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Posts de fevereiro 2015

Ópera no UCS Cinema

27 de fevereiro de 2015 0

Pessoal, estarei fora por uns dias mas tenho que deixar aqui um convite bem especial. Nesta sexta, às 20h, e no sábado, às 18h, o UCS Cinema exibe o documentário Cine Ópera – Memória e Identidade. Eu tive o prazer de assisti-lo antes e posso dizer que não é só a temática (sobre o triste fim de um dos espaços culturais mais importantes que Caxias do Sul já teve) que vale a sessão. O filme dirigido por Robinson Cabral (do ótimo É Proibido Falar Italiano) é ousado no formato e faz crítica com humor e ironia.

Pintem lá, é de graça….

Ópera tragicômica

O vice-cônsul da Itália em Caxias, Massimo Menarosto, é uma caricatura do caxiense que viu um dos cinemas mais emblemáticos da cidade sucumbir a um incêndio e à má vontade política e econômica em 1994.

O personagem é o maestro a conduzir uma ópera, infelizmente trágica, que o cineasta Robinson Cabral transformou em documentário. Cine Ópera – Memória e Identidade estreia amanhã, no UCS Cinema, retomando a história de um bem patrimonial que se perdeu na paisagem, mas não na memória de quem vive em Caxias.

– Ele é um bufão, representa esse universo do italiano quase caricato – explica Cabral sobre o personagem ficcional (ou talvez não?) do vice-cônsul, que comenta e conduz a história.

Estruturado como uma ópera, o filme foi dividido em sete atos, além de epílogo e prólogo. Outra característica nada convencional para documentários produzidos por aqui são as duas horas de duração. Mas a fluidez da narrativa é garantida por outra boa sacada do diretor. Cabral decidiu usar imagens de filmes clássicos que ocuparam a telona do Ópera em algum momento de sua trajetória, subvertendo os diálogos nas legendas. Desta forma, personagens como Tarzan e Flash Gordon narram a história de forma leve, coloquial e bem-humorada.

A técnica valoriza a metáfora e permite, por exemplo, que dois importantes jornalistas da cidade – Luiz Carlos Corrêa e Renato Henrichs, que defendiam ideias opostas com relação ao tombamento do Ópera – se enfrentem numa luta livre. “A direita de Luiz Carlos Corrêa é muito forte”, revela o narrador da cena. Esse mosaico de imagens cinematográficas é um dos aspectos mais inovadores e positivos com relação ao filme – claro que somado à presença do gringo bonachão Massimo Menarosto.

– O artista é um gigolô, se apropria dos outros, se apropria do mundo (…). É um filme sobre um cinema, e o cinema é o que eu mais valorizo no documentário – comenta Cabral, sobre a inclusão dos clássicos (todos de domínio público).

Cabral conta que a ideia de falar sobre o Ópera surgiu depois de receber uma fita VHS do historiador Juventino Dal Bó. Ali estavam imagens internas e externas captadas em 1991, época do famoso Abraço ao Ópera, organizado pela comunidade. Depois de ver a fita, Cabral decidiu fazer um filme, batizado previamente de Ópera Maldita. No início, ele queria focar só entre 1991 e 1994, período em que o empurra-empurra de responsabilidades culminou no “misterioso” incêndio do cinema. Depois, reformulou a ideia.

– Como as pessoas iam dimensionar essa aberração do fim do Ópera se não dimensionassem o que aconteceu lá antes, a história do Theatro Apollo (que ocupava o mesmo espaço antes do Ópera)? – indaga o diretor.

Mesmo assim, o documentário não traz depoimentos com muito saudosismo, prioriza um caráter mais informativo do que emocional. Com oito entrevistas (os jornalistas André Costantin, Dynarthe de Borba Albuquerque, Ivanete Marzzaro e Marlei Ferreira; os arquitetos Carlos Alberto Sartor e Nelson Vasquez; e os historiadores Marcelo Caon e Maria Beatriz Pinheiro Machado), o longa não é panfletário, mas aponta praticamente todos os possíveis culpados da morte do Cine Ópera.

– A partir de agora o filme não é mais meu, está em que olha, na compreensão de cada um.

Sobre "A Teoria de Tudo"

25 de fevereiro de 2015 0

Sobre A Teoria de Tudo, que chega a Caxias nesta quinta-feira..

A equação mais difícil

“E o cérebro?”, pergunta Stephen Hawking ao médico, imediatamente depois de descobrir que é portador de uma doença degenerativa que vai limitar seus movimentos. A perspectiva dava conta de que o então doutorando da universidade de Cambridge iria morrer em até dois anos. Se essa previsão, felizmente, deu errado; outra foi seguida à risca: “seu cérebro não será afetado”, responde o médico à Hawking. O diálogo, que ocorre na primeira meia hora do filme A Teoria de Tudo, justifica o frisson em torno da atuação de Eddie Redmayne no papel do cientista mundialmente reconhecido. O ator baseia grande parte de seu trabalho focando mais o cérebro brilhante do que o corpo debilitado, desafio que lhe rendeu a estatueta de Melhor Ator no Oscar do último domingo (ele também venceu o Globo de Ouro na mesma categoria).

O filme estreia em Caxias nesta quinta abordando a situação do físico num pano de fundo quase tão complexo quanto às equações de astrofísica: o casamento. O longa, dirigido por James Marsh, tem roteiro baseado no livro Viajando para o Infinito: Minha Vida com Stephen escrito pela primeira esposa de Hawking, Jane Wilde. No filme, a personagem é tão importante quanto o conhecido cientista, e reverbera a máxima de que sempre há uma grande mulher por trás de um grande homem. Isso torna igualmente justa a indicação a Melhor Atriz para Felicity Jones, intérprete de Jane.

O longa parte justamente do momento em que o casal se conhece, ele com aquele jeitão desengonçado de nerd, ela toda animada com os estudos em poesia medieval espanhola. O casal tinha tudo a ver, não fosse a sequente descoberta da doença de Hawking a abalar os planos. É a partir daí que Jane assume protagonismo tal qual Hawking. A mocinha que parecia frágil cresce aos olhos do espectador ao decidir casar com o amado mesmo com a chance de perdê-lo em pouco tempo. Eles permaneceram juntos por 25 anos, tempo que A Teoria de Tudo comprime em duas horas de filme.

Redmayne confere empatia a seu Stephen Hawking, mesmo sem poder utilizar recursos básicos como a fala e os trejeitos em grande parte do filme. A comunicação que trava pelos olhos é um trunfo do ator. Jane, que no início do casamento parecia obstinada a acompanhar o marido pelas estradas mais tortuosas, começa a sentir o peso do fardo depois da consagração de Hawking como físico e de ter tido três filhos com ele. Sim, esse é um fato não tão conhecido sobre a vida do cientista, mesmo sem movimentar o corpo, ele conseguiu ser pai por três vezes. Detalhes íntimos do matrimônio ficam restritos a apenas uma piadinha de Hawking com um amigo (“certas partes do corpo são automáticas”). Talvez por respeito aos biografados _ que estão vivos e chegaram a acompanhar gravações do filme — A Teoria de Tudo carrega alguns pudores com relação à vida em casal.

Interessados em descobrir detalhes sobre a complexa mente do gênio podem ficar um pouco decepcionados com A Teoria de Tudo, que prioriza a visão feminina e a simbólica equação da vida a dois como fio condutor.

"Birdman" em Caxias

24 de fevereiro de 2015 0

Viva!! Antes tarde do que mais tarde…. Depois de conquistar quatro dos principais prêmios do Oscar no último domingo, o GNC se mexeu e exibe Birdman em Caxias a partir desta quinta.

Nas asas da ironia

Os quatro troféus do Oscar que Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) conquistou no último domingo garantiram que ele chegasse a Caxias, mesmo um mês depois da estreia nacional. Mas não baseie sua ida ao cinema nesses quatro troféus — que, diga-se de passagem, estão entre os mais importantes da premiação: melhor filme, diretor, roteiro original e fotografia — sem antes saber que tal consagração foi uma das maiores ousadias da Academia nos últimos anos. Ao deparar com um Michael Keaton conversando sozinho, de cuecas, em posição de lótus e flutuando — sim, flutuando no ar — num claustrofóbico quartinho logo na cena de abertura, você se dará conta de que o longa do mexicano Alejandro González Iñárritu pode ser tudo, menos convencional como já foram os vencedores de Oscar no passado. Se o filme te conquistar de cara, não irá decepcionar. Mas, se tudo parecer uma loucura sem propósito, dificilmente vai te convencer. Assim é Birdman: ame-o ou odeie-o.

Na história, Keaton (que perdeu a estatueta de melhor ator para Eddie Redmayne) vive Riggan Thomson, um ator em crise que tenta reconquistar a fama do passado ao mesmo tempo que deseja se afirmar como artista sério, atuando e dirigindo uma peça na Broadway. Ao lado dele, uma filha recém saída da reabilitação (Emma Stone), um colega de cena cheio de vaidade (Edward Norton, em atuação memorável ao nível Clube da Luta), um produtor sincero (Zach Galifianakis, o inesquecível gordinho de Se Beber Não Case), e outros doidos. A acidez do roteiro fica por conta da crítica explícita à indústria cultural, principalmente americana. Na história, Thomson ficou famoso ao interpretar um super-herói (o tal Birdman), persona que atormenta sua mente da mesma forma que outros super-heróis atormentam a engrenagem do cinema contemporâneo — são sempre deles as maiores bilheterias ao redor do mundo e os roteiristas de Birdman parecem bem irritados com isso. Mas um humor negro e muito ácido dá tona à narrativa, e por isso ela é atraente.

Não bastasse o conteúdo combativo do longa, o diretor Iñárritu (dos ótimos 21 Gramas e Biutiful) ainda é ousado no formato, transformando Birdman num grande plano-sequência _ é claro que existem cortes, mas eles passam batido aos olhos menos atentos. A câmera é inquieta como a mente do protagonista, e o acompanha freneticamente por corredores apertados e nada glamourosos do teatro. Ao mesmo tempo que parece simples, é uma experiência visual das mais interessantes. A trilha sonora — como se um baterista estivesse eternamente aquecendo seu instrumento — provoca o mesmo estranhamento que ver Michael Keaton flutuando de cuecas. Justamente por isso é perfeita.

A tensão da pré-estreia do espetáculo, a briga de egos, a preocupação com as críticas, a imagem projetada na internet e até o amor em tempos individualistas estão em Birdman. O melhor sobre o melhor filme do ano é que ele pensa sobre sua época. E pensa de forma divertida.

Ainda do Oscar

23 de fevereiro de 2015 0

Ainda do Oscar, duvido quem não tenha se emocionado com a execução de Glory, por John Legend & Common. Foi merecidíssima a vitória da dupla na categoria canção origloryginal, pelo importante filme Selma…

Melhor ainda foi o discurso libertários dos músicos ao receber o prêmio.

— Nina Simone disse que é dever do artista mostrar os tempos em que vivemos. Selma pode ter sido há 50 anos, mas é agora porque a luta por justiça é agora. O direito ao voto pelos quais eles lutaram, hoje, agora, estão sendo comprometidos. Vivemos no país com a maior população carcerária do mundo. Existem mais homens negros presos do que escravos na época da escravidão — apontou Legend.

A qualidade do vídeo não está das melhores, mas serve para dar uma ideia a quem não assistiu.

Oscar dos discursos inflamados

23 de fevereiro de 2015 0
Crédito: Fox Filmes

Crédito: Fox Filmes

Foi um Oscar de discursos, de importantes recados, de microfones sendo usados para defender ideais, não somente para abrigar vozes infladas de orgulho e soberba. E talvez a mais importante mensagem com relação à edição 87 da premiação tenha sido justamente escolher como principal vencedor uma obra que coloca o dedo na cara da indústria cinematográfica, uma espécie de panfleto reflexivo sobre o que é e como consumimos arte hoje. Birdman levou os prêmios mais importantes da noite: melhor filme, diretor, roteiro original e fotografia. O longa narra a história de um ator que tenta retomar o sucesso do passado, quando interpretou um super-herói. Ironicamente, o roteiro critica o universo do blockbuster americano.
Alejandro González Iñárritu foi o segundo mexicano a ganhar o Oscar de melhor diretor consecutivamente (ano passado a estatueta foi para Alfonso Cuarón, por Gravidade) e fez um discurso a favor da arte:

— Ego perde competições, porque para ganhar alguém tem que perder. Mas o paradoxo é que a arte verdadeira, a verdadeira expressão individual e todo o trabalho desses companheiros cineastas incríveis não pode ser comparado, não pode ser rotulado, não pode ser derrotado, porque eles existem e nosso trabalho só será julgado, como sempre, pelo tempo.

Mesmo com os discursos reflexivos de Iñárritu, ficou no ar um sentimento de injustiça com relação a Boyhood. Indicado em oito categorias, o longa de Richard Linklater levou apenas um Oscar. Acreditava-se que o filme conquistaria pelo menos um entre os principais troféus (roteiro, diretor ou filme), concedidos a Birdman. Levando em conta a sensibilidade da narrativa e a forma inovadora com que a história foi filmada — tendo o tempo como um de seus personagens —, Boyhood realmente merecia mais respaldo da Academia.

Única premiada pelo filme como melhor atriz coadjuvante, Patricia Arquette foi quem abriu os discursos humanistas da noite, inflamando a plateia feminina (Meryl Streep vibrou tanto que virou meme nas redes sociais).

— Está na hora de termos salários iguais de uma vez por todas e direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos — disse Patricia.

Os demais atores premiados — sem novidades, já que vinham colecionando estatuetas de premiações anteriores — também lembraram de minorias. A melhor atriz, Julianne Moore, falou das pessoas com Alzheimer, e o melhor ator, Eddie Redmayne, dos pacientes com esclerose lateral amiotrófica, ambos inspirados por seus personagens em Para Sempre Alice e A Teoria de Tudo, respectivamente.

Mesmo com as tiradas engraçadas do apresentador Neil Patrick Harris (a recriação da cena da cueca, de Birdman, foi impagável), esse foi um Oscar sério, de palavras sérias. Os músicos John Legend e Common arrancaram lágrimas da plateia com sua interpretação de Glory (do filme Selma), escolhida com justiça a melhor canção original. Parafraseando Nina Simone, John Legend acabou dando o tom da noite em seu discurso: “é o dever de um artista refletir o tempo em que vive”.

VEJA A LISTA COMPLETA DE PREMIADOS

Veja todos os ganhadores do Oscar 2015:
Melhor filme: “Birdman”
Melhor diretor: Alejandro González Iñárritu, “Birdman”
Melhor ator: Eddie Redmayne, “A Teoria de Tudo”
Melhor atriz: Julianne Moore, “Para Sempre Alice”
Melhor ator coadjuvante: J.K. Simmons, “Whiplash – Em Busca da Perfeição”
Melhor atriz coadjuvante: Patricia Arquette, “Boyhood – Da Infância à Juventude”
Melhor roteiro original: “Birdman”
Melhor roteiro adaptado: “O Jogo da Imitação”
Melhor animação: “Operação Big Hero”
Melhor filme estrangeiro: “Ida”, da Polônia
Melhor documentário: “Citizenfour”
Melhor edição: “Whiplash – Em Busca da Perfeição”
Melhor fotografia: “Birdman”
Melhor direção de arte: “O Grande Hotel Budapeste”
Melhores efeitos visuais: “Interestelar”
Melhor edição de som: “Sniper Americano”
Melhor mixagem de som: “Whiplash – Em Busca da Perfeição”
Melhor figurino: “O Grande Hotel Budapeste”
Melhor cabelo e maquiagem: “O Grande Hotel Budapeste”
Melhor trilha sonora original: “O Grande Hotel Budapeste”
Melhor canção original: “Glory”, do filme “Selma”
Melhor curta-metragem: “The Phone Call”
Melhor curta-metragem de animação: “O Banquete”
Melhor curta-metragem de documentário: “Crisis Hotline: Veterans Press 1″

Sobre os indicados a melhor filme

22 de fevereiro de 2015 0
Crédito: FOX Filmes

Crédito: FOX Filmes

O Oscar chega a sua 87ª edição neste domingo e com oito longas concorrendo na categoria principal — um a menos do que no ano passado. Apenas três dos candidatos a levar a estatueta de Melhor Filme passaram pelos cinemas de Caxias do Sul, apesar de todos terem estreado no Brasil. Ano passado, os títulos que chegaram por aqui vieram com atraso, depois da premiação. Que vergonha né…

Bom, seguem breves considerações a respeito de cada um dos concorrente a melhor filme, além de informações sobre as categorias de ator, atriz, direção e roteiro.

Bom Oscar a todos!

 

O GRANDE HOTEL BUDAPESTE
O longa de Wes Anderson carrega “grande” no nome e na forma. É impossível não se impressionar com takes muito coloridos, com belas composições que envolvem arquitetura, design, fotografia, moda, etc; da mesma forma que não dá para sair ileso das peculiaridades de cada um dos personagens um tanto bizarrinhos (a cara do diretor) do longa. Apesar do elenco cheio de estrelas (Ralph Fiennes, Adrien Brody, Willem Dafoe, Tilda Swinton), O Grande Hotel é favorito a abocanhar categorias mais técnicas, como design de produção, figurino, maquiagem e afins. Trata-se de uma aventura envolvente ao melhor estilo mocinhos e vilões, porém empacotada num visual de tirar o fôlego.
Outras indicações: diretor (Wes Anderson), roteiro original, fotografia, edição, design de produção, figurino, maquiagem e cabelo e trilha sonora
Em Caxias: o filme foi ignorado por GNC e Cinépolis em 2014, quando estreou. O UCS Cinema resgatou-o em duas sessões na semana passada, ambas com grande procura de público.

BOYHOOD
Vencedor do Globo de Ouro na categoria Drama, Boyhood carrega a mão na sensibilidade para falar da passagem do tempo. O aspecto mais inovador com relação à obra de Richard Linklater é ter filmado o mesmo elenco durante 12 anos, condensando em quase três horas de filme uma reflexão visual sobre o banal, o ordinário, ou seja, a vida de todos nós. É um filme para degustar com calma, observando grandes atuações (Ethan Hawke e Patricia Arquette estão ótimos) e se deixando levar pela proposta minuciosa do diretor. Merece a estatueta pela mescla de ousadia na forma com a poesia no conteúdo.
Outras indicações: diretor (Richard Linklater), ator coadjuvante (Ethan Hawke), atriz coadjuvante (Patricia Arquette), roteiro original, edição
Em Caxias: chegou em Caxias em dezembro, com um mês de atraso e somente no GNC

BIRDMAN
Junto com O Grande Hotel Budapeste, Birdman carrega o maior número de indicações neste Oscar: nove. O longa de Alejandro Gonzáles Iñárritu tem um valioso potencial crítico em seu roteiro, colocando o dedo na ferida da indústria cinematográfica “blockbusteriana”. Na história, um ator ex-intérprete de super-herói tenta reencontrar o sucesso. Com atuações memoráveis de Michael Keaton e Edward Norton, ambos super cotados para levar estatuetas, o longa também surpreende visualmente investindo no plano sequência como regra (ainda que não levada à risca) de montagem. É um tapinha na cara bem contemporâneo, que versa com inteligência e humor sobre redes sociais, celebridades, egos e, claro, arte.
Outras indicações: diretor (Alejandro Gonzáles Iñárritu), ator (Michael Keaton), ator coadjuvante (Edward Norton), atriz coadjuvante (Emma Stone), roteiro original, fotografia, edição de som e mixagem de som
Em Caxias: estreou no Brasil em 29 de janeiro — não há previsão para chegar em Caxias

O JOGO DA IMITAÇÃO
O maior trunfo aqui é revelar um personagem real antes pouco conhecido do grande público — salvo os viciados em History Channel. Apesar da infinidade de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, o britânico Alan Turing ainda habitava uma espécie de sombra face a grandes figuras do período. O filme dirigido por Morten Tyldum mostra o feito desse matemático brilhante em desvendar o código de comunicação usado pelos nazistas. Mas o mais interessante nem é isso, e sim adentrar o universo pessoal de Turing, compartilhando de seus dramas. A reflexão sobre violência que o filme propõe também é muito interessante.
Outras indicações: diretor (Morten Tyldum), ator (Benedict Cumberbatch), atriz coadjuvante (Keira Knightley), roteiro adaptado, edição, design de produção e trilha sonora
Em Caxias: o único entre os concorrente ao Oscar de Melhor Filme que está em cartaz em Caxias atualmente, no GNC e Cinépolis

SELMA – UMA LUTA PELA IGUALDADE
Selma é sobre a marcha histórica encabeçada pelo ativista Martin Luther King em luta pelos direitos dos negros ao voto, em 1965. Mas é em pequenas salas, gabinetes de políticos, auditórios e igrejas que a história se desenvolve, geralmente sob belas iluminações em tons quentes. É um filme de diálogos e discursos — e vale destacar a boa performance do protagonista David Oyelowo. O tema conduzido pela diretora Ava DuVernay é importantíssimo, mas parece pouco provável que a academia repita o prêmio para um filme com temática semelhante a do vencedor do ano passado, 12 Anos de Escravidão. Tem mais chance com Glory, bela canção original que fecha o filme.
Outras indicações: canção
Em Caxias: estreou no Brasil no dia 5 de fevereiro — não há previsão para chegar em Caxias

A TEORIA DE TUDO
Não espere uma grande viagem pela mente de um de um dos cientistas mais importantes e conhecidos da atualidade. Claro, ainda é Stephen Hawking o grande personagem do filme, mas o roteiro convencional prioriza o ponto de vista da primeira esposa dele, Janel Wilde, já que se baseia no livro de sua autoria. Apesar de ser um pouco chapa branca ao retratar personagens vivos, é mesmo assim envolvente e vale pela transformação que a doença degenerativa de Hawking provoca na vida do casal. A direção é de James Marsh.
Outras indicações: ator (Eddie Redmayne), atriz (Felicity Jones), roteiro adaptado e trilha sonora
Em Caxias: estreou no Brasil no dia 29 de janeiro — não há previsão para chegar em Caxias

WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO
Começa com um garoto meio antipático obstinado em se tornar o melhor baterista de jazz de sua época. Aí ele encontra um professor carrasco e, aos poucos, o longa do jovem diretor Damien Chazelle toma rumos inesperados e revela a provavelmente mais visceral das tramas concorrentes ao Oscar. A música é elemento dos mais importantes _ será baita injustiça se Whiplash não levar algum prêmio de som —, mas há uma carga de tensão que não deixa o espectador relaxar, mesmo com os ouvidos embalados pela beleza do jazz.
Outras indicações: ator coadjuvante (JK Simmons), roteiro adaptado, edição e mixagem de som
Em Caxias: estreou no Brasil no dia 8 de janeiro — não há previsão para chegar em Caxias

SNIPER AMERICANO
Mais recente incursão do gigante Clint Eastwood na direção, o filme foca atenções na vida do soldado Chris Kyle, que matou pelo menos 150 pessoas durante a Guerra do Iraque. Considerado um herói nos EUA, o personagem ganha a telona potencializado pelo talento de Bradley Cooper. Porém, num contexto político, Sniper é quase tão simplista quanto os faroestes recheados de americanos bonzinhos e índios vilões. Sobra patriotismo, o que prejudica outros bons aspectos com relação ao longa, porém, não o tira a chance de ser premiado com o Oscar (lembram de Guerra ao Terror?).
Outras indicações: ator (Bradley Cooper), roteiro adaptado, edição, edição de som e mixagem de som
Em Caxias: estreou no Brasil na última quinta-feira — não há previsão para chegar em Caxias

ATORES/ATRIZES
É claro que os prêmios que antecedem o Oscar dão um panorama do que deve acontecer na festa deste domingo, mesmo assim, sempre pode rolar aqueles azarões inesperados. Na categoria Melhor Ator, isso é mais fácil de acontecer, tendo em vista a disputa acirrada entre cachorros grandes. O favorito ainda é Eddie Redmayne e sua transformação física (a academia adora isso!) para viver o físico Stephen Hawking. Porém, a campanha a favor do jovem pode ter ficado estremecida com a estreia do fraco O Destino de Júpiter, sobre o qual a atuação de Redmayne tem recebido duras críticas. Por outro lado, temos Benedict Cumberbatch, que fez um trabalho espetacular em O Jogo da Imitação, Bradley Cooper, em sua terceira indicação ao Oscar consecutiva, além de Michael Keaton (arrasando em Birdman) e Steve Carell (outro que impressiona pela transformação física).

Já na categoria Melhor Atriz, é improvável que alguém tire o prêmio de Julianne Moore e seu sensível trabalho no filme Para Sempre Alice. Ela vive uma professora de 50 que descobre estar com Alzheimer. Vale lembrar que essa é a quarta vez que Julianne concorre.
Enquanto na escolha de Melhor Ator apenas um dos indicados está num filme que não concorre ao prêmio de Melhor Filme _ Steve Carell por Foxcatcher _ na categoria Melhor Atriz ocorre o oposto. Apenas Felicity Jones concorre por um filme que também está entre os melhores do ano: A Teoria de Tudo. As demais atuações foram reconhecidas por filmes não tão badalados, como o próprio Para Sempre Alice, Dois Dias, Uma Noite (com Marion Cotillard), Garota Exemplar (com Rosamund Pike) e Livre (com Reese Witherspoon).

DIREÇÃO
Não é muito comum que o prêmio de Melhor Filme, sempre o último a ser apresentado, seja entregue para a mesma obra que já ganhou a estatueta de Melhor Diretor. Num ano com tantos filmes bons concorrendo então, isso de fato não deve acontecer. Os mais cotados para receberem o prêmio são Alejandro Gonzáles Iñárritu (por Birdman) e Richard Linklater (por Boyhood). O mexicano recebeu apenas o prêmio do Sindicato dos Diretores, enquanto que o americano já levou Globo de Ouro, Critc’s Choice e Bafta. Talvez essa seja uma pista, mas não dá para esquecer que ainda temos o minuciosos trabalho de Wes Anderson frente O grande hotel Budapeste.

ROTEIRO ORIGINAL
Wes Anderson, em parceria com Hugo Guinness, pode abocanhar o prêmio pelo divertido roteiro de O Grande Hotel Budapeste. Mesmo assim, a disputa maior deve ficar, novamente, entre Birdman e Boyhood. O primeiro é mais ousado e engraçado, o segundo é mais reflexivo e poético. Os outros concorrentes são E. Max Frye e Dan Futterman (por Foxcatcher) e Dan Gilroy (por O Abutre).

ACOMPANHE
* O que: Oscar 2015
* Onde: diretamente do Dolby Theatre de Los Angeles
* Apresentação: Neil Patrick Harris (conhecido pela série How I Met Your Mother)
* Na tevê: a premiação será exibida por três canais neste domingo. A partir das 19h30min, o E! apresenta o Red Carpet. No TNT, a função da chegada das celebridades começa às 20h30min e a cerimônia às 22h. Na TV aberta, o Oscar será transmitido pela RBS TV após Big Brother Brasil. A apresentação será comandada por Maria Beltrão, com comentários do jornalista Artur Xexéo e do ator Lázaro Ramos

"Nebraska" é um dever

20 de fevereiro de 2015 0

Nesta sexta e sábado tem programa imperdível no UCS Cinema. A sala exibe o delicioso longa Nebraska, de Alexander Payne, e com os sensacionais Bruce Dern e June Squibb no elenco. A comédia concorreu em seis indicações no Oscar 2014, e nem passou perto dos cinemas de Caxias na época de sua estreia nacional. Vale muito ver!

Sexta, a sessão começa às 20h, e no sábado tem repeteco às 18h. Entrada é franca.

Crédito: Sony Pictures

Crédito: Sony Pictures

Tem cara de filme europeu, com humor peculiar e melancolia na verve (o que faz o espectador questionar diversas vezes se o filme se enquadra realmente no gênero comédia). Com grande parte do elenco já passado da faixa dos 60 anos, pode-se dizer que a escolha por filmar em preto e branco favoreceu os contrastes das marcas de expressão de cada personagem. A história é deliciosamente divertida, ao mesmo tempo que te joga num canto escuro da falta de perspectivas. Casar dois elementos assim é só para os bons.

"Ajunta" na área

19 de fevereiro de 2015 1

ajunta1

Lembram da galera que fez o impressionante curta Ia Dizer que Voltei? Pois parte da mesma equipe agora disponibiliza Ajunta, um curtinha de nove minutos que ironiza uma lei provada em Caxias do Sul. Mais um trabalho independente… meu respeito e total apoio a quem se puxa para produzir coisas na base do suor e do amor por aqui.

É isso aí Mateus Frazão e cia, continuem fazendo audiovisual, continuem trilhando o caminho.

Ah, curti demais a trilha sonora…

Nicolau de volta

18 de fevereiro de 2015 0

O longa As Férias do Pequeno Nicolau estreia nesta quinta, na Sala de Cinema Ulysses Geremia. Para quem viu O Pequeno Nicolau, de 2010, pode ficar um pouco decepcionado. Para quem não viu, tá valendo pela diversão infantil…

Crédito: Imovision

Crédito: Imovision

Sem crescer

Mudanças do elenco principal na sequência de uma trama costumam causar certo desconforto, mas em “As Férias do Pequeno Nicolau”, que estreia na quinta-feira na , no Centro de Cultura Ordovás, em Caxias, o próprio título já justifica a troca. O personagem francês, que nasceu nos quadrinhos da dupla René Goscinny e Jean-Jacques Sempé na década de 1950 e ganhou as telonas em 2010 com o filme O Pequeno Nicolau, faz do “ser criança” sua principal essência. Ou seja, não pode crescer, será sempre o “petit” Nicolau. Para isso, foi preciso que o ator mirim do primeiro filme desse espaço a outro. Saiu Maximine Godart e entrou Mathéo Boisselier, que gravou o longa aos nove anos. Essa, porém e infelizmente, não foi a única mudança que o diretor Laurent Tirard imprimiu em sua sequência.
Justamente o que mais chama atenção no primeiro filme, e na veia dos cartoons de Nicolau, é a perspectiva infantil ao olhar o mundo. Mas o que antes rendeu sequências hilárias, parece ter deixado de ser o foco principal em “As Férias do Pequeno Nicolau”. Apesar de o roteiro ainda sustentar-se num devaneio ingênuo — Nicolau acredita que seus pais querem o casar com uma garota esquisita filha de amigos, e arruma maneiras inusitadas de impedir tal loucura —, a história abre muito espaço para dramas adultos, o que tira um pouco da graça do longa francês.

Os pais de Nicolau são interpretados pela mesma competente dupla de atores (bingo!), mas ganham quase uma trama à parte da vivida pelo peraltinha. Enquanto a mãe é tentada a virar estrela de cinema (?), o pai se vê escanteado pela esposa e diminuído pela sogra megera. Mas quando o foco são as crianças, temos as melhores cenas do filme. Um ganho especial do longa é a atriz Erja Malatier, que interpreta a namoradinha de Nicolau. A cena em que ela dita a carta que ele deve escrever para a ex é impagável. Já o resto da turminha do garoto não chega a ser tão simpática quanto a do primeiro filme. Ainda temos caricaturas bem infantis — o chorão, o líder, etc —, porém, sobra pouco espaço para que cada um consiga se destacar.

Visualmente, o diretor Laurent Tirard repete o feito de 2010. As cores saturadas e o visual encantador dos anos 1960 estão lá, o que praticamente vale pelo filme todo. E se você se apaixonou pelo figurino bermudinha, gravata e suéter das crianças do primeiro longa, vai continuar adorando os estilosos trajes de praia da petizada — os maiôs das mamães também dão vontade de voltar no tempo.

Sem crescer com relação à idade do protagonista, o longa também não cresce como trama se comparado a seu antecessor. Mas se a régua passa a ser a maioria das produções feitas para crianças, “As Férias do Pequeno Nicolau” ainda é uma ótima pedida.

Grande Hotel no carnaval

13 de fevereiro de 2015 0

Para convidar a todos a ver ou rever O Grande Hotel Budapeste na telona…
Lembrando que também tem A Invenção de Hugo Cabret, sexta e sábado, às 16h.

Crédito: Fox Filmes

Crédito: Fox Filmes

Campeão de indicações ao Oscar 2015 — ao lado de Birdman —, a comédia O Grande Hotel Budapeste não passou pelas salas blockbusterianas de Caxias em 2014.

Neste fim de semana, o UCS Cinema traz a oportunidade de conferir essa obra do diretor Wes Anderson, que acompanha a aventura de um gerente de hotel e seu ajudante na busca por uma herança. As sessões gratuitas serão sexta, às 20h, e sábado, às 18h.Em nove atos (lembrando as categorias indicadas), nós garantimos que a experiência vale a pena.

DIRETOR
Wes Anderson poderia integrar o elenco de qualquer um de seus filmes facilmente, ou seja, é um pouquinho esquisito à primeira vista. Mas isso não teria importância alguma se, mais do que combinar ternos retrô com um corte de cabelo “Ronnie Von das antigas”, ele não possuísse a capacidade intensa de imprimir em suas obras uma maneira igualmente peculiar de olhar ao redor. Reconhecido por títulos como Os Excêntricos Tenenbaums, Viagem a Darjeeling e Moonrise Kingdom, entrar no mundinho do diretor é ser brindado com muitas cores (numa estética por vezes meio Bollywood) e grandes aventuras conduzidas por pessoas estranhas.

FILME
Se Boyhood (aquele longa que Richard Linklater filmou ao longo de 12 anos) impressiona pela forma, O Grande Hotel Budapeste é grandioso pela estética. Prepare-se para engolir ar de boca aberta com tomadas impressionantes, iscas certeiras para quem curte arquitetura, design e fotografia. Mas o longa de Anderson traz ainda uma grande aventura com mocinhos e vilões ao melhor estilo sessão da tarde. Some a isso o humor peculiar do diretor e ótimas atuações (elenco tem gente grande como Edward Norton, Adrien Brody, Willem Dafoe e a afinadíssima dupla de protagonistas Ralph Fiennes e Tony Revolori).

FOTOGRAFIA
Imagine que você passou num antiquário e encontrou um álbum de fotografias de pessoas distintas, todas alinhadas (ok, nem sempre) em roupas extravagantes e feitas sob medida. Ao redor delas, estão composições cenográficas que enchem os olhos, grande linhas que se cruzam, cores quentes e modernidades dos anos 1930. Imaginou? Pois é mais ou menos assim que O Grande Hotel Budapeste se parece. Lugares como a recepção e o elevador do hotel lembram cabines fotográficas das quais o espectador é convidado a participar. A cada tomada, Wes Anderson compõe seu álbum, e nada fica fora de lugar.

ROTEIRO ORIGINAL
Anderson baseou sua história em livros do escritor austríaco Stefan Zweig. A trama carrega a mão em detalhes pitorescos _ tipo toda a família da idosa que morre deixando como herança o não menos peculiar quadro O Menino e a Maçã. Na trama, a cumplicidade entre o gerente do hotel M. Gustave e o cativante lobby boy Zero (quem narra a maior parte da história) é um capítulo à parte. Os feitos da dupla carregam uma singeleza quase infantil. Talvez toda a graça da história esteja exatamente nessa mistura entre aventura juvenil com alguma malícia bem-humorada.

FIGURINO
Em O Grande Hotel Budapeste, todo mundo se veste como se tivesse assaltado o guarda-roupa de um vovô estiloso. Desde os funcionários do hotel até os policiais e, principalmente, os familiares da falecida Madame D (e ela própria, claro), todos carregam cores, tecidos ou acessórios que enchem os olhos. O longa desfila personagens caricatos, como se tivessem saído da lista de suspeitos do jogo Detetive, é só escolher o seu preferido.

MAQUIAGEM E CABELO
Nos anos 1930, década que abriga a maior parte do longa, bigodes eram muito mais legais do que são hoje em dia. O personagem do lobby boy Zero, inclusive, pinta seu próprio moustache com um lápis preto — um estilo só. As poucas mulheres em cena também carregam maquiagens impressionantes e até o batom preto ganha vida. Mas nada com relação à maquiagem e cabelo se compara ao penteado “bolo de casamento” de Madame D. (interpretada por uma irreconhecível Tilda Swinton).

EDIÇÃO
Algumas cenas de O Grande Hotel parecem congeladas, convidando o espectador a se deliciar com o quadro pintado por Anderson na telona — em grande parte desses momentos a gente se pega rindo sem saber de quê, culpa dos personagens pitorescos do filme. Outras sequências, como as que se passam na cabine de um trem, investem numa edição mais rápida, deixando o filme dinâmico e sem cansar quem assiste.

DESIGN DE PRODUÇÃO
Antigamente chamada de direção de arte, essa categoria tem caráter um pouco mais técnico. Mas, conferindo O Grande Hotel, é impossível não se impressionar com o requinte estético de cada cena. Só para citar um exemplo, você vai querer sair do cinema e entrar na primeira confeitaria, tamanha a gostosura dos takes envolvendo os doces da fictícia marca Mendl’s. Também há muito apuro com relação à arquitetura, design, moda, etc. A enorme sala de banho azul, o elevador vermelho, o minúsculo quarto de Zero, tudo parece exatamente trabalhado sob a medida do bom gosto artístico.

TRILHA SONORA
Harpa, cravo, violão, violinos e referências que remetem à Grécia, à Índia, ao folclore celta, ao renascentismo, etc. Pode parecer estranho, mas tudo isso nas mãos do mestre Alexandre Desplat ganhou unidade e ficou incrível. O cara é tão bom que concorre ao Oscar na mesma categoria também pela trilha de O Jogo da Imitação.