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Vejam 'O Jogo da Imitação'

28 de janeiro de 2015 3

Gostei muito de O Jogo da Imitação, que está concorrendo a oito prêmios no Oscar 2015. Já assistiu? Está em cartaz em Caxias em pré-estreia.

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Entre códigos

Concorrente de A Teoria de Tudo — filme sobre o físico Stephen Hawking, que ainda não estreou por aqui — na disputa por quatros troféus do Oscar, o longa O Jogo da Imitação carrega outra similaridade com o primeiro título: retrata a história real de uma mente brilhante. Dirigido por Morten Tyldum, o drama em cartaz em Caxias do Sul deve surpreender espectadores, seja pelo impacto de sua trama, seja pela atuação sensível de Benedict Cumberbatch. O ator está no mínimo sensacional na pele de Alan Turing, matemático inglês contratado para decifrar os códigos de comunicação utilizados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas se Hawking é um personagem super popular e reconhecido mundialmente por suas ideias, O Jogo da Imitação ganha um ponto a seu favor por jogar luzes num protagonista praticamente desconhecido do grande público (pelo menos o brasileiro). Isso também abre as possibilidades para a construção da persona Turing, que ocorre sem pressa na telona. De início, o espectador se depara com um matemático arrogante e cheio de si, mas aos poucos vai descobrindo facetas cada vez mais humanas e dramáticas. Dono de um raciocínio quase impraticável até para os colegas que o acompanhavam na missão de decodificar a comunicação nazista, o matemático criou uma máquina capaz de obter êxito na missão ultra secreta. Mas, depois do grande feito, não colheu os louros exatamente. Solitário, suicidou-se aos 41 anos.

A construção da Inglaterra durante a Segunda Guerra é outro ponto positivo do filme, com carros, casas, bicicletas, uniformes, tudo impecável. A máquina criada por Turing, protótipo do que hoje conhecemos por computador, é um capítulo à parte. Visível no cartaz do filme, a imponente engenhoca deve ter dado um trabalhão para os responsáveis pela cenografia, mas valeu a pena. É incrível vê-la em funcionamento. O filme também passeia pelas décadas de 1920, com um Turing adolescente descobrindo o amor, e 1950, com o protagonista depressivo e vítima de um tratamento assustador aplicado em homossexuais no Reino Unido do passado, a castração química.

O longa ainda carrega passagens mais leves, que dão movimento à história. Craque da criptografia, Turing era incapaz de entender os códigos humanos (sobretudo os femininos), usados no dia a dia. Isso motiva cenas interessantes.

Pode ser pela inteligência assustadoramente engenhosa, pela contribuição real que deixou à história (estima-se que a máquina criada por ele tenha abreviado a guerra em pelo menos dois anos, além de ter poupado milhões de vidas), ou mesmo pela atuação emocionante de Cumberbatch; fato é que o espectador sai do cinema ao mínimo feliz por ter descoberto um personagem tão rico. Se era para prestar uma homenagear póstuma a Alan Turing, o O Jogo da Imitação mostra-se muito mais adequado do que o perdão real (pela condenação por homossexualidade) concedido pela rainha Elisabete II, no tardio 2013.

As oito indicações do filme ao Oscar
Filme
Ator (Benedict Cumberbatch)
Diretor (Morten Tyldum)
Roteiro adaptado
Trilha sonora
Atriz coadjuvante (Keira Knightley)
Edição
Design de produção

Comentários (3)

  • VINICIUS diz: 28 de janeiro de 2015

    Boa Crítica, Siliane!
    Eu assisti… É um bom filme, com grandes atuações.

    Mas… se compararmos em relação ao Oscar, por exemplo, o Boyhood está anos luz na frente do Jogo da Imitação…

    Mas que bom que chegou a Caxias, tomara que venham os outros concorrentes ao Oscar…
    A teoria de Tudo, O Birdman, o Whiplash, Sniper Americano… Tomara…

  • Fábio F diz: 24 de fevereiro de 2015

    Evidentemente respeitando as opiniões contrárias, eu achei o filme medíocre. Acho que a história riquíssima poderia ter sido contada com muito mais competência. Está lotado de clichês bobos, os flashbacks em geral explicam situações já estabelecidas ou repetitivas, e o personagem central é pouco crível. Ou o cara não tem nenhuma noção de trato social e interação com pessoas, como nos momentos em que como o Sheldon de Big Bang Theory ele nem sabe o que é uma piada, ou ele compreende as nuances de uma determinada situação e chega a dissimular para se dar bem. A impressão é que as dificuldades de trato social do personagem aumentam ou diminuem de acordo com a necessidade de momento do roteiro. A Londres detonada da II Guerra que a Siliane gostou me pareceu extremamente artificial, esfregando na cara do espectador os efeitos digitais (efeito digital bom na minha opinião é aquele que vc nem percebe que é um efeito digital…). Andei lendo aqui e ali sobre o Alan Turing – que jamais havia ouvido falar, e me parece que está aí o mérito do filme, apresentar esse personagem que devia ser mais conhecido, nesse ponto concordo com a Siliane – e tenho a sensação de que o personagem, o homem, é muito mais interessante do que o filme… Acho que Hollywood perdeu a oportunidade…

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