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"Birdman" em Caxias

24 de fevereiro de 2015 0

Viva!! Antes tarde do que mais tarde…. Depois de conquistar quatro dos principais prêmios do Oscar no último domingo, o GNC se mexeu e exibe Birdman em Caxias a partir desta quinta.

Nas asas da ironia

Os quatro troféus do Oscar que Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) conquistou no último domingo garantiram que ele chegasse a Caxias, mesmo um mês depois da estreia nacional. Mas não baseie sua ida ao cinema nesses quatro troféus — que, diga-se de passagem, estão entre os mais importantes da premiação: melhor filme, diretor, roteiro original e fotografia — sem antes saber que tal consagração foi uma das maiores ousadias da Academia nos últimos anos. Ao deparar com um Michael Keaton conversando sozinho, de cuecas, em posição de lótus e flutuando — sim, flutuando no ar — num claustrofóbico quartinho logo na cena de abertura, você se dará conta de que o longa do mexicano Alejandro González Iñárritu pode ser tudo, menos convencional como já foram os vencedores de Oscar no passado. Se o filme te conquistar de cara, não irá decepcionar. Mas, se tudo parecer uma loucura sem propósito, dificilmente vai te convencer. Assim é Birdman: ame-o ou odeie-o.

Na história, Keaton (que perdeu a estatueta de melhor ator para Eddie Redmayne) vive Riggan Thomson, um ator em crise que tenta reconquistar a fama do passado ao mesmo tempo que deseja se afirmar como artista sério, atuando e dirigindo uma peça na Broadway. Ao lado dele, uma filha recém saída da reabilitação (Emma Stone), um colega de cena cheio de vaidade (Edward Norton, em atuação memorável ao nível Clube da Luta), um produtor sincero (Zach Galifianakis, o inesquecível gordinho de Se Beber Não Case), e outros doidos. A acidez do roteiro fica por conta da crítica explícita à indústria cultural, principalmente americana. Na história, Thomson ficou famoso ao interpretar um super-herói (o tal Birdman), persona que atormenta sua mente da mesma forma que outros super-heróis atormentam a engrenagem do cinema contemporâneo — são sempre deles as maiores bilheterias ao redor do mundo e os roteiristas de Birdman parecem bem irritados com isso. Mas um humor negro e muito ácido dá tona à narrativa, e por isso ela é atraente.

Não bastasse o conteúdo combativo do longa, o diretor Iñárritu (dos ótimos 21 Gramas e Biutiful) ainda é ousado no formato, transformando Birdman num grande plano-sequência _ é claro que existem cortes, mas eles passam batido aos olhos menos atentos. A câmera é inquieta como a mente do protagonista, e o acompanha freneticamente por corredores apertados e nada glamourosos do teatro. Ao mesmo tempo que parece simples, é uma experiência visual das mais interessantes. A trilha sonora — como se um baterista estivesse eternamente aquecendo seu instrumento — provoca o mesmo estranhamento que ver Michael Keaton flutuando de cuecas. Justamente por isso é perfeita.

A tensão da pré-estreia do espetáculo, a briga de egos, a preocupação com as críticas, a imagem projetada na internet e até o amor em tempos individualistas estão em Birdman. O melhor sobre o melhor filme do ano é que ele pensa sobre sua época. E pensa de forma divertida.

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