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Ópera no UCS Cinema

27 de fevereiro de 2015 0

Pessoal, estarei fora por uns dias mas tenho que deixar aqui um convite bem especial. Nesta sexta, às 20h, e no sábado, às 18h, o UCS Cinema exibe o documentário Cine Ópera – Memória e Identidade. Eu tive o prazer de assisti-lo antes e posso dizer que não é só a temática (sobre o triste fim de um dos espaços culturais mais importantes que Caxias do Sul já teve) que vale a sessão. O filme dirigido por Robinson Cabral (do ótimo É Proibido Falar Italiano) é ousado no formato e faz crítica com humor e ironia.

Pintem lá, é de graça….

Ópera tragicômica

O vice-cônsul da Itália em Caxias, Massimo Menarosto, é uma caricatura do caxiense que viu um dos cinemas mais emblemáticos da cidade sucumbir a um incêndio e à má vontade política e econômica em 1994.

O personagem é o maestro a conduzir uma ópera, infelizmente trágica, que o cineasta Robinson Cabral transformou em documentário. Cine Ópera – Memória e Identidade estreia amanhã, no UCS Cinema, retomando a história de um bem patrimonial que se perdeu na paisagem, mas não na memória de quem vive em Caxias.

– Ele é um bufão, representa esse universo do italiano quase caricato – explica Cabral sobre o personagem ficcional (ou talvez não?) do vice-cônsul, que comenta e conduz a história.

Estruturado como uma ópera, o filme foi dividido em sete atos, além de epílogo e prólogo. Outra característica nada convencional para documentários produzidos por aqui são as duas horas de duração. Mas a fluidez da narrativa é garantida por outra boa sacada do diretor. Cabral decidiu usar imagens de filmes clássicos que ocuparam a telona do Ópera em algum momento de sua trajetória, subvertendo os diálogos nas legendas. Desta forma, personagens como Tarzan e Flash Gordon narram a história de forma leve, coloquial e bem-humorada.

A técnica valoriza a metáfora e permite, por exemplo, que dois importantes jornalistas da cidade – Luiz Carlos Corrêa e Renato Henrichs, que defendiam ideias opostas com relação ao tombamento do Ópera – se enfrentem numa luta livre. “A direita de Luiz Carlos Corrêa é muito forte”, revela o narrador da cena. Esse mosaico de imagens cinematográficas é um dos aspectos mais inovadores e positivos com relação ao filme – claro que somado à presença do gringo bonachão Massimo Menarosto.

– O artista é um gigolô, se apropria dos outros, se apropria do mundo (…). É um filme sobre um cinema, e o cinema é o que eu mais valorizo no documentário – comenta Cabral, sobre a inclusão dos clássicos (todos de domínio público).

Cabral conta que a ideia de falar sobre o Ópera surgiu depois de receber uma fita VHS do historiador Juventino Dal Bó. Ali estavam imagens internas e externas captadas em 1991, época do famoso Abraço ao Ópera, organizado pela comunidade. Depois de ver a fita, Cabral decidiu fazer um filme, batizado previamente de Ópera Maldita. No início, ele queria focar só entre 1991 e 1994, período em que o empurra-empurra de responsabilidades culminou no “misterioso” incêndio do cinema. Depois, reformulou a ideia.

– Como as pessoas iam dimensionar essa aberração do fim do Ópera se não dimensionassem o que aconteceu lá antes, a história do Theatro Apollo (que ocupava o mesmo espaço antes do Ópera)? – indaga o diretor.

Mesmo assim, o documentário não traz depoimentos com muito saudosismo, prioriza um caráter mais informativo do que emocional. Com oito entrevistas (os jornalistas André Costantin, Dynarthe de Borba Albuquerque, Ivanete Marzzaro e Marlei Ferreira; os arquitetos Carlos Alberto Sartor e Nelson Vasquez; e os historiadores Marcelo Caon e Maria Beatriz Pinheiro Machado), o longa não é panfletário, mas aponta praticamente todos os possíveis culpados da morte do Cine Ópera.

– A partir de agora o filme não é mais meu, está em que olha, na compreensão de cada um.

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