para a sessão comentada do filme Ela, de Spike Jonze, que vai rolar neste sábado. A sessão está marcada para as 15, na Sala de Cinema Ulysses Geremia. A entrada é franca e, depois do filme, haverá debate com a psicóloga e mestranda em Filosofia Camila Sheifler Lang e o psicólogo e mestre em Psicologia Social e Institucional Rafael Wolski de Oliveira.

A realização é do Diretório Acadêmico de Psicologia da FSG em parceria com a Unidade de Cinema e Vídeo da Secretaria da Cultura. O projeto foi batizado de Insaniam Cinematográfico e está estreando neste sábado.

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Aqui, um texto que escrevi na época dolançamento de Ela, sem dúvida, um dos meus preferidos dos últimos tempos. Mas já aviso que minhas palavras não está à altura dessa belezura de filme, então, se ainda não viu, dê um jeito de passar pela cinema do Ordovás neste sábado.

O mundo ainda será lindo

Que “apaixonar-se é uma forma socialmente aceitável de insanidade”, todo mundo já desconfiava, mas ao ser absorvido pela trama do filme Ela, a imersão no mundo das relações humanas fica muito mais profunda. O espectador se dá conta, inclusive, que elas podem transcender o dito aspecto “humano”.

É que a trama escrita e dirigida por Spike Jonze se passa num futuro aparentemente próximo e mostra o nascimento de uma paixão entre um homem recém-divorciado e um sistema operacional com inteligência artificial. Se você leu essa sinopse sem saber nada mais sobre o filme, é bom avisar, entretanto, que não se trata de um drama sobre tecnologia, com carros voadores, ciborgues ou algo assim. É um filme sobre a louca e complexa capacidade de sentir.

Theodore é um homem solitário que está enfrentando uma separação. Os olhos limpidamente verdes de Joaquin Phoenix vivenciam essa melancolia de forma impressionante – o ator foi injustamente esquecido pela academia este ano. Na primeira cena do filme, o rosto marcante do personagem (que ganhou ainda um bigode meio indie) toma a tela inteira. Ele narra uma declaração de amor: “antes, eu vivia minha vida como se soubesse de tudo, de repente eu vi uma luz que me despertou, essa luz era você”. Logo o espectador entende que o personagem exerce a poética profissão de escrever cartas, num tempo em que esse é mais um serviço vendido. Não se trata de uma simples técnica, ou somente um talento, entende-se logo que Theodore tem olhar apurado para as coisas do coração.

Se a propaganda de um produto prometesse responder perguntas como “quem é você? O que você pode ser? Aonde vai? O que está lá fora? Quais são as possibilidades?”, eu também ia querer comprar, seja lá o que fosse. É assim que Theodore adquire Samantha, o sistema operacional que tanto ele como o espectador vai conhecer somente por meio da doce e rouca voz de Scarlett Johansson. Ela vasculha toda a existência virtual (e-mails, trabalhos, etc) do dono e passa a travar com ele diálogos cada vez mais profundos, cheios de descobertas para ambos.

A melhor amiga de Theodore, Amy (vivida de forma apaixonante por Amy Adams), também engata uma relação amigável com um sistema operacional e, aos poucos, o mundo todo parece caminhar pela rua interagindo com suas próprias “Samanthas”. Assusta um pouco porque parece perfeitamente possível acontecer fora da ficção. O futuro criado por Jonze ainda tem muitos tons pastéis, linhas geométricas, prédios enormes e temíveis calças masculinas de cintura alta. As pessoas andam apressadas e geralmente sozinhas. Mas a frieza inerente à abordagem das relações pessoais no futuro ganha tons coloridos.

A história de Theodore e Samantha vai além da normalmente cilada cinematográfica do homem apaixonado por uma máquina. Eles passam a ser os olhos do mundo um para o outro e, se não podem ter uma fotografia, materializam-se em melodia (preste muita atenção na ótima trilha do filme, basicamente assinada pela banda Arcade Fire).

O roteiro de Jonze (vencedor do Oscar) capta a essência de uma paixão de maneira bem pouco usual. Não há afetações, nem grandes reviravoltas, a história se desenvolve com a naturalidade das próprias relações amorosas que vão crescendo até sentirmos que mudaram algo em nós.

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