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Sobre "A Teoria de Tudo"

25 de fevereiro de 2015 0

Sobre A Teoria de Tudo, que chega a Caxias nesta quinta-feira..

A equação mais difícil

“E o cérebro?”, pergunta Stephen Hawking ao médico, imediatamente depois de descobrir que é portador de uma doença degenerativa que vai limitar seus movimentos. A perspectiva dava conta de que o então doutorando da universidade de Cambridge iria morrer em até dois anos. Se essa previsão, felizmente, deu errado; outra foi seguida à risca: “seu cérebro não será afetado”, responde o médico à Hawking. O diálogo, que ocorre na primeira meia hora do filme A Teoria de Tudo, justifica o frisson em torno da atuação de Eddie Redmayne no papel do cientista mundialmente reconhecido. O ator baseia grande parte de seu trabalho focando mais o cérebro brilhante do que o corpo debilitado, desafio que lhe rendeu a estatueta de Melhor Ator no Oscar do último domingo (ele também venceu o Globo de Ouro na mesma categoria).

O filme estreia em Caxias nesta quinta abordando a situação do físico num pano de fundo quase tão complexo quanto às equações de astrofísica: o casamento. O longa, dirigido por James Marsh, tem roteiro baseado no livro Viajando para o Infinito: Minha Vida com Stephen escrito pela primeira esposa de Hawking, Jane Wilde. No filme, a personagem é tão importante quanto o conhecido cientista, e reverbera a máxima de que sempre há uma grande mulher por trás de um grande homem. Isso torna igualmente justa a indicação a Melhor Atriz para Felicity Jones, intérprete de Jane.

O longa parte justamente do momento em que o casal se conhece, ele com aquele jeitão desengonçado de nerd, ela toda animada com os estudos em poesia medieval espanhola. O casal tinha tudo a ver, não fosse a sequente descoberta da doença de Hawking a abalar os planos. É a partir daí que Jane assume protagonismo tal qual Hawking. A mocinha que parecia frágil cresce aos olhos do espectador ao decidir casar com o amado mesmo com a chance de perdê-lo em pouco tempo. Eles permaneceram juntos por 25 anos, tempo que A Teoria de Tudo comprime em duas horas de filme.

Redmayne confere empatia a seu Stephen Hawking, mesmo sem poder utilizar recursos básicos como a fala e os trejeitos em grande parte do filme. A comunicação que trava pelos olhos é um trunfo do ator. Jane, que no início do casamento parecia obstinada a acompanhar o marido pelas estradas mais tortuosas, começa a sentir o peso do fardo depois da consagração de Hawking como físico e de ter tido três filhos com ele. Sim, esse é um fato não tão conhecido sobre a vida do cientista, mesmo sem movimentar o corpo, ele conseguiu ser pai por três vezes. Detalhes íntimos do matrimônio ficam restritos a apenas uma piadinha de Hawking com um amigo (“certas partes do corpo são automáticas”). Talvez por respeito aos biografados _ que estão vivos e chegaram a acompanhar gravações do filme — A Teoria de Tudo carrega alguns pudores com relação à vida em casal.

Interessados em descobrir detalhes sobre a complexa mente do gênio podem ficar um pouco decepcionados com A Teoria de Tudo, que prioriza a visão feminina e a simbólica equação da vida a dois como fio condutor.

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