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Posts de março 2015

Sobre 'O Amor é Estranho'

31 de março de 2015 0

Oi, oi, oi. Estou meio sumida por aqui né, me desculpem.

Volto com um textinho sobre a estreia da próxima quinta na Sala de Cinema Ulysses Geremia: O Amor é Estranho. O filme fica em cartaz até o dia 12 de abril, com sessões quintas e sextas, às 19h30min, e sábados e domingos, às 20h.

Crédito: Alpha Filmes

Crédito: Alpha Filmes

“Quando você mora com as pessoas, as conhece mais do que gostaria”. A frase dita por um dos personagens centrais de O Amor é Estranho ajuda a resumir a premissa do longa que estreia nesta quinta na Sala de Cinema Ulysses Geremia (Luiz Antunes, 312). Dirigido pelo norte-americano Ira Sachs, o filme utiliza o pano de fundo de um casamento entre dois homens para falar sobre intimidade. O tema amplo possibilita um passeio por cenas que conversam bem com a comicidade, ao mesmo tempo que tocam em questões profundas como a terceira idade, o preconceito e os limites que garantem a liberdade de cada um.

O espectador é apresentado a George (Alfred Molina) e Ben (John Lithgow) logo no dia mais importante do relacionamento de 39 anos do casal: eles vão se casar. Mas depois de muita comemoração, George perde o emprego que mantinha há anos como professor de música numa instituição católica. O roteiro faz uma crítica pontual à postura da igreja — que aceita ter um funcionário homossexual, mas não um funcionário homossexual casado. Só depois da alfinetada necessária é que a história vai se desenrolar de fato, porém, por outro viés. A situação financeira obriga George e Ben a vender a casa onde vivem, e os dois acabam se dividindo em lares provisórios oferecidos por pessoas de seu convívio.

Fugindo do clichê mais óbvio, o filme não explora as dificuldades enfrentadas por um casal gay (praticamente) idoso em meio a sociedade ainda repleta de preconceito. Ira Sachs e o brasileiro Mauricio Zacharias construíram um roteiro mais universal, que toca em questões do cotidiano. É que, pense bem, todo mundo já teve um super amigo(a) que se mostrou amplamente estranho ao dividir com ele o mesmo teto por alguns dias. É assim que George e Ben se sentem, completos estranhos em ninhos alheios.

O artista plástico Ben vai morar com o sobrinho e acaba causando certo transtorno, principalmente à mulher dele, Kate (Marisa Tomei). Escritora que trabalha em casa, ela precisa de um tempo sozinha para se concentrar, o que não acontece quando o falante tio está por perto. Não bastasse isso, o casal ainda tem um filho adolescente mal-humorado para compor o cenário do caos. E se Ben causa incômodo ao ambiente, no caso de George ocorre o inverso. É ele que não consegue se adaptar à rotina de festas e jantares na casa do jovem casal de amigos onde foi acolhido.

Um dos aspectos mais interessantes de O Amor é Estranho está na forma como retrata a relação do casal protagonista. Há uma cumplicidade tão evidente entre os dois, que às vezes o filme fica com cara de romance, daqueles em que um casal precisa enfrentar vários obstáculos para poder ficar junto. Separados por conta do acaso, as cenas dos encontros ou conversas entre os dois são sempre belas e carregam um tom íntimo e doméstico (“Fiz minha carne refogada, mas ninguém falou nada”, conta George a Ben, provavelmente esperando dos outros as mesmas gentilezas do marido).

Ao contrário do que o título pode sugerir, não é o amor de George e Ben que é estranho — está mais para invejável. Estranhas são as situações as quais a dupla se submete quando não está lado a lado, se apoiando.

Gravando em breve

26 de março de 2015 0
Crédito: Fox Filmes

Crédito: Fox Filmes

Devem começar agora em abril as gravações do longa O Filme da Minha Vida, com direção de Selton Mello. As cidades de Bento Gonçalves, Cotiporã, Veranópolis, Garibaldi, Farroupilha, Monte Belo do Sul e Santa Tereza vão servir como cenário da história, adaptada do livro Um Pai de Cinema, de Antônio Skármeta.

Fazem parte do elenco Johnny Massaro (como o protagonista Tony Terranova), Bruna Linzmeyer (Luna Madeira) e o francês Vincent Cassel, que você conhece de filmes do naipe de Cisne Negro (foto) e Irreversível (como o pai de Tony). O próprio Selton também faz uma ponta como Paco, amigo do protagonista.

Documentário gaudério

25 de março de 2015 0
Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

Avisando meio em cima da hora, mas ok… Nesta quarta, às 20h, tem estreia do documentário Orelhadores, na Sala de Cinema Ulysses Geremia. O filme foca atenções nesses personagens que levaram a cultura do peão campeiro e da doma dos cavalos para os rodeios. Trata-se de uma produção bem gaudéria, pelo que entendi… A entrada é franca, apareçam.

A direção é de Alberto Fiedler e o custeio via Financiarte.

Histórias do Bom Fim

24 de março de 2015 0
Crédito: Epifania Filmes

Crédito: Epifania Filmes

Bah, esse estava faltando mesmo… um filme sobre o Bom Fim, o bairro da contracultura porto-alegrense. Só dá uma olhadinha neste trailer ali embaixo e confere quanta gente massa passou por aquelas ruas e deu seu depoimento no documentário Sobre um Bom Fim, dirigido por Boca Migotto.

Outra boa notícia — além da própria existência do filme, hehe — é que a produção foi selecionada para a mostra competitiva do É Tudo Verdade, o mais importante festival brasileiro dedicado ao gênero (e que ocorre entre 9 e 19 de abril). Já estou na torcida.

Floresta da morte

18 de março de 2015 2
Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

Estou curiosa sobre este filme que o Gus Van Sant está filmando, chamado Sea of Trees. A história se passa na sombria floresta japonesa de Aokigahara, o lugar com maior incidência de suicídios no Japão (e o segundo no mundo, só perde para a ponte Golden Gate). No longa, Matthew McConaughey interpreta um americano que vai até a floresta para tirar sua vida. Mas quando já está em Aokigahara, ele encontra um japonês (Ken Watanabe) que também planejava se matar e mudou de ideia (foto). Os dois ficam perdidos na imensidão da floresta refletindo sobre o valor da existência.

Boa parte das gravações ocorreu no Japão mesmo. O lançamento está previsto para este ano, mas ainda sem mês definido.

Pesquisando no YouTube encontrei esta produção da revista Vice, que acompanha o trabalho de um guarda ambiental que circula pelo Aokigahara. É impressionante, vale a olhada.

"Ida" estreia na Ulysses Geremia

17 de março de 2015 2

A salvadora Sala de Cinema Ulysses Geremia estreia nesta quinta o premiado filme polonês Ida, vencedor do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Mais que tudo, o longa é um deleite aos olhos. Eu escrevi sobre…

Crédito: Zeta Filmes

Crédito: Zeta Filmes

Poesia sem cor

Trata de fé e religião, com uma jovem prestes a confirmar votos para se tornar freira. Também trata das devastadoras consequências da Segunda Guerra Mundial, com ênfase no massacre ocorrido na Polônia. Mas não são essas as temáticas responsáveis por guardar a maior força do premiado longa Ida — estreia desta quinta-feira na Sala Ulysses Geremia (Luiz Antunes, 312). A produção polonesa, vencedora do Oscar 2015 de Melhor Filme em Língua Estrangeira, se sustenta pelo visual preto e branco comovente e pela ênfase da trama ao elemento humano. Com duas mulheres antagônicas como personagens centrais, a obra do diretor Pawel Pawlikowski alterna com talento suavidade e aspereza (essa em doses maiores, é bom avisar).

O silêncio é uma característica importante da personagem título vivida pela atriz estreante Agata Trzebuchowska. Nas primeiras cenas do filme, a jovem noviça que acredita se chamar Anna aparece em sua rotina de convento sufocantemente introspectiva, se vista com olhos dos nossos dias. Num dos takes bem iniciais, as noviças carregam uma grande estátua de Jesus e abre-se a deixa para uma analogia emblemática. É o peso da fé que Anna vai aprender a medir mais adiante.

A trama começa a se desenvolver assim que a jovem descobre que, antes de realizar seus votos para tornar-se freira, precisa passar uns dias com sua única familiar viva, uma mulher que nunca quis conhecê-la antes. Ao entrar em contato com a tia Wanda (vivida com entrega por Agata Kulesza), a garota encarna uma busca calada por sua própria história. A tia aparenta experimentar intensidade em tudo que a sobrinha não conhece. Wanda relaciona-se com vários homens, bebe, fuma e questiona autoridades. O encontro entre as duas começa torto, mas o laço de sangue vai falar mais alto.

Quando Anna descobre que, na verdade, se chama Ida e é filha de judeus, o longa se transforma numa espécie de roadmovie emoldurado em beleza e drama. Tia e sobrinha protagonizam a partir daí a construção cruel — e ao mesmo tempo cativante — de uma memória delas mesmas. Nesse percurso, a noviça também encontrará suas primeiras tentações, ao som de John Coltrane.

Quase não há movimentos de câmera em Ida. Cada cena é pensada e desenhada como uma fotografia. Há lentidão em boa parte delas, para o deleite do espectador. O uso sensível da linguagem P&B transforma em poesia estética, por exemplo, simples pés que dançam num piso quadriculado. O enquadramento das personagens também é interessante. Pawlikowski quase nunca centraliza os rostos. Ida e Wanda surgem às beiradas do quadro, e os cinzas que compõem as cenas passam uma sensação quase esmagadora de melancolia. A câmera estática só desestabiliza no final, tremulando enquanto acompanha Ida em suas escolhas definitivas.

Grande Tony Iommi

12 de março de 2015 0
Crédito: VH1

Crédito: VH1

Vamos combinar que a falta de dois dedos nunca fizeram falta — musicalmente falando — ao mestre Tony Iommi, guitarrista do Black Sabbath. Mas a história de como ele sofreu esse acidente e mesmo assim não desistiu do sonho de ser músico rendeu um curta muito bacaninha chamado Fingers Bloody Fingers (adorei a referência um tanto insólita a um dos maiores clássicos da banda, Sabbath Bloody Sabbath).

Os desenhos são de Paul Blow e a animação de Kee Koo. O áudio é de uma entrevista do próprio Iommi, narrando a história. Não tem legenda, mas os desenhos são autoexplicativos.

Vale ver!

Na Ulysses Geremia

11 de março de 2015 0

Duas atrações bem bacanas vão rolar na Sala de Cinema Ulysses Geremia neste fim de semana. Confira:

Primeiro, na madrugada desta sexta para sábado, a partir da meia-noite, ocorre mais uma edição do Pesadelo Coletivo. O tema desta vez são vilões sanguinários, cruéis e macabros… Pois bem, o pessoal da sala escolheu o clássico absoluto Psicose, de Alfred Hitchcock. Já o público que votou pelo Facebook optou por Pânico, de Wes Craven, que renovou o gênero slasher movies na década de 1990. A recepção começa às 23h e os ingressos custam R$ 15, à venda antecipadamente no Centro de Cultura Ordovás (Rua Luiz Antunes, 312) e Kollector Colecionáveis (Shopping Triches). Dica: comprem logo antes que termine, essas sessões costumam lotar…

Segundo, na tarde deste sábado a sala recebe a Matinê de Curtas Independentes, a partir das 15h. Os filmes foram realizados por alunos do curso de Produção Audiovisual da PUCRS. A entrada é franca. Veja abaixo a sinopse dos filmes exibidos:

* Noite de Sorte (Rodrigo Barrero): Um homem de sorte. Uma mulher morta. Um policial na porta. Algo deu errado. O culpado? Quem se importa? Quando se está a um passo da morte?

* A Garrafa Quebrada (Leonardo Barbedo): Oliver, um jovem estudante francês se aventura ao viajar para Alemanha em busca de liberdade, e acaba encontrando o bar “Die Zerbrochene Flasche”.

* Café à Trois (Nahara Rech): Observar as relações cotidianas nos surpreende quando percebemos que ficção nem sempre é o oposto da realidade.

Cada filme será apresentado e comentado por seus realizadores. Apareçam!

Talian

09 de março de 2015 0
Crédito: Daniel Herrera

Crédito: Geni Onzi

Depois de três anos de produção, o documentário Brasil Talian será lançado nesta quinta-feira, em Antônio Prado. O filme faz uma reflexão sobre a importância da língua mantida por alguns moradores mais antigos da Serra, e reconhecida como Referência Cultural Brasileira recentemente. As gravações foram feitas em cidades como Caxias, Antônio Prado, Nova Pádua, também no Espírito Santo (eu nem sabia que havia colonização italiana por lá também), e na Itália.

A direção e o roteiro são de André Costantin, a direção de fotografia de Daniel Herrera e a produção de Fernando Roveda.

A sessão de estreia ocorre às 19h30min, no salão da Capela Nossa Senhora de Monte Bérico, na Linha 21 de Abril, interior de Antônio Prado. A entrada é franca.

Bad news

06 de março de 2015 0

Hoje trago notícias ruins. Infelizmente, a tão festejada programação do UCS Cinema, que voltou cheia de gás em fevereiro, terá novo hiato agora em março. A informação oficial é de que o espaço passará por reformulações técnicas, visando melhorar as sessões — que prometem ser retomadas em abril.

Esperamos que seja assim mesmo, que o fechamento seja breve e com a preocupação de otimizar o cinema. Acho que a programação — que levou centenas de pessoas às sessões de fevereiro — capitaneada por Robinson Cabral e Elisabete Souza precisa ganhar o respaldo que merece, inclusive pela UCS.