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Grande Hotel no carnaval

13 de fevereiro de 2015 0

Para convidar a todos a ver ou rever O Grande Hotel Budapeste na telona…
Lembrando que também tem A Invenção de Hugo Cabret, sexta e sábado, às 16h.

Crédito: Fox Filmes

Crédito: Fox Filmes

Campeão de indicações ao Oscar 2015 — ao lado de Birdman —, a comédia O Grande Hotel Budapeste não passou pelas salas blockbusterianas de Caxias em 2014.

Neste fim de semana, o UCS Cinema traz a oportunidade de conferir essa obra do diretor Wes Anderson, que acompanha a aventura de um gerente de hotel e seu ajudante na busca por uma herança. As sessões gratuitas serão sexta, às 20h, e sábado, às 18h.Em nove atos (lembrando as categorias indicadas), nós garantimos que a experiência vale a pena.

DIRETOR
Wes Anderson poderia integrar o elenco de qualquer um de seus filmes facilmente, ou seja, é um pouquinho esquisito à primeira vista. Mas isso não teria importância alguma se, mais do que combinar ternos retrô com um corte de cabelo “Ronnie Von das antigas”, ele não possuísse a capacidade intensa de imprimir em suas obras uma maneira igualmente peculiar de olhar ao redor. Reconhecido por títulos como Os Excêntricos Tenenbaums, Viagem a Darjeeling e Moonrise Kingdom, entrar no mundinho do diretor é ser brindado com muitas cores (numa estética por vezes meio Bollywood) e grandes aventuras conduzidas por pessoas estranhas.

FILME
Se Boyhood (aquele longa que Richard Linklater filmou ao longo de 12 anos) impressiona pela forma, O Grande Hotel Budapeste é grandioso pela estética. Prepare-se para engolir ar de boca aberta com tomadas impressionantes, iscas certeiras para quem curte arquitetura, design e fotografia. Mas o longa de Anderson traz ainda uma grande aventura com mocinhos e vilões ao melhor estilo sessão da tarde. Some a isso o humor peculiar do diretor e ótimas atuações (elenco tem gente grande como Edward Norton, Adrien Brody, Willem Dafoe e a afinadíssima dupla de protagonistas Ralph Fiennes e Tony Revolori).

FOTOGRAFIA
Imagine que você passou num antiquário e encontrou um álbum de fotografias de pessoas distintas, todas alinhadas (ok, nem sempre) em roupas extravagantes e feitas sob medida. Ao redor delas, estão composições cenográficas que enchem os olhos, grande linhas que se cruzam, cores quentes e modernidades dos anos 1930. Imaginou? Pois é mais ou menos assim que O Grande Hotel Budapeste se parece. Lugares como a recepção e o elevador do hotel lembram cabines fotográficas das quais o espectador é convidado a participar. A cada tomada, Wes Anderson compõe seu álbum, e nada fica fora de lugar.

ROTEIRO ORIGINAL
Anderson baseou sua história em livros do escritor austríaco Stefan Zweig. A trama carrega a mão em detalhes pitorescos _ tipo toda a família da idosa que morre deixando como herança o não menos peculiar quadro O Menino e a Maçã. Na trama, a cumplicidade entre o gerente do hotel M. Gustave e o cativante lobby boy Zero (quem narra a maior parte da história) é um capítulo à parte. Os feitos da dupla carregam uma singeleza quase infantil. Talvez toda a graça da história esteja exatamente nessa mistura entre aventura juvenil com alguma malícia bem-humorada.

FIGURINO
Em O Grande Hotel Budapeste, todo mundo se veste como se tivesse assaltado o guarda-roupa de um vovô estiloso. Desde os funcionários do hotel até os policiais e, principalmente, os familiares da falecida Madame D (e ela própria, claro), todos carregam cores, tecidos ou acessórios que enchem os olhos. O longa desfila personagens caricatos, como se tivessem saído da lista de suspeitos do jogo Detetive, é só escolher o seu preferido.

MAQUIAGEM E CABELO
Nos anos 1930, década que abriga a maior parte do longa, bigodes eram muito mais legais do que são hoje em dia. O personagem do lobby boy Zero, inclusive, pinta seu próprio moustache com um lápis preto — um estilo só. As poucas mulheres em cena também carregam maquiagens impressionantes e até o batom preto ganha vida. Mas nada com relação à maquiagem e cabelo se compara ao penteado “bolo de casamento” de Madame D. (interpretada por uma irreconhecível Tilda Swinton).

EDIÇÃO
Algumas cenas de O Grande Hotel parecem congeladas, convidando o espectador a se deliciar com o quadro pintado por Anderson na telona — em grande parte desses momentos a gente se pega rindo sem saber de quê, culpa dos personagens pitorescos do filme. Outras sequências, como as que se passam na cabine de um trem, investem numa edição mais rápida, deixando o filme dinâmico e sem cansar quem assiste.

DESIGN DE PRODUÇÃO
Antigamente chamada de direção de arte, essa categoria tem caráter um pouco mais técnico. Mas, conferindo O Grande Hotel, é impossível não se impressionar com o requinte estético de cada cena. Só para citar um exemplo, você vai querer sair do cinema e entrar na primeira confeitaria, tamanha a gostosura dos takes envolvendo os doces da fictícia marca Mendl’s. Também há muito apuro com relação à arquitetura, design, moda, etc. A enorme sala de banho azul, o elevador vermelho, o minúsculo quarto de Zero, tudo parece exatamente trabalhado sob a medida do bom gosto artístico.

TRILHA SONORA
Harpa, cravo, violão, violinos e referências que remetem à Grécia, à Índia, ao folclore celta, ao renascentismo, etc. Pode parecer estranho, mas tudo isso nas mãos do mestre Alexandre Desplat ganhou unidade e ficou incrível. O cara é tão bom que concorre ao Oscar na mesma categoria também pela trilha de O Jogo da Imitação.

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